The Face - Casta de Assassinos
5 Capítulo 5
Notas iniciais
— QUE MERDA ACONTECEU LÁ?!
Na delegacia vários telefones tocavam, deixando todos muito ocupados. Freitas, que soube da situação há pouco, chamou Bianka e Silva para uma explicação mais detalhada.
— Por que vocês estavam lá? — o delegado continua — Oficialmente, nenhum dos dois foi convocado para esse caso.
— Eu a chamei, delegado. — Silva explica — Estava passando por ali, vi a situação e a chamei.
— E QUEM VOCÊ ACHA QUE É PRA AGIR COMO QUISER?! EU PERDI TRÊS LEGISTAS! OUTROS CINCO OFICIAIS ESTÃO FORA DE OPERAÇÃO E TIVE DOIS OFICIAIS EM UMA CENA DE CRIME QUE NÃO FORAM DESIGNADOS PARA LÁ! EU DEVERIA-
— Parrar com ess escândalo. — Bianka interrompe — Não somos surdos, delegado.
— Escuta aqui, sua-
— O que mais deseja saber, delegado? — Bianka explica calmamente — Seus legistas forram descuidados e quase custeou a vida de muitos ali. Se fossem mais cautelosos isso nõ acontecerria. O que aconteceu lá foi uma trragédia, mas não poderria ser evitada. Houverram desprreparro e falta de atenção.
— Já chega! — Freitas se irrita — Sumam da minha frente.
Bianka se vira e sai da sala. Silva bate continência e segue a russa. Ambos chegam a uma pequena sala com uma lousa, uma mesa e algumas cadeiras. Na lousa, todas as pistas encontradas estavam penduradas: o e-mail que recebeu na casa de Julio, junto com a foto de seu corpo e alguns comentários feitos pelo mesmo. As fotos de Bruno, Jhonatan e Laura acompanhando o bilhete em russo e uma imagem da parede com nome Morte Rubra. A imagem de um rosto com uma interrogação no lugar da face predominava no centro da lousa, com fios vermelhos ligando-a aos acontecimentos. Bianka olhava aquela imagem e suas mãos começaram a tremer.
— Quem é você, maldito? — se questiona a russa.
— Não há nada nesses arquivos? — Silva questiona — Alguma pista ou algo que passou despercebido?
— Eu li isso várrias vezes. — Bianka senta em uma cadeira e esfrega os olhos — Não me vejo deixando algo passar assim.
— Eu vou analisá-los.
A sobrancelha da russa se ergue em sinal de desaprovação pelo ato de Silva.
— Já disse que isso é perda de tempo. — diz ela — Prrecisamos nos focar em outrra coisa.
— Você já disse isso. — responde — Mas me deixe fazê-lo. Também quero ficar a par desse caso e do que esse cara já fez.
— Vou resumir parra você: ele é um assassino que matou mais de trrinta pessoas e prrecisamos detê-lo! Todo o tempo que gastamos fazendo algo inútil damos a ele uma chance de fazer outrra vítima!
— Você pediu minha ajuda, não foi? — o cabo responde alterado — Como quer que eu lhe ajude se limita o que eu posso saber?
— Não é não querrer sua ajuda, mas-
Bianka se levanta, mas sente fraqueza e quase cai, mas Silva a segura.
— Você está pálida.
— Não é nada. — responde soltando-se dele — Eu estou bem.
— Vá até o refeitório. Coma e descanse um pouco. Não dormimos nada após o incidente, então-
— Isso é perda de tempo.
— Como quer prender alguém se não consegue se manter em pé? Cuidar de você não é perda de tempo.
— ДЕРЬМО.
Ela se retira da sala e caminha pelos corredores. Silva fica na sala e observa as provas na lousa e algumas sobre a mesa. Os documentos de Bianka, que estavam acumulados em uma cadeira, atraem a atenção do Cabo e este logo inicia sua leitura.
— O que foi aquilo que ela disse?
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Bianka chega ao refeitório. Passando pela porta vários policiais, que estavam no local, a observam e "mexem" com a russa: assoviando, proferindo palavras como "delicia" e "gostosa".
— Mas que lugar prrecário.
