Notas iniciais
Eu só iria postar esse capítulo no sábado, mas como os comentários me deixaram bastante animada vou postar logo XD Obrigada a cada uma de vocês que comentaram e me ajudaram, cada palavrinha significou muito e me deu vontade pra continuar escrevendo, obrigada ♥ Bem, mais uma vez o capítulo ficou maior do que eu esperava, achei que essa parte do acampamento teria fim agora, mas possivelmente vou fazer uma terceira parte (talvez) Bem, se você leu isso aqui, muito obrigada, espero que gostem da leitura do capítulo :3 P.S: as músicas que eu coloco nos inícios dos capítulos geralmente são as que ouço enquanto escrevo e percebo que se encaixam de alguma forma, essa seria perfeita para um momento GaLe Boa leitura ♥

"If you just realize

What I just realized

That we'd be perfect for each other

And we'll never find another

Just realize

What I just realized

We'd never have to wonder

If we missed out on each other, but"

Realize — Colbie Caillat


—Wow! – Lucy exclamou saltitando enquanto entrava no quarto – É realmente grande! E a melhor parte é que vamos dormir todas juntas!
—Quanta animação, é só um acampamento, se ao menos tivesse alguém interessante, ou alguma coisa para fazer, mas até o momento eu só colhi plantas – Ultear disse enquanto pegava um biquíni na bolsa – Ao menos teremos essa festa para passar o tempo.
—Vão insistir nessa história de banho no mar antes da festa? – Mira parecia preocupada – Não seria melhor ficarmos na areia? Em terra firme, sem água...
—Calma Mira – Erza jogou uma toalha para a albina – Você não precisa entrar no mar, tem um píer e você pode ficar tranquila que nem uma gota de água vai chegar perto, prometo.
—Está bem... – Mirajane se deu por vencida – Vou me trocar e já volto.
—Espera – Erza a segurou pelo braço – Vamos esperar algumas das meninas saírem do banheiro, enquanto isso preciso te falar uma coisa.
—Okay – Mirajane franziu o cenho – Aconteceu algo?
—Sim, uma coisa maravilhosa e horrível ao mesmo tempo – A ruiva sentou pesadamente no chão.
—Você está me deixando preocupada Erza – Mira sentou ao lado da amiga – Se você acha que vai se sentir melhor conversando com alguém eu posso te ouvir sem problema.
—Você tem razão – Erza suspirou e fechou os olhos – Jellal me beijou.
Mirajane não conseguiu conter sua face assustada, mas para sua sorte a amiga permanecia com os olhos fechados e não viu a decepção estampada na sua face, esperou alguns segundos para assimilar aquela informação: Jellal e Erza haviam se beijado e aquilo devia ser uma coisa boa, mas por alguma razão a amiga estava triste, mas principalmente o que Mira não conseguia explicar era o motivo de o seu coração estar doendo tanto.
—Certo... Até onde sei você gosta do Jellal, então qual o problema dele ter te beijado? – De repente a albina segurou Erza pelos ombros – Ele te beijou a força?! Ele tentou algo mais?!
—Não Mira, calma – Fez com que a amiga sentasse novamente – Estávamos conversando sobre algumas coisas do passado e meio que caímos, então ele ficou por cima de mim e acabamos nos beijando.
—E foi ruim?
—Hum, foi... – Ela pensou por alguns segundos – Foi bom, mas acho que estava muito nervosa, achei que os lábios dele seriam mais macios.
—Então qual o problema?
—Ele parou de repente e me afastou, praticamente me empurrou para longe e disse que já estava saindo com alguém, eu não sei qual o problema com ele Mira! Quer dizer, se realmente tem alguém por que raios ele me beijaria daquela forma?! Eu não entendo, e parece que tem um buraco no meu peito agora.
—Calma Erza, eu tenho certeza que Jellal vai explicar isso a você depois, se ele estivesse saindo com alguém acho que Gray e Natsu saberiam e nunca comentaram nada – Ela passou a mãos pelos cabelos ruivos da amiga – Mas eu fico feliz que vocês deram um primeiro passo. Agora vamos, ou perdemos a melhor parte do dia.
—Certo – A ruiva levantou com um pulo e estendeu a mão para ajudar a amiga a se levantar – Obrigada por me ouvir Mira, me sinto bem melhor.
—Não precisa agradecer, melhores amigas são para isso.
—Já peguei minhas coisas, podemos ir?
