Derek gemeu manhosamente, enquanto esticava o corpo sobre a cama, se espreguiçando com certa intensidade, sentindo os seus músculos se relaxarem, o que lhe causava uma sensação gostosa. Ele respirou fundo, antes de virar na cama, respirando fundo e tratando de se acomodar melhor por entre a bagunça de lençóis que era aquela grande cama. Ele se sentia tão confortável ali, que de repente se viu se perguntando se havia algo para fazer naquele dia. Pois se não houvesse nada importante, ele iria passar o dia naquela cama. Apenas dormindo e gemendo manhoso toda e qualquer vez que se espreguiçasse.

Ele puxou o outro travesseiro, abraçando o mesmo com os braços, enquanto voltava a fechar os olhos. Derek respirou fundo mais uma vez, sentindo o manto do sono tentar lhe cobrir novamente. Mas nesse ato de inspiração, foi quando o seu cérebro, juntamente com o seu olfato trataram de trabalhar. Ele havia sentido um outro cheiro ali. Havia um outro cheiro em sua cama.

Ah, se havia uma coisa que Derek odiava, era quando alguém deitava em sua cama por tempo o suficiente para que o cheiro da pessoa ficasse forte o suficiente para disputar com seu, que está ali há anos. Ele tratou de identificar quem diabos havia deitado em sua cama, para poder matar o ser vivo assim que o encontrasse. Com certeza fora Laura. A mulher tem essa mania de sair deitando em tudo quanto era canto, inclusive em sua cama.

Mas, para a surpresa de Derek, aquele cheiro não era o de sua irmã mais velha. Ele farejou a própria cama e o travesseiro ao qual estava abraçado, sentindo um cheiro forte e amadeirado. Aquilo não era cheiro de uma fêmea...

Derek estranhou.

Somente Laura, Cora e Malia tinham a mania de deitar em sua cama. Nem Derek e Theo, que tinham o hábito de serem irritantes, o faziam. Para aumentar a sua curiosidade e confusão, Derek sabia que aquele cheiro não era nem de seu pai, de seu tio, do marido do seu tio, muito mens de um de seus amigos.

Ele simplesmente não conhecia aquele cheiro.
Aquilo o deixou em alerta. Alguém que ele não conhecia havia, não só adentrado o seu quarto, como o intruso havia se sentido confortável e seguro o suficiente para deitar em sua cama por tempo o suficiente para que seu cheiro disputasse com o de Derek. Derek, no mesmo instante se manteve em alerta, olhando para todo o quarto. Ele se encontrava o mesmo, nada havia sumido, o que fez o moreno de olhos verdes estranhar mais ainda.

— por que entraram em meu quarto se não levaram nada? – perguntou o moreno de olhos verdes, analisando as entradas e possíveis esconderijos minuciosamente, ainda da cama.

— PAI! – gritou uma voz infantil a qual Derek estranhou.

Era um garoto. A voz era a de um garoto. Não havia um garoto na sua família. De criança havia apenas Cora e Malia. Por um momento, Derek, pensou que seus pais estivessem recebendo visitas em sua casa. Ou até mesmo algum filhote de algum membro do bando estivesse em sua casa. Não demorou para que a porta do quarto se abrisse e no mesmo instante Derek encarou a porta, vendo um pequeno garoto de cabelos negros surgir ali, vestindo um pijama negro.

— vamos, pai! Levanta! O senhor me prometeu que a gente iria caçar, hoje – falou o garoto, parado ao lado da porta, com um olhar pedinte para Derek, que o encarava confuso. Como assim uma criança invadia o seu quarto procurando pelo pai? Algo de muito errado não estava nem um pouco certo, ali.

— ah... eu? – perguntou Derek, questionando se, quando se referia a pai, a criança estava falando consigo. O garoto estreitou os olhos, numa carranca juvenil, antes de cruzar os braços.

— nem adianta negar. Eu sei que o senhor não tem nada para fazer hoje – falou o garoto de mais ou menos dez anos, encarando o moreno de olhos verdes com um ar intimidador que fazia Derek se reconhecer um pouco no garoto.

“Pai?! Eu sou pai?! Quando foi que eu virei pai?”

Pensava Derek, encarando o garoto com um olhar confuso, antes de olhar para o colchão, completamente perdido. Por quanto tempo ele havia dormido? Quando que ele havia se casado? Aliás, quando que ele havia engravidado alguém? Quem era a mãe desse garoto que se dizia ser seu filho? Derek olhou para o garoto, tentando ao máximo não parecer perdido para não ofender a criança.

