The Evil Within

34 O Espírito Forte de Jisoo



Jisoo contou as poucas moedas que carregava no bolso. O som metálico era desanimador. Não dava nem para comprar um pão, quanto mais pagar uma estadia em uma casa de banho. Sentiu a garganta apertar.

“Seja forte, Jisoo… você precisa ser forte.”

Respirou fundo, engolindo o desespero e forçando um sorriso para a irmã.

— Rosé, vou te deixar na escola, tudo bem?

— Mas ainda está muito cedo… — Rosé respondeu, franzindo a testa, confusa.

Jisoo olhou para o céu ainda escuro, pensativa. O vento da madrugada cortava sua pele, mas ela manteve a calma.

— Então vamos esperar um pouquinho… tem uma pracinha em frente à sua escola, lembra? Podemos sentar lá até abrirem os portões.

— Tá bom, unnie. — Rosé segurou sua mão com força.

Jisoo apertou os dedos miúdos da irmã, como quem diz: vai ficar tudo bem. Mesmo que não tivesse certeza disso.

Quando os portões se abriram, Jisoo deixou Rosé na escola com um beijo na testa e seguiu, apressada, para a faculdade.

O dia, porém, parecia conspirar contra ela. Na secretaria, pediram novamente a assinatura do pai em alguns documentos. Jisoo manteve o sorriso educado, mas por dentro o pânico latejava. Seu pai havia desaparecido meses antes, simplesmente foi embora e nunca mais voltou. Se descobrissem, poderia perder a guarda da irmã e acabar em um abrigo. Aquela ideia a sufocava.

Jisoo era superdotada, graças ao talento incomum, ingressou na universidade bem antes dos colegas. Sonhava em conseguir um bom emprego e oferecer a Rosé a vida estável que ambas mereciam. Mas, até lá, aceitava qualquer bico, embora raramente passasse da entrevista; poucos contratavam menores de idade. A única exceção foi a vaga de professora particular. O “rapaz bonito e dentuço” não exigiu documentos, e ela, nervosa, mentiu a idade. Não podia estragar tudo agora.

Depois de uma manhã exaustiva de aulas e exercícios, ainda faltavam horas para o fim das aulas de Rosé. Jisoo decidiu se refugiar na biblioteca. Sentou-se entre estantes silenciosas, abraçando um livro enquanto o estômago roncava. Não tinha nada para comer, mas sua maior preocupação não era a própria fome, e sim garantir que Rosé não sentisse também.

Folheou as páginas, tentando se distrair, esperando que o ponteiro do relógio avançasse depressa. Cada minuto era um passo a mais rumo ao futuro que prometera à irmã, um futuro em que nunca mais faltasse pão e nem abrigo. E Jisoo faria de tudo para transformá-lo em realidade.

...

O sinal tocou, e as crianças invadiram o pátio em disparada, explodindo em risos e gritos de alegria. Rosé foi a última a deixar a sala; esperou com paciência que o corredor se esvaziasse antes de caminhar até um dos bancos do jardim. Sentou-se ali, abraçando os joelhos, enquanto observava os colegas brincarem, correndo, rindo, escorregando no escorregador como se o mundo inteiro fosse feito só de recreio.

Foi então que uma borboleta azul pousou com delicadeza sobre sua mão. Rosé prendeu o fôlego, encantada com o brilho das asas que dançavam entre tons de turquesa, ciano e anil. Parecia um pedacinho de céu que havia decidido parar ali só para lhe fazer companhia.

— Oi, amiguinha — sussurrou, temendo espantá-la. — Eu sou a Rosé.

A borboleta mexeu levemente as asas, como se acenasse de volta. Rosé sorriu.

— Um dia vou te desenhar. Hoje não dá... deixei meus lápis na mochila. Mas eu adoro desenhar, sabia?

