Taehyung abriu os olhos lentamente, ainda sonolento, sentindo algo ou alguém o abraçando sob as cobertas. Levantou a coberta e viu Yoongi, aninhado como um gatinho, aquecendo-se em seu corpo. O coração de Taehyung acelerou; tentou se lembrar se havia feito algo antes de dormir, mas só se recordava de ter se deitado. Não fazia ideia de como Yoongi havia acabado ali. Encolhido debaixo das cobertas, Yoongi pressionava o nariz gelado contra o peito de Taehyung, parecendo ainda com frio. Então, Taehyung o envolveu em seus braços e voltou a dormir.

Ao acordar novamente, Taehyung sentiu um vazio; Yoongi já não estava mais ao seu lado. Ele se levantou e foi tomar um banho. Era domingo, e ele queria descansar bem para enfrentar os queridos amigos de seu irmão na segunda-feira.

Quando chegou à cozinha para tomar café, encontrou Yoongi já à sua espera, com a mesa posta e um café da manhã rico e nutritivo.

— Bom dia Senhor... quer dizer, bom dia V — Yoongi sorriu e Taehyung tentou disfarçar sua alegria ao vê-lo sorrindo.

— Bom dia Yoongi! Dormiu bem?

Yoongi tossiu, engasgando com a própria saliva, claramente querendo evitar aquele assunto a todo custo. Taehyung percebeu que tinha cometido uma gafe e tentou se corrigir, mas sem muito sucesso.

— Ah, desculpa. Quando eu disse “dormiu” eu quis dizer… — Taehyung coçou a cabeça — Ah, deixa pra lá.

— Não quer saber porque dormi com o Senhor? — Mesmo deslocado, Yoongi foi direto ao ponto.

— Quero, mas você parece meio desconfortável com isso. Eu fiz algo de errado?

— Não Senhor, não fez nada. É que eu ouvi você chorando e fiquei preocupado.

— Eu estava chorando?

— Sim, achei que estivesse passando mal. Fui até o quarto para ver se estava bem, mas você estava dormindo, acho que estava tendo um pesadelo, então me aproximei e... — As bochechas de Yoongi começaram a ficar vermelhas.

— E? —Taehyung perguntou ansioso.

— E... peguei na sua mão, pra ajudá-lo a dormir melhor.

— Você fez isso por mim? — Taehyung sorriu.

— Sim, você parecia estar sofrendo.

— Obrigado, Yoongi.

Yoongi coçou a cabeça e olhou para o chão. Seu sorriso tímido era encantador aos olhos de Taehyung.

— Bom, daí o Senhor me agarrou, e eu não consegui sair.

— EU O QUE? — Taehyung engasgou com o café.

— O Senhor me puxou e me abraçou. Eu não quis acordá-lo e acabei dormindo também.

— Yoongi... m-me me d-desculpa. Juro que não fiz por mal, eu nem me lembro disso. Eu fiz algo mais com você?

Yoongi respirou fundo, sentindo o rosto queimar. Era incrível como aquele homem, aparentemente idiota, conseguia deixá-lo tão tímido, algo que não era nada comum para ele.

— Claro que não, Senhor — Respondeu Yoongi, num tom de voz baixo, quase num sussurro — Nós apenas dormimos.

— Me desculpe, Yoongi. Isso não se repetirá novamente, você deve ter ficado assustado.

— Na verdade, não. Foi agradável, quer dizer, confortável — Yoongi desviou o olhar.

E assim, eles tomaram café, ambos tímidos, conversando sobre diversos assuntos, mas evitando mencionar a noite anterior.

Yoongi se levantou e pegou as xícaras da mesa para lavar, enquanto Taehyung pegou um pano para limpar a mesa. Depois de deixarem tudo limpo, se dirigiram para a sala. Taehyung se sentou no sofá, esperando que Yoongi se juntasse a ele, mas Yoongi permaneceu de pé, olhando para ele.

— Não quer se sentar?

— Eu... é... quero aproveitar o dia de folga... mas caso o senhor precise de algo, estou disponível.

— Ah sim, entendo. Sem problemas, Yoongi. Trate de descansar! — Taehyung sorriu para ele.

— Mas se precisar de algo, me chame no quarto.

— Fique tranquilo, vou assistir uma série aqui.

— Uma série? Você gosta de assistir séries?

— Sim, eu amo. Só não tenho muito tempo.

— Qual série você vai assistir? — Yoongi se sentou no sofá, interessado no assunto.

— Uma nova... The Witcher, já ouviu falar?

Yoongi arregalou os olhos e sorriu abertamente.

— Se já ouvi falar? Eu amo o jogo, joguei todos. Eu já ia começar a ver a série.

— Então assista comigo.

— Não vou incomodá-lo?

— Claro que não, gosto da sua companhia. E assistir juntos é mais legal.

Yoongi finalmente se acomodou no sofá. O dia seguiu com os dois vibrando de euforia com a série. Fizeram pipoca, pegaram refrigerante e continuaram assistindo, imersos na trama.

Por um momento, esqueceram-se da situação em que estavam. Ambos estavam mentindo sobre suas identidades: Taehyung se passando por seu irmão, e Yoongi como um policial disfarçado, que deveria estar espionando "Victor" em vez de fazer amizade com ele.

...