— quantos anos você tem mesmo? – perguntou Derek, uma pergunta que alguns pais faziam como brincadeira quando sua cria queria muito começar a caçar. O garoto bufou, sorrindo ladino, um sorriso incrivelmente bonito na visão de Derek. Um sorriso o qual ele não fazia.

“Deve ter puxado da mãe”.

Pensou Derek, novamente, antes de o garoto bufar e descruzar os braços, os colocando um sobre o outro, atrás de suas costas, inflando o peito antes de tomar um ar de gente grande e lhe fitar com olhos gentis que disfarçavam um questionamento simples.

— sabes muito bem que eu tenho onze, pai – respondeu o garoto, fazendo Derek estreitar o olhar, confuso, antes de voltar a encarar o colchão.

“ONZE ANOS?! EU ESQUECI DE ONZE ANOS DE MINHA VIDA?!”

Se questionava o moreno de olhos verdes, encarando as próprias pernas, cobertas pelo lençol que usava. Ele passou as mãos pelos cabelos, completamente desesperado. Que tipo de pai se esquecia de onze anos de vida de seu filho?! Ele deveria ser um pai horrível! De repente, Derek se pegou pensando na mãe do garoto. Quem seria sua mulher? Com toda a certeza ela tinha uma pele clara, já que o garoto a sua frente tinha um tom de pele mais claro do que o seu. Possuía até umas pintinhas espalhadas pelo pescoço e lateral do rosto, além dos braços. Derek ousava dizer que a criança era uma versão mais nova sua, de pele clara com pintinhas. Já que os cabelos e os olhos, além da expressão facial o lembravam muito de si quando criança.

— onde está a sua mãe? – perguntou Derek, curioso quanto a sua nova vida.

Estranhamente, o garoto a sua frente lhe encarou com uma sobrancelha erguida, e novamente Derek se viu naquele garoto. Não tinha como negar, aquele garoto realmente tinha o sangue Hale. O garoto se aproximou, beijou-lhe o rosto e sorriu nasalado, antes de se aproximar da porta.

— o senhor está estranho, hoje – falou antes de sair do quarto parcialmente do quarto, se segurando na porta.

— estou falando sério. Quero caçar hoje e sem falta. Então é bom o senhor levantar, porque senão a gente vai se atrasar – falou o garoto vendo o mais velho sorrir e se levantar, jogando o lençol para o lado. Derek apenas não esperava ver o garoto cobrir os olhos, e fechar a porta com velocidade.

— mas o que... – Derek murmurou mas fora cortado por um grito do garoto.

— PAI! EU NÃO PRECISO DESCOBRIR COMO VIM AO MUNDO! – gritou o garoto, antes de se afastar do quarto.

Derek encarou a porta, confuso, antes de olhar para o próprio corpo e notar que ele estava completamente despido. O homem corou, rapidamente, antes de rir da vergonha do filho. O que era estranho, já que os lobos do bando Hale tinham o costume de as vezes se banharem juntos em algum rio de seu território.
Derek se vestiu com uma cueca que se encontrava os pés da cama, antes de se retirar do quarto. Ele caminhou pela casa, notando que havia algumas coisas diferentes com a mesma. Por exemplo a falta dos vários retratos de suas irmãs e sua prima, que passaram a ser poucos. Derek desceu as escadas, encontrando uma sala completamente diferente da qual se lembrava. Havia mais sofás e poltronas. O chão, que antes era feito de azulejo, agora era feito de madeira. Derek estreitou o olhar para o ambiente, vendo o seu filho jogado em um dos sofás, com um livro sobre o peito, enquanto balançava um dos pés sobre o encosto do móvel.

— o pé – falou Derek, vendo o garoto abaixar o mesmo rapidamente.

O Hale seguiu para a cozinha, encontrando a sua família inteira sentada a mesma. Seus pais sorriram para si, Laura apenas continuou a ler o livro a sua frente, enquanto Cora e Malia disputavam por uma coxa de frango. Peter e John apenas ergueram os copos em sua direção e Cláudia sorria orgulhosa para si. Derek acabou ficando um tanto encabulado com toda aquela atenção para si.

— olha ele aí. E aí? Quando pretende me dar mais um neto? – questionou Talia, encarando o filho com um sorriso animado. Derek negou com a cabeça, indo até o armário e pegando uma xícara grande para poder se servir com o seu chá.