—Hum, você pode ir na frente, tenho que ligar para minha mãe e avisar que estou bem, se eu não der notícias ela fica preocupada – Erza fez menção de se aproximar – Não, pode ir na frente Erza-chan, daqui a cinco minutos eu chego lá.
—Erza-chan?
—Apenas vá Erza, depois conversamos.
Após alguns segundos e quando ouviu os passos da ruiva já distantes Mira se ajoelhou no chão e deixou que toda aquela dor dentro do seu peito transbordasse em lágrimas, ela não sabia explicar o motivo, não sabia exatamente o que estava sentindo, mas doía, doía tanto que ela mal conseguia respirar, então ouviu passos na direção do quarto e apressada enxugou as lágrimas que escorriam.
—Mira? O que houve? – Era Cana – Está chorando?
—N-nada Cana, estou bem – Mirajane levantou abruptamente e tentou se afastar, mas a morena a segurou pelo braço – Me deixe...
—Não – Cana soltou o braço da albina – Não gosto quando meus amigos estão tristes desse jeito e desde que voltei você anda assim, estou preocupada Mira. Está com problemas de novo?
—Não é nada disso, eu só – Mirajane parou por alguns segundos, desejava contar a Cana todo o turbilhão de sentimentos e dúvidas que estavam na cabeça dela – Só esqueça okay? Eu vou ficar bem.
—É sobre Erza... não é? – Cana olhou para Mirajane enquanto se aproximava – Você está assim por causa dela.
—D-do que você está falando? – Mira estava ficando extremamente corada – Todos hoje resolveram achar que estou triste por conta da Erza! Que droga, eu tenho meus próprios problemas, nem sempre aquela ruiva está envolvida neles!
—Então mais alguém percebeu – Cana suspirou – Olha Mira, eu sei o quão confuso tudo isso pode ser e é perfeitamente normal, mas desse jeito mais pessoas vão se envolver e eu tenho certeza que não é isso que você quer. Eu posso não ser a pessoa mais adequada para conversar, sou só um ano mais velha que você, talvez conversar com sua mãe ajude.
—Cana, eu realmente não sei do que você está falando – Mira virou as costas e foi em direção à porta – Agora tenho que ir.
—Você ama a Erza – Cana esperou Mira estacar– Você sempre gostou dela, mas agora está percebendo que não é só amizade, eu sempre soube disso.
—Como pode ter tanta certeza do que está falando?! – Mira sentia seus olhos arderem com as lágrimas – Você não sabe absolutamente nada sobre mim!
—Então explica pra mim, quando Erza e Jellal estão próximos, o que você sente? Dói, não é? Quando ela vem falar sobre ele – Cana se aproximou lentamente de Mira e a segurou pelos ombros – Guardar isso só para você não vai te fazer bem, Erza precisa saber também Mira, ela está te magoando sem saber e você mais que ninguém sabe que a última coisa que ela faria seria te magoar.
—Eu... eu não sei o que estou sentindo – Mira olhou para Cana como se esperasse alguma resposta – É tudo tão novo e estranho, antes eu olhava para a Erza e só enxergava o quão forte ela era e era somente uma coisa de amigas, mas de repente...
—De repente se tornou algo mais – Cana sorriu – Você simplesmente sente vontade de tocá-la de uma forma que amigas não fazem, de abraça-la, sentir o perfume dela.
—C-como você sabe? Não vai me dizer que...
—Não, eu não gosto da Erza se é o que quer saber – A morena foi em direção à porta – Mas, desde sempre eu sei que eu gosto de garotos – Ela piscou o olho – E garotas também. Agora acho melhor irmos, ficarão preocupados com a nossa demora.
—Okay – Mirajane ainda tinha a face confusa – Vou tentar assimilar tudo isso.
—Mais uma coisa, assim que tiver confiança e uma oportunidade converse com Erza, eu tenho certeza que ela vai entender a situação. Se você continuar se reprimindo dessa maneira as coisas não vão acabar bem, pense nisso albina.
Cana saiu do quarto e deixou Mirajane sozinha com seus pensamentos, ela sabia o quanto aquilo parecia confuso na cabeça da amiga, mas quanto antes descobrisse e aceitasse aquele sentimento menos pessoas se machucariam.
***
Erza caminhava lentamente em direção ao píer, a maioria dos alunos estavam na praia mergulhando, alguns apenas sentados na areia olhando para o nada e uns poucos mais atrevidos ousavam trocar beijos quando percebiam que os olhares dos professores estavam focados em um canto qualquer. Olhou em volta e um pouco afastados viu Jellal e Ur, eles pareciam tão íntimos e a maneira como a morena tocava nele deixava a ruiva fervilhando de raiva.
