The Engagement
11 Bala
O ambiente estava frio e mal iluminado. A única luz que iluminava aquele quarto da mansão Hale era provinda dos poucos raios de Sol, o qual já nascia lentamente. A brisa fria daquela manha escondida na neblina adentrou o quarto pela entrada da varanda, balançando as cortinas. As cortinas dançavam no ar, comandadas pelo vento, acompanhando a melodia silenciosa que anunciava o nascer do Sol. Enquanto isso, na cama, um corpo se contorcia de um lado para o outro, em um notável incômodo. A ruiva gemia desgostosa enquanto sussurrava coisas desconexas e quase inaudíveis.
Como um raio de luz de uma explosão, em sua mente, a imagem do castanho de olhos claros surgiu rapidamente. A expressão do castanho era severa. Ele apontava com a mão para a ruiva, enquanto sua outra mão jazia na pedra de sua bengala. A imagem se foi dando lugar a um carro. Ele avançava com velocidade contra a ruiva, até a atropelar e deixar a sua vista apenas com a visão da neblina dançando no ar. Risadas masculinas foram ouvidas em sua mente, como um eco distante. Lydia gemeu o nome do castanho e logo a imagem de Stiles, jogado no chão, cercado de sangue veio em sua mente. Um buraco jazia no olho do humano, enquanto os lobos o cercavam. E então, em uma série de estrondos, um a um fora caindo, até a ruiva olhar para trás, assustada e ver um cilindro negro e logo um clarão a cegou, lhe causando uma dor horrenda.
Em um salto, a ruiva se sentou na cama, sem fazer uso das mãos e gritou com toda a força que tinha, fazendo os vidros da porta da varanda tremerem, antes de explodirem em pequenos cacos. As luzes das casas ao redor da mansão começaram a se ascender, enquanto passos eram ouvidos no corredor, juntamente com o som de portas se abrindo com força e velocidade. Não demorou para a porta do quarto da ruiva ser aberta e um Isaac se abaixar para desviar de um objeto voador que fora atirado pela própria ruiva e se fixou a madeira da porta.
— Lydia! – exclamou o loiro vendo a ruiva de camisola se erguer e saltar da cama, pulando em si, passando a chorar sem controle algum. Os membros da família Hale tentavam observar tudo do corredor, enquanto ouviam a ruiva chorar.
— o que houve? – questionou Alexander adentrando o quarto e vendo o humano se aproximar das costas da ruiva e a abraçar, beijando de leve a pele exposta. Ele tentava passar calma para a ruiva, já que Lydia parecia não querer soltar Isaac tão cedo.
— foi outra visão? – questionou Stiles vendo a ruiva soltar Isaac e lhe abraçar forte, passando a beijar o seu rosto.
— foi você! Eu vi você, morto. Com uma bala no olho – dizia ruiva em prantos, enquanto apertava o castanho em seus braços.
O clima no quarto ficou tenso por parte dos ômegas. Eles encaravam o alfa com receio em seus olhos. Sentiam o peito apertar com a ideia de o humano morrer. Erica foi a primeira a se aproximar e apertar a mão no castanho, em um silencioso “estou com medo”. Não demorou para os outros cercarem o castanho, o tocando como podiam. Eles sabiam que quando Lydia tinha uma de suas premonições, era bem possível que ocorresse exatamente como a ruiva previu em seus sonhos. Eles somente escaparam do incêndio por causa da ruiva que previra o mesmo na noite anterior ao incidente.
— podem parar de drama. Estão agindo como se houvesse a mínima chance de eu morrer por uma única bala – disse o castanho vendo como os seus betas haviam ficado para baixo e carentes.
— eu não sei se é o sono ou o assunto que é difícil de pegar, mas eu meio que estou perdido – disse Peter limpando o ouvido com o mindinho enquanto bocejava.