Seu estômago roncou alto, quebrando o encanto por um instante. Ela abraçou a barriga com um suspiro e desviou o olhar. As outras crianças abriam suas lancheiras coloridas, cheias de sanduíches, sucos e biscoitos. Tudo cheirava a aconchego de casa, algo feito pelas mães. A fome ardia no estômago, mas a tristeza era ainda maior. Um nó apertou em sua garganta.

A borboleta continuava ali, imóvel, observando-a.

— Sra. Borboleta — murmurou baixinho —, eu não posso chorar. A Jisoo nunca chora... e isso é bom, eu acho. Mas ela também nunca sorri. Será que... será que a culpa é minha?

Rosé foi interrompida por duas meninas que ela nunca tinha visto antes. Não eram da sua turma, mas pareciam ter a mesma idade.

— Você estava... conversando com a borboleta? — perguntou uma delas, loirinha de franja, com os olhos brilhando de curiosidade.

— Sim — respondeu Rosé, com naturalidade. — Ela é minha amiga.

— Mas é só uma borboleta… — disse a loirinha, franzindo o nariz, como se estivesse tentando entender.

— Lisa! — repreendeu a outra garota, de longos cabelos castanhos e pele clara. Ela sorriu gentilmente para Rosé. — É uma linda borboleta. E você também parece legal… Qual é o seu nome, menina amiga de borboletas?

— Rosé — disse, num fio de voz.

— Eu sou a Jennie, e essa aqui é minha irmã Lisa.

— Oi… — Rosé murmurou, sem conseguir encará-las diretamente. Sentia o rosto esquentar de vergonha.

— A gente pode sentar aqui e lanchar com você? — perguntou Jennie, sorrindo.

Rosé assentiu com um gesto tímido e se afastou um pouco no banco para dar espaço. As duas irmãs se sentaram ao seu lado e abriram lancheiras coloridas, recheadas com sanduíches, frutas frescas e suquinhos.

— E o seu lanche? — perguntou Lisa, sem maldade, apenas curiosa.

Rosé abaixou o olhar, brincando com a barra da própria blusa.

— Eu me atrasei… Não deu tempo de trazer.

— Por que você não acorda mais cedo e… — começou Lisa, mas Jennie a interrompeu com um leve cutucão no braço e um olhar de aviso.

— Podemos dividir com você — disse Jennie com um sorriso acolhedor, oferecendo um de seus sanduíches.

— Não precisa, obrigada… — Rosé sorriu sem mostrar os dentes. — Eu não tô com fome.

Mas seu estômago roncou alto, traindo sua tentativa de parecer bem. Ela levou a mão à barriga, constrangida.

Lisa arregalou os olhos. Jennie apenas estendeu o lanche para Rosé.

— Às vezes, a gente só precisa de coragem pra aceitar — disse Jennie baixinho, como quem conta um segredo.

Rosé hesitou por um segundo, depois pegou o sanduíche com as duas mãos.

— Obrigada…

— De nada. Agora somos amigas, tá? — Jennie piscou. — Amigas de verdade compartilham o lanche.

Rosé sorriu e afirmou com a cabeça.

Lisa começou a entender o que estava acontecendo. Pegou seu suco de caixinha e o Danoninho de morango e os estendeu para Rosé.

— Eu tô de dieta — disse, tentando parecer casual. — Come isso. Eu divido o suco com a Jennie.

— Não vai fazer falta pra vocês? — perguntou Rosé, insegura.

— De jeito nenhum! — garantiu Jennie, abrindo um sorriso. — Tem muita coisa aqui e nossa mãe sempre fala que quando a gente divide o lanche, ele fica mais gostoso.

— É! Nossa mãe é muito legal. Um pouco maluca às vezes… mas muito legal! Você vai adorar conhecer ela — disse Lisa, orgulhosa.

— Como ela se chama? — perguntou Rosé, genuinamente curiosa.

— Sandara! Mas eu chamo ela de mãe, né — disse Lisa, rindo.