—ERZA! – Era Natsu correndo em sua direção – Viu a Lucy?
—Não, achei que ela já estava por aqui, só Mirajane e Cana continuaram no quarto.
—Mira e Cana? Juntas no quarto? – Natsu sorriu descrente.
—O quê? – Erza parecia não ter entendido – Algo engraçado que você queira compartilhar?
—Não, não é nada. Se por acaso você encontrar a Lucy pode falar que estou esperando perto do píer.
—Mas... – Antes que Erza pudesse falar Natsu correu em direção aos outros – Argh! Eu não estou no clima para esse tipo de socialização – Deu meia volta e foi em direção à casa – Ficar vendo Jellal com aquela tal Ur é doloroso, não quero que me vejam desse jeito.
Já estava na metade do caminho quando esbarrou em alguém.
—Oh, desculpe – Só então percebeu quem era a pessoa – Cana?! Achei que você já estivesse no píer.
—Não, acabei ficando um pouco com Mira, ela parecia realmente preocupada – A morena sorriu – Mas acho que ficará tudo bem.
—Acho melhor eu ir vê-la, aquela albina não tem se sentido muito bem nos últimos dias e a última coisa que eu quero é vê-la afundando novamente.
—Não precisa, ela já se acalmou – Cana mais uma vez sorriu ao notar a face confusa de Erza – Vamos, eu não queria participar de toda essa festa hoje, mas quem sabe não acontece algo bom comigo após tanta maré de azar não é mesmo? Meu pai está com aquela tal professora com cara de inocente, mas eu sei que ela não passa de uma vadia.
—Cana eu sei o quanto deve ser difícil para você, mas ao menos deveria tentar entender o lado do seu pai, faz muitos anos que a tia Cornelia morreu...
—Se matou! Ela não... – Cana suspirou – Somos primas Erza, eu sei bem que você deve ter passado um inferno naquela ilha, posso não ter sofrido como você, mas acredite, encontrar sua mãe na sala de casa jogada em uma poça de sangue não é algo fácil de superar – as últimas palavras saíram engasgadas – E ele está traindo a memória da minha mãe com essa professora!
—Laki é uma ótima pessoa, você deveria ao menos dar uma chance.
—Não quero falar sobre isso, vamos logo antes que eu mude de ideia e resolva ir embora desse acampamento hoje mesmo.
—Não acha melhor esperarmos pela Mira? Talvez ela precise de algo, você sabe que ela ainda tem medo do mar.
—Não, a Levy está sozinha no píer, ficamos lá um tempo e assim que Mirajane chegar voltamos para a praia, okay ruivinha?
—Certo – Erza respirou fundo e afastou as mãos de Cana dos seus ombros – Tem certeza que Mira não e disse nada importante e que eu preciso saber? Ela está estranha comigo ultimamente.
—Certeza absoluta – Cana mentiu descaradamente – Está tudo ótimo.
***
O sol já dava indícios que iria embora em pouco tempo, todos estavam no píer conversando, os professores já haviam finalizado os preparativos para a festa durante a noite, algumas fogueiras acesas espalhadas pela areia, mesas com frutas e um som que do lugar em que estavam não conseguiam ouvir muito bem, mas ainda assim o clima estava agradável.
As garotas estavam sentadas todas juntas, tentavam fazer Juvia se entrosar com o restante do pessoal, não estava sendo uma tarefa fácil e a todo momento achavam que ela começaria a chorar.
—Mira, sente-se mais próximo – Erza apontou para um lugar ao seu lado.
—Não, aqui está ótimo – Mira abraçou os próprios joelhos tentando controlar sua vontade de sair correndo para a areia – Na verdade acho que já está na hora de sairmos daqui não é mesmo?
—Mal chegamos – Ur disse de onde estava – Está com medo da água albina?
—Calada Ur! – Jellal disse – Você poderia ao menos tentar ser gentil? As garotas estão tentando de alguma maneira fazer você se sentir enturmada.
—Bem – A morena sorriu – Não estão conseguindo. Você poderia me ensinar a nadar não é mesmo? Prometeu faz um bom tempo e até agora não cumpriu.
—Espere um momento – Jellal afastou as mãos de Ur do seu corpo – Estamos no meio de um jogo ali, assim que terminar eu te ensino, tudo bem?
—Certo – Ur respondeu enquanto de relance lançou um olhar malicioso para Erza – Vou esperar ansiosa.
—Acho que vou comer algo – A ruiva disse enquanto se levantava – Alguém vem comigo? Mira, você queria ir para a areia, se quiser me acompanhar.
