The End of All Things

2 End of the line


Notas iniciais
Quem é irresponsável aqui? Eu! o/ Atrasei as duas fics que tinha que postar, mereço (E descobri que as duas eram pro mesmo dia, pois é) Mas enfim, o importante é que eu to aqui, e já pergunto, como foi o natal de vocês? Foi bom? O meu podia ter sido pior, mas sei lá, não sou muito espirituosa nessas comemorações. Acho que deu de falar aqui, né? Com vocês, o capítulo

Vladimir P.O.V

Não acreditava que tinha Aleksander novamente em meus braços. Porém, diferente de antigamente, ele está crescido. E eu? Continuo a mesma coisa. Independente disso, não me arrependo de ter reencontrando-o assim, até me senti feliz. O carinho que senti por ele durante toda minha vida ainda está aqui, mesmo que de uma forma diferente.

Aleksander se tornou um homem bonito. Os olhos castanhos ganharam um tom mais vibrante, o cabelo estava mais comprido, sua face se tornou mais angulosa e seu corpo tomou mais proporção, sua altura parecia ser mais ou menos igual a minha.

Lembrei-me de quando ele era criança, dizia que ficaria mais alto que todas as pessoas do vilarejo. Ri da memória enquanto analisava seu rosto. Parecia estar cansado, a falta de sono era evidente.

– Você é um idiota. Como confiou em mim tão rápido? — Suspirei.

Olhei para o céu. Vampiros não precisam dormir, por mais que alguns o fizessem, e mesmo assim, não estou cansado. Nunca fiquei cansado, por mais que já tivesse sentido fraqueza pela falta de sangue, não era a mesma coisa.

O sol estava escondido atrás de uma forte camada de nuvens, como sempre. Não posso pegar sol, minha pele reage como se estivesse sendo tocada por ácido. Minha sorte é que nunca faz sol no labirinto.

Como resultado do tédio, peguei um dos meus livros preferidos para ler. A história de Ileana Cosânzeana sempre foi meu ponto fraco, Ileana é uma Deusa linda e desperta meu lado mais romântico.

O tempo voou enquanto lia, quando dei por mim — ao final do livro — a lua estava subindo no céu. Aleksander esteve tão quieto com a cabeça em minha perna que havia me esquecido de sua presença, então quando o senti se movimentando, tive um sobressalto.

– Aleksander – chamei. — Está na hora de acordar.

Não foi preciso mais que isso para que ele abrisse os olhos. Ao recobrar completamente a consciência, seu rosto tingiu-se de vermelho devido ao local que se encontrava. Levantou-se rapidamente olhando fixamente para mim.

– O que foi? Teve um sonho bom? — Sorri.

Ele resmungou algo que não entendi e olhou para cima.

– Está anoitecendo. Você deveria ter me acordado antes.

– Ah, mas você fica tão fofo enquanto dorme — respondi sem ao menos me dar conta.

Evitando olhar-me nos olhos ele se levantou e eu fiz o mesmo. Ficamos um tempo parados em silêncio. E agora? O que aconteceria? Ele com certeza quer ir embora desse lugar, mas não acho que o deixarei ir, além de ter milhões de coisas que quero perguntar. E sei que ele também.

– Eu não tenho comida — falei. — Mesmo pra mim, não tenho nada, quanto mais dirá pra você. Vai ter que se virar.

Aleksander movimentou a cabeça em concordância. Senti o cheiro de sua pele, o que fez meus sentidos se aguçarem. Não me alimento faz algum tempo e quando o vi pensei que seria meu dia de sorte. Mas não é dessa vez que vou conseguir sangue.

– Tudo bem, eu tenho suprimentos para alguns dias — ele pegou um saco que estava em frente ao seu peito.

Acenei afirmativamente. Dirigi-me para a saída da clareira, virando o rosto para trás.

– Vou conseguir algo para preparar uma fogueira. Pode ficar à vontade aqui. Só não... Não recomendaria mexer naquelas plantas — apontei para um ponto no canto do local.

Ele olhou para as planas, depois para mim, então para as plantas novamente e terminou fixando-se em mim.

