The Engagement
33 Revolta
Bartolomeu ainda massageava a própria garganta, pois a mesma ainda doía do golpe que recebera de seu líder maior. O homem estava emburrado, em seu canto, remoendo tudo o que ocorreu desde que retornou da caçada. Ele estava chateado. Era um dos mais mortais ali. A equipe de Rafael era boa o suficiente para pertencer a uma equipe que servia aos Argent.
A ameaça de Chris para si era reproduzida em sua mente com cada palavra e ato do homem mais influente na ordem dos caçadores. A raiva crescia em si. Ele era mais experiente em caçar do que Chris. Como raios ele havia perdido para o homem em alguns segundos? Era um absurdo de tão humilhante. Ele passava dias caçando. Ele dizimava bestas com frequência. Mas Chris? O homem apenas passava o dia todo remoendo a morte da filha, trancado em sua sala ou em algum lugar da vila de caçadores em que moravam, próxima a um penhasco, isolada de humanos comuns que não sabiam da existência das criaturas noturnas que os cercavam.
Quando Bartolomeu descobriu sobre a ordem dos caçadores, ele quis fazer parte dela. Em sua mente, os caçadores eram homens que enfrentavam as criaturas da noite, as fazendo parar de ver os humanos como meras presas e passando a os ver como deveriam: como os seus predadores. E a ordem era assim nos governos anteriores a Chris. Eles matavam as feras como elas deveriam ser mortas, brutalmente, do mesmo modo que matavam os humanos.
Mas Christopher Argent fazia isso? Não. Muito pelo contrário. Ao invés de os guiar para o caminho que levaria a extinção dos seres da noite, o homem tinha dó deles. Christopher era mole. Um fraco que tinha pena de quem nunca teria pena dele. De nenhum deles. Aquilo fazia o seu sangue ferver. Bartolomeu não era como Chris. Ele era forte. Não tinha pena das criaturas da noite, como um verdadeiro caçador deveria ser. Então por que? Ou melhor, como? Como Chris o derrotou em questão de segundos? Como um fraco poderia ser tão habilidoso? Ele que deveria ter aquela habilidade toda e não um fraco penoso.
Ele olhou para Megan, a sua única companheira mulher de equipe. A segunda e última mulher que ele considerava digna de ser uma caçadora em toda a ordem dos caçadores. Ele era tradicionalista, assim como muitos ali. Mulheres não nasceram para caçar. Elas deveriam ficar na cidade, cuidando da mesma. Cuidando de suas casas. Mas algumas delas se viam no dever de caçar, assim como Megan, a morena de cabelos curtos penteados para trás. A mulher esculpia algo em um pedaço de madeira usando uma adaga. Era o passatempo dela: fazer bonecos de criaturas para os pequenos futuro caçadores já saberem o que devem matar desde crianças.
Ao lado dela, todos os outros companheiros estavam sentados jogando baralho. Alguns encaravam Bartolomeu, receosos. Sabiam da personalidade egoísta do companheiro e sabiam que o mesmo deveria estar julgando o líder da ordem dos Argent naquele exato momento. Aquilo poderia ser ruim para eles, pois se a próxima missão for uma que exija muita técnica, trabalho em equipe e concentração, o homem poderia retornar ferido, ou até mesmo não retornar. A ideia era realmente preocupante, pois, na pior das hipóteses, não só Bartolomeu poderia não retornar.
Quando menos esperavam, Rafael adentrou o campo de visão de todos. Megan guardou a madeira na mochila e a adaga na calça, enquanto Bartolomeu se erguia, assim como todos os outros, que guardaram o baralho para a viagem. O moreno estalou os dedos indicando que eles deveriam o seguir e assim fora feito.
— comigo! Ergam os seus traseiros e montem em seus cavalos – ditou o homem já rumando para o estábulo, onde os seus cavalos recém chegados já estavam um pouco descansados e bem alimentados.
— para onde vamos? – indagou um dos homens conferindo se havia, realmente, recarregado as armas e reposto as suas munições.
— oeste – respondeu Rafael pegando o pingente de cruz em seu peito e o guiando aos lábios, o beijando, antes de o esconder em suas roupas novamente.