—Não, acho que vou ficar mais um pouco por aqui, preciso pensar.
—Eu vou, Juvia está com fome? Você ficou calada a maior parte do tempo, quer algo?
—Juvia queria ficar olhando Gray-sama – Ela corou – Mas também está com fome e aqui está começando a esfriar, então vou com vocês.
Quando todos haviam se afastado e só Ur e Mirajane estavam no meio do píer, Levy e Gajeel se mantinham mais afastados conversando baixinho de uma forma que não pudessem ouvir.
—Meus amigos não gostam muito de você – A azulada disse olhando para o horizonte.
—E você? Gosta de mim?
—Eu não sei.
—Gostaria de me conhecer melhor para ter uma opinião mais concreta?
—Eu não sei...
—Levy... – O moreno segurou a mão pequena entre as suas – Acho que quem tem que gostar de mim é você e não seus amigos, sua mãe também não pode te impedir de nada, eu já me desculpei mil ve- Ele se calou quando Levy colocou o indicador em seus lábios.
—Eu sei disso, mas eu preciso pensar. Está tudo muito confuso na minha cabeça – Ela o encarou – Eu gosto de conversar com você e... gosto quando você me toca – Disse baixinho enquanto sentia suas bochechas queimarem, não se atreveu a olhar para Gajeel – Mas eu ainda não tenho certeza do que sinto.
—Certo – Gajeel sorriu – Então isso quer dizer que eu posso continuar esperando.
—Não foi o que eu disse! – Levy virou-se e deixou que ele visse seu rosto extremamente corado – Eu não disse nada disso!
—Gehehe – Ele sorriu novamente – Até que para uma baixinha você fica um pouco intimidadora quando quer.
—Não me chame de baixinha! Ah, seu idiota, nunca deveria ter dito essas coisas para você.
Ver Levy tão corada só fez Gajeel rir ainda mais, os dois estavam tão submersos que não perceberam a discussão que estava acontecendo um pouco mais distante entre Mirajane e Ur.
—E aí albina, pensou na minha proposta? – Ur passou a mão pelos cabelos prateados de Mira – Uma oferta como essa não se recebe todos os dias.
—Chega Ur – Mira afastou as mãos da morena – Não vou fazer nada disso, eu jamais machucaria os sentimentos de Erza e principalmente, jamais ajudaria você a ficar com Jellal!
—Wow, que generoso da sua parte, não sabia que você era esse tipo de pessoa – Ur se aproximou um pouco mais com um sorriso de desdém – Pelo que soube você não era uma garota muito ‘boazinha’ até um tempo atrás.
—Cala a boca...
—Até que sua irmã morreu – Ela parou por um segundo e observou o rosto sem cor de Mirajane – Me diz Mira, você ficou com ela até o último minuto? Será que doeu? Você poderia ter se esforçado mais para ajudá-la não é mesmo?
—CALE-SE – Mira se aproximou da morena com um olhar de fúria – Não toque no nome da minha irmã! Nunca mais ouviu bem?! Nunca mais ouse toca no nome dela ou eu acabo com você e dessa vez ninguém vai conseguir te ajudar.
—Olha, é realmente fácil te deixar irritada.
Mirajane deixou que a ira a muito tempo contida falasse mais alto, ela precisa descarregar de alguma forma, fazia muito tempo que desejava bater em alguém e fazer isso com Ur parecia ser a melhor coisa, avançou para cima da morena sem medir a força que impulsionava o seu corpo, a única coisa que estava em sua mente era ao menos deixa-la com o nariz sangrando.
Com um movimento rápido Ur desviou do golpe e segurou Mirajane pela camisa, daquela forma a albina quase caiu no mar, a única coisa que a impedia eram as mãos da morena a segurando, por instinto Mira segurou firme as mãos que a prendiam cravando suas unhas, a expressão de terror tomou conta de seu rosto e por mais que tentasse nenhuma palavra saia de sua boca.
—Como se sente Mirajane? – Ur a provocava – Inútil não é? Agora você sabe como eu me sinto em relação a Erza e Jellal, então vamos fazer um acordo, você me ajuda a separar os dois e eu prometo não te soltar, se não quiser, bem, espero que você ainda se lembre como é nadar...
—N-nunca... – As palavras saíram com dificuldade, por mais medo que estivesse sentindo – Desista.
—Certo – Ur afrouxou um pouco suas mãos e sentiu Mira cravar as unhas em seus braços com mais força – Vou contar até três e então te soltar na água. Um...
