The Fallen Angel

5 Acho meu fio de Ariadne


Notas iniciais
Oie meus amores, aí está o capítulo, espero que gostem.

Passei ás ultimas cinco horas voando pela cidade, procurando meu humano.

Sim, estou chamando-o de “meu”, mas acho que á essa altura, já posso ter certa liberdade. Estou fazendo uma loucura, é completamente proibido o contato de anjos com humanos, mas eu precisava ver ele, saber onde vivia.

Desviei de uma pomba perdida, dei um pequeno sorriso afetado e segui meu caminho, estava indo ao lugar mais comum de Nova York, o metrô. Os humanos vivem naquele meio de transporte, ele devia ir lá, já era um começo.

Desci aquelas escadarias apinhadas de gente, fiquei invisível aos olhos mortais, mas ele me veria, eu sei disso. Desviei de um homem apressado, ele não podia me ver, mas acho que podia me sentir, ou apenas algo mais solido no ar, como se atravessasse uma barreira invisível, invisível e angelical.

Senti um arrepio me tomar, pressagio de morte. Trinquei os dentes, fechei os olhos para tentar localizar a alma.

Vi o homem anotar algo em sua prancheta, o brilho de seus óculos bateram em meus olhos, gerando certo desconforto. Pela janela, vi o endereço. O corpo forte e bonito esticava-se no divã, estava de olhos fechados, mas eu sabia que era ele.

Abri os olhos, segurando a garganta. Sabia onde encontra-lo, eu vira meu humano.

***

- então, você está vendo essa garota – disse o psicólogo – onde disse que á viu?

Suspiro, ouvi seu coração bater.

- eu á vi na rua – contou a voz grave e rouca que me levou um arrepio bom – e em uma festa.

Ouvi a caneta riscar o papel, o barulhinho irritante dos ponteiros do relógio me davam agonia.

- sempre a vê junto á corpos – disse o psicólogo.

Respiração funda, engoli em seco.

- exato – disse a voz grave – na rua, com uma senhora. Na festa, com uma garota.

Silencio, apenas o riscar da caneta podia ser ouvido.

- eu achei que estava ficando louco – contou – mas, na festa, eu pude toca-la. Eu senti a textura de sua pele, eu senti seu braço, ela é fria, mas eu pude senti-la.

O riscar parou, assim como minha respiração, por um segundo.

- e o que aconteceu depois que você tocou-a? – perguntou o psicólogo.

Silencio, aprumei mais os ouvidos.

- ela abriu as asas – contou, sua voz mostrava que ele estava em outro plano – e saiu voando pela janela.

Parei de respirar, pude ouvir o som do coração de ambos baterem mais forte.

- Jensen, você tem certeza de que está bem? – perguntou o psicólogo.

Ouvi um suspiro, estava me coçando para entrar pela janela que espiava.

- eu devia estar bêbado – resmungou – não foi nada.

Ele acha que eu sou uma alucinação, não sei se fico feliz ou triste com isso.

- sei – disse o psicólogo – bem, acho que terminamos por hoje, vamos tentar outra vez na semana que vem.

Ouvi o barulho de passos, depois, uma porta abriu-se e fechou-se em questão de minutos. Soltei um suspiro pesado e voei para o outro lado da rua, pousei em cima de um prédio e esperei pelo momento em que meu humano sairia na rua.

Meu coração deu um salto quando ele o fez, vestia uma jaqueta de couro preta que contrastava com sua camisa branca, esta, por sua vez, ressaltava seu tórax forte e definido. Dei um pequeno sorriso ao vê-lo atravessando a rua, seu rosto estava levemente irritado, como se decidisse que tinha sido uma péssima ideia ir á um psicólogo. Aprumei minhas asas, pronta para alçar voo se precisasse, iria segui-lo aonde quer que fosse.

Um arrepio me tomou, pressagio de morte. Trinquei os dentes, não podia ser agora, não quando eu finalmente achara meu fio de Ariadne. Respirei fundo e olhei para baixo, não o vi em parte alguma, tinha perdido meu humano.

- não – resmunguei – só pode ser brincadeira.

Abri minhas asas e voei até onde eu o tinha visto pala ultima vez, uma esquina. Olhei para o lados, varias pessoas passavam, fazendo-me ficar confusa. Vi uma jaqueta igual a sua andando logo adiante, apressei meus passos e ouvi um disparo.

As pessoas gritaram e se assustaram quando o atingido pela bala caiu no chão, suspirei e agachei-me junto á seu corpo. A alma ainda estava em transição, ou seja, ainda não tinha sido liberada, ele ainda podia sobreviver. O homem estava caído de costas para mim, virei seu corpo com cuidado, precisava tocar sua testa para reclama-lo como meu. Congelei ao ver seus olhos escuros e familiares, arregalei os olhos, não podia acreditar no que estava acontecendo.

Ele arregalou os olhos, pude sentir sua vida se esvaindo, sua alma tentando despregar-se do físico, virando espiritual. Olhei em seus olhos confusos, meu humano não podia estar morrendo, não podia ser eu aquela que o mataria.