Victor estava muito bem escondido, permanecendo em seu bunker particular na Coreia. O local era luxuoso e completo, com quartos, cozinhas, salas de jantar, salas de jogos, piscinas, academia e áreas de lazer, entre outras comodidades. Era como um hotel de luxo, mas inteiramente subterrâneo.

Hye Sung cuidava dos outros prisioneiros: crianças, adolescentes e mulheres jovens que faziam parte do "Menu" de venda de Victor. Todos viviam naquele bunker, o mesmo local onde Jimin passou toda a sua adolescência. Hye Sung os tratava muito bem, oferecendo suporte emocional e alimentando a esperança de que um dia poderiam ser livres. Seu coração doía ao ver aquelas pessoas presas; não conseguia entender a extensão da maldade de seu filho. Todos eram bem tratados em termos de alimentação, higiene e saúde, pois os "produtos" de Victor precisavam estar sempre em bom estado.

Victor ainda se recuperava de uma lesão na perna e gerenciava sua empresa pela internet. Taehyung só precisava aparecer em algumas reuniões para mostrar sua cara.

O problema, ou talvez a sorte, era que, em meio a toda essa confusão, Victor se esqueceu de Park Jimin. O rapaz ainda estava preso e sozinho naquela casa no meio do nada.

...

Jimin abraçava os joelhos, assustado e com medo. Já fazia duas semanas que Victor não aparecia. Não que Jimin gostasse de sua companhia, mas Victor era quem lhe trazia alimento e água. Nem mesmo os subordinados de Victor apareciam. Jimin economizava ao máximo a água e o pouco alimento que tinha. Tentava de todas as formas sair daquela casa, mas as janelas estavam firmemente soldadas.

O desespero se fez presente quando a comida acabou e ele tomou o último gole de água. Jimin chorou, abraçando seu fiel amigo, o Senhor Coelho. Não queria morrer ali sem conhecer o mundo lá fora. Com determinação, pegou uma cadeira, desmontou uma das pernas de alumínio e bateu repetidamente nas grades da janela, na esperança de que alguém o ouvisse. Passaram-se dois dias dessa maneira, tentando incessantemente. A fraqueza causada pela fome dominava seu corpo. A vontade crescente de dormir era reconfortante, pois diminuía a sensação de fome e sede. Jimin olhou para o Senhor Coelho com gratidão pelo tempo que passaram juntos, pelo companheirismo inabalável. Fechou os olhos e adormeceu, já sem esperanças.

Foi despertado por um barulho do lado de fora da casa. Alguém batia à porta.

— OLÁ? TEM ALGUÉM AÍ? — Um homem gritou na porta.

Jimin precisou fazer um grande esforço para se levantar da cama. Incapaz de falar alto, ele engatinhou até a barra de ferro que retirou da cadeira, segurou-a firmemente e, arrastando-se, dirigiu-se até a porta. Com o esforço que pôde reunir, bateu na porta com toda a força que lhe restava.

— Meu Deus! Tem alguém lá dentro — O homem, assustado, informou o amigo.

Eram dois alpinistas explorando as regiões montanhosas daquela floresta quando, por sorte, encontraram aquela casa. Acharam muito estranho ver uma casa no meio do nada.

— Consegue me ouvir? — Um dos rapazes falou próximo a porta.

Jimin bateu com a barra de ferro.

— Você não pode falar?

Jimin bateu novamente com a barra de ferro.

— Ele deve ser mudo — O homem falou para o outro.

— Você está preso aí? — Perguntou o rapaz.

Jimin bateu novamente, dessa vez mais fraco.

— Nós vamos te tirar daí, ok?

Não houve resposta, Jimin já havia desmaiado.

— Meu Deus, ele morreu? — O homem entrou em pânico.

— Calma! — O outro rapaz pegou o celular.

— O que vamos fazer?

— Chamar a polícia, é claro.

...

Em trinta minutos, a polícia chegou de helicóptero. Namjoon, com seus óculos escuros estilo aviador e seu casaco marrom, observava a casa, dando orientações aos seus policiais sobre o que deveriam fazer: vasculhar o local em busca de pistas.

— Jungkook — Namjoon o chamou —, vá com os paramédicos e cuide da vítima.

— Sim, Senhor.

Jungkook rapidamente entrou na casa sem esperar pelos paramédicos que ainda pegavam suas maletas no helicóptero.

Ao chegar lá dentro, ficou chocado ao ver Jimin desmaiado no chão. Correu para verificar seu pulso, que estava fraco, mas ele estava vivo. Respirou aliviado.

— Ei amigo! — Tocou o rosto de Jimin com delicadeza — Estamos aqui para te salvar.

Jungkook o pegou no colo com todo cuidado, preocupado se ele estava machucado.

Estudou o rosto de Jimin; seus olhos estavam fundos e seus lábios ressecados. Jimin abriu os olhos lentamente e encontrou o olhar de Jungkook. Por um instante, parecia que o mundo havia parado: Jungkook contemplava aqueles belos olhos azuis como o céu, tão profundos e tristes que pareciam hipnotizá-lo. Mas aquele momento se quebrou quando Jimin fechou os olhos novamente e desmaiou.

Notas finais
Agora já posso respirar aliviada pq o Kookie salvou o Chim ç.ç Acho que os TaeGi não estão focando muito na missão deles...