— É claro que sim, sua boba — Jennie deu um tapinha de leve na cabeça da irmã, arrancando uma risadinha abafada de Rosé.

— Obrigada... — Rosé murmurou, com os olhos marejando.

— Não precisa agradecer — Jennie passou o braço pelos ombros dela. — A partir de hoje, somos amigas de lanche.

— Amanhã eu vou trazer uma maçã bem gostosa e docinha pra você, Rosé — prometeu Lisa, juntando-se ao abraço coletivo.

Rosé não conseguia mais conter as lágrimas. O carinho das duas irmãs a desmontava de dentro pra fora, ela tentava sorrir, mas chorava, e no meio disso tudo ainda dava uma mordida no sanduíche. Jennie e Lisa riam com carinho da confusão adorável que ela virou.

— Eu… eu não sei se como, se rio ou se choro — disse Rosé, fungando.

— Faz tudo junto! — respondeu Lisa rindo.

...

No fim da tarde, Jisoo já aguardava na porta da escola, com o coração apertado de saudade e preocupação.

— Jisoo! — gritou Rosé, correndo em disparada até ela e se atirando em seus braços.

— Eita! Que animação é essa? — Jisoo sorriu, recebendo um abraço apertado.

— Eu fiz novas amigas! Tenho tanta coisa pra contar! A gente brincou de amarelinha no recreio inteiro, foi muito legal, Jisoo! — Rosé falava tão rápido que mal respirava, os olhos brilhando de empolgação.

— Que bom, meu amor. Fico feliz que tenha se divertido hoje.

— Vamos brincar de amarelinha também? Você é meio velha, mas acho que ainda dá conta — disse Rosé com um sorrisinho.

— Ei! Velha, não! Eu só tenho dezesseis!

— Velha! — provocou Rosé, correndo em volta dela.

— Quando eu começar a te dar peteleco, não vem chorar, hein? — Jisoo ameaçou, rindo.

— Velha! Velha! — Rosé zombava entre risos, fugindo das mãos da irmã.

Jisoo deu um salto e a agarrou, derrubando-a no banco mais próximo, bagunçando os cabelos da pequena.

— Bagunçar meu cabelo não vale! — protestou Rosé, tentando se soltar.

— Vale sim! Eu sou a velha aqui, então sou a chefe! — Jisoo declarou, com um ar vitorioso.

Depois da brincadeira, Jisoo respirou fundo, ainda com o sorriso no rosto, e se ajoelhou diante da irmã. Segurou seu rostinho entre as mãos e a encarou com doçura.

— Rosé, me desculpa por não ter conseguido preparar seu lanche hoje… — Jisoo murmurou com a voz embargada — Mas eu prometo, tudo vai ficar bem. Eu vou dar um jeito em tudo isso.

— Tá tudo bem, Jisoo. De verdade. — Rosé respondeu com um sorriso calmo, como se ela é que fosse a irmã mais velha. — Você comeu alguma coisa hoje?

— Comi, sim. — mentiu, forçando um sorriso. — Mas você não precisa se preocupar comigo… Rosé, pensei da gente visitar um lugar legal hoje. O que acha?

— Onde? — perguntou, animada.

— Vamos ver os trens. Você adora trens, lembra?

— Sim! Eu amo trens! Que legal, Jisoo! Vai ser a melhor noite da minha vida!

Jisoo sorriu, um sorriso trêmulo e apertado, tentando sufocar o choro que insistia em vir. Precisava parecer forte. Para Rosé, ela era uma heroína, e segundo Jisoo, heroínas não deveriam chorar.

Seguiram a pé pelas ruas frias, de mãos dadas, com os casacos puídos e as mochilas nas costas. A noite caía devagar, tingindo o céu de azul escuro, mas chegaram a tempo na estação.

Rosé arregalou os olhos ao ver o trem parado nos trilhos, reluzente sob as luzes da plataforma.