Uma lanchonete com alguns salgados e snacks para serem comprados. Uma máquina de café com uma placa escrito “manutenção”. Umas quinze pessoas, homens e mulheres, estavam no local e comiam despreocupados.
— Hey, não fica parada aí! – um dos policiais fala – Vem aqui conversar com a gente.
A russa observava o ambiente desorganizado, sujo e mal cuidado com desprezo. Sem ter nada que a mantivesse ali, e ignorando completamente o policial, ela se vira e se dirige para a saída.
— Aonde pensa que vai, gringa? – fica sobre a porta.
— Простите?
— O que? Não falamos chinês aqui, gringa. Fale a nossa língua.
— Acrredito que não me conheça. Sou Bianka. Sou russa, não chinesa.
— Tanto faz.
— Desculpe. Esqueci que muitos de vocês são um pouco limitados.
— Como é? – responde indignado.
— Se não se importa, preciso voltar para a minha sala.
Tenta passar pelo policial, mas tem a porta bloqueada por um de seus companheiros.
— Você precisa perder essa marra, gringa. Que tal bebermos um pouco e ver o que acontece?
— Beber? Você está mesmo muito à vontade. Está em serviço ou aqui por acaso é a sua casa e não me disserram?
Alguns presentes riram do companheiro, deixando-o irritado.
— Há! Boca dura você, gringa. Eu te daria uma surra, mas não bato em mulheres – se vira.
— É sérrio? Eu estava pensando em te favorrecer de alguma maneirra caso você me derrubasse.
— Como é?
— O que me diz? Se você me imobilizar, faço o que quiser.
Muitos começaram a assoviar quando Bianka retira o seu sobretudo e mostrando um corpo escultural moldado por uma camiseta regata branca.
— É sério isso, gringa? Não vá se arrepender depois, heim?
— É o que verremos.
Joga o sobretudo sobre uma cadeira e assume uma posição de defesa, com a mão direita protegendo o rosto e a esquerda um pouco adiante. Risos são ouvidos quando a russa assume a postura.
— Nõ vai se prreparrar?
— Não preciso.
Ele começa a rodeá-la e ameaça ataca-la enquanto ela o encara friamente. As ameaças arrancam risos dele e de seus companheiros. Ele parecia estar tirando sarro de Bianka ao aproximar seu rosto do dela e confiantemente olhar para os rostos dos amigos. Tudo de repente ficou escuro e o policial sentiu uma forte pancada na nuca ao ir de encontro com uma das mesas após o soco que recebera. Ele lentamente se levanta e encara a russa com raiva.
— Eu não estava preparado!
— Estou confusa. – diz a russa com um sorriso no rosto – Você disse que não prrecisava.
Irritado com o comentário da russa, e com a risada de alguns de seus companheiros, o policial se ergue em fúria, limpa o sangue do nariz causado pelo soco que levara e a ataca. Ela desvia de seu ataque e desfere mais dois socos: um em sua garganta e outro em sua têmpora esquerda, fazendo-o se desequilibrar, bater a cabeça na parede e perder a consciência.
— Vocês são mesmo tão idiotas? – a russa ataca – Atacar alguém sem ao menos ter prreparro parra isso?
— Agora chega! – outro oficial se irrita – Não vou deixar qualquer um insultar nosso trabalho!
Erguendo-se de sua cadeira e dirigindo-se para a área mais espaçosa do refeitório, o policial começa uma ginga deixando a russa apreensiva.
— O que está fazendo?
— Você já vai ver.
Uma benção (golpe de capoeira) direcionada rápida e precisamente em seu peito, deixando Bianka quase sem tempo de bloqueá-la. Uma forte dor começa nos braços usados para parar o golpe, mas a russa não demonstra senti-la.
— O que foi? Parece que está se arrependendo de sua escolha. Eu ainda nem comecei.
— Se você fosse tão bom em prroteger seu país quanto é de falar, crreio que esse lugar serria bem diferrent.
— Bom, farei você engolir o que disse.
Mais um chute rápido que passou feito uma foice mirando o rosto de Bianka após o oficial golpeá-la com um martelo rodado. Ela desvia deste e de outra benção que acerta na parede.
— Qual é o problema, gringa? Não sabe fazer nada além de desviar?