Mirajane tentava se concentrar em uma maneira de escapar daquela situação, mas nada aparecia em sua mente, as únicas coisas que vinham eram as lembranças do gosto salgado da água e a temperatura baixa que fazia todo seu corpo tremer e mais uma vez conseguiu visualizar os olhos da irmã sendo puxada pela correnteza.
—Dois... Hum, talvez você devesse chamar sua amiguinha para te ajudar.
Ur parecia se divertir com a situação, ela não pretendia realmente soltar Mirajane na água, no máximo a deixar amedrontada, mas para Mira aquilo não tinha graça absolutamente nenhuma. Num último gesto de desespero enquanto cravava as unhas com mais força ela gritou pela única pessoa que poderia ajuda-la.
—ERZA! – O grito saiu roupo pelo medo que sentia, mas ainda assim ela tentou uma vez mais – ERZA! Por favor... por favor...
—Oe, o que você pensa que está fazendo?! – Era a voz de Gajeel, ele estava correndo com Levy na direção das duas – Solte-a!
—Bom mergulho Mira... – Ur sorriu empurrando Mirajane um pouco mais para a borda do píer – Trê-
Não disse a última palavra quando sentiu um soco lhe acertar o rosto, cambaleou para o lado e com isso soltou Mirajane, quando conseguiu se estabilizar viu Erza logo a sua frente segurando Mira. Ninguém sabia como, mas de alguma maneira a ruiva havia chegado a tempo e impedido a albina de cair no mar.
—Arrrgh! O que você pensa que está fazendo ruivinha? – Ur esbravejou enquanto massageava o local atingido – Gildarts vai saber o que aconteceu aqui!
—Então corre logo e conta para ele antes que te afogue aqui e agora! Corre para o professor, é isso que você faz quando encontra alguém mais forte Ur? Corre para que te defendam?! Eu te avisei para ficar longe da Mira ou então eu mesma resolveria a situação – Erza lançou um olhar de desafio – E aí? Quer apostar comigo quem vence uma briga? – Sorriu desafiadora.
—Chega Erza – Jellal tocou no ombro da ruiva – Ur nunca mais fará nada contra vocês, fique tranquila – o azulado se aproximou de Ur e a segurou pelos ombros – Vamos sair daqui, limpar esse machucado.
—Então é isso Jellal? – Erza estava indignada – Você viu o que ela fez e ainda vai defender essa idiota?! Leve-a até Makarov, ou eu mesma farei.
—Depois conversamos Erza, está bem? Agora preciso cuidar da Ur – Ele saiu puxando a morena pela mão.
—Imbecil – Erza ainda olhava para os dois quando sentiu Mirajane estremecer nos seus braços – Mira? Mira, está bem?
—E-Erza? – Mirajane tentava parar de tremer, mas o medo ainda tomava conta do seu corpo – Ai meu Deus, eu cai na água? O mar...
—Não Mira, você não caiu – ela sorriu tentando reconfortar a amiga – Está tudo bem agora, vamos para a areia o que me diz?
—Como? Eu pensei que Ur iria me jogar.
—Eu prometi que nenhuma gota de água cairia em você não foi? Quantas vezes eu já quebrei uma promessa com você?
—Nenhuma...
—Mira está bem mesmo? – Levy se aproximou e ajudou a albina a se levantar – Quer ajuda para ir até o quarto?
—Não Levy, estou bem – Mirajane forçou um sorriso – Só preciso sair desse lugar.
—Tem certeza que não quer ajuda? – Gajeel se aproximou.
—Não – Erza e Mira responderam em uníssono desconfiadas.
—Hey, hey! O que exatamente está acontecendo aqui? – Laxus se aproximava – Alguém está deixando minha Mirajane chateada?
—Volta para o lugar de onde você saiu Laxus, chegou tarde – Erza segurou a mão de Mira e a puxou para longe – E mais uma vez, deixa essa mania de possessão, Mira não pertence a você e nunca vai pertencer.
—Erza... – Mirajane sentia suas bochechas arderem com tudo aquilo – Vamos sair daqui.
—Espera – Laxus segurou a outra mão de Mira – Preciso falar com você, agora. Só nós dois.
—Não – Mira puxou a mão sem sucesso – Você poderia me soltar?
—Mira, Mira... Acho que você esqueceu que eu sempre consigo o que quero não é mesmo?
—Oe loirinho – Gajeel se aproximou e fez com que Laxus soltasse a mão de Mirajane – Você não ouviu? A garota não quer você, agora pegue esses seus óculos de marca e saia daqui antes que quebre ele junto com esse seu nariz.
