The End Is Coming

60 Capítulo 60 - O fim


Notas iniciais
Leiam as notas finais.

POV – Mary

E cada dia eu tossia cada vez mais. Ninguém via, pois eu era discreta.

Assim que acordei totalmente, minha visão estava meio embaçada e eu saí de minha cela. Fui até as escadas para ir ao refeitório. Só me lembro de ter apagado.

[...]

– Mary? – Acordei com uma voz feminina. – Tudo bem?

Acho que apenas gemi.

– Acorda! – A pessoa me chacoalhou. Senti que suas mãos eram pequenas.

– Eu... – De repente, tossi tanto que cheguei a tossir sangue.

– Venha eu vou te levar para Hershel. – A menina falou.

– Quem é você? – Perguntei estreitando meus olhos. Tossi novamente.

– Sou eu, Mari. – Ela pegou em meu braço. – Não consegue enxergar?

– Não muito. – E tossi novamente.

Ela colocou seu braço envolta de meu pescoço, me fazendo levantar. Fomos andando até um determinado local que eu não consegui ver. Eu mancava e ela me guiava.

– Rick e Hershel estão lá. Aguente mais um pouco. – Mari falou e fomos andando novamente.

Andamos mais um pouco e finalmente paramos. Eu comecei a cair dos braços da pequena garota, desabando no chão frio. Tossi tanto que não sei se conseguia sequer respirar. Mari se agachou e começou a me chacoalhar.

– Mary! – Ela me chacoalhava cada vez mais forte.

– Se afaste! – Uma voz masculina soou, e consegui ver alguém empurrar Mari.

A pessoa colocou um pano sobre o rosto e me levantou em seguida.

– Rick, leve Mari para um local seguro. Eu cuido dela! – E só podia ser Hershel.

– Venha comigo. – Rick disse e seus passos ecoaram na área quase vazia.

– Se ela der índices da doença, me avise! – Hershel falou e me colocou sobre seu ombro igual Mari havia feito minutos antes.

Fomos andando até um lugar estranho. Acho que nunca havia visto ele durante o tempo que passei nessa prisão.

Minha visão começou a voltar ao normal, e logo, enxerguei mais um monte de pessoas em condições ainda piores que a minha. Todos vomitavam sangue e tossiam loucamente. Eu ainda não fazia tudo isso, e estava aliviada.

Assim que entrei, Hershel fechou a porta. Eu me assustei, achei que ele fosse ficar junto, mas ele se foi com uma expressão um tanto triste.

Aquela menininha loira passou por mim. Ela tossia fracamente. Seu cabelo trançado estava todo desarrumado e possuía olheiras marcantes abaixo dos olhos. Dava pena de pensar que assim como eu, ela também podia morrer.

Eu entrei em uma cela, só então notei que Glenn estava lá.

– Doente? – Falei e só então notei que o suor brilhava em sua testa.

– Muito... – Ele tossia.

Eu me afastei um pouco. Estava com medo de ficar na mesma situação que ele. Só então lembrei de Maggie. Como ela deveria estar sofrendo com tudo isso.

Apenas achei uma cela vazia e me deitei em uma das camas, e assim, adormeci.

[...]

POV – Mari

Eu sentia dó de Mary. Não queria que ela virasse um... “Deles”. Seria triste demais para mim e para todos, mas pelo lado bom, ela veria Noah.

Mary era minha única amiga no momento. As outras achavam que eu precisava passar mais tempo com Carl, e eu e Gabriela não éramos tão chegadas depois de tudo que acontecera.

Rick havia me levado até a plantação. Não chegamos a entrar, mas todo o tempo em que estive com ele, um pano estava colocado sobre sua boca. Me encostei na parede apoiada por apenas um pé.

Hershel se aproximou com um pano igual ao de Rick. Logo, vi Maggie e Carl se aproximarem. Ambos sem o pano.

– Mari? – Carl me chamou.

Sorri de leve e olhei para Maggie, que estava colocando o pano. Só eu que não tinha o tal paninho?