- vai ficar tudo bem – sussurrei – feche os seus olhos.

Ele não fez o que eu mandei, soltei algumas lagrimas brancas, vendo-o lutar pela vida. Sua mão estava em cima do peito, o ferimento á bala ainda fresco e sangrento, ao alcance de meus dedos.

- eu não vou deixa-lo morrer – suspirei – não posso.

- como... – gaguejou

Coloquei meus dedos em sua boca, impedindo-o de formular as palavras que ele queria dizer.

- calado Jensen – sussurrei – confie em mim.

Senti em seu olhar que ele confiava, fechei os olhos e toquei seu ferimento. Canalizei meu poder, não era um anjo curandeiro, mas podia salvar uma vida, caso ela ainda não estivesse pronta para seguir em frente.

- essa alma ainda vai viver – sussurrei – cura-lo irei, cuidar dele irei, até que a morte o clame como seu.

Uma pequena claridade atingiu seu ferimento, curando-o por dentro, apenas o suficiente para fazê-lo viver por algum tempo, até a bala ser removida.

- vais ficar bem agora – sussurrei em sua orelha – eu vou proteger-te.

Afaguei seu rosto, Jensen olhou em meus olhos por um longo tempo, até eu levantar e alçar voo, deixando-o com os paramédicos, indo para um hospital.

***

Não consegui conter as lagrimas brancas que saíram enquanto eu fitava o horizonte, havia lutado contra meu propósito, salvara uma alma que deveria ser recolhida. Eu devia tê-lo deixado morrer, devia tê-lo mandado para o paraíso, ou á outro lugar, mas não podia tê-lo deixado viver.

Mas eu não podia, não conseguia tirar sua vida, mesmo sendo contra nossas leis e regras. Ninguém poderia saber do meu feito, ou, eu seria condenada á viver na terra, como um anjo caído, reduzida á rancor e magoa, viraria um demônio.

Sequei as lagrimas e levantei, tinha que ver se ele estava bem. Abri as asas e fechei os olhos, voando ás cegas, apenas usando meu senso de direção como guia. Senti que colidiria com algo solido, abri os olhos, estava sobrevoando uma praça interna de um hospital. Desci e parei junto as brinquedos para as crianças, olhei em volta. Poucas pessoas passavam pelo local, a noite estava caindo, reduzindo ainda mais o movimento de pessoas ali. Apenas uma pessoa estava ali, era um homem velho, vestido de medico. Perecia muito infeliz, como se tivesse sido o culpado pela morte de um paciente. O homem colocou as mãos na cabeça e fechou os olhos, não consegui conter minha curiosidade, aproximei-me dele e sentei ao seu lado no banco.

- me perdoe – sussurrou – eu não tive culpa, mas me perdoe.

Pousei a mão direita em seu ombro, aquele homem sentia a culpa da morte de uma paciente, uma pobre mulher que fora esfaqueada. Fechei os olhos, entrando em sua mente.

- não foi sua culpa – sussurrei – deves relaxar, saber que não fostes tu o culpado.

Tirei a mão de seu ombro, o homem abriu os olhos, brancos por um segundo, que logo voltaram ao azul escuro. Tinha usado meu poder, para aliviar seu pesar, já que a culpa não fora dele.

- estou melhor – sussurrou – não foi minha culpa.

Sorri, mesmo sem aparecer ao homem, sabia que ele tinha me ouvido.

- doutor Clint, comparecer á sala de cirurgia – soou o microfone esterno – doutor Clint, comparecer á sala de cirurgia.

O homem levou um pequeno susto, mesma reação por minha parte, e levantou-se. Segui-o até a entrada do hospital, o médico andou apressadamente pelos corredores, pegou um prontuário e assinou-o. As portas do saguão se abriram, paramédicos empurravam um homem em uma maca.

- Jensen! – falei

Ele estava de olhos fechados, os aparelhos indicavam que ele não estava sobrevivendo.

- tragam-no á sala de cirurgia – mandou o médico.

Os paramédicos obedeceram, acompanhei Jensen até o interior da sala. Ele estava inconsciente, portanto, não podia me ver ou sentir minha presença. Fiquei angustiada, pela primeira vez, eu desejei que ele me visse, apenas para saber que eu estava ali, por ele.

- conectem ele á as maquinas – mandou Clint – enfermeira!

Eles começaram o procedimento, aproximei-me de Jensen, acompanhando todos os momentos de sua cirurgia complicada. Acariciei seu rosto, Jensen dormia sob o efeito de anestésicos, então não podia sentir meu toque.

- vais ficar bem Jensen – sussurrei em sua orelha – estou olhando por você.

Depositei um pequeno beijo em seu rosto, não sei porque fiz aquilo, mas não pude evitar. Meu humano estava morrendo na minha frente, acho que isso despertou algo em mim, algo que anjos não sentem. Ainda não sei o que é, mas eu vou descobrir.

Notas finais
Espero que tenham gostado, beijos, até o próximo capítulo.