— podemos conversar na sala? Preciso dar água para a Lydia – questionou o conde, ainda acariciando a pele da ruiva com as mãos. Assim que chegaram a sala, Laura serviu a ruiva com uma xícara com um chá de efeito relaxante.
— podem nos explicar o que aconteceu ? – inquiriu Talia vendo a ruiva beber o chá de uma única vez, sem se importar em manter a classe e pedir por mais uma xícara.
— nós acordamos com os seus gritos, querida. Estamos assustados – falou Cláudia com suavidade, vendo como a ruiva se agarrava ao alfa com toda a força que tinha.
— bom, tudo isso deve ao fato de a Lydia ser uma banshee – disse o castanho de olhos da cor âmbar e os mais velhos fitaram a ruiva e o rapaz vom uma surpresa enorme no olhar..
— espera. Você tem uma banshee no seu bando?! Esse bando é perfeito, meu Deus! Um fica invisível e a outra prevê tragédias. É como ganhar dois presentes no Natal! – exclamou Peter animado, vendo o pequeno bando a sua frente sorrir
— o que é uma banshee? – questionou Malia, sonolenta, tomando a frente de Derek, Lance e Laura, que também não sabiam do que se tratava.
— para muitos, eu sou como uma bruxa. Mas, na verdade, eu sou uma fada. Nós, banshees, não fazemos nada para um bando que justifique a fama e a intensidade em que somos desejadas da forma demasiada que somos. Mas a nossa habilidade de clarividência atraí muitos alfas. Qual líder não quer saber quando algo ruim irá ocorrer ao seu bando? – respondeu Lydia vendo a garota, apesar de estar sonolenta, lhe fitar surpresa.
— isso sem contar o seu potencial vocal que fora desenvolvido para defesa. Ele faz qualquer lobo desmaiar e acordar com as orelhas sangrando. Pode até mesmo matar os seres vivos dependendo da intensidade – falou Isaac se lembrando de como fora facilmente derrubado ao encontrar a ruiva pela primeira vez. Lydia gritou apenas uma vez, por alguns segundos, e ele simplesmente foi ao chão, inconscientemente.
— então você teve uma dessas visões do futuro ? – questionou Laura vendo a ruiva menear positivamente.
— e o que você viu? – indagou Derek, receoso, pois se lembrava bem de ter ouvido q ruiva falar sobre a morte.
— o que, exatamente, você viu? – completou John, fazendo questão de pedir por detalhes.
— nós estávamos do lado de fora. Quando mataram o Stiles. Aí depois mataram o Liam, a Talia, o Corey, Issac, Cora, Alexander... Todos mortos – respondeu a ruiva controlando o choro e vendo o bando Hake engolir em seco.
— então é só passarmos o dia trancados, certo? – questionou Lance vendo o Stilinski negar com a cabeça, enquanto acariciava a coxa da ruiva, em silêncio, a confortando.
— é uma completa falta de inteligência fazer isso. A vantagem de se ter a clarividência é poder saber como lidar com a desgraça que está por vir, não para fugir dela. Seremos baleados, não algo como ser atingidos por raios ou árvores. Se seremos mortos por tiros, significa que são assassinos de aluguel atrás de nós. Então se tentarmos fugir eles vão vir atrás. Isso pode mudar o local da morte, pode mudar o número de mortes e pode até mesmo mudar a própria morte. Mas isso não impede a morte de alcançar alguém. – disse o castanho vendo o loiro lhe fitar surpreso.
— desafiador, corajoso e de queixo erguido. Gosto assim — disse Peter antes de levar um tapa estalado de John nas costas desnudas.
— quero saber de cada detalhe que conseguiu arranjar – ditou o humano com seriedade vendo a ruiva menear positivamente.
Eles ouviram batidas na porta e todos ficaram silenciosos. A ruiva disse para não temerem, pois ainda tinha neblina e a morte só ocorreria quando já não houvesse sinal da mesma. Laura e Derek seguiram para a porta e se surpreenderam ao verem Benjamin e Vernon Boyd, lado a lado, de pijama, encarando os dois membros da família Hale receosos.