— A gente não vai entrar nele, Jisoo?

— Não hoje, meu amor… Hoje vamos só admirar de longe. Mas um dia… um dia nós vamos entrar e viajar bem longe. Eu prometo.

Rosé assentiu, encantada com o imenso trem vermelho diante delas.

— É tão bonito… Um dia eu quero ir lá na frente, onde fica o maquinista. Ele comanda tudo, né?

— Comanda sim. E um dia a gente vai lá também. Eu te prometo isso, Rosé.

Jisoo apertou a mão da irmã com carinho, olhando para os trilhos como se fossem uma promessa silenciosa de que a vida ainda podia levá-las para um lugar melhor.

Ficaram ali por horas. A noite já havia engolido o céu, e o vento soprava mais frio. Rosé dormia profundamente no colo de Jisoo, abraçada à sua mochila como se fosse um travesseiro. Mas Jisoo sabia que não podiam continuar ali. O lugar ficava perigoso depois de certo horário. Alguns homens estranhos já haviam notado a presença das duas, e os olhares que lançavam não eram nada amigáveis.

Jisoo olhou em volta, apreensiva. A estação já esvaziava. A última chamada de embarque soava pelos alto-falantes, e era questão de minutos até que tudo fechasse. Ela afagou suavemente os cabelos da irmã, murmurando baixinho:

— Rosé... acorda, meu amor.

— Hm? — A menina abriu os olhos devagar, esfregando-os com as costas da mão. — A gente já vai pra casa?

— Não, não agora. Mas vamos para um lugar mais legal — Jisoo forçou um sorriso — Vamos brincar de pique-esconde com aqueles guardinhas ali, está vendo?

Rosé espiou e fez uma careta.

— Aquele ali? — Apontou discretamente para um guarda idoso, com cara de poucos amigos. — Ele não parece que gosta de brincar...

— É que ele é muito bom, Rosé! Ele sempre ganha, por isso a gente tem que ser bem silenciosa. Vem comigo.

A menina sorriu, achando graça do desafio, e segurou firme na mão da irmã.

Esperaram até que os últimos passageiros passassem. Quando o velho guarda virou de costas, Jisoo respirou fundo, pulou a catraca com leveza e depois segurou Rosé pela cintura, ajudando-a a fazer o mesmo.

— Shhh! Agora a gente corre até ali, ó — Jisoo apontou para uma coluna larga de concreto.

As duas se encolheram atrás dela, abafando as risadas. Para Rosé, ainda era uma brincadeira. Para Jisoo, era sobrevivência.

— E agora? — cochichou Rosé, os olhos brilhando de adrenalina infantil.

Jisoo olhou ao redor.

— Vamos pra lá — sussurrou Jisoo, apontando discretamente para o banheiro ao fundo da estação.

— Boa ideia, Jisoo. Ele nunca vai achar a gente lá — Rosé levou a mão à boca para conter o riso, ainda achando que tudo fazia parte de uma brincadeira.

As duas caminharam em silêncio até o banheiro e empurraram a porta com cuidado. Trancaram por dentro e permaneceram no escuro.

— E agora? — cochichou Rosé.

— Agora a gente fica aqui até amanhã de manhã.

— Até amanhã? — Rosé arregalou os olhos, surpresa.

— É o prazo final do jogo. Se ficarmos quietinhas até o sol nascer, a gente ganha.

— Então vamos ganhar! — disse Rosé, empolgada.

Sentaram-se no chão frio, com as costas apoiadas na porta. O ar ali dentro era pesado e o cheiro era quase insuportável, mas Rosé se esforçava ao máximo para não reclamar. Mesmo assim, a fome já começava a incomodar.

— Jisoo... tô com fome. Que horas a gente vai pra casa?

Jisoo engoliu em seco, abraçando a irmã com mais força.