– Por que isso não me surpreende? — Aleksander suspirou e sorriu. — Vivi com você bastante tempo para saber que as únicas plantas que você gosta são aquelas que pode usar em alguma poção, não se preocupe.

Ri fazendo sinal de positivo para ele. Atrevessei a parede indo para o outro lado do labirinto. Minha visão começou a trabalhar no mesmo momento. Era comum procurar lenha para a fogueira, mesmo que não precisasse me aquecer nem de luz, o fogo me trazia certo conforto e familiaridade. Tinha a sensação que deveria ser rápido. Essa será uma noite sem lua.

***

Quando voltei, Aleks estava sentando em frente aos resquícios da antiga fogueira, seu rosto estava pensativos enquanto abraçava os joelhos de forma distante.

– Hey, consegui — derrubei os pedaços de madeira em sua frente.

Se levou um susto, não demonstrou. Levantou o rosto olhando para mim, o semblante pensativo sendo substituído por um sorriso. Sorte que meu rosto não pode ficar vermelho.

– Onde você conseguiu madeira nesse lugar?

– O labirinto tem seus segredos, e eu conheço todos... Ou quase todos — dei de ombros sorrindo.

Aleksander riu, porém logo sua face se tornou perplexa.

– Labrinto? — Perguntou parecendo genuinamente surpreso.

Ergui uma sobrancelha. Ele só podia estar brincando. Não era possível ter percorrido tudo aquilo sem ao menos saber onde estava.

– Sim, labirinto. Nós estamos no maior e mais antigo labirinto já criado, ninguém sabe de onde veio.

Ele parecia tão verdadeiramente atônito que me deixou irritado. Como podia ser tão inconsequente? Eu poderia tê-lo matado! Poderiam existir armadilhas, assassinos, coisas inimagináveis aqui e mesmo assim ele nem sequer fazia ideia de onde estava.

Em um acesso mais forte de raiva, me aproximei puxando-o pela gola da camisa.

– Como você consegue ser tão idiota? Nem ao menos sabia que estava em labirinto? Eu poderia ter matado você! Você provavelmente estaria morto agora!

Havia outra coisa ali. Aquela preocupação enorme começou a me sufocar. O que eu faria se Aleksander morresse?

Ele não parece ficar nervoso, apoiou-se novamente no chão, colocando suas mãos sobre meus ombros.

– Mas eu estou bem, Vlad. E estou vivo, não é? — Eu estava completamente perplexo, como ele podia estar tão calmo? — Eu sabia que seria um lugar perigoso, mas vim mesmo assim. Só não imaginei que tivesse me metido em um labirinto.

Fixei meus olhos nos dele. Era estranhamente confortador olha-lo de forma tão próxima. O castanho profundo daqueles olhos me tranquilizou como um passe de mágica, assim como me surpreendeu. Não havia nenhum medo ali. Ou Alkesander era muito idiota, ou muito corajoso.

– Tsc, você é uma criança — falei soltando-o.

Ele riu, provavelmente percebendo que me sentia um pouco envergonhado.

– Já não sou mais. As coisas mudaram bastante — foi só aquilo que precisei para saber que estava na hora de começarmos a falar. Mas eu não tinha certeza se queria mesmo ouvir.

Suspirei virando-me de costas e pegando a lenha, voltando-me em seguida para ele novamente.

– Vamos acender uma fogueira? Você precisa de calor e luz.

Ele assentiu e me ajudou a organizar as coisas. No momento de acender o fogo usei alguns truques que havia aprendido em minhas tentativas de magia. Logo estávamos sentados um de frente para o outro com as brasas formando uma divisória entre nós.

– Eu acho que seria justo se eu respondesse suas perguntas primeiro — comecei.

Ele acenou afirmativamente.

– A minha história vai ser um pouco comprida, é melhor você começar mesmo.

– Então, por onde você quer que eu comece? — Perguntei.

Ele hesitou um momento, pareceria estar com medo, assim como eu estava.

– Como você veio parar aqui? E como virou vampiro? — Sua voz saiu tão baixa que os ouvidos de um humano não teriam escutado.