— o que vamos caçar? – questionou Megan animada.
— bruxa – respondeu o líder da equipe e a morena comemorou socando o ar, enquanto alguns homens reviravam os olhos.
As bruxas não eram tão agradáveis de se caçar. Elas não eram como os lobos. A sua verdadeira forma não as deixava vulnerável em alguns aspectos como os licantropos. Muito pelo contrário. Elas eram muito inteligentes e ardilosas. Eram o pior tipo de caça entre os caçadores desde o início dos tempos. A maioria dos caçadores preferiam caçar cem bandos sozinhos ao caçarem uma bruxa. Bartolomeu e Megan não faziam parte desse grupo, assim como Rafael.
Os três eram caçadores dedicados. Não tinham preguiça. Se um alvo era dado para os três, o alvo seria morto não importava o que acontecesse. O motivo de serem ótimos caçadores era também @a motivo que os levaram a ser caçadores:
Vingança.
— há uma bruxa a oeste que anda fazendo muitos sacrifícios humanos. Não se sabe como ela faz, mas todas as vítimas são encontradas mortas, cercadas com palavras estranhas e com o abdômen devorado – informou Rafael assim que eles começaram a pegar as celas e as colocar em cavalos que já estavam ali há muito tempo. Cavalos descansados, preparados fisicamente para uma nova viajem.
— vamos pegá-la no estilo que Chris quer. Sem ferimentos desnecessários – ordenou Rafael já montado em seu cavalo e o guiando para a saída do estábulo.
Os seus companheiros de equipe se irritaram um pouco com a fala. Ele também estava irritado, não podia negar. Era extremamente difícil compreender Chris. Como pode alguém que perdeu a filha para aqueles seres conseguia sentir pena deles? Ele realmente não entendia. Mas ele precisava obedecer. O Argent já estava ficando sem paciência com os caçadores. E a medida que mais desobedeciam, mais eram castigados. Aquilo estava o transformando em um homem indesejado no poder, mas eles não podiam fazer muito a respeito. A família Argent o protegeria caso houvesse uma tentativa de golpe. O orgulho Argent era maior do que a diferença de opiniões. Kate não queria ficar no comando, Gerard abdicou o mesmo assim que pôde. Eles preferiam caçar a liderar. Victória não iria contra o marido, muito menos gostaria de tomar o lugar do mesmo. Isso sem contar em todos os Argents por aí espalhados. Se a notícia da queda de um Argent chegasse aos seu ouvidos eles atacariam a cidadela sem dó nem piedade. E, por mais que todos os membros da cidadela fossem muito bem treinados, os Argents tinham o dom no sangue. Ninguém, até hoje, havia derrotado um Argent sem ser um, nem mesmo em um treinamento.
Os Argents nasciam para caçar.
— não quero correr o risco de ser castigado – alertou o moreno fazendo o grupo inteiro engolir em seco, esquecendo, parcialmente, a raiva de serem oprimidos
— muito menos vocês vão querer – finalizou olhando para Bartolomeu por sobre os ombros, que mordeu o lábio inferior, irritado.
— ALFA! – gritou Heather, animada, pulando no castanho assim que viu o mesmo se aproximar.
Ainda surpreendendo o bando Hale, o humano agarrou a garota de força e peso sobre-humanos, a erguendo e rodando com a garota no ar em seus braços. Ennis se levantou do chão para se aproximar do rapaz. Ele estava sentado em seu canto, apenas observando Heather se entreter com uma boneca de pano. Como o membro recente e o mais controlado longe de Stiles, Ennis acabou ficando como o responsável por Heather, quase como uma ama. Mas ele não reclamava, era bom observar a inocência da garota.
— está molhado. Por onde esteve? – indagou o calvo vendo o mais novo colocar a garota no chão.
— no rio – respondeu o castanho passando a mão pelos fios castanhos, os ajustando mais uma vez depois de ter saído da água.
— vamos brincar? – indagou a garota chamando o castanho, puxando levemente a roupa do mesmo.
— ainda não. Vamos estudar primeiro – respondeu estendendo a mão para a mais nova, que tomou um bico nos lábios.
— ah, não! – exclamou chateada por ter que parar de brincar.
— ah, sim. Todo membro do meu bando tem que ser bem educado – argumentou o Stilinski vendo a garota suspirar e agarrar a mão estendida para si.
— se precisar de mim, estarei bem aqui – disse o beta se sentando na grama, retornando para o seu canto.
— já preciso. Quero que entregue algo na cidade para mim – disse o castanho vendo o mais velho se erguer em um salto.
— qualquer coisa por você – ditou Ennis vendo o mais novo sorrir enquanto abria um pouco o paletó que usava, para alcançar o bolso interno do mesmo.
— aqui – retirou um envelope do bolso, com o símbolo de uma rosa no carimbo que selava o envelope.
— leve isso para os correios. É para a rainha – informou o castanho vendo o seu novo subordinado menear positivamente.
— é um relatório sobre o caso que ela nos enviou – explicou o conde e o homem franziu o cenho em sua direção.
— já resolveram? Mas os Hales estavam fazendo buscas até ontem a noite – questionou surpreso.
— não. Ainda não. Mas será resolvido hoje a noite. Ele não tem muito tempo nessa vida de arruaceiro – respondeu o castanho vendo a garota o analisar com o olhar, assim como Ennis.
Os membros do bando Hale que se encontravam cercando a mansão, olhavam para o humano com desconfiança. Os seus alfas ainda procuravam pelo meio lobo meio bruxo que a guarda real disse se aproximar da cidade, mas, pelo que parecia, o castanho já sábia onde encontrar o mesmo. O que era estranho, já que, se ele queria tanto uma aliança, por que não dividiu a informação com os alfas do bando Hale? Por que não disse onde ele estava para que eles pudessem capturar logo e evitar a presença de caçadores na cidade?
— será feito imediatamente – ditou o calvo ao se lembrar de com quem estava falando.
— perfeito. Na volta, diga para o alfaiate que o conde Stilinski solicita a presença dele mais uma vez na mansão dos Hale. Heather precisa de mais roupas. Aquele velho encheu a garota de vestidos longos que não servem para treinos nem batalhas. Ela precisa de calças, alguns vestidos curtos e eu quero um robe novo – falou o castanho vendo o homem menear positivamente e já se dirigir na direção do estábulo.
— e quanto a você, pequena, vais estudar com todos os outros – Stiles apertou a mão da garota, suavemente, enquanto se viravam para adentrar a mansão.
— depois a gente pode brincar? – indagou a garota encarando o mais velho, que sorriu em sua direção.
— do que você quiser –
— boneca? – questionou desconfiada.
— claro – respondeu naturalmente.
— hora do chá?
— só se tiver biscoitos
— casinha? – indagou Heathar já se aproximando da biblioteca.
— se assim quiser, meu amor. Agora vá para o seu lugar, o livro já está lá – respondeu Stiles abrindo a porta da biblioteca e a garota correu para a mesa, onde encontrou todos os ômegas sentados com livros abertos e folhas ao lado dos mesmos.
Ao lado de Corey havia um lugar livre, um dos dois últimos da mesa, onde tinha um livro fechado, algumas folhas e um caneta tinteiro. A pequena se colocou em seu lugar e abriu o livro na página que estava indicada na primeira folha em branco que estava ao lado do livro. O castanho ficou sentado a mesa, apenas observando o seu bando inteiro concentrado em seus afazeres momentâneos. Era um tanto gratificante, para si, ver que, mesmo não gostando de estudar, todos se concentravam nisso quando ele pedia. Ele não precisava dar uma ordem de alfa, apenas dizia para estudar e eles simplesmente faziam.
O humano mais novo do bando, após minutos sentado a mesa, cansou-se de sua posição e se ergueu, passando a caminhar ao redor da mesa, sempre analisando o trabalho de cada um. O humano se retirou da biblioteca, surpreendendo os betas que ainda se encontravam do lado de fora. Ele precisava de um espaço melhor para fazer o seu trabalho. A biblioteca não era adequada para o que ele iria fazer. Olhando exclusivamente para a frente, o castanho atravessou o corredor seguindo para o próprio quarto.
Ele precisava consertar o brinquedo quebrado que se encontrava em sua posse. Aproveitaria o tempo vago para poder se dedicar a isso. Não fora difícil, muito menos demorado. Quando se retirou de seus aposentos, o seu bando ainda estava estudando. Seguindo para a cozinha, o conde se serviu de mais um poção de doce. A culinária daquele bando era realmente boa. Sua língua sempre ansiava por mais daquelas guloseimas. Levando um pedaço de bolo a boca, o castanho se derreteu com o sabor doce da laranja em sua língua, dominando a mesma. Com uma quantidade generosa do doce em mãos, o castanho retornou para a biblioteca, sendo encarado pelos betas, que franziam o cenho para a enorme fatia em seu pirex.
“Eu sou um conde mas também tenho fome”
Derek adentrou a casa dos Onew logo após o pai de Braeden. O mais velho fechou a porta quando o Hale passou e tratou de o guiar para o interior da residência. O moreno de olhos verdes franziu o cenho ao ver o mais velho o guiar, desesperadamente, para o interior do local.
— sobre o que quer falar, senhor Onew? – indagou o mais novo vendo o lobo de pele morena coçar a cabeça, um tanto nervoso.
Ele sabia que os Hales estavam se envolvendo demais com o homem de vermelho. Eles não pareciam ver que havia algo errado com o humano. Bom, ele também não havia visto nada de errado com o Conde Stilinski, pelo menos não até o final do duelo sagrado entre ele e sua filha. Quando o humano começou a sofrer transformações em seu corpo, o homem já havia entendido que aquele rapaz não era humano. Mas tudo apenas se fixou em sua mente quando Braeden ficou naquele estado após o golpe em seu rosto.
— é a Braeden – respondeu o homem vendo o outro beta suspirar, enquanto procurava um jeito educado de dispensar a conversa.
— ela... Quer falar com você – ditou o mais velhos vendo o outro coçar a nuca, sem jeito.
— escute, senhor Onew, com todo o respeito, eu não quero falar com a sua filha. A Braeden... Ela... Me disse coisas que me magoaram bastante e me fez coisas também que não me agradaram. Então, novamente, com todo o respeito, eu prefiro ter distância de sua filha por um tempo — falou Derek tentando ser o mais educado possível.
O Hale estava muito irritado com Braeden. Ele não havia se esquecido do que a mulher havia dito para si no templo de treinamento. Derek ainda não acreditava que a Onew pudesse largar o bando em que cresceu com tanta facilidade. Era como se todas aquelas pessoas não importassem. Como se tudo o que ela viveu ali pudesse ser jogado fora de um minuto para o outro. Aquilo era doentio. Somente um lobo desnaturado poderia fazer algo tão horrível tão facilmente.
Abraham Onew ficou em choque com as palavras do moreno a sua frente. Ele jamais esperaria que o filho de seus alfas fosse dizer algo daquele tipo para si. O homem que namorava a sua filha em segredo há até alguns dias atrás, agora, a estava esnobando. Era inacreditável. Aquilo era demais para ele. Era inaceitável.
— então é isso? – questionou Abraham vendo o moreno evitar olhar para si.
Era óbvio que o pai de sua ex-namorada iria reagir daquela forma. O senhor Onew estava apelando para o drama, desesperado por não saber mais o que fazer. A sua filha queria falar com Derek, segundo ela, sobre um assunto superimportante a respeito do noivo do homem. Em uma situação comum, Abraham já teria estapeado a filha e a mandado esquecer aquilo, que já estava ridículo e que era para ela tirar o Hale da cabeça. Mas ele não estava em uma situação comum. Um humano deixou sua filha deveras debilitada fisicamente, ao ponto de a mesma passar horas inconsciente. Como se já não bastasse a preocupação da inconsciência da filha, quando a mesma acordou, era como se Braeden tivesse trocado de corpo com um gato assustado. Qualquer ruído era motivo de susto e espanto. Bastava um trincar de dentes para a morena gritar assustada.
Então, não, mesmo não querendo forçar o filho dos seus alfas a adentrar o quarto de sua filha, Abraham teria que o fazer. Ele precisava ajudar a sua filha a abrir os olhos da família principal do bando. O conde Stilinski não era normal, não era humano, não era confiável. Não era seguro.
— vai simplesmente ignorar a minha filha e a minha família só por que aquele humano ganhou o duelo? – perguntou o Onew em um tom acusatório que acabou, de certa forma, magoando o Hale.
— não é assim. Eu só...
— qual vai ser o próximo passo? Nos expulsar do bando quando virar alfa? – acusou mais velho vendo o moreno tomar um ar mais autoritário.
— não diga tal absurdo! – repreendeu Derek vendo o mais velho permanecer a lhe encarar com um olhar irritado
— eu jamais faria um absurdo desses. E digo mais, não estou ignorando ninguém. Só estou evitando conversar com a Braeden porque ela armou para mim. Ela armou para mim e quase leva o bando inteiro todo para o inferno. Eu tenho o direito de Me afastar um pouco – argumentou o Hale, irritado com as acusações do homem a sua frente.
O senhor Onew se calou por alguns segundos. Ele havia perdido a vantagem naquele drama. Já havia notado aquilo. Não adiantaria mais usar daquele tipo de argumento com o Hale. Ele precisava usar o seu ultimo recurso. No entanto, antes que pudesse falar mais alguma coisa, a sua mulher surgiu do corredor, com súplica no olhar, encarando o Hale em sua expressão de desespero.
— por favor – implorou a mais velha.
— não sabemos mais o que fazer. A nossa filha... Está... Diferente. – argumentou a mulher e o Hale pareceu não poder resistir a súplica de uma mãe desesperada.
— por favor, filho, somos pais desesperados que não sabem mais o que fazer – implorou Abraham se aproximando da mulher e a abraçando pelos ombros.
Derek suspirou. Ele levou a sua mão ao pescoço, sentindo o pingente de flores feito em madeira. O homem de olhos verdes levou as flores de madeira até o seu campo de visão, as encarando com preocupação.
“Que eu não me arrependa do que vou fazer”
Pensou Derek antes de soltar o pingente e voltar a olhar para o casal de betas a sua frente.
— tudo bem. Eu falo com ela – disse o Hale vendo os pais de Braeden suspirarem um pouco aliviados.
— venha – chamou Cloe, a mãe de Braeden, já se virando para o corredor.
— ela está acordada – completou enquanto já se aproximavam do quarto.
“Mantenha o seu corpo em suas roupas, Derek”
O moreno se repreendeu, lembrando-se da armação de Braeden para si no templo. Aquele dia ainda estava fresco em sua mente. Ele ficou tão desesperado que só faltou chorar no quarto, pela noite toda, quando Stiles lhe ignorou durante todas as suas tentativas de explicar a situação de revelar a verdade. A medida em que se aproximavam do quarto de Braeden, Derek notava que haviam várias velas usadas espalhadas pela casa.
— por que tanta vela? – questionou confuso.
Os Onew eram lobisomens, como ele. Mesmo que a casa estivesse escura, eles iriam enxergar, graças aos olhos de suas feras interiores. A razão para aquela enorme quantidade de velas, que faria qualquer altar uma igreja sentir inveja, era um completo mistério para si.
— depois do duelo, Braeden ficou desacordada por várias horas. Chamamos o Druida, mas ele não sabia o motivo de ela ainda não ter acordado. No entanto, quando ela acordou, estava diferente. Sentia medo de tudo, mas, principalmente do escuro – explicou Cloe, com a voz um tanto cansada.
— nunca a vimos tão assustada – ditou Abraham quando pararam em frente ao quarto da filha.
— ela vive dizendo que ele vai pegar ela e vai transformar ela em pó – relatou a mulher já abrindo a porta do quarto.
A visão de Derek captou o ambiente quase que instantaneamente. Braeden estava deitada na cama, encolhida embaixo dos lençóis, olhando assustada para a porta devido ao ruído da mesma. O Hale franziu o cenho para o quarto da ex-namorada. Se ele achava que o corredor daria inveja a um altar de uma igreja, o quarto de Braeden fazia inveja ao corredor. O moreno de olhos verdes olhou para a mulher ali deitada, se perdendo ao ver o quão assustada Braeden estava. O cheiro de medo dominava o quarto, quebrando as suas suspeitas de que aquilo era uma segunda armação da Onew mais nova.
