The Evil Within

42 O pedido de Victor


Notas iniciais
Oiê :3 Estamos chegando na reta final :(


Yoongi caminhava lentamente em direção à porta do hotel. Cada passo parecia pesar o dobro, mas ele mantinha a postura firme. Seus olhos analisavam tudo ao redor com atenção. Dezenas de policiais armados estavam posicionados, prontos para qualquer reação. As armas estavam apontadas para o prédio, o silêncio era cortante.

Parou diante da entrada. Ao seu lado, um policial mantinha posição.

— Entreguem Jimin e os outros reféns e eu entro — disse Yoongi com firmeza, encarando um dos capangas de Victor. O homem, de expressão dura, segurava uma metralhadora com as duas mãos.

— Errado — respondeu ele, com um meio sorriso. — Vamos liberar só o loirinho. O resto... só depois que você estiver lá dentro.

Yoongi respirou fundo. Não era o ideal, mas salvar Jimin já era um grande passo. Ele assentiu, aceitando a condição.

Alguns minutos se passaram. Então, a porta se abriu. Jimin apareceu cambaleando, visivelmente abalado. Ao ver Yoongi, seus olhos se encheram de lágrimas.

— Yoon...? Por que você tá fazendo isso...? — sua voz saiu trêmula.

Yoongi o envolveu num abraço apertado.

— Vai ficar tudo bem — murmurou, acariciando suas costas. — Agora você precisa descansar. Volta pro Jungkook... você já passou por muita coisa.

— Mas... e os bebês? Yoon, você não pode... não por minha causa...

Yoongi se afastou um pouco e enxugou as lágrimas de Jimin com os polegares, olhando em seus olhos.

— Ei... eu sou policial. Igual ao Kookie. Aliás, muito melhor que ele — sorriu de leve, tentando amenizar a tensão. — Vai ficar tudo bem, eu prometo.

— Promete mesmo?

— Prometo.

Eles se abraçaram com força, um abraço que dizia tudo o que palavras não conseguiam.

— Vamos! — o capanga de Victor os interrompeu com impaciência.

Yoongi apertou Jimin mais uma vez, depois o soltou, entregando-o ao policial que o aguardava fora da zona de risco. E então, respirou fundo e entrou no hotel.

Jimin foi escoltado até a tenda por um dos policiais. Assim que o viu, Jungkook correu ao seu encontro, o abraçando com força enquanto as lágrimas desciam sem controle.

— Me perdoa... me perdoa, Jimin... — soluçou, apertando-o contra o peito.

Jimin acariciou seus cabelos com carinho.

— Te perdoar por quê, Kookie? Você não fez nada de errado.

— Foi culpa minha — Jungkook insistia, sufocado pela culpa — Eu devia ter estado lá... Nunca mais vou te deixar sozinho.

— Ei... — Jimin segurou seu rosto com as duas mãos — Não foi sua culpa. Você não pode estar comigo o tempo todo. E tudo bem. Eu preciso aprender a me virar também. Não quero que se culpe por isso, ouviu? O Jimin tá bem. Eu aprendi a me defender.

— Mesmo assim, eu só queria poder te proteger de tudo — murmurou, a voz embargada — Eu não aguentaria se algo acontecesse com você.

— E não vai acontecer. Graças ao Mestre Hobi, agora eu sei me defender — Jimin riu, orgulhoso de si mesmo.

— Aquele monstro... ele fez alguma coisa com você?

— Tentou — respondeu, com um brilho desafiador nos olhos — Mas eu enfiei um caco de vidro nele. Ele saiu correndo, com o rabo entre as pernas!

Jungkook riu em meio às lágrimas.

— Meu pequeno Jimin é um homem corajoso. Tô tão orgulhoso de você. Eu te amo muito. Queria te guardar num potinho e te proteger do mundo inteiro.

— Deve ser apertado nesse potinho aí — Jimin riu, deixando pequenos selinhos nos lábios de Jungkook — Eu também te amo, Kookie. E prometo que vou tomar mais cuidado... principalmente para quem eu abro a porta.

— Boa ideia — ele brincou, mordiscando de leve o queixo de Jimin — Quer que eu te leve pra casa?

— Não ainda. Só vou respirar em paz quando ver o Yoongi sair daquele lugar. Não consigo ir embora sem isso.

— Eu entendo... então vamos ficar na tenda com o Namjoon. E vou preparar um chocolate quente bem gostoso pra você.