— ocorreu algo? Ouvimos um grito – questionou Benjamin, pai de Vernon.
Não tardou para que Laura fechasse a porta, chamando os dois para dentro enquanto começava a explicar o ocorrido. Os olhos de Benjamin brilharam ao ouvir a palavra banshee. Ele sempre havia tomado aquela espécie como um tipo de lenda, como El Dorado. Mas saber que havia uma bem ali, na sua frente, respirando o mesmo ar que ele era de lhe tirar o fôlego e exaltar seu ânimo.
Dizer que Talia estava levando aquela manhã de forma tranquila seria um absurdo. A mulher estava demasiada nervosa. Ela não conseguia parar quieta. Ficava a caminhar de um lado para o outro. Quando se sentava, passava a bater o pé contra o chão e quando não, passava a batucar com as mãos. Ela não parava muito tempo sentada, pois logo voltava a caminhar de um lado para o outro. A mulher estava inquieta desde que ouviu a premonição da banshee do bando aliado.
Alexander também se encontrava igualmente nervoso e ansioso. O homem estava sentado, batendo com a ponta do indicador no próprio joelho. Ele encarava John e Peter jogando damas, enquanto Cláudia estava sentada ao lado de Laura, ambas encarando Talia seguir de um lado para o outro, no escritório dos alfas. Benjamin estava de braços cruzados ao lado da janela vendo algumas crianças começarem a seguir caminho para casa depois de retornarem da escola. Lance se encontrava perdido na cena. Ele era o único que não tinha uma pitada de poder de alfa na sala, assim como Alan Deaton. Mas Talia e Alexander insistiam na presença do loiro durante as reuniões dos lideres, afinal, em breve o rapaz seria mais um alfa.
— você sabia, não sabia? – questionou Talia, sem encarar o negro de bengala de madeira esculpida a mão pelo próprio dono. O Druida, ainda sentado na cadeira de frente para a mesa, encarou a loba com um sorriso ladino – você sabia da banshee – concluiu a mulher encarando o negro rapidamente.
— eu não seria um bom Druida se não soubesse o que anda ocorrendo com esse bando, Talia – disse o Deaton batendo com a bengala levemente no chão de madeira da mansão.
— você sabia da morte também? – questionou Laura vendo o homem negar com a cabeça.
— isso é trabalho para banshee, prever tragédias. O meu é identificar seres sobrenaturais e como lidar com eles – ditou o velho vendo a filha de sua alfa estreitar os olhos em sua direção.
— então me diga, druida. Ainda tem alguma pérola naquele pequeno bando quase insignificante em número? – questionou Benjamin, curioso, ainda encarando a movimentação das pessoas fora da casa. O negro sentado sorriu.
— eles são todos membros de um bando de ômegas. Já são um conjunto de pérolas. Mas para deixar eles ainda mais brilhantes, o seu alfa é um humano. Todos eles são as perolas mais bonitas que você poderia encontrar fora do nosso bando, Benjamin – ditou Alan sem encarar o outro negro.
— humano? Tem certeza? A cada dia que passa eu desconfio cada vez mais dessa classificação à ele dada – falou Benjamin desviando os olhos para encarar o druida, vendo o mesmo sorrir ladino.
— esse fato é inegável, Benjamin. O Conde Mieczyslaw Waclaw Stikinski é um humano nascido e permanece um humano nascido – afirmou Alan com seriedade, vendo o Boyd franzir o cenho.
— então me explique como um humano nascido pode arrancar sangue de um lobo com um único golpe de uma bengala sem se machucar no processo? – questionou Benjamin vendo o druida sorrir nasalado.
— essa resposta eu não posso lhe dar com clareza. Mas, por hora, se foque apenas em lembrar que vocês são lobisomens. São mais fortes e resistentes do que humanos, mas isso não os torna invencíveis, meu caro. No entanto, o meu corpo não falha. Aquele adolescente é um humano – ditou o druida com seriedade na voz, enquanto encarava os alfas lhe fitarem com confusão.