Mais um martelo é desferido sobre a russa, mas essa se abaixa e, com muita força, acerta os testículos do oficial. Muitos homens ali presentes partilharam de sua dor, mulheres riam enquanto este se contorcia no chão.
— São golpes muito poderrosos, mas te deixa muito vulnerrável em alguns lugarres. Prrincipalmente neste.
— Sua… cadela… maldita – as palavras saíam como sussurros inaudíveis devido a dor.
— Se conheça melhor antes de entrrar em uma-
O primeiro policial novamente se ergue e a ataca com um soco na nuca. Ela desvia, agarra seu braço e o joga de costas ao chão. O oficial grita de dor ao ter seu braço torcido e imobilizado.
— Esperre sua vez, mal educado.
— QUE PORRA É ESSA NA MINHA DELEGACIA?
Todos se calam quando o delegado chega repentinamente. Freitas observa Bianka soltar o braço de um de seus oficiais enquanto o outro se ergue com as mãos nos testículos.
— Os três na minha sala, agora!
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Algumas horas se passam e Bianka aparece na sala onde Silva realizava algumas pesquisas no computador. Seu rosto demonstra um grande estresse e cansaço.
— Achei que tivesse ido descansar. O que houve?
— Sem perguntas. — senta na cadeira perto da mesa e repousa a cabeça sobre os braços — O que está fazendo?
— Estou procurando essas notícias na internet.
— Eu não disse que erra perda de tempo?
— Disse, mas, como disse antes, quero ficar a par do que você sabe para ajudar mais. Além do mais — mostra o documento — está tudo em russo.
— Mais uma razão parra você deixar isso aí e focar em outrras coisas.
— Algo que eu vou focar agora é te levar pra comer algo. — abandona o computador e se levanta — Levanta daí e vem comigo.
— Mais uma aventurra no refeitórrio? — olha para o cabo — Obrrigada, mas dispenso.
— Ninguém merece a comida daqui. Sempre vou num lugar aqui perto. Se quiser me acompanhar, ficarei feliz em te levar lá.
— Não podemos perder tempo com coisas assim — se levanta e olha as evidências na lousa.
— Podemos sim. Principalmente por que você está pálida.
Bianka leva a mão direita até a testa, deixando seu mal estar mais visível.
— Aproveita e me conta o que você sabe. Eu pago!
— A questão não é essa. — se vira e encara o cabo — É que-
A conversa é interrompida pelo som do roncar da barriga da russa. Ela instantaneamente se vira, abraça a barriga e fica vermelha.
— Talvez eu… aceite sua oferta. Mas lhe auxiliarrei de volta assim que possível.
— Não esquenta com isso — entrega algo para a russa.
— Meu casaco. — pega a vestimenta — Onde você-
— Você tem um belo cruzado de esquerda, tenho que admitir. Você está bem? Seus braços estão roxos.
— Ficarrei bem. — veste o casaco e segue até a porta — Vamos de uma vez.
Também pegando e vestindo seu jaleco, Silva pega um par de chaves sobre a mesa, tranca a porta e a segue. Quando saem de vista, um vulto se aproxima da porta, a abre, entra na sala e a fecha.
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— Que lugar barrulhento.
A reclamação de Bianka era causada pelo excessivo barulho existente naquele ambiente que Silva apresentou rodízio. Várias pessoas falando alto e rindo exageradamente sem se importarem com quem estivesse ao redor.
— Você consegue conversar em um lugar como est?
— Eu geralmente venho sozinho pra cá, então nunca me importei — adentra o lugar.
— Acrredito que não conseguirrei me alimentar aqui — o segue.
— A comida daqui é excelente. Além de ser um ótimo ponto de informações.
— Como pode achar algo desse tipo aqui?
— Apenas ouça.
Bianka segue o conselho de Silva e começa a prestar atenção no ambiente a sua volta: muitas conversas desnecessárias, várias pessoas proferindo palavras obcenas, reclamando do atual governo e algumas conversas que ela não entendeu. Nada que atraísse a atenção da russa. Uma mesa desocupada logo é ocupada por eles e uma atendente chega para atendê-los.
— Boa tarde, pessoal. Posso anotar seus pedidos?
— Quero o nº 13 e o nº 85 sem gelo.
— Ok. — encara a russa — E você?