— pelo amor, mãe. Já não se contentou com um? – questionou Derek, pegando o bule de chá e se servindo do mesmo.

— claro que não. Quanto mais melhor. E para completar, Laura não quer ter filhos. Logo você tem que me dar netos o suficiente para suprir essa rejeição de sua irmã – falou a mãe de Derek, bebericando um pouco de eu chá, enquanto via o filho abrir o armário de cima para pegar algo.

— nós somos lobos, mãe. Não coelhos – falou Derek, pegando um pacote de biscoitos no armário de cima e foi quando ele sentiu o mesmo cheiro que estava em sua cama tocar as suas narinas.

Ele respirou, tentando identificar a intensidade do cheiro, quando foi surpreendido por mãos em sua cintura. As mãos eram grossas e ásperas, como as suas e lhe apertaram com uma força excessiva. Derek sentiu uma respiração quente bater em seu pescoço, antes de sentir a pele do local ser pinicada por algo.

— eu não me lembro de ser um lobo – sussurrou uma voz grossa e máscula em seu ouvido, criando um arrepio tenebroso no corpo de Derek.

O moreno de olhos verdes se virou para encarar um homem de cabelos castanhos, como os de seu tio John, mas tinha a sua altura e um pouco mais de massa muscular do que si. Uma barba grossa por fazer, que o deixava com a aparência de um Viking.

— mas quem diabos... – Derek fora calado por um beijo bruto, o qual ele tentou quebrar e ao mesmo tempo se afastar do homem musculoso a sua frente, mas aparentemente o “não-lobo” conseguia ser mais forte do que você.

— eu disse que ele não era um humano comum – falou Alexander, não dando a mínima para a cena que ocorria a sua frente.

— ah, Derek. Eu sempre soube que você ficaria tão lindo de esposa – falou Tália encarando a cena encantada e Derek arregalou os olhos.

O beijo fora quebrado e o homem lhe segurou firmemente pelos braços e lhe jogou no canto vazio da extensa mesa de jantar com força demasiada. Derek gemeu de dor, antes de tentar levantar o torso da mesa de madeira. Foi só então que ele notou estar usando um tipo de vestido. Ele sentiu a mão grande lhe pressionar as costas contra a mesa, o forçando a permanecer naquela posição, com o torso deitado sobre a mesa e os pés no chão, tendo o torso curvado para a frente.

— fica mais lindo ainda com o colar de castidade – falou Cláudia, agarrando a mão da cunhada, enquanto encarava a cena com brilho nos olhos.

Derek sentiu a outra mão do homem que lhe prendia contra a mesa, erguer a traseira daquele maldito vestido e usar a mesma mão para rasgar sua peça de roupa íntima. O moreno de olhos verdes, agora arregalados, levou a mão ao pescoço, sentindo um colar de pedras quadradas circundar a sua garganta. Mas que diabos! Aquilo era usado apenas em fêmeas. Ele tentou se levantar, empurrar aquele homem e sair dali. Ele encarava os parentes com olhos de súplica.

— façam alguma coisa – pediu desesperado, tentando sair daquela situação.

— não vamos nos intrometer na intimidade do casal – falou Peter, passando creme de queijo no pão, antes de levar o mesmo a boca elegantemente.

— mas que... – Derek parou de falar ao sentir algo redondo ser posto entre as suas nádegas.

Ele sentia a respiração um pouco acelerada do outro bater quente contra o seu pescoço. Se derek já estava desesperado antes, agora ele estava fora de controle.

— Hey! Espe... – novamente a sua fala fora cortada, mas desta vez por um grito alto de dor quando ele sentiu algo lhe invadir de forma bruta, lhe causando uma dor e ardência incrivelmente insuportáveis para si.

— Pelo amor, eu já disse para não fazerem isso fora do quarto. Eu não quero saber como fui gerado – falou o garoto que Derek reconheceu como o seu filho surgindo ao lado de Talia e cobrindo os olhos com as mãos.

— P-para! I-isso dói, porra! – falava Derek, segurando a madeira da mesa com força, sentindo as suas garras arranharem a superfície da mesma. Derek forçava para cima, tentando sair dali, mas aquele homem era mais forte do que si.