Eles se abraçaram novamente, aliviados por estarem juntos outra vez, mesmo com a tensão pairando no ar. Ainda não estava tudo bem. Mas aquele momento era deles.

...

Quando Taehyung finalmente acordou, foi necessário que Jungkook e Namjoon o segurassem com força para impedir que ele invadisse o hotel e tirasse Yoongi de lá à força. Fora de si, Taehyung gritava, xingando Namjoon com todos os nomes possíveis. A tensão na tenda estava crescendo.

Namjoon tentava explicar, mas Taehyung não ouvia, não queria ouvir. O único motivo de ainda não ter partido pra cima do delegado era porque Jungkook o continha, usando toda sua força.

Foi então que Namjoon, sem outra alternativa, deu um tapa forte no rosto de Taehyung. O som seco do impacto silenciou a tenda por um segundo. Taehyung arregalou os olhos, atônito.

— PRECISA SE ACALMAR, PORRA! — Namjoon gritou, visivelmente abalado. — O Yoongi é teimoso, você sabe disso melhor do que ninguém! Mesmo que eu o prendesse, ele teria achado um jeito de entrar lá pelo esgoto, se fosse preciso! Você acha que eu queria que ele estivesse lá dentro?! Claro que não!

Taehyung ainda tremia, respirando com dificuldade, mas não respondeu.

— Perder o controle agora não vai trazer ele de volta mais rápido! — Namjoon continuou — E se tem uma coisa que eu sei, é que o Yoongi vai dar um jeito. Ele sempre dá.

— E quem garante isso? — Taehyung rosnou, os olhos cheios de lágrimas. — Você?

— Sim! — respondeu Namjoon, sem hesitar — Se você não acredita, eu acredito por você. Eu conheço aquele maluco. Ele não entraria ali se não estivesse seguro do que está fazendo.

— Mas ele está grávido! — Taehyung gritou, desesperado. — OITO MESES!

— E não está doente. Yoongi grávido ainda é mais perigoso do que muito bandido armado por aí. Ele derruba qualquer um mesmo com aquele barrigão — Namjoon respirou fundo e baixou um pouco o tom — E além disso... Victor parece sentir alguma coisa por ele. Não vai machucá-lo.

Taehyung apertou os punhos com força, os olhos marejados, o maxilar travado. A simples ideia de Victor ter sentimentos por Yoongi o corroía por dentro.

Namjoon deu um longo suspiro.

— Agora... tudo que podemos fazer é confiar nele. Yoongi sabe o que está fazendo. Ele vai voltar. Eu tenho certeza disso.

…

Yoongi estava parado diante da porta do hotel. Seus olhos não se desviavam da tenda, até que finalmente viu Jimin sendo conduzido por Jungkook. Ao perceber que o amigo estava seguro, seu peito aliviou um pouco. Agora era sua vez. Era hora de enfrentar V.

Um dos capangas armados o aguardava do lado de dentro. Sem dizer uma palavra, abriu caminho, e Yoongi o seguiu em silêncio.

O interior do hotel parecia outro mundo. As luzes estavam baixas, as sombras se alongavam pelos corredores e um silêncio tenso preenchia o espaço, como se o ar estivesse preso ali dentro. Soldados de Victor vigiavam cada canto, todos fortemente armados. Era impossível não notar a diferença entre o luxo do local e a ameaça constante que pairava no ambiente.

Entraram no elevador e subiram até o terceiro andar.

As portas se abriram revelando um extenso corredor com tapete vermelho impecável e paredes decoradas com molduras douradas. O silêncio seguia absoluto. Passaram por várias portas fechadas, até pararem diante da última.

O capanga abriu a porta lentamente e, com um gesto firme, empurrou Yoongi para dentro. A porta se fechou atrás dele com um clique seco. Agora ele estava sozinho. Ou pelo menos parecia.

A sala era ampla, um escritório sofisticado. Havia uma enorme mesa de vidro com cadeiras elegantes ao redor, um sofá de couro escuro acompanhado de duas poltronas menores e, no canto, uma adega discreta iluminada por uma luz fraca. As janelas estavam totalmente cobertas, deixando o ambiente em penumbra.

Mas o que mais chamava atenção era a mesa de madeira escura no centro da sala. Diante dela, uma poltrona de couro marrom, alta o suficiente para esconder a pessoa sentada. Estava virada de costas.

Yoongi parou. Seu coração batia rápido, os dedos apertavam o tecido da própria camisa. Precisava manter a calma. A vida de vários inocentes estava em suas mãos. Ele engoliu seco.