– Carl, coloque o seu. – Rick ordenou.

– Mas e Mari? Ela também pode pegar! – Ele protestou.

– Mari foi exposta. Vamos tentar fazer o possível por ela. – Hershel falou.

Como assim “o possível”? Eu fui exposta, mas isso não significava que eu poderia estar infectada. E eu achei que não estava mesmo. Não havia passado mal uma vez sequer.

Rick pegou em meu braço.

– Vá para sua cela. Se começar a tossir ou vomitar, nos avise. – Ele falou.

Assenti levemente e sorri para Carl. Achei que não fosse bom beijá-lo, pois se eu estivesse contaminada, poderia passar para ele.

– Eu vou com ela! – Carl se manifestou e quando foi me seguir, Rick o segurou.

Não virei novamente para não recuar. Apenas segui o caminho de cabeça baixa.

Cheguei até minha cela e sentei-me na cama. Fiquei lá sozinha, pois minha parceira, Mary, estava doente. Peguei minha mochila e procurei por meu livro.

– Você deixou em minha cela. – Carl apareceu no batente da porta segurando meu livro.

– Sabe que não pode estar aqui, certo?

– Você é minha namorada. Se eu não me preocupo com você, quem mais se preocuparia?

– Só estou dizendo que você pode pegar a infecção.

– Mas não vou. Você não está doente.

– Como você sabe? E se eu estiver doente? E se eu morrer? A vida segue Carl.

– Não segue. Se você estiver doente, eu também ficarei.

Ele se sentou ao meu lado da cama e eu desviei meu olhar. Me levantei e fiquei parada no canto da cela, de cara para a parede.

– Por favor, vá embora.

– Eu não quero você doente.

– Eu nem sei se realmente estou. Só sei que fui exposta e devo ficar isolada. Vá.

– Mas...

– Não discuta. – Me aproximei dele. – Sei que você quer meu bem, mas também quero o seu. Se você não for embora, pode ficar doente, mas isso se eu estiver. Para não arriscar, melhor ficarmos separados por um tempo. – Sorri e ele tentou me beijar.

Afastei meu rosto e toquei a ponta de seu nariz.

– Enquanto isso, sem beijos, Sr. Grimes.

– Como vou sobreviver sem isso, Sra. Pacheco?

– Apenas sobreviva. – E o empurrei levemente.

[...]

POV – Gabriela

Eu era uma das únicas sobreviventes da doença. Por sorte.

Estava no refeitório rabiscando algumas coisas em um papel. Tentei escrever um texto, mas nada saiu, foi daí que se geraram os rabiscos. Logo, pudemos ouvir um carro voltar. Só poderia ser Daryl com o grupo.

Fui correndo para abrir o portão, pois sabia que Rick estava ocupado.

O carro entrou e todos saíram do carro, mas um garoto alto saiu por último. Ele tinha cabelos curtos da cor de caramelo e perfeitos olhos castanhos.

– Garota... – Daryl parecia tentar lembrar meu nome.

– Gabriela. – Falei.

– É, isso. Onde está Rick?

– Tratando de uns assuntos.

– Estou aqui. – Rick apareceu do anda.

– Temos um novo sobrevivente. – Michonne apontou para o garoto.

– Seu nome? – Rick perguntou.

– Keegan.

– Então, Keegan, você não se importaria se Gabriela lhe mostrasse sua nova cela, certo? – Rick falou analisando o chão.

– Claro que não. – Keegan sorriu para mim.

– Ok, então, mostre a nova cela do garoto. – Daryl falou e foi cochichar algo para Rick.

Mal eles sabiam que minha audição era boa. Eu pude ouvir algo sobre Mari ser exposta à doença. Pensei que nossa amizade não era uma “amizade” de verdade, e pensei que Carl deveria estar arrasado.

Mas no momento, apenas me importei em guiar o garoto até a nova cela.

[...]