— não seja cínico, amor. Você adora quando eu te fodo assim – falou a voz rente ao seu ouvido, carregando um tom de prazer, que fez Derek sentir um nó em seu estômago e uma vontade de vomitar brotou em seu abdômen.

— por favor. Isso está doendo – suplicou Derek, sentindo as lágrimas rolarem por seu rosto, assim como um líquido quente passou a escorrer por sua perna.

Ele sentiu uma mão deslizar pelo líquido quente antes de uma mão grossa, grande e áspera surgir a sua frente. Ele via a mesma suja de sangue. Para completar a situação horrível em que estava, aquela mão ensanguentada passou a deslizar por seus lábios. Derek crispou os lábios, tentando virar o rosto, mas a mão agarrou o seu queixo com firmeza.

— vamos lá, Derek. Você ama lamber o seu próprio sangue. Desde que casamos você é uma puta masoquista – falou a voz grossa de hálito horrível em seu pé do ouvido e Derek sentiu o seu interior ser esvaziado, ainda causando dor em si.

Ele respirou um pouco relaxado, agradecendo à todas as entidades por terem feito aquele homem parar o que fazia. Mas o seu alivio durou pouco, pois logo ele sentiu o seu interior ser preenchido de uma única vez, lhe fazendo gritar de dor. Enquanto sua boca estava aberta para o seu grito ecoar pelo ambiente, Derek sentiu a mesma ser invadida pelos dedos ensanguentados daquele ser odiável que se encontrava atrás de si, o penetrando sem dó ou piedade.

— hunf. Todo mundo sabia que aquela birra toda pelo casamento era fogo disfarçado – falou Peter, sorrindo ladino para a irmã, que gargalhou alto, assim como Cláudia.

— quem não sabia que Derek era uma vadia viciada em macho? – questionou Alexander, com os olhos fixos em seu jornal, enquanto bebericava de seu chá.

Derek se levantou em um salto, ficando sentado na cama, enquanto gritava desesperadamente. O moreno de olhos verdes passou a se espernear e debater sobre a cama bagunçando mais ainda os lençóis suados sobre os quais estava deitado. Ele olhou ao redor a procura daquele ser desprezível, já com as suas garras a mostra, assim como as suas presas. Ele rosnava para todos os lados, demorando a notar que se encontrava no próprio quarto. Ele tateou o próprio corpo, sentindo o mesmo vestido e nada em seu traseiro doía.

— foi só um pesadelo – murmurou Derek, ainda arfante, enquanto olhava para as próprias mãos.

As suas mãos estavam trêmulas, a sua respiração estava desregulada. Ele sentia o corpo suado e sua cabeça doer. Ao olhar melhor ao redor, ele notou que já se encontrava de dia, já que o Sol brilhava do lado de fora, iluminando o quarto pela janela aberta. Derek se jogou de costas no colchão, sentindo o mesmo inundado por seu suor Derek suspirou aliviado por tudo isso não ter passado de um simples pesadelo.

Ele respirou fundo, encarando o teto. Por mais que ele soubesse que era um pesadelo, ele ainda se sentia aterrorizado. Ele sentia o seu peito doer em ansiedade e temor. Ele não queria que aquilo ocorresse. Ele não queria que a sua realidade nem se quer chegasse perto daquele pesadelo. Ele passou as mãos pelos cabelos devido a sua preocupação e temor.

— eu não vou usar vestido. Eu não vou usar símbolo de castidade nenhum – murmurava Derek, indignado.

Ele encarou a porta, na expectativa de que nenhum garoto de onze anos adentrasse o seu quarto por ela. Derek acabou notando algo em seu criado. Havia uma pequena caixa de madeira sobre o mesmo e uma folha de papel ao lado da mesma. Ele se sentou na cama e puxou a caixa para o seu colo, enquanto encarava a folha de papel em suas mãos, reconhecendo a letra de sua mãe.

— coloque antes de sair – falou o Hale, lendo o que estava escrito na folha.

Derek estreitou o olhar para a folha de papel em sua mão. Ele depositou a folha de papel no criado novamente, antes de levar o olhar desconfiado para a caixa de madeira. Derek a pegou nas mãos e a aproximou do rosto, abrindo a mesma com cuidado. O semblante de Derek se fechou assim que a caixa revelou aquela braçadeira feita com madeira e pedras. Uma das pedras era maior, com um símbolo do clã Hale desenhado nela. Derek pegou o objeto em mãos, analisando o mesmo ainda com um semblante fechado.