Laxus se afastou um pouco e tirou os óculos olhando Gajeel da cabeça aos pés, depois sorriu com desdém.
—É você novamente seu lixo? Eu não avisei para você não aparecer na minha frente novamente?! – O loiro se aproximou – Agora saia daqui antes que eu te dê outra surra.
—Não, você é o único que não é bem vindo aqui, então...
—Parem já com isso! – Levy se colocou entre os dois – Laxus vai embora e Gajeel vai ficar exatamente onde está, você não pode arranjar confusão esqueceu?
Gajeel olhou para Levy, ela estava com aquela expressão determinada, após alguns segundos ele se afastou de Laxus e relaxou.
—Correndo por conta de uma garotinha? É sério que vai deixar essa coisinha mandar em você? – O loiro continuava com as provocações – Olha, por isso que a Fairy Tail está decaindo, com tantos lixos em forma de estudantes. Vem aqui azulzinha – Dizendo isso ele segurou os pulsos de Levy – Me responda uma coisa, apesar de tudo que esse brutamontes fez com você... Ainda quer ser amiguinha dele, você é masoquista?
—Solte-a! Eu não vou falar uma segunda vez – Gajeel segurava o outro pulso de Levy.
—Não.
—Laxus, pela amor de Deus! Você poderia ser menos idiota ao menos uma vez na vida? Nós queremos sair daqui, Mira precisa descansar e Levy pode ser amiga de quem ela quiser, esse idiota cheio de piercings já ganhou um ponto comigo só pelo fato de odiar você.
—M-me solte Laxus...
—Vamos brincar um pouco primeiro...
~~Gajeel~~
‘Vamos brincar um pouco primeiro’, foi o que aquele metidinho irritante disse. O que ele pretendia? Eu só estava me segurando por conta de Levy, não queria deixa-la assustada ou fazer algo que me deixaria ainda mais mal visto no colégio e com seus amigos. Ele estava ameaçando jogar Levy no mar, meus pensamentos estavam ficando confusos, eu queria protegê-la, minha mente mandava eu me afastar, devagar soltei o pulso de Levy e a olhei, vi tristeza naqueles olhos castanhos que eu amei desde o primeiro momento que vi, ela esperava algo de mim, apesar de mandar me afastar não era o que seus olhos diziam.
—Olha, ele obedeceu – Laxus sorriu para mim enquanto puxava Levy para perto – Vamos ver se você consegue nadar Levy, não grite está bem? Somos apenas estudantes brincando em um acampamento idiota do colégio.
Ele então segurou Levy e a estava levando para próximo do píer, Erza e Mira tentavam ajudar, mas elas não conseguiriam chegar a tempo de impedi-lo, sem que eu percebesse minhas pernas começaram a se mover por instinto enquanto na minha mente ecoava a voz da minha mãe ‘Você deve proteger os mais fracos Gajeel, principalmente deve proteger os que ama”, me lancei até o loiro e o empurrei enquanto tirava Levy de suas mãos.
—Cai fora – rosnei enquanto colocava minha fada atrás de mim – Agora!
—Você pode até saber lutar na rua, mas não esqueça de uma coisa Gajeel, você é um cão da minha família ouviu bem? Nós te demos a vida de volta, te alimentamos e vestimos, então não morda a mão de quem te alimentou ouviu cachorro? – Ele estava mais uma vez esfregando na minha cara o quanto eu devia a Makarov – Agora saia da minha frente.
—Nunca.
—Saia ou eu vou te destruir – Laxus estava se aproximando de mim e tentando alcançar Levy, todas as vezes ele tentava me acertar onde doía mais.
—G-Gajeel... – Levy me olhou e eu sorri para ela tentando falar que tudo ficaria bem.
No meu momento de distração Laxus se aproveitou e avançou em minha direção, foi tudo muito rápido, ouvi quando Erza gritou o nome de Levy e ela correndo em nossa direção, quando percebi o corpo pequeno de Levy atrás de mim minha única preocupação foi tirá-la da linha de frente do ataque do loiro, com um movimento rápido a empurrei para o lado fazendo que que caíssem sentada em poucos segundos senti o punho de Laxus no meu rosto e em seguida a sensação da água fria em contato com meu corpo.
“Mexa-se!”, meu cérebro gritava. “Mexa-se seu idiota! ”, mas meu corpo não obedecia, não conseguia fazer a mensagem chegar aos meus músculos, o ar que restava em meus pulmões já estava esgotando e tudo que conseguia pensar era que tinha que me mover, nadar, chegar até Levy e dizer que tudo estava bem, mas eu simplesmente não conseguia.