O telefone de Bianka toca. Ela se afasta e atende o aparelho.
— Traga o mesmo pra ela.
— Só um instante.
Enquanto a atendente se retira, Silva observa Bianka não muito longe, sendo observada por alguns curiosos.
— Falando em russo, provavelmente.
Pegando o cardápio, ele começa a escutar conversas a sua volta. Uma em particular chama a sua atenção. Para não parecer curioso, Silva prende seus olhos no cardápio e passa os dedos sobre os pratos oferecidos pela casa enquanto mantém-se atento á conversa. Quinze minutos se passaram. Foi o tempo da conversa terminar, os pratos chegarem e Bianka retornar totalmente exausta.
— Problemas?
— Só aqueles que semprre tenho. — se senta — Nada que eu não... O que é isso? — olhando para o prato.
— Arroz, feijão, salada de tomate, medalhão de pernil com bacon e um suco de laranja. Você não pediu nada, então peguei o mesmo que o meu.
— Parrece bem gordurroso. Não imagino que me farra bem.
— Qual é? Confie em mim pra variar. Tenho uma pista que podemos seguir.
— Que pista?
— Come primeiro e depois conversamos.
Mesmo não confiando no visual daquele prato, Bianka pega os talheres e corta um pedaço da iguaria.
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Algum tempo se passa e vemos Silva e Bianka num simples carro cinza.
— Que pista é essa?
— Ouvi uma conversa lá sobre a filha de um padre que começou a agir estranhamente desde ontem.
— E qual é o motivo parra ser uma pista nesse caso?
— Esse padre é um velho amigo meu. A filha dele tem 19 anos e sonha em ser freira. Ela era extrovertida, bem séria com os estudos e com a relação de família, mas parece que ela começou a ter um comportamento explosivo e instável.
— Repito: qual é o motivo parra ser uma-
— Nenhum, mas-
— Então parra que estamos indo lá? Não podemos perder mais tempo.
— Não se preocupe. Vai demorar menos do que te esperar comer 17 medalhões de bacon.
Envergonhada, Bianka vira o rosto e olha para a janela.
— Я не понимаю, что это будет так хорошо
— Como é?
— V-você disse parra confiar em você. — nervosa — Eu confiei. Agorra-
— Peço que confie de novo.
Silva para o carro em frente á uma casa branca com um grande jardim repleto de flores. Bianka o encara, vê que não tem argumentos contra ele e abre a porta do carro.
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Dentro da casa, esta pintada com cores claras adornada com flores e alguns símbolos religiosos, Silva e Bianka estão em um sofá enquanto um senhor lhes serve chá.
— Não imaginei que teria uma repercussão dessas. — diz o senhor — Comentei com três pessoas apenas e agora, um de meus antigos alunos, que agora se tornou policial, veio investigar.
— O senhor sempre se preocupou com os outros, Pe. Mauricio. — Silva comenta — O justo seria eu fazer o mesmo com o senhor.
Mauricio, um senhor na casa dos 57 anos, cabelos grisalhos e trajando roupas sociais simples, sentou-se a frente deles em uma poltrona e pegou a sua xícara.
— Eu acho isso muito nobre da sua parte. E quem é essa bela jovem ao seu lado? Não sabia que a polícia estava contratando modelos.
— É muito galant, Padrre.
— Padrre? Além de bela também é estrangeira. Meus parabéns.
Após alguns risos, Silva fica sério e o encara.
— O que aconteceu com ela?
— Na verdade ela ficou trancada em seu quarto a manhã inteira. Achei estranho, então fui até o seu quarto. Pensei que estava doente ou algo do tipo, mas encontrei todos os seus livros e cadernos de estudo rasgados do lado de fora.
— Saberria de algo que a motivou a isso?
— Não sei. — leva a mão direita a testa — Ela sempre foi uma criança tranquila. Gostava de conversar e estudar. Ela cultivava o sonho de ser uma freira e ir para o vaticano. Até aprendeu italiano sozinha.
— Ela está lá agorra?
— Ainda em seu quarto. Falei com ela há alguns minutos, mas não sei se está acordada.
— Eu poderria falar com ela?
— Pode tentar, mas-
— Ond fica os aposentos dela?