— isso não faz o menor sentido, Deaton! – exclamou Cláudia vendo o negro dar de ombros.
— há muitas coisas das quais não sabemos. Claudia. Sendo que grande maioria está por trás de coisas sem sentido – falou o druida vendo a castanha se calar e passar a refletir.
— dizer que o que ele é não me interessa, seria uma mentira. Mas por hora, o que precisamos saber é se ele está do nosso lado ou não – ditou Peter movendo uma peca para a diagonal, pulando três das de Jhon em sequência.
— aa vezes é bom saber as plantas que se encontram na mata antes de se embrenhar na mesma, Peter – rebateu John, movendo uma única peça por todo o campo de Peter, levando todas as peças do loiro.
— como fez isso? – questionou o loiro vendo o castanho dar de ombros.
— as vezes o problema está diante de nós e nós não percebemos – respondeu o castanho encarando o parceiro lhe fitar surpreso.
— enfim. Vamos simplesmente nos manter atentos e vigilantes. Não podemos deixar o Conde morrer, ainda mais em nosso território – ditou Alexander vendo os outros alfas lhe fitarem com seriedade e menearem em entendimento.
— hajam com descrição enquanto o protegem – ditou Talia vendo os outros alfas menearem positivamente.
— então quer dizer que ela é uma bruxa que consegue dizer quando alguém morre? – questionou Jackson encarando os dois amigos menearem positivamente.
— não é bem uma bruxa. Nos livros o termo usado é fada – disse Vernon vendo os amigos se entreolharem impressionados.
— e em pensar que um humano como ele tem um beta desses – falou Garret, surpreso.
— não fale dele como se fosse um humano qualquer. Ele é um alfa de ômegas. Você já deveria esperar que o bando dele não fosse qualquer coisa – argumentou Derek vendo o loiro dar de ombros.
Eles caminhavam pelo templo enquanto conversavam. Os amigos treinavam todos os dias com o intuito de se tornarem os melhores do bando para, no futuro, poderem se tornar comandantes do mesmo. O grupo escolheu uma sala qualquer, passando a se espalhar pela mesma. Eles treinaram por alguns minutos, antes de um Lance desesperado adentrar a sala, assustando o grupo. O loiro parecia cansado e preocupado, o que alertou o grupo instantaneamente.
— vocês viram o bando Stilinski? – questionou Lance, vendo os amigos lhe fitarem questionadores.
— ah, não. Por que? – indagou Theo vendo o loiro suspirar cansado e um pouco desesperado.
— era para ficarmos de olho neles depois da premonição da fada. Mas quando saímos da reunião, ninguém mais viu eles – disse o loiro, desesperado, vendo os amigos se entreolharem.
— e por que deveríamos ficar de olho neles? Não somos babás – perguntou Garret e Vernon suspirou irritado.
— ah não ser que eu estivesse certo sobre eles quererem destruir o nosso bando de dentro – pontuou Jackson vendo Theo apontar para si como se dissesse “exatamente”. Vernon estapeou a própria testa.
— vocês dois tem problemas – falou Lance antes de se virar para sair.
— aonde vai? – questionou Derek vendo o futuro padrasto parar e lhe encarar brevemente.
— preciso voltar a procurar. Os alfas já estão preocupados com a possibilidade de ele já estar baleado. Assim como estão preocupados com resto do bando dele – ditou o loiro começando a correr.
— eu vou com você – falou Vernon já seguindo o amigo.
— a gente não deveria fazer alguma coisa? Sei lá, já que os alfas estão preocupados com o humano? – questionou Mason, já vendo Derek sair pela porta da sala, seguindo Vernon e Lance.
— é bom. Vai que também descobrimos alguma coisa sobre o plano deles – pontuou Jackson já correndo para fora da sala de treinamento.
