The Fall of Dead Minds
1 Prólogo
Notas iniciais
Ele ajeitou o jaleco e pegou o rosto da garota entre as mãos. O apalpou, sentindo os ossos temporais. Buscou uma lanterna no bolso do peito e a ligou na altura dos olhos da jovem sentada na maca. Devolveu ao bolso e rabiscou algo na prancheta. Arrastou uma cadeira até em frente da cama hospitalar e sentou, usando o apoio das costas para os braços. Leu algo na prancheta, sem olhá-la:
— Luiza Slutskaya... Mogu li ya nazyvat' tebya Lu? “Louise Slutskaya... Posso te chamar de Lou?”
Ela assentiu, balançando o cabelo loiro curto e liso, sorridente.
— Tak Lu, kak vy sebya chuvstvuyete s momenta nachala osushchestvleniya Ipsum? “Então Lou, como se sente desde a aplicação do Ipsum?”
— Luchshiy. Zdoroveye. “Melhor. Mais saudável” — tinha a voz fraca devido à garganta seca. Ele anotou no papel enquanto ela continuava. Ela engoliu em seco e prosseguiu: — Dazhe ne pomnyu, chto eto bylo pokhozhe, chtoby chuvstvovat' sebya khorosho. “Nem me lembrava como era se sentir bem.”
O homem assentiu. Era loiro escuro e tinha olhos azuis escuros frios. Devia ter trinta anos, mas as olheiras e a falta de expressão lhe envelheciam uns cinco anos.
— Tip 2, ne tak li? “Tipo 2, certo?”
Louise suspirou e ajeitou o cabelo atrás da orelha. Havia bandagens em seu pescoço e usava calça jeans e blusa de lã verde musgo com gola role.
— Imenno tak. “Exatamente.”
— Kogda vy v posledniy raz khimioterapiya sessiya? “Quando foi sua última sessão de quimioterapia?”
— Okolo shesti mesyatsev. “Faz uns seis meses.”
O russo levantou e pegou os exames em cima de uma bancada. Os analisou por um tempo, coçando o queixo, sem nada dizer.
— Yest' li u vas kakoy-to smysl ili pochuvstvovat' kakiye-libo neobychnyye boli? “Você tem alguma sensação ou sente alguma dor incomum?”
— Inogda ya chuvstvuyu diskomfort v golove. Kazhetsya, eto kak-to pul'siruyushchaya, moya krov' davleniye nizkoye, i ya pochti obmorok. A tut yeshche etot. “Às vezes, sinto um desconforto na cabeça. Parece que tem algo latejando, minha pressão fica baixa e eu quase desmaio. E também tem isso” — arregaçou uma das mangas, relevando um braço pálido cheio de marcas acinzentadas.
O loiro tocou com a ponta dos dedos no braço da garota, franzindo as sobrancelhas.
— Eto nepravil'no... “Isso está errado...” — resmungou, levantando-se. Louise ficou gelada, não queria entender o que ele queria dizer com isso.
— Doktor? “Doutor?”
Ele remexia no balcão, atrás de alguma coisa. Virou-se e trazia uma seringa nas mãos.
— Lech'! “Deite-se!” — ordenou enquanto puxava o líquido do vidrinho. Seu tom de voz foi tão cortante e duro que ela deitou sem pensar.
O homem veio na direção dela, largando a seringa numa apoio metálico. Bateu com força na garganta dela com a lateral da mão e ela soltou algo como um urro. Prensou-a contra a maca, usando o cotovelo, tentando fechar as tiras de segurança.
— Stop! Chto vy delayete, vy s uma soshli?! “Pare! O que você está fazendo, você está louco?!” — ela tentou berrar, desesperada, com a voz falha.
— Tikho, suka. “Quietinha, cadela” — falou terminando de afivelar as tiras. Pegou a seringa, deu um peteleco no líquido e ajeitou o braço da garota. — Eto prosto nemnogo ukol... “É apenas uma picadinha...”
Injetou na veia da garota que esperneava. Inicialmente, ela não sentiu nada. Os segundos passaram e sentiu as mãos e os pés formigarem, e, rapidamente, a dormência foi subindo pelo corpo até que ela não conseguisse mais se mover. Sentia o corpo arder e seu cabeça parecia prestes a explodir.
— Chto ty sdelal? “O que você fez?” — a face parecia mole e desengonçada.
— Eto sredstvo dlya boli, dorogaya. “É um remédio para dor, querida.” — tocou no rosto dela, com carinho.
Enquanto podia mover os lábios, ela gritou de dor. Ele parecia indiferente e aguardava ao lado dela, segurando delicadamente sua mão, como se não soubesse do que se tratava.
Logo, o volume da voz dela foi baixando gradativamente até ser um sussurro e então silenciar-se completamente. O russo largou sua mão e testou o pulso. Buscou a prancheta caída e anotou algo.
— Vy tol'ko pervyy. “Você é só a primeira.” — murmurou, falando sozinho, quase que contente, apesar de se sentir mal pela garota
Colocou-se atrás da maca e a empurrou sala a fora, cantarolando uma velha canção que sua avó usava para niná-lo.
Entrou em uma sala clara e esterilizada. Deixou a maca em uma fileira de outras macas vazias. Andou até o final da grande sala, parando na frente de um computador de primeira linha, com uma tela grande. Digitou rapidamente e voltou até a maca, mancando, encarando o corpo.
Soltou as tiras de segurança afiveladas e segurou na mão flácida.
A mão não esquentou, o pulso não voltou, mas os olhos se abriram. Ergueu o tronco e sentou-se na ponta da maca, mecanicamente.
— Kak ty sebya chuvstvuyesh'? “Como você está se sentindo?” — o homem perguntou.
Ela virou o rosto, os olhos antes azuis agora estavam esbranquiçados e o rosto era branco como cocaína.
— Dead. “Morta.”
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