POV – Juliana

Estava cada vez mais difícil de cuidar de Harry. Ele chorava toda noite, e Gaspar e eu não sabíamos o que fazer. Lucie continuava a brincar com Sophia, mas a menina ainda demonstrava interesse em saber o que acontecia com o meio-irmão.

Ele estava sentado no canto da cela, olhando para o teto.

– Harry? Por que está aí?

– Eu... – Ele tossiu. – Não me sinto bem.

[...]

POV – Beth

Marcos estava ajudando Rick com a plantação. Eu fiquei na cela, conversando com o bebê. Já fazia um bom tempo, mas não sabia quanto havia se passado. Achei que já fosse hora de dar a luz, a barriga estava grande.

Logo, Maggie apareceu na cela.

– Oi. – Ela disse, em sua voz, pude notar um tom choroso.

– Que foi?

– Glenn... Ele contraiu a doença.

Ajeitei sua cabeça em minha barriga.

– Ele é forte. Vai sobreviver.

– A doença vem matando muitos, Beth. Ele não tem chances.

– Claro que tem. Ele tem que ter.

Marcos apareceu correndo na cela.

– Maggie! – Ele estava ofegante. – Ouvimos um tiro da ala dos doentes!

Maggie rapidamente se levantou, mas eu segurei sua mão.

– Cuidado.

Ela sorriu levemente e saiu correndo.

[...]

POV – Molly

Segurava uma arma encostada em minha cabeça. Tudo pra mim estava acabado. Jake morto, todos doentes. Até o mundo, nem ele mais possuía salvação. Quando fui puxar o gatilho, alguém me impediu.

– Não faça isso! – Era Issa.

– Tudo acabou. – Comecei a chorar.

– Molly, você é forte, bonita, corajosa... Você não pode fazer isso.

– E o que? Jake está MORTO!

– E o que Jake pensaria se te visse assim?

Parei um pouco para pensar e percebi que Jake nunca iria querer que eu me matasse.

– Ainda vai fazer isso? – Ela acenou para a arma.

Neguei com a cabeça e abaixei a arma.

– Eu só queria ele de volta...

– Molly, a vida segue... Você vai achar alguém!

Sorri levemente. Foi o máximo que fiz em dias.

[...]

POV – Steven

Saí da plantação e fui ver como estava Beth. Fui até nossa cela, e a encontrei caída.

– Beth! – Chacoalhei-a. – Acorde!

Ela estava desmaiada. A peguei no colo e levei até a cela de Molly. A mulher estava com olhos fixados no chão.

– Molly, por favor, me ajude!

– O que foi?

– Beth... Eu a achei desmaiada.

A mulher deu espaço na cama e eu coloquei Beth lá.

– Eu sei o que está acontecendo... O bebê está chegando! – Molly sorriu levemente. – Preciso de meus equipamentos, pegue ali no armarinho.

Fiz o que foi pedido e peguei tudo que precisaria do armário. Entreguei tudo à Molly e ela pegou uma injeção. Cogitei que fosse a anestesia.

– Ela terá de fazer cesariana.

Assenti e fiquei observando a cena.

Molly sacou a tesoura e tomou cuidado para cortar a barriga de minha mulher. Molly soltou a tesoura rapidamente com nervosismo no rosto.

– Steven, saia daqui!

– Mas...

– SAIA!

Fiz o que ela mandou e saí.

[...]

Narrador

Steven esperava por tudo, encostado na parede do lado de fora. Pouco tempo depois, ele se animou com um choro de uma criança, até que ouviu a voz de Molly soar:

– Não... Não... NÃO!

Ele começou a surtar e tapou os ouvidos com força para não ouvir nada.

Passou mais um tempo e Steven finalmente tirou as mãos dos ouvidos. Molly se aproximou dele com a criança no colo. Era um menino. Mas havia algo de errado, Molly chorava muito.

– Cadê Beth? – Steven perguntou sem sorrir.