— ele fixou essa ideia na cabeça, não é? – questionou Garrett encarando o Whittemore sumir de vista.
Eles procuraram em cada canto do território Hale. Peter e John até pensaram em ir ao território Stilinski, mas desistiram quando alcançaram um dos estábulos e viram os cavalos do Conde ainda estavam ali. Aquilo significava que eles não teriam ido muito longe. Eles deveriam estar no território Hale. Mas, então, por que diabos eles não conseguiam os achar? Enquanto isso, ao longe, um rapaz vestido informalmente encarava, com a ajuda de um daqueles binóculos de teatro, os membros do bando Hale começarem a vasculhar o próprio território a mando dos alfas. Algo parecia estar errado lá dentro. E parecia ser sério. Já que os lobos que deveriam estar de vigia decidiram abondar os postos para se embrenharem na mata a procura de algo. O rapaz se virou e passou a correr para longe. Quando ele alcançou a cidade, se encontrou com um grupo de três homens dentro de um carro. Os homens no carro se viraram para si curiosos.
— eles estão desprotegidos. Os guardas abandonaram os postos para fazer alguma coisa a mando dos alfas. Eles estão desesperados lá dentro – disse o rapaz vendo um outro lhe fitar questionador.
— desesperados ao ponto de deixarem estranhos entrarem? – questionou vendo o outro menear positivamente. Ele sorriu.
— então é agora – falou um homem adentrando o lado do motorista e o rapaz subiu no carro pela traseira, antes de o motorista arrancar com o mesmo.
Derek caminhava pelo bosque, tentando detectar o cheiro de rosas que o humano do qual ele estava noivo exalava. Mas não conseguia nada. Ele sentira, quando passava por uma das ruas do seu vilarejo, a mais próxima do bosque, um vento trazer o aroma do humano para si. Como estava sozinho, seguiu para o bosque imediatamente, mas quando alcançou a entrada do mesmo o rastro havia sumido. Mesmo assim ele adentrou o bosque. Aquela brisa leve carregada do cheiro de rosas não deveria ser coincidência. Não havia rosas no bosque, por isso que sua mãe tanto zelava pelo jardim que o bando tinha.
Derek se embrenhou ainda mais na mata. Ele sentia os galhos rasparem em seu peito desnudo, já que havia esquecido se vestir a parte de cima de suas roupas quando saiu do treino. Mas estava mais preocupado em achar um corpo sem vida, do que com o estado do seu torso. Ele era um lobisomem, assim que feitos os cortes desapareciam. Mas o Stilinski era um humano, e nem mesmo lobisomens poderiam sobreviver a um tiro no olho, quem dirá um humano. Derek respirou fundo, tentando achar a fragrância de rosas do outro. O seu corpo parou ao sentir outro aroma. Ele travou. Era o cheiro de algo vermelho, sim. Sangue.
Derek correu. Correu na direção em que sentia que o cheiro estava mais forte. Ele xingava todos os nomes que conhecia, enquanto seguia na direção do cheiro. O Hale já imaginava encontrar um castanho jogado no chão e ômegas revoltados e violentos. Quando chegou em uma clareira, Derek se surpreendeu ao encontrar o castanho, sentado na grama, com a bengala sobre o colo, enquanto se encontrava na posição de lótus, de olhos fechados. Ao seu redor, cinco dos seus betas, Lydia, Aiden, Ethan, Scott e Isaac, repetiam o seu ato, formando um pentágono ao seu redor. Depois deles, os outros betas faziam um pentágono maior que se encontrava de ponta cabeça. Derek encarou a cena um tanto surpreso. Ele sabia que meditar em grupo era bom para os lobos de um bando, mas encontrar um humano, uma caçadora e uma banshee no meio era um tanto surpreendente.
— podemos ajudar em algo? Vocês parecem um tanto desesperados – ditou o Conde, ainda de olhos fechados.