— Daqui a pouco. Tente dormir um pouquinho. Quando acordar, o jogo vai ter acabado e sabe qual vai ser o prêmio?

— Qual?

— Um banquete só nosso. Doces, bolos, e muitos pães... macios, quentinhos, com o cheirinho que você adora.

Os olhos de Rosé brilharam.

— E com manteiga?

— Com manteiga, geleia, requeijão… tudo o que você quiser.

— Eu vou comer tudinho! — riu baixinho, encantada com a ideia.

— Mas pra isso, precisamos ficar bem quietinhas. É a regra principal, lembra?

— Tá bom… Eu consigo — disse, determinada.

Poucos minutos depois, Rosé adormeceu no colo da irmã, enrolada em seu próprio casaco. Jisoo passou os dedos devagar pelos fios dourados do cabelo da menina, embalando-a num carinho silencioso.

Quando percebeu que Rosé dormia profundamente, Jisoo enfim permitiu que as lágrimas caíssem. Chorar em silêncio já havia virado rotina, mas nunca deixava de doer.

"Seja forte, Jisoo…" — repetiu para si mesma, como uma oração sussurrada no escuro.

Abraçada à irmã, com o corpo cansado e a mente exausta, ela acabou adormecendo também, sonhando com o dia em que tudo aquilo seria apenas uma lembrança distante.

Logo ao amanhecer, antes que o primeiro funcionário chegasse à estação, Jisoo e Rosé esgueiraram-se para fora. O ar ainda trazia o frio da madrugada, mas ambas carregavam o calor de estarem juntas. Caminharam até a pracinha em frente à escola e aguardaram, lado a lado, até que o zelador destrancasse os portões.

Quando o sinal de entrada soou, Jisoo ajoelhou-se diante da irmã e apertou-a num abraço demorado.

— Eu te busco mais tarde — prometeu, sorrindo. — E vou trazer algo bem gostoso pra gente comer.

— Se não der, tudo bem, Jisoo. Eu não tô com tanta fome assim — disse Rosé, tentando aliviar a responsabilidade da irmã.

Jisoo acariciou-lhe a bochecha.

— Hoje começo meu trabalho de professora particular. Quando voltar, vamos dividir um bolo enorme, combinado?

Os olhos de Rosé se iluminaram.

— Eba! — exclamou, batendo palminhas.

— Então vá lá e estude bastante. Mostre às suas novas amigas o quanto você é incrível.

Rosé se pôs na ponta dos pés, deu um beijo na bochecha de Jisoo e correu pelo pátio, acenando até desaparecer entre os colegas.

Jisoo observou a cena com um sorriso cansado, mas cheio de esperança. Endireitou os ombros, respirou fundo e seguiu seu caminho.

...

Jisoo saiu apressada de sua aula da manhã e seguiu direto para o apartamento de Jungkook, era o primeiro dia oficialmente como professora particular de Jimin.

Ele a recebeu com o entusiasmo de sempre. Cadernos abertos, lápis apontados e os olhos ávidos por aprender. Jimin absorvia cada explicação como se fosse um tesouro. Em poucos minutos já resolvia problemas de matemática que deixariam um aluno mais velho orgulhoso.

Mas, enquanto explicava uma nova conta, Jisoo sentiu algo estranho. As linhas do caderno começaram a tremer, os números a dançar diante de seus olhos. Ela piscou várias vezes, tentando reunir as forças que lhe restavam.

— Jisoo, está tudo bem? — perguntou Jimin, a voz carregada de preocupação.

O som pareceu vir de muito longe. A sala girava, e a gravidade puxava seus membros como se estivesse afundando em areia movediça. Tentou apoiar-se na mesa, mas as pernas falharam. Um segundo depois, Jimin viu Jisoo tombar sem forças, caindo inconsciente sobre o tapete.

Notas finais
Chorei escrevendo 😭 Lisa e Jennie dividindo o lanche com a Rosé 🥺