Molly pôs se a chorar mais. Steven entrou na cela rapidamente e viu sua mulher, rodeada de sangue até nos fios loiros de cabelo. Ele caiu de joelhos e encostou a cabeça ao lado do corpo da mulher.

– Eu não pude fazer nada... – Molly entrou com a criança no colo.

Steven olhou para o filho.

– Eu... Eu vou sair.

– Qual o nome dele?

– Marcos.

Molly assentiu e viu Steven sair do local.

[...]

POV – Rick

Havia um tempo que Hershel havia me falado que Mari não tinha nada. Fui até a cela onde ela estava e encontrei Carl no caminho.

– Boas notícias. – Falei.

– O que?

– Mari está bem.

– Sério? Posso vê-la?

Assenti e fomos ambos até a cela dela. Destranquei e a menina olhou assustada.

– Estou bem?

– Sim. – Sorri levemente e ela notou Carl ao meu lado.

Ela foi ao encontro dos braços dele e o beijou.

Eu resolvi deixa-los a sós e fui seguindo pelo corredor. Ouvi um tiro e fui correndo ver o que era. Vi Steven, caído, com um tiro bem na lateral da cabeça. Dentro da cela, uma criança chorando. Um recém-nascido.

Mari e Carl se aproximaram da cela e viram a cena. Carl tentou abraçar a menina para esconder a cena dela, mas ela se soltou dele e pegou o bebê.

– Esse era o filho dele... – Ela disse nos olhando boquiaberta. – Onde está Beth?

– Morta. – Molly apareceu.

Carl mordeu os lábios segurando o choro, e Rick apenas abaixou o olhar. Mari olhou para a criança e entregou à Molly.

– Você deveria cuidar dele.

A mulher assentiu chorando pouco e pegou a criança.

[...]

POV – Mary

A doença me tomava cada dia mais. Eu sentia que estava esquecendo tudo ao meu redor, de todas as lembranças e recordações, de todos meus momentos felizes... De Noah.

Sei que não era a única doente, mas eu não queria sofrer tanto quanto os outros. Antes de morrer, queria ao menos me despedir de meus amigos, desejar uma longa vida à Mari e Carl, ver o bebê de Beth, brincar com as crianças.

Todos os desejos que sempre quis que se realizassem, nunca iriam acontecer. Sempre quis ter um filho, alguém para cuidar. Devia ser por isso que tinha tão grande afeto por Judith.

Meus irmãos nunca me deram atenção, eu era a caçula de minha família. Queria dar adeus à Ethan e à Melissa e desejar um grande abraço à eles.

Me deitei na cama, virada para o teto. Observei a sujeira grudada lá e me enojei. Logo, senti lágrimas caírem de meus olhos. Mas não eram lágrimas normais. Percebi isso assim que as enxuguei e vi minha camisa manchada de sangue.

Eu estava chorando sangue. O último sintoma antes de alguém morrer.

Tentei me levantar para avisar Hershel, mas apenas caí no chão. Fiquei tossindo e me encolhendo no concreto frio. O sangue caía cada vez mais de meus olhos.

E então, acho que era meu fim. O fim de Mary Belmont. Mas que diabos... Ficar usando um sobrenome que não me pertencia?

Corrigindo: e acho que esse era meu fim. O fim de Mary Blake.

Notas finais
Pra quem não entendeu, Blake era o sobrenome de Philip Blake, o Governador. Gente, eu estou me segurando muito pra não chorar. MUITO mesmo. Como eu vou me despedir de vocês? Os leitores mais lindos que já vi na vida inteira. Sério, eu sentirei muito a falta de vocês e seus lindos comentários. Quero agradecer a cada um que recomendou, mandou as fichas, sentiu falta dos personagens, riu, chorou, gritou e etc, com essa fic. Saibam, que esse não é o fim. Eu voltarei com muito mais fics. No momento, já estou com 2 de TWD, se quiserem ler... Mas sem publicidades, eu quero que vocês saibam que todos os leitores estão em meu coração, e TEC também. Um grande beijo à todos, tchau ;*