— e estamos desesperados. Mas atrás de vocês. Você e seu bando sumiram e não encontrávamos vocês em lugar nenhum – disse o moreno de olhos verdes vendo o Conde lhe fitar um tanto confuso.
— mas eu disse a sua irmã e a sua prima que eu iria meditar com o meu bando no bosque – argumentou o castanho vendo o moreno de olhos verdes lhe fitar confuso.
— disse? – questionou surpreso vendo o castanho menear positivamente.
— e por que tanto escândalo com a nossa saída? Não confiam em nós? – questionou Isaac vendo o Hale negar com a cabeça.
— longe disso. Só estávamos preocupados com vocês. Estamos um pouco receosos depois da premonição da banshee – argumentou o lobo, vendo o castanho se erguer em um giro, ficando de costas para si, antes de limpar a roupa e se virar.
— não devem se preocupar enquanto eu não colocar o pé na entrada da mansão. É lá que a premonição ocorre – disse o castanho encarando o moreno lhe fitar confuso.
— mas e aquela historia de fugir não resolve nada? – questionou o Hale vendo os ômegas se levantarem e circundarem o alfa humano.
— não disse que irei fugir. Só disse que não se preocupem até eu estar lá. Vamos, não quero deixar o seu pack desordenado com o meu “sumiço” – ditou o Stilinski parando ao lado do moreno, antes de começar a seguir para o vilarejo.
Já no vilarejo onde o bando Hale morava, Talia estava sentada na escadaria da mansão, desesperada. Se o bando Stilinski tivesse sido atacado e morto em seu território ela não iria se perdoar pelo descuido que cometera. Ela e Alexander já estavam cansados de procurar. Eles viram Cláudia se aproximar em sua forma lupina. Talia encarou a amiga com esperança, mas a loba negou com a cabeça, abaixando a mesma logo em seguida, se deitando ali, cansada. Alexander trouxe roupas para a castanha e a mesma mudou para a forma humana. Eles viram Lance se aproximar, junto de Garrett, Mason, Jackson, Theo e Vernon.
— encontraram eles? – questionou a mulher vendo os jovens negarem com as cabeças, um tanto envergonhados por sua falha na busca.
— onde merda eles se meteram? – inquiriu Alexander passando a bater o pé contra o chão.
— estão aqui – respondeu Derek chamando a atenção do pai, que olhou para o lado vendo o filho acompanhado do bando de ômegas.
— graças a Deus! Eles estão bem – falou Talia respirando aliviado. Logo uivos foram ouvidos, indicando um cessar das buscas.
— onde estavam? Ficamos preocupados – perguntou Alexander vendo o castanho sorrir nasalado antes de se aproximar.
— eu estou lisonjeado, mas não há necessidade de se preocuparem. Sem contar que não havia motivos para escândalos. Eu pedi para as garotas, Malia e Cora lhe darem o recado de que iriamos meditar no bosque – disse o Conde e os alfas desviaram olhares furiosos para as duas garotas que brincavam no topo da escadaria. As duas se entreolharam e fizeram caretas assustadas, antes de se encolherem para pronunciar um pedido de desculpas, dizendo terem esquecido de alertar aos alfas.
— eu não acredito que vocês me fizeram colocar todo mundo para trabalhar nas buscas sem necessidade – rosnou Talia tentando manter a calma. Os ômegas tentaram, em vão, segurar as gargalhadas.
— olhe pelo lado bom. Iremos todos rir muito disso no futuro – disse Malia, um tanto receosa, soltando um sorriso amarelo para a tia.
— não culpe as garotas. Eu tive uma parcela de culpa. Fui irresponsável em revelar as habilidades de Lydia em uma situação como essa e ainda não me reportar diretamente a vocês quando decido usar do seu território – disse castanho, reverenciando os alfas em um pedido de desculpas.
— não. De jeito nenhum! Vocês são membros desse bando, agora! Podem usar do nosso território a vontade. – exclamou Alexander vendo o Conde se erguer.