Suspirei, havia passado muito tempo pensando em como poderia explicar aquilo, mas nem eu sabia direito. Movimentei-me um pouco desconfortável e comecei a relatar os fatos conforme eles vinham a minha mente.

– Sobre como eu virei vampiro. Dois dias depois do ataque, acordei em uma sala completamente desconhecida e as coisas estavam bem diferentes. Há àquela altura eu já era um vampiro, acaba que não é muito complicado transformar uma pessoa, ela só precisa beber o sangue de um vampiro para ingerir diretamente o veneno. Claro, também é possível transformar alguém pelas presas, mas é mais complicado, você teria que pegar uma veia próxima ao coração e ser muito controlado — comecei a falar compulsivamente e vendo a cara de Aleks, ele parecia um pouco assustado. — Mas enfim, os antigos guardiões desse labirinto me transformaram e colocaram aqui. Demorei algum tempo para descobrir o propósito, mas onze anos são um tempo bem considerável pra isso — sorri sem nenhum humor. — O final é um mistério até mesmo pra mim, mas pelas lendas que já ouvi há um grande "prêmio" no final, junto com um portal para sair daqui.

Seu rosto estava pensativo. Claro, havia muito mais coisas que eu poderia contar, mas ele não iria querer ouvir como eu também não queria falar, existem coisas que é melhor esquecer.

Ele ficou tanto tempo da mesma maneira que achei que havia adormecido. Aleks havia mudado, por mais que eu dissesse que ele continua o mesmo, sei que mudou, esse é um momento no qual pude ver isso claramente.

– É isso? Achei que seria algo mais emocionante.

Acenei afirmativamente me sentindo resignado e ao mesmo tempo irritado.

– Desculpe, senhor "contos de fadas", nem todos os personagens bizarros tem uma história incrível.

Ele riu. Aquilo me pegou de surpresa, não imaginava que seria possível descontrair em um momento como aquele. Aparentemente, esperei tanto por esse momento que nem sequer consigo relaxar.

– Mas enfim — seu rosto voltou a ficar sério. — O que você quer saber, Vladimir?

Olhei fixamente para ele perguntando-me qual deveria ser a primeira pergunta. Estava nervoso, não queria saber tudo que poderia ter perdido, mas me perguntava como estariam as vidas de todos.

– O que aconteceu com você depois daquele dia? — Comecei sem ao menos perceber.

Ele pareceu surpreso. Também não esperaria que dentre tantos acontecimentos, eu seria o primeiro tópico.

– Eu fiquei traumatizado — meu rosto se contorceu ao ouvir aquilo. — Não conseguia mais ouvir nada sobre vampiros, lobisomens, ou seres assim, só consegui continuar a conviver com magia por causa do Arthur e do Lukas.

Ouvir os nomes de meus melhores amigos fez meu peito se contrair, tinha saudade, muita. O que poderiam estar fazendo agora? Será que conseguiram se tornar o que tanto queriam? Algumas memórias voltaram a minha mente.

– Fiquei no vilarejo até os doze anos. Aprendi a ler e escrever, preparar remédios, luta corporal e esgrima, algumas coisas sobre sobrevivência e até comércio. Aos trezes anos parti para o vilarejo vizinho e de lá não parei mais. Foi complicado no início, eu era jovem, as pessoas não me levavam a sério, mas aos poucos foi ficando mais fácil. Lutei muito também, já fiquei gravemente ferido e perdi muitos confrontos — um sorriso nostálgico surgiu em seu rosto.

Ele havia partido tão jovem, nem mesmo eu tive coragem de deixar minha casa quando completei dezesseis anos. Sua história mudou a minha maneira de vê-lo. De repente não vi mais aquele garotinho que sorria pra mim pedindo colo, ou chorava em noites de tempestade.

– Quanto ao Arthur e ao Lukas — suas feições se suavizaram, enquanto as minhas tomaram uma expressão de surpresa. — Não fique assim, sei que você está louco para saber sobre os dois.

Baixei a cabeça ouvindo-o rir.