Eu sabia que não fazia muito tempo que tinha caído, mas parecia uma eternidade, eu já não conseguia me mover e tudo parecia ficar escuro ao meu redor, ‘Devia ter quebrado a cara daquele loiro todas as vezes que tive chance’, a escuridão só aumentava e eu parecia me entregar a ela até que de repente uma luz pareceu aparecer e se aproximava de mim, eu não sabia ao certo o que era, mas não sentia medo, aquilo parecia bom, talvez fosse Metalicana vindo me buscar, engraçado que até no meu último momento eu pensava nela...
Estava perdendo a consciência, alucinando, a luz parecia se intensificar e estar mais próxima de mim, de repente o ar voltou aos meus pulmões e eu conseguia sentir meu corpo novamente, visualizei uma mancha azul a minha frente, ‘Levy?!”, o que diabos ela estava fazendo ali?! Os lábios dela tocavam os meus gentilmente, era dali que o ar estava vindo, ela me soltou e estava se afastando, parecia inconsciente.
Nadei o mais rápido que pude e a alcancei colando seu corpo no meu e a levando para a superfície, em poucos segundos podia sentir o ar retornando limpo aos meus pulmões e a sensação de alivio que me tomou foi gigante.
—Levy! – Eu a abracei – Levy fale comigo, por favor, acorda.
—Ugh... – Ela gemeu e os olhos abriram lentamente – Você está bem?
—Eu que tenho que perguntar se você está bem sua idiota – Não consegui controlar as lágrimas que caiam dos meus olhos – O que estava pensando? Poderia ter se machucado.
—Estava salvando você – Ela deu o sorriso mais lindo que já vi em toda minha vida, tão inocente – Parece que você não consegue se cuidar sozinho Gajeel RedFox, sempre se metendo em confusão.
—Realmente Levy McGarden, sempre me meto em confusão e parece que você sempre está por perto – Enquanto conversava a levava para o píer – Será que tem alguma relação nisso?
—Talvez – Ela me olhou – Talvez devêssemos cuidar um do outro, assim não haveria mais confusão e ninguém se machucaria – Ela suspirou quando a coloquei no píer.
—Mas eu estava certo de uma coisa.
—O quê? – Ela sentou-se me encarando.
—Eu disse que o próximo beijo seria você a me dar – Sorri.
—A-aquilo não foi um beijo! Eu estava salvando você seu idiota!
Eu ri da maneira como ela estava corada e só então percebi Erza e Mira ao nosso lado.
—Levy – as duas falaram em uníssono.
—Estou bem, só preciso trocar de roupa.
—Fracamente Levy – Erza sorriu para ela – Você precisa parar com essa mania de bancar a heroína ou vai acabar nos matando de susto qualquer dia desses.
—Concordo com Erza, quase morri por um segundo quando você se jogou no mar.
—Onde Laxus está? – Eu me levantei, iria acertar as contas com aquele metidinho a qualquer custo – Preciso acertar minhas contas com ele.
—Ele foi embora assim que você caiu na água – Erza suspirou enquanto ajudava Levy a se levantar – Deve aparecer no meio da festa como sempre, vamos voltar, vocês precisam se trocar e Mira precisa tomar o remédio.
—Eu não vou tomar nada – A albina parecia querer discutir, mas quando a ruiva a encarou apenas abaixou a cabeça concordando – Okay.
—Você parece menos assustador agora Gajeel – A ruiva me deu um tapinha no ombro – Talvez até seja uma boa pessoa, só não pise na bola novamente ou eu arranco seus olhos.
—Certo.. – Eu balbuciei – Vou me comportar.
Caminhamos até o casarão tentando fugir da vista dos colegas e principalmente dos professores, antes de nos separamos no corredor onde eu seguiria para o quarto dos meninos e Levy para o das meninas ela me lançou um olhar de agradecimento e deixou um ‘Te vejo mais tarde’ escapar dos seus lábios, e mais do que nunca eu senti que ela seria minha e somente minha.
~~Gajeel Finish~~
—Mira se apresse, Laki já apareceu aqui duas vezes avisando que já começou a festa – Erza esperava impaciente do outro lado da porta do banheiro – Vai demorar?
—Não, já terminei – Dizendo isso Mirajane saiu do banheiro – Vamos?
As duas se olharam por alguns segundos, Mira estava usando um vestido branco com as costas nuas, soltinho, mas que deixava suas formas bem visíveis, os cabelos prateados soltos, tudo nela parecia brilhar.