— ainda assim, foi irresponsável da minha parte. Vocês não estão acostumados a lidar com o futuro. Saber como alguém vai morrer no dia seguinte deixou vocês apreensivos demais – ditou o castanho vendo Cláudia arregalar os olhos e olhar ao redor desesperada.
— você têm que entrar! Não pode ficar aqui fora! – exclamou a mulher e no mesmo instante Peter e John se aproximaram correndo, assim como Benjamin.
— ótimo, eles estão aqui. Vamos entrar. Aqui fora não é seguro para eles – ditou John e Peter meneou em concordância.
— na verdade. Eu vou ficar bem... – disse o castanho olhando bem ao redor, antes de se aproximar de Alexander – pode dar alguns passos para lá, por favor? – questionou e o homem obedeceu o fitando confuso.
— bem aqui – disse o Conde batendo com a bengala no chão e cruzando as mãos sobre a pedra vermelha.
— enlouqueceu? Querem matar você e o seu bando na frente de nossa casa e pretende ficar plantado aí, esperando? – questionou Cláudia encarando o castanho apenas encarar os seus betas, que menearam positivamente.
Corey apenas se posicionou atrás do castanho, enquanto Liam se posicionava a sua frente. Corey abraçou o loiro por trás e a imagem dos dois desapareceu. Não demorou para que, no chão, logo adiante de Stiles, um buraco extenso surgisse no chão. Mas não havia nada pressionando o mesmo para que o buraco se formasse ali. Scott, Isaac, Kira e Allison começaram a correr, pegando velocidade e usando a mesma para escalar casas. Lydia pegou um leque, passando a se abanar com o mesmo, enquanto Erica se colocava abaixada diante de si, e os gêmeos se colocavam ao seu lado, também abaixados. Uivos começaram a ser ouvidos e os lobos do bando Hale se fitaram receosos.
— como assim tem um carro vindo para cá em alta velocidade e eles estão armados? – perguntou Cláudia e Alexander uivou de volta, ordenando que parassem o veículo.
— não interfiram. Mande todos se esconderem em suas casas e taparem os ouvidos – ditou Stiles, já vendo o veículo se aproximando com velocidade, ao longe.
— o que? – questionou Peter, confuso, já mostrando as garras para os intrusos, mesmo que eles ainda estivessem longe demais.
— vocês nos deram apoio quando precisamos. Nos deixem retribuir o favor – a voz de Corey ecoou assustando Derek, que ainda não entendia nada.
— são eles que vão me matar. Eles tem que chegar mais perto e sem causar perdas. Preciso que mandem todos se afastarem. Eu tenho alguém que vai os atrair para cá – falou Stiles encarando o horizonte com certa frieza.
— eu não posso deixar que... – Talia tentou argumentar, mas logo fora cortada pelo olhar frio do Conde.
— não vai funcionar se não acreditar em mim – ditou Stiles vendo a loba engolir em seco.
— senhora Hale. Já lidamos com caçadores. E somos um bando bem menor. Se sobrevivemos durante esse tempo todo, é porquê sabemos como agir – argumentou Lydia vendo a mulher suspirar antes de uivar, acatando o pedido do castanho.
— agora eu quero que entrem. Vocês podem ser atingidos – disse o castanho vendo Lydia alcançar outro leque com a mão livre, mas manter este fechado.
A contra gosto, o bando Hale obedeceu ao castanho. Assim que alcançaram o topo da escadaria, eles puderam ver Isaac correr com velocidade, desordenadamente, sempre trocando de lugar com Scott. Tratando de escalar as paredes para sair da linha de tiro dos caçadores. Allison se abaixou mais ainda, no topo da casa mais próxima a Stiles, mirando com o arco contra o veículo. Enquanto isso, Kira pulava de telhado em telhado, seguindo os caçadores, que não haviam percebido a sua presença ainda.
— agora! – ordenou Stiles quando um dos caçadores passou a ignorar Isaac e Scott e passou a mirar contra ele, Erica, Lydia e os gêmeos.