— Seu cheiro... — Victor disse, ainda sentado na poltrona virada de costas para Yoongi. — Senti falta dele.

Yoongi arqueou a sobrancelha, confuso, e se cheirou rapidamente.

— Eu... tomei banho.

Victor riu baixo, um som quase irônico. Lentamente, girou a poltrona até ficar de frente para Yoongi, seus olhos percorrendo cada detalhe do policial como se estivesse diante de uma obra de arte.

— Não é disso que estou falando. Você tem um cheiro único, gostoso... inesquecível. — Mordeu os lábios, a voz carregada de desejo. — E agora está ainda mais lindo. Carrega a vida dentro de si, isso o torna... sublime.

Yoongi desviou o olhar, claramente desconfortável.

— É... obrigado, eu acho. — Sua voz soou seca. — Então, Victor, diga, o que quer comigo?

Victor sorriu de canto, inclinando a cabeça.

— Viu o que precisei fazer só para estar frente a frente com você? Tive que armar tudo isso, mover homens, reféns, a polícia inteira... apenas para ter a chance de olhar nos seus olhos.

Yoongi respirou fundo, mantendo o tom calmo, quase diplomático.

— Pois bem, Vic. Estou aqui. — Seus olhos se fixaram nos dele. — Pode me dizer de uma vez o que tanto deseja.

Victor se levantou devagar. Ouvir seu apelido na voz de Yoongi era como um feitiço, sua fraqueza mais profunda. Aproximou-se lentamente, os olhos fixos no rosto que tanto desejava. Quando parou diante dele, estendeu a mão e tocou com delicadeza os fios escuros de seu cabelo, sentindo o perfume que tanto o atormentava.

— Eu te quero tanto... que chega a doer, — murmurou, afundando o rosto nos cabelos de Yoongi, inalando como se aquilo pudesse preenchê-lo por dentro.

Yoongi deu um passo para trás, firme, mas sem agressividade.

— Sinto muito, Victor. Mas eu não posso, e nem quero, corresponder aos seus sentimentos.

— Mas por quê? — Victor balançou a cabeça, a voz embargada. — Eu sou idêntico a ele... por que não pode gostar de mim?

Yoongi o encarou com seriedade, mas sem crueldade.

— Não, Victor. Vocês podem ter o mesmo rosto... mas não são iguais. As escolhas que você fez te afastaram da pessoa que poderia ter sido. O Tae erra, claro. Ele é humano, assim como eu. Mas ele jamais machucaria alguém como você fez.

Victor engoliu em seco, os olhos começaram a marejar.

— Olha o que você fez com o Jimin... com tanta gente. Como você acha que alguém pode aceitar isso?

— Mas eu te amo... — ele murmurou, quase implorando.

— E eu amo o seu irmão. Amo o homem que me respeita, que me protege, que sorri quando me vê feliz e me abraça quando estou com medo. É com ele que eu quero passar a vida — disse Yoongi com firmeza. — E se você realmente me ama, Victor... vai deixar isso acabar aqui.

— Não! Por favor… eu vou mudar! — Victor implorou, ajoelhando-se aos pés de Yoongi. — Eu prometo que vou mudar, só fica comigo. Por você eu posso ser a melhor pessoa do mundo, não vou mais machucar ninguém.

— Esse é o problema, Victor… — Yoongi disse com a voz calma, mas firme. — Você não tem que fazer isso por mim, você tem que fazer isso porque é certo. — Ele estendeu a mão para que Victor se levantasse. — Saia do chão, não se humilhe dessa forma. Esse não é o Victor que eu conheço.

Victor se levantou devagar e o abraçou com força.

— Por favor… fuja comigo. — a voz de Victor tremia. — Eu posso te dar uma vida perfeita, longe de tudo isso. Posso ser um bom pai, um bom marido. Prometo que vou te amar pra sempre.

Yoongi se afastou um pouco, só o suficiente para olhar dentro dos olhos dele. Levou uma das mãos ao rosto de Victor e fez um carinho leve.

— Victor… por favor. Se entregue. Acabe logo com isso. Pague pelo que fez. Eu prometo que não vou te abandonar. Vou te visitar. Vou levar os bebês para você conhecer. — Yoongi sorriu de leve — Quando você sair… podemos tentar ser uma família de verdade. Você, sua mãe, o Tae, os bebês… e eu. Hum?

Victor segurou a mão de Yoongi contra o próprio rosto e chorou, as lágrimas escorrendo silenciosas.

