The Evil Within
20 O Drama

Jungkook não conseguia dormir. Revirava-se de um lado para o outro na cama, o travesseiro já amassado de tanto mudar de posição. Sentia um vazio estranho ao seu lado, uma falta palpável de Jimin. A preocupação corroía seus pensamentos — ele não estava acostumado a tê-lo longe de casa, e isso o deixava inquieto.
Após algum tempo lutando contra o sono que não vinha, Jungkook pegou o celular na mesa de cabeceira e, sem pensar muito, discou o número de Jin. Precisava ouvir notícias, precisava ter certeza de que Jimin estava bem.
— Jin?
— O que é Jungkook? — Jin já estava sem paciência, Jungkook ligou para ele pela décima vez em menos de duas horas.
— Jimin está bem?
— Sim, Jungkook. Ele está bem, como estava a cinco minutos atrás.
— É que ele não consegue ficar longe de mim.
Jin olhou para Jimin, que gritava e pulava como se estivesse dentro do próprio jogo, acompanhado por Hoseok, que fazia o mesmo. Os dois estavam completamente imersos na competição, jogando videogame um contra o outro, em uma disputa acirrada e hilária.
Hoseok controlava um Girassol que lançava raios solares contra os inimigos, enquanto Jimin comandava uma pequena planta que disparava ervilhas. O quarto estava tomado por risadas altas e gritos de empolgação. Jimin nunca tinha se divertido tanto em toda a sua vida. Sua barriga doía de tanto rir, e ele mal conseguia segurar o controle de tão envolvido que estava.
Ficar com Jungkook era incrível, sempre cheio de conforto e carinho, mas estar com Hoseok era diferente. Talvez fosse a proximidade de idade ou a maneira leve e espontânea como tudo fluía entre eles. Seja como fosse, aquele momento era único, e Jimin sentia que havia encontrado um novo tipo de alegria ao lado do amigo.
— Ele nem lembra que você existe — disse Jin para Jungkook — Tá ouvindo os gritos eufóricos dele? Pois é Jungkook, ele está se divertindo. Pare de se preocupar, está tudo bem.
— Tá bom, Jin. Ele sempre fica com muito frio a noite, tem que cobrir bem ele.
— Jungkook, eu coloco umas dez cobertas nele, não se preocupe.
— Tem que cobrir o ouvido dele, se não inflama.
— Jungkook, eu sou médico e ele não é seu filho e nem é criança. Calma, estamos cuidando bem dele.
— É que ele passou por muita coisa, e é a primeira vez que ele sai de casa.
— E você está com mais medo que ele.
— Eu achei que ele fosse sentir minha falta. Mas parece que ele nem tá ligando.
— Relaxa, Jungkook. Tudo é novo pra ele. É a primeira vez que ele conhece alguém da mesma idade, por isso a empolgação.
— Tá bom. Cuida dele, Jin. Não deixa ele dormir muito tarde, deixa uma luz acesa no corredor porque ele tem medo de dormir no escuro. Se ele não conseguir dormir, leia uma história pra ele.
— Jungkook, do jeito que ele está aqui, acho que vai desmaiar a hora que for dormir.
— Qualquer coisa me liga, estarei acordado.
— Vai dormir, Jungkook. Boa noite.
Jungkook finalmente desligou o celular e deixou escapar um suspiro pesado, colocando o aparelho de volta na mesa de cabeceira. Deitou-se na cama, mas o sono parecia impossível. Ficou olhando para o teto, a mente cheia de pensamentos. O relógio já marcava duas da manhã, e ele sabia que era uma hora incomum para Jimin estar acordado, ainda mais fora de casa.
Por mais que soubesse que Jimin estava se divertindo, provavelmente rindo e aproveitando a companhia de Hoseok, a preocupação ainda o consumia. Era algo instintivo, quase inevitável. Ele tentava se convencer de que estava tudo bem, mas a ausência de Jimin fazia sua mente imaginar cenários que o deixavam inquieto. Virou-se de lado, puxou a coberta, mas, no fundo, sabia que só ficaria tranquilo quando Jimin estivesse de volta ao seu lado.
...
Jimin comemorava com entusiasmo cada vez que vencia Hoseok no jogo, suas risadas e gritos de alegria enchendo o quarto. No início, Hoseok deixava Jimin ganhar, achando graça na empolgação do amigo e querendo incentivá-lo. Mas com o passar do tempo, Hoseok percebeu que, para evitar perder, precisaria começar a levar o jogo a sério. Ele apertava os botões com mais concentração, os olhos fixos na tela, tentando recuperar o controle da partida. Porém, Jimin parecia ter pegado o jeito rapidamente, o que deixou Hoseok um pouco preocupado.
— Ei, você está ficando bom nisso! — Hoseok exclamou, meio rindo, meio impressionado, enquanto tentava salvar seu personagem de mais um ataque bem calculado de Jimin.
— Sim, o Jimin é bom — Jimin riu.
— Sorte de principiante — Hoseok mostrou a língua e Jimin o copiou.
Jin entrou no quarto equilibrando dois copos de leite e um pratinho com Oreos. Normalmente, ele já teria berrado para Hoseok desligar o videogame e ir dormir, mas ao ver Jimin tão animado, decidiu abrir uma exceção. A felicidade estampada no rosto de Jimin o fez querer prolongar aquele momento de diversão por mais algum tempo.
— Aqui está um reforço para vocês continuarem essa "batalha épica" — brincou Jin, colocando o pratinho e os copos na mesinha ao lado. Ele cruzou os braços e observou os dois por um instante, sorrindo ao ver como Jimin parecia à vontade.