Os Hales se surpreenderam ao verem as mãos de Erica crescerem e se tornarem cobertas de ossos, assim como o corpo da loira, ao ponto de cobrirem ela e os três atrás de si. Lydia caminhou para o lado das mãos gigantes e respirou fundo. A ruiva gritou a plenos pulmões, fazendo os lobos cobrirem os ouvidos com as mãos. O grito fora tão intenso que explodiu o para-brisas do carro em vários pedaços, forçando até os caçadores a cobrirem os ouvidos. Allison puxou a flecha e a corda do arco, a tencionando. Lydia correu até Stiles, parando atrás do mesmo.
Erica passou a correr com as suas mãos erguidas ao seu lado, servindo de escudo para Ethan e Aiden. A mulher parecia um grande demônio coberto de ossos, o que assustou os caçadores, que passaram a disparar contra aquela coisa que tinha o dobro de altura dos lobisomens. Quando Erica e os gêmeos passaram por si, Scott e Isaac colocaram as garras no chão, freando e fazendo a volta para seguirem os mesmos, sendo protegidos por Erica. Allison disparou a flecha contra o pneu dianteiro.
O pneu estourou e o carro perdeu o controle, não demorou para que o carro virasse e começasse a capotar. Erica ergueu as mãos para os céus, permitindo que os lobos passassem por si. Scott, Isaac, Ethan e Aiden avançaram contra o carro desgovernado que capotava. Os gêmeos se chocaram, virando um único lobo grande, com aspecto bestial, enquanto Scott e Isaac se abaixavam, deslizando pelo chão, ao mesmo tempo em que o carro dava mais um salto enquanto capotava.
A forma unida dos gêmeos se chocou com o ombro contra a lateral do carro, parando o mesmo quando Scott e Isaac já se encontravam do outro lado do veículo. Os gêmeos arrancaram uma das portas com a mão, enquanto Isaac e Scott arrancavam a outra e avançavam contra os caçadores. Kira caiu sobre o teto do carro destruído e usou de sua espada para abrir o mesmo. Com facilidade, os lobos retiraram os humanos do carro e os jogaram contra o chão. Erica se aproximou e, com uma de suas enormes mãos, cobriu os corpos de dois dos quatro humanos, que gritavam desesperados com a “leve” pressão feita pela mão gigante sobre os seus corpos.
Quando Erica iria repetir o ato nos outros humanos um deles se ergueu e, desesperado, disparou contra a criatura coberta por uma armadura de ossos a sua frente. O outro se levantou no meio tempo em que Erica usava a mão para proteger o rosto, sentindo as balas se fixarem em sua armadura óssea. O humano apontou a arma para o Conde e disparou contra o mesmo. Os alfas se desesperaram ao verem o ricochete da arma, mas o Conde permanecia parado. O caçador estranhou o fato de o humano continuar de pé e passou a disparar mais contra o mesmo.
— deixa eu te contar um segredo: isso foi uma péssima ideia – falou uma voz sexy ao seu lado e o caçador se virou surpreso, vendo Lydia próxima a si.
A ruiva agarrou a cabeça do homem firmemente e passou a gritar com a boca bem próxima ao ouvido do humano, que gritou de dor, antes de o outro lado de sua cabeça brilhar, assim como as mãos de Lydia, e explodir, espalhando pedaços do seu cérebro pela rua. Erica golpeou o homem que disparava contra si com a mão que usava para proteger o rosto, vendo o humano voar e atingir a parede de uma casa. No mesmo instante flechas voaram contra o homem, prendendo os braços do mesmo a parede, o impedindo de usar a arma novamente. Kira saltou, caindo logo a frente do homem, que iria gritar, desesperado, por socorro, mas fora impedido quando a espada da morena passou diante de si, dividindo sua cabeça ao meio.
— acabou – falou Stiles, vendo a bala, parada bem a sua frente, na altura do seu olho.
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