Em um salto, Derek saiu da cama, pouco se importando com o lençol que foi ao chão. Ele abriu a porta do quarto com tanta força que quase arranca a mesma da parede. Os passos apressados e fortes de Derek eram ouvidos por toda a casa, enquanto o mesmo descia as escadas com velocidade. O rapaz procurou pelos pais, os encontrando reunidos com seus tios no escritório dos alfas, juntamente com Laura. Ele adentrou o local, furioso, chamando a atenção de todos para si.

— algum de vocês quer me dizer o que PORCARIA É ISSO? – gritou Derek, exibindo a braçadeira para todos, apertando a mesma com força em seus dedos.

— eu disse que ele ia surtar – falou Laura, sentada ao lado do pai, enquanto jogava xadrez com Peter.

— esse garoto as vezes me decepciona – falou Peter movendo uma de suas peças para a frente, vendo a sobrinha menear em concordância.

— não seja duro com o garoto. Ele só está com medo – falou John cruzando os braços, repreendendo o marido loiro, o qual deu de ombros.

— e daí? Para alguém que dizia que irá se tornar o alfa perfeito, um casamento arranjado deveria ser moleza de se encarar. Sem contar que ele está sendo casado pelo bem do bando. Então ele deveria levar isso como o seu primeiro ato de alfa de um bando – argumentou Peter sem encarar nada além do tabuleiro a sua frente.

— concordo com o tio Peter. Como o pretendente de Derek é um alfa de um bando. OU seja, logo após o casamento ser consumado, Derek se tornará um alfa. Ele já deve começar a se comportar como tal e passar a encarar as consequências de seus atos – ditou Laura, encarando o irmão com seriedade, vendo o mesmo bufar indignado.

— você diz isso porque se casou com alguém que queria! Porque não sabe pelo que estou passando! – falou Derek, irritado, apontando o dedo para a irmã mais velha.

— pare de se comportar como um filhote mimado. Arranjado ou não, o casamento sempre amedronta as pessoas que dele participam, Derek. Posso amar Parrish, mas ainda temo a vida de casada – falou Laura levando os dedos ao colar de pedras e madeira, com o símbolo dos Hale na pedra central.

— o assunto não é você, Laura! Pare de tentar chamar a atenção – falou Derek irritado, encarando a irmã se levantar furiosa, virando o tabuleiro sobre o tio, que a fitou surpreso. Laura era um poço de calmaria. A morena com mechas ruivas rosnava furiosa para o irmão, antes de jogar uma peça de xadrez com força contra o moreno mais novo, o qual colocou o braço na frente do rosto, impedindo que o objeto de mármore lhe atingisse a face.

— LARGUE DE SER UM FILHOTE MIMADO! QUER SER UM BOM ALFA ALGUM DIA? ENTÃO PARE DE FAZER DRAMA PARA CHAMAR ATENÇÃO DOS OUTROS – gritou a garota, furiosa, encarando o irmão rosnar para si.

— EU QUERO SER UM ALFA, SIM. DO MEU PRÓPRIO BANDO, NÃO POR CASAR COM UM. ALÍAS, NEM SE QUER VOU ME TORNAR UM COM ESSE CASAMENTO. JÁ QUE ELE É SÓ UM HUMANO – gritou o moreno de olhos verdes em resposta.

— QUER SER UM BOM ALFA POR MERITO? ENTÃO CRESÇA, SEU MIMADO – gritou a mais velha em resposta.

Derek perdeu o controle e tentou avançar contra a irmã, a qual tentou avançar contra si. Mas ambos foram segurados pelos mais velhos. Alexander tratou de segurar Derek, assim como John segurou Laura, juntamente com Peter. Laura era uma semi-alfa. Dominaria Derek em questão de minutos. Os irmãos se debatiam e rosnavam um para o outro, chamando a atenção de algumas pessoas que passavam pela casa, por ouvirem a gritaria no interior da mesma. Todo mundo em um certo campo de alcance da casa tremeu e parou o que fazia ao ouvirem um rosnado de comando. Todos os que se encontravam dentro do escritório encararam Talia surpresos, vendo a mesma com os olhos vermelhos escarlates e uma das mãos fazendo um buraco na mesa de madeira.

— eu não quero ouvir mais nenhum som vindo dos dois – falou a mulher vendo os irmãos se recomporem, principalmente Laura, que retomava o seu ar de superioridade e maturidade, arrumando os cabelos e o colar em seu pescoço.