—V-você está linda – Erza deixou sair após engasgar um pouco ‘Mas o que diabos é isso agora? É só Mirajane, sua amiga!” – Vamos.
—Obrigada, você está linda também, como sempre – Ela sorriu docemente.
—Vem – Erza ofereceu a mão para Mira segurar, era um costume que as duas tinham – Hoje nós vamos nos divertir.
Caminharam juntas até a praia, a música estava alta, os alunos estavam espalhados pelo local, pela gritaria e risadas todos pareciam se divertir, ao longe Gildarts e Laki estavam sentados observando, mas de mãos dadas às vezes trocavam olhares de cumplicidade.
—Erza? – Uma voz masculina chamou – Podemos conversar?
—Jellal? – Erza virou-se – Acho que nós não precisamos conversar, principalmente, esse não é o momento certo para isso, Ur deve estar te esperando não é mesmo?
—Pare com isso – ele parecia impaciente – Só cinco minutos está bem, nada mais que isso.
—Vá Erza, eu vou ficar bem sozinha – Mira parecia um pouco desconfortável – Vou ficar conversando com Cana.
—Está bem, mas eu volto logo.
Mirajane observou os dois se afastando e a forma como sutilmente Jellal colocou a mão nos ombros de Erza, por instinto a albina se virou apertando o tecido do vestido entre os dedos tentando afastar a vontade de socar a cara do azulado, após tudo o que tinha feito a Erza ele ainda se sentia no direito de conversar com ela?! Aquilo estava errado.
—Hey albina – Cana se aproximou – Está com raiva do azulado por te roubado sua garota?
—Queria socar a cara dele.
—Wow, agora temos uma Mira assumindo seus sentimentos – Cana brincou – É assim que eu gosto de ver, a Mirajane de alguns anos atrás, aquela que consegue o que quer.
—Cala a boca, você não sabe de nada.
—Acho que a única que não sabe de nada aqui é você – Cana aproximou seu rosto do de Mira – Você já beijou alguma garota?
—N-não, quer dizer... não foi um beijo e... Cana, você está cheirando a álcool!
—Oh, perdão, achei alguma coisa na cozinha e acabei bebendo, era a única forma de aguentar Gildarts e Laki trocando carícias, argh – fez cara de nojo – Então, quantas garotas?
—Nenhuma.
—Garotos?
—Dois talvez...
—Ai meu Deus! Olha, se você quiser conquistar alguém tem que ao menos saber algumas coisas, não estou dizendo para você sair por aí agarrando todo mundo, mas ao menos ganhar alguma experiência – Olhou profundamente nos olhos de Mira – Vem comigo.
—C-cana, onde vamos?
—Shiu, apenas me siga.
Após alguns minutos caminhando chegaram atrás de algumas árvores, dali ninguém conseguiria ver nada e a música era baixa, quando se certificou de que ninguém estava por perto a morena empurrou Mirajane para uma árvore e se aproximou.
—Cana o quê voc-
As palavras de Mira foram cortadas pelos lábios quentes de Cana nos seus, era macios e doces, após alguns segundos sentiu as mãos quentes da moreno as segurarem pela cintura e a língua tocar seus lábios com delicadeza.
—Então... – Cana disse encarando Mirajane – Quer aprender um pouco? Prometo que será só dessa vez, ninguém precisa ficar sabendo, eu só – suspirou – Preciso estar com alguém para tentar resistir a minha imensa vontade de fazer besteira.
—Isso não é certo.
—Mira, Erza está com Jellal agora, você nem sabe o que eles estão fazendo, esqueça-a por alguns instantes e pense em você – Percebeu a besteira que tinha falado – Okay, me desculpe, vou sair daqui antes que fale mais alguma besteira.
Antes que a morena pudesse se distanciar Mirajane a segurou pela mão.
—Fica... – Ela olhava para baixo – Quero fazer isso.
Com pequenos passos alcançou os lábios convidativos de Cana, tinha gosto de tequila misturado ao salgado da praia e algo exótico, deixou-se entregar aquelas sensações a única coisa realmente importante era como aquilo a fazia sentir bem, não como quando Laxus ou qualquer garoto a beijava, mas uma coisa totalmente nova e excitante e ela experimentaria até o fim.

Notas finais
Bem, como notaram não teve NaLu nesse capítulo, guardei para o próximo, digamos que cof-cof, teremos 'algo mais' entre os dois e acho que eles merecem :3 Não esqueçam de deixar o comentário ;)