The Runaway Lover

Gilbert suspirou, solitário.

O quarto da faculdade era sombrio e vazio, e só tinha mesmo poucas coisas pra fazer que não estudar.

Mas seu passatempo era lembrar com nostalgia de seu austríaco moreno e suas incríveis habilidades na cama.

-Rod… to com saudades. –cochichou pras paredes

**

Gilbert havia sim, fugido da faculdade. Lembrava-se que fora seu pai quem o colocou em uma disputadíssima faculdade do outro lado do pais, ele simplesmente não tinha vontade de ir. Queria ficar por quanto tempo lhe fosse possível com Roderich, simplesmente gostaria de calar a boca de seu pai e fugir com Roderich, os dois tendo um o outro pra sempre.

Ele vivia em um mundo de unicórnios e arco-íris.

Sabia que não era possível se livrar de seu pai, não era uma pessoa má, mas sim teimosa, os dois eram, sabia que nunca deixaria seu filho fora daquela faculdade, ainda mais pra ficar com um homem, temia esse preconceito de seu pai.

Ele engoliu tudo, seu incrível eu ruíra, assim como parte da sua autoestima.

Não teve coragem de olhar pra Roderich e dizer que não lutou e que cedeu tão facilmente, não sabia se era orgulho, ou medo de que Roderich sentisse pena ou desprezo dele, preferiu que ele o odiasse por deixa-lo depois de dizer que o amava tantas vezes.

Mas aquela era a verdade.

Enquanto subia no avião que o mandaria por 5 anos pra bem longe e não veria mais seu amado, imaginava se veria Roderich algum dia de novo, e se nesse dia, ele se aguentaria e não choraria e abraçaria Roderich dizendo que nunca mais iria embora.

Ele nunca havia realmente tentado esquecer de Roderich.

E no dia seguinte, deveria contar aquilo na cara de seu pai.

**

Feliciano se encontrava sozinho com seu avô e seu irmão agora. Ludwig havia ido, mas deixado seu telefone pra marcarem um encontro. Antônio havia sentido uma presença tão intensamente forte naquela sala que desistiu de ficar lá e esperou na cozinha enquanto o menor era vitima de um olhar cruel do gêmeo.

-Vocês já transaram? –o irmão quebrou o silêncio, com um olhar de reprovação.

-Bom… já, mas… foi algo profundo e…

-Como é que foi? –o mais velho entre eles perguntou.

-Foi… — o italiano menor corou falando. -…maravilhoso. Ele foi gentil, foi doce se preocupou comigo e me beijou bastante, foi como se eu estivesse dentro de um dos meus romances, -ele corava enquanto contava, se lembrava de tudo com clareza. –ele me cochichava palavras lindas e eu ficava embriagado de prazer e paixão e superei o bloqueio logo depois daquilo.

-Eu acho que vou vomitar. –o seu gêmeo comentou.

-Mas que coisa linda! –o parente mais velho comentou. –Fiquei emocionado. Talvez eu tenha julgado ele mau.

-Você tá gozando com a minha cara!? –Lovino berrou, dando um salto do sofá.

-Você ouviu o seu irmão, ele era um amante maravilhoso, então ele deve ser um cara legal. –o outro recuperou rapidamente o sorriso doce e parental que sempre teve. –Ainda gostaria de conhecer