— Final do corredor à direita.
Se levantando, Bianka segue até o local indicado deixando Silva e Mauricio a sós. Nas paredes do corredor ela vê várias fotos: talvez a sua esposa, pele clara e loira com cabelos compridos, segurando sua filha ainda bebê; a criança mais crescida, cabelos castanhos e lisos até o pescoço e usando um vestido rosa; ela mais velha, usando óculos e uma beca azul, cabelos compridos e segurando um diploma nas mãos. Chegando a porta do quarto, Bianka se depara com livros, revistas, cadernos… todos jogados ao chão e rasgados. Ela adentra o ambiente sem nenhuma cerimônia e encontra a jovem sentada sobre a cama, de costas para a porta e tricotando algo.
— Quem é você? — pergunta sem se virar.
— Sou Bianka. Sou da polí-
— E o que você quer?
— Conversar.
— E do que você quer conversar?
— Sincerrament? Não sei. Mas-
— Então você não sabe né? Vocês da polícia dificilmente sabem alguma coisa.
Bianka logo nota que tem algo errado e caminha até ver seu rosto.
— O que eu deverria saber?
— Que as pessoas sofrem em vários lugares. Que elas têm coisas preciosas que são tiradas delas a força. Que aqueles que deveriam proteger essas pessoas estão ocupados demais protegendo o próprio bolso, fazendo trato com bandidos. Agredindo inocentes. Fechando os olhos para a sociedade que ele jurou defender. Vocês não nos defendem, como poderiam saber algo?
Algo cai das mãos da jovem e chama a atenção da russa: uma gota de sangue. Olhando para as mãos dela, Bianka se espanta ao ver a jovem perfurando seus dedos enquanto costurava.
— HEY! PARRE COM ISSO!
Segurando uma das mãos da jovem, Bianka solta um urro de dor quando tem seu braço perfurado por uma das agulhas. Na sala, Nivaldo e Mauricio se assustam com o grito e correm para o quarto.
— MELISSA!
A porta do quarto se abre e Bianka sai às pressas.
— O que fez com minha filha? — a ira se torna preocupação ao ver a agulha.
— Não fiz nada. — retira o objeto do braço e segura o ferimento — Fizerram algo com ela.
— O que aconteceu? — Silva apoia a parceira.
— Ela pegou minha arma.
Mauricio se apavora enquanto Silva saca sua arma e se posiciona perto da porta. Todos se espantam quando uma sombra lentamente sai do quarto, com uma das mãos ensanguentada e a outra portando a arma.
— Melissa?
— ARMA NO CHÃO E MÃOS PRA CIMA! — Silva ordena ao apontar sua arma para Melissa.
O que está fazendo? — o professor pergunta com lágrimas nos olhos.
A jovem cai em prantos deixando-os apreensivos.
— Melissa, você não quer fazer isso. — o cabo conversa com ela — Você vai largar a arma e por as mãos pra cima.
— Vamos, Melissa. — agora era seu pai — O que aconteceu, filha?
— Você possui um sonho que quer realizar, não tem? — Bianka se envolve.
— Não possuo mais.
Entre as lágrimas aquela singela frase emana de seus lábios acompanhada das duas mãos segurando o revolver. Algo realmente aconteceu e agora eles tiveram a certeza.
— Vai ficar tudo bem. — Mauricio tentava novamente — Superamos muita coisa desde a morte dela, não foi? Podemos fazer isso de novo. Podemos fazer dar certo.
Melissa retira uma de suas mãos do revolver, deixando-o na mão direita.
— Agora, solte o-
— Pai.
— O que foi, filha?
Olhando para o pai, Melissa retira seus óculos, limpa as lágrimas e exibe um sorriso.
— Obrigada… e desculpe.
— O… que?
— NÃO FAÇA ISSO!
Silva avançou tentando impedir mas a mão de Melissa fora mais rápida e o gatilho mais rápido ainda. A bala direcionada para o próprio crânio atravessou ambos os lados e manchou o quarto da jovem antes de seu corpo ir inerte ao chão. Mauricio corre desesperado para amparar a filha. Silva se aproxima e pega o revolver. Bianka olha para os pés de Melissa, ouve o choro de Mauricio e observa Silva enquanto esse chama a central.
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