— Mas nada de passar a noite toda jogando, hein? — completou Jin, com um tom firme, mas carinhoso, antes de sair do quarto, deixando os dois imersos na disputa animada.
...
Depois de horas jogando, rindo e gritando, Hoseok e Jimin finalmente começaram a sentir o cansaço tomando conta. Exaustos, Hoseok sugeriu que talvez fosse hora de dormir. Jimin, já com os olhos pesados e a energia no limite, concordou sem hesitar.
Hoseok pegou um pijama extra e o entregou para Jimin, que agradeceu com um sorriso antes de ir ao banheiro para se trocar. Alguns minutos depois, Jimin voltou ao quarto, agora vestido com o pijama de Hoseok, que era um pouco grande para ele, mas confortável.
Enquanto Hoseok arrumava a cama, Jimin sentou-se no chão, observando o amigo com curiosidade e ainda com um leve sorriso no rosto. Era um momento simples, mas para ele, cheio de significado. Estar ali, naquele ambiente novo, cercado de risadas e gentileza, fazia-o sentir-se acolhido de uma forma especial.
— Onde você vai dormir? O Jimin não quer dormir sozinho.
— Eu vou dormir aqui com você, mas como minha cama é muito pequena e não cabe nós dois, vou dormir no colchão e você dorme na cama.
Jimin pulou na cama e se deitou. Hoseok apagou a luz, deixou o abajur aceso e se deitou no colchão.
— Boa noite, Jimin.
— Boa noite, Hobi.
— Sonhe com os anjos, Jimin.
— No caso, o Kookie — Jimin riu.
— Isso – Hoseok riu.
— Sonhe com os anjos também, no caso o Jimin.
Pela primeira vez desde que Jimin havia chegado, o quarto mergulhou em um silêncio profundo. A ausência de risadas e sons do jogo tornava o ambiente estranhamente tranquilo. No entanto, alguns minutos depois, Jimin começou a se remexer na cama, virando-se de um lado para o outro. O sono parecia teimar em não vir, deixando-o inquieto.
— Jimin? Está tudo bem? — Hoseok ergueu a cabeça para olhá-lo, Jimin estava com os olhos cheios de lágrimas.
— Não está nada bem. O Jimin está sentindo muita dor.
Hoseok se levantou para examiná-lo, sua expressão preocupada.
— Onde está doendo?
Jimin apontou para o peito.
— É uma dor muito estranha que o Jimin nunca sentiu — Uma lágrima escorreu em suas bochechas rosadas — Isso realmente dói.
— Vou chamar meu pai, ele é médico, ele vai saber o que fazer.
Hoseok correu em disparada até o quarto dos pais, a voz alta e cheia de desespero ecoando pela casa.
— Jimin está tendo um infarto! — gritou, completamente aflito. Jin, ainda meio adormecido, praticamente pulou da cama e saiu correndo atrás do filho, o coração acelerado de preocupação.
Ao chegar no quarto e examinar Jimin, Jin rapidamente percebeu que Hoseok, em todo o seu exagero, havia se enganado. Jimin estava deitado, perfeitamente bem — pelo menos fisicamente. Jin soltou um suspiro aliviado, embora não conseguisse evitar um olhar repreensivo para Hoseok, que continuava inquieto ao lado.
— Hoseok, ele não está tendo um infarto! — Jin disse, tentando controlar a mistura de alívio e irritação. Enquanto isso, Jimin olhava para os dois, visivelmente confuso com toda a comoção.
— É difícil explicar, dói, mas não parece ser uma dor — Jimin suspirou, confuso — O Jimin quer ver o Kookie.
— Vou ligar pra ele vim aqui, ok? Respira fundo e se acalma, meu amor. Está tudo bem.
Jin, preocupado com o estado de Jimin, decidiu ligar para Jungkook. Mal deu tempo do telefone tocar antes de Jungkook atender, como se estivesse esperando aquela ligação. Jin, direto, explicou a situação:
— Jimin parece estar sentindo sua falta. Você pode vir vê-lo?
Jungkook não perdeu tempo. Nem se deu ao trabalho de desligar a chamada, jogou o celular na cama e saiu correndo em direção à casa de Jin. Sua mente estava focada apenas em Jimin.
Ao chegar, subiu as escadas apressadamente e foi direto para o quarto de Hoseok. Quando abriu a porta e viu Jimin deitado na cama, os olhos vermelhos de tanto chorar, seu coração apertou. Sem pensar, seu corpo agiu por impulso. Ele se aproximou e o agarrou em um abraço firme e protetor, como se isso fosse suficiente para acalmar toda a dor de Jimin.
— Eu estou aqui agora, — sussurrou Jungkook, sua voz baixa, mas cheia de emoção.
— Kookie...
— Jimin — Jungkook se afastou minimamente para olhá-lo — O que houve? Está tudo bem?
— O Jimin estava com muita dor no peito — Jimin parou o que estava falando e arregalou os olhos, parecia surpreso e ao mesmo tempo feliz — Espera! Kookie, a dor passou!
— Passou? Isso é ótimo! — Jungkook o abraçou novamente.
— Sim, quando você chegou a dor passou. O que era aquela dor?
— Acho que era saudade, eu também estava sentindo a mesma dor que você.
— Kookie — a voz de Jimin saiu embargada — Não quero mais sentir saudades.
— Eu também não, amor — Jungkook estava ainda mais emocionado.
Jin, parado no batente da porta, riu enquanto olhava para o casal.
— Meu Deus, vocês só ficaram separados por três horas.
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