— Você realmente não pode ser meu? — Victor perguntou, com a voz embargada.

— Não, Victor. Não posso. — Yoongi respondeu com firmeza — Meu coração já pertence ao seu irmão. Eu não vou mentir pra você, nem te enganar.

Victor suspirou fundo e deixou as lágrimas caírem. Caiu de joelhos diante de Yoongi mais uma vez e pousou as mãos trêmulas sobre a barriga dele. Um soluço escapou quando sentiu os bebês chutarem.

— Eles… eles chutaram — disse emocionado, os olhos marejados. — Essa era a vida que eu queria ter tido. Trocaria todo o meu dinheiro por isso… por ter você, pra ser pai, ser feliz… mas já é tarde demais.

Yoongi abaixou o olhar, sua expressão suavizou.

— Ainda não é tarde, Vic. Você ainda pode ter tudo isso. Pode conhecer alguém legal, ter uma vida feliz. Mas precisa se entregar, precisa parar de correr.

Victor fechou os olhos, balançou a cabeça devagar.

— Não, Yoongi… nunca vou me entregar. Tudo acaba aqui. Esse é o fim. Não tem mais volta. — A voz dele tremeu e baixou de tom. — Eu só não queria terminar sozinho.

Yoongi o observou, confuso, sem entender o que Victor queria dizer com aquelas palavras.

— Já imaginava que você me recusaria — disse Victor, com um sorriso triste no rosto. — Talvez o que sempre me cativou em você tenha sido sua coragem, sua lealdade... e, claro, o fato de ser o único que nunca teve medo de mim.

Ele fez uma pausa, encarando Yoongi como se quisesse gravar cada traço de seu rosto.

— Mas isso acaba hoje. Seja feliz, Yoongi. Cuide bem dos bebês. Você é forte… sei que vai superar qualquer coisa.

— O que você está querendo dizer com isso? — Yoongi perguntou, o tom de voz carregado de suspeita.

Victor suspirou, parecendo mais cansado do que jamais estivera.

— Me desculpe, Yoongi...

Sem dar mais explicações, ele caminhou até a porta, a abriu e fez um gesto com a cabeça. Do lado de fora, um homem armado já o aguardava.

Yoongi foi conduzido em silêncio até um dos quartos. Passou cerca de uma hora ali, remoendo cada palavra de Victor, tentando entender o que ele pretendia. Até que o mesmo homem retornou, chamando-o de forma seca.

— Vamos.

— Estão me soltando? — Yoongi perguntou, desconfiado.

— Sim — respondeu o homem, sem paciência.

— E os outros reféns?

— Já foram libertados.

— Victor vai se entregar?

O homem bufou, irritado.

— Tá fazendo perguntas demais, baixinho. Anda. Você tá livre. Vai lá e reencontra seus amigos.

Yoongi saiu do hotel com passos lentos, o olhar perdido e confuso. Tudo parecia silencioso demais. Nenhum movimento tático, nenhuma equipe de invasão. Aquilo o incomodava.

Ele apressou o passo até a tenda de comando, buscando Namjoon. Ao entrar, notou imediatamente que o sofá onde Taehyung deveria estar… estava vazio.

— Cadê o Tae? — perguntou, já sentindo o peito apertar.

Namjoon se levantou, visivelmente tenso.

— Yoongi… se acalma, por favor…

— Eu perguntei: cadê o Taehyung?! — gritou, a voz embargada de desespero.

Namjoon hesitou por um segundo antes de responder.

— Victor só aceitou te libertar com uma condição… que Taehyung entrasse no seu lugar.

— O quê?!

— Estamos cercando o hotel. Ele não tem pra onde fugir, é só uma questão de tempo até o pegarmos. Tae entrou pra garantir que você e os outros reféns saíssem com vida.

Yoongi congelou. O sangue pareceu sumir do seu rosto.

O silêncio caiu como uma bomba dentro da tenda. Lentamente, ele começou a juntar as peças, as palavras de Victor, o tom de despedida, a súbita liberação dos reféns...

— O plano de Victor… — sussurrou, quase sem voz.

Cambaleou, a respiração falha, o mundo girando. Jungkook correu para segurá-lo antes que caísse, ajudando-o a se sentar.

Yoongi encarou todos com olhos marejados e cheios de terror.

— O objetivo de Victor nunca foi escapar... — disse, quase num sussurro. — Ele quer pôr um fim à própria vida... e quer levar o Tae com ele.

Notas finais
Yoon, salve seu homem 🥺🥺🥺