– Eles ficaram desolados com o que aconteceu com você. Talvez não tanto quanto eu, mas demorou para que conseguissem dar rumo às suas vidas. Os dois são bem sucedidos atualmente. Arthur é o maior feiticeiro e curandeiro que se tem conhecimento, enquanto Lukas se tornou o mais jovem e poderoso vidente e mago que já se conheceu. Os dois continuam bem próximos, às vezes tenho a sorte de encontrar algum deles.

Me senti feliz e triste naquele momento. Meus melhores amigos conseguiram realizar seus sonhos, aquilo me alegrou, porém, eu nunca conseguiria fazer o mesmo que eles. E além disso, imagino o quanto os dois já mudaram. Ambos com 27 anos.

Senti seus olhos sobre mim, avaliando minhas reações. No momento em que o encarei, senti que ele me expôs inteiramente, Aleksander provavelmente sabia tudo que eu sentia no momento.

Tentando amenizar o clima, ele começou a falar assuntos aleatórios, coisas que haviam acontecido naqueles onze anos, porém, algo importante que ele não mencionou em nenhum momento começou a martelar em minha mente.

– Aleksander — o interrompi — E quanto a minha família? O que você sabe dela?

Assim que minha boca se fechou conclui que a resposta não seria boa. Senti Aleks se contorcer em minha frente, provavelmente ele tentaria se esquivar do assunto. Lancei-lhe um olhar raivoso que o fez perceber que não adiantaria fugir, o que lhe arrancou um suspiro.

– A sua mãe... Ela morreu — senti uma faca em meu coração frio. Alkesander abraçou suas pernas, mostrando uma tristeza tão grande quanto a minha. — Três anos depois que você se foi ela engravidou. Aquela foi uma época difícil pra ela, estava muito triste por você, e então veio a gravidez.

Minha visão embaçou levemente pela dor. Cerrei meus punhos tentando me controlar. Não sabia o que sentir, não sabia o que dizer.

– Ela morreu durante o parto — continuou. — Mas a sua irmã... Ela sobreviveu. E é uma linda garotinha. Arthur se ofereceu para cuidar dela, como sua família estava cuidando de um bebê também, ele era o mais qualificado para aquilo. Ajudei todos os dias, vi sua irmã crescendo e você não tem ideia do quão parecida com você ela é.

– Eu tenho uma irmã — minha mente congelou.

– Ela te adora, mesmo que nunca te conhecido. Nós contamos histórias sobre você pra ela, Arthur fez um feitiço que mostrou sua imagem e Lukas mostrou pra ela tudo o que você gostava.

Não sabia o que fazer antes, agora, então, estava completamente petrificado. Eu deveria ficar feliz? Deveria ficar triste? Tem uma criança lá fora, e ela tem meu sangue, ela á a única família que me resta.

Não sei quanto tempo fiquei pensando, porém, acordei de meus devaneios quando Aleksander me chamou parecendo preocupado. Realmente não sabia o que fazer, ou sentir. Não posso criar amor nem ódio por uma criança que nem conheço.

– Vladimir, eu sei sobre o que você está pensando. Você não deve odiar a menina. A culpa não foi dela e eu posso dizer com toda certeza, ela te ama.

Aquelas foram as palavras que eu precisava ouvir. Meus pensamentos não desapareceram, mas consegui me colocar em ordem.

– Obrigado — suspirei.

– De nada — ele sorriu.

– O que quer fazer agora? — Perguntei.

Precisava de algo para distrair minha cabeça de tudo aquilo.

– Eu não sei, o que você faz aqui?

Ri dele, que ficou sem entender o motivo. Nem eu mesmo sabia.

– Quer conhecer o labirinto?

– Não acho que temos tempo para isso.

Ri novamente, dessa vez ele me acompanhou. Olhei para cima, me deparando com a lua e as estrelas, minhas melhores companheiras.

– Ora, querido Aleksander, temos todo tempo do mundo. A noite é uma criança.

Notas finais
Acho que eu estraguei tudo, pois é .___. Desculpem. Eu não sei direito se esse capítulo ficou muito bom, não sou boa com explicações. E duas coisas que acho que ficaram meio ruins: Os sentimentos do Vlad e os risos e sorrisos deles, eu não sei porque me prendi a isso, mas fiquei meio encucada. Que o nyah não corte as notas finais nem iniciais, amém