Lentamente, o Hale se aproximou da cama, não notando reação nenhuma em Braeden. Parecia até que a ex-namorada ainda não havia notado a sua presença. Com calma, ele se sentou na cama da morena, a vendo desviar o olhar para si, assustada, assim que tocou a mão dela com a sua. Os olhos da Onew mais nova mostraram um certo alívio ao lhe ver ali.
— graças aos céus! – exclamou a morena se sentando quase que imediatamente.
— oi – foi tudo o que Derek disse. Ele ainda estava incomodado de falar com a loba. As palavras dela sobre não se importar com o bando ainda estavam frescas em sua mente.
— eu tenho que lhe dizer algo sobre ele. Ele é mau, Derek. Eu vi. Eu vi o que tem dentro dele! – a loba disparou palavras da boca com tanta velocidade que por pouco Derek não se perdeu em meio a todas elas.
O Hale franziu o cenho, perdido e curioso. O homem já tinha ouvido a mãe de Braeden falar que ela temia um tal de “ele”, mas Derek não fazia ideia de quem era ele. Quem fazia Braeden tremer tanto? Porque, sim, Derek estava sentindo as mãos de sua ex-namorada tremerem como se não tivessem forças nem para segurar a sua mão. Quem era um monstro? O que tinha dentro dele?
— de quem você está falando, Braeden? – indagou o membro da família principal do bando Hale, vendo a morena se aproximar mais de si, quase lhe abraçando, o que lhe incomodou um pouco.
— você tem que se afastar dele, Der! Ele é o mau em pessoa. Eu vi! – exclamou a mulher, novamente.
— Braeden, de quem você está falando? Eu não posso fazer nada se eu não souber com quem tenho que lidar – o Hale voltou a questionar, segurando a mulher pelos ombros vendo a mesma olhar ao redor, assustada.
— do Conde – respondeu em um sussurro vendo o homem a sua frente se afastar um pouco de si, surpreso.
— do que diabos está falando, Braeden? — indagou já irritado.
Ele não acreditava que havia vindo até ali para aquilo. Se afastou de Stiles apenas para ouvir mais uma armação de Braeden. Perdeu o seu tempo apenas para dar ouvidos as mais absurdas ideias da boca de sua ex-namorada. Como se já não tivesse bastado o que ele já havia escutado dela. Braeden parecia ser um caso perdido. Derek sorriu ao mesmo tempo em que soltava o ar pelas narinas, em um ato de indignação. Ele se ergueu, se afastando de Braeden, sendo parado quando a loba segurou a sua mão, desesperada.
— ele não é humano – ditou a Onew mais nova vendo o homem que amava lhe fitar brevemente por sobre o ombro.
— é melhor você parar antes que eu me irrite mais – alertou Derek vendo a mulher lhe fitar surpresa.
O seu olhar frio pareceu acordar Braeden para a realidade em que viviam. Ela não o teria mais, mesmo que o conde Stilinski fosse embora. Ela havia perdido o duelo sagrado. Não era mais uma boa parceira para ele. Nunca poderia ser dele. Nunca poderia voltar com ele. Aos poucos, a Onew mais nova soltou o futuro novo alfa do bando e voltou a se encolher na cama. Derek caminhou para fora do quarto, mas fora barrado por Abraham, que bloqueou a saída com o corpo.
— não vai embora assim. – ditou o homem vendo o mais novo franzir o cenho em sua direção.
— está me ameaçando? – questionou Derek, mais irritado ainda.
— pelo menos escute o que ela tem a dizer – pediu Cloe, desesperada – mesmo que não acredite. Apenas a escute – implorou a mulher.
— eu já escutei coisas demais de sua filha – falou encarando o pai de Braeden com seriedade, enquanto revelava os seus olhos dourados de beta.
— é um demônio – a voz de Braeden saíra fraca, mas mesmo assim ele conseguiu ouvir. O Hale nada disse, apenas olhou para a mulher por sobre o ombro, desconfiado.
— a fera dele... É um demônio – ditou a morena se deitando de costas para o ex-namorado.
O moreno teve a cor dos olhos esverdeada novamente, enquanto olhava desconfiado para Braeden.
— e por que eu acreditaria em você? – indagou Derek, frio.
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