— Laura, o seu irmão foi pego de surpresa pelo casamento. Nem demos um tempo para ele absorver o que iria acontecer. É normal ele está mais amedrontado do que as outras pessoas que tem um casamento arranjado – falou Talia, vendo a filha mais velha respirar profundamente, cravando as unhas no próprio braço, tentando manter a calma

— e você, Derek. Sua irmã e seu tio têm razão. Você já é bem grandinho para encarar a realidade e entender que na vida, nem sempre tudo acontece como queremos. Ainda mais sendo lobisomens. Você, como um membro da família principal, deve entender que, às vezes, o bando vem antes de você. E esse é um desses casos – falou Talia vendo o filho lhe fitar indignado.

— e o... – o rapaz tentou argumentar, mas Talia rosnou feroz novamente, fazendo o moreno mais novo engolir em seco e abaixar o olhar instantaneamente.

— eu disse nenhum pio. Isso é a sua braçadeira de compromisso. Você deve usar ela vinte e quatro horas por dia. Isso mostra para os outros lobos que você já está comprometido e não pode se envolver com eles. Isso também mostra o seu nível de fidelidade ao seu parceiro – falou Talia, apontando para a braçadeira no braço direito de Alexander e nos dois braços de Peter e John.

— eu não vou usar um símbolo de castidade. EU NÃO VOU! – gritou Derek jogando a braçadeira com força na parede, antes de sair correndo da casa, sendo encarado pelos lobos que encontrava na rua por correr demasiadamente rápido por entre eles. Talia encarou a braçadeira espatifar-se no chão, se separando em vários pedaços de pedra e madeira, sentindo o aperto enorme no peito ao ver a braçadeira se quebrar e a pedra com o símbolo Hale se rachar, rompendo o símbolo negro nela feito.

No jantar, Derek adentrou a casa com seriedade. Ele não havia aparecido o dia inteiro. Não havia comido, nem bebido nada. Ele apenas ficou deitado embaixo de uma árvore no outro lado da cidade que era protegida pelo bando Hale. Quando adentrou a sala de jantar, viu todos direcionarem o olhar para si. Ele se aproximou da mesa e passou a se servir, sendo encarado fixamente pelos adultos e ignorado por Laura.

— vejo que veio dar o ar da graça – alfinetou Laura, ouvindo o irmão rosnar para si, antes de Talia rosnar, os calando imediatamente.

— Derek, naquela hora, eu estava a dar um aviso importante para os outros – falou Talia, chamando a atenção de Derek para si.

— e o que seria? – perguntou Derek encarando a mãe lhe fitar com seriedade.

— o seu noivo e o bando dele vão passar um tempo conosco – falou a mulher, vendo rapaz lhe fitar surpreso e questionador.

— o que? M-mas assim? Tão rápido? – perguntou Derek encarando a mulher suspirar e seu pai tomar a frente.

— acontece que ele sofreu um ataque. Queimaram a mansão em que ele e o seu bando residiam. Quando soubemos do ataque, que ocorreu ontem pela noite, decidimos abrigar eles, visto que praticamente já temos uma aliança formada. Eles não tardaram em aceitar e, quando você chegou no escritório, havíamos acabado de receber a carta de confirmação de que eles viriam passar um tempo conosco – falou Alexander, vendo o filho encarar a mesa surpreso.

— por isso que não tardei em procurar por outra braçadeira para você – falou Talia e Derek suspirou, revirando os olhos.

— mãe, pela ultima vez. Eu não vou usar m símbolo de castidade – falou Derek e Talia bateu com a mão na mesa, surpreendendo a todos.

— aquilo é um símbolo de compromisso, Derek. Não só com o seu parceiro, mas também com esse bando. E eu estou dizendo que você vai usar, sim, aquela braçadeira. Amanhã o Conde Stilinski e o seu bando chegarão aqui e você deve começar a usar essa braçadeira amanhã pela manhã. Eu não quero que me decepcione na frente de um bando aliado, muito menos que coloque essa aliança a perder. Você vai usar aquela braçadeira vinte e quatro horas por dia ou enfrentará as consequências de seus atos como um alfa faria – falou a mulher, antes de voltar a comer, sendo encarado por todos ali presentes. Derek se levantou e se retirou da cozinha, seguindo para o seu quarto, se trancando no mesmo.

Aquilo estava sendo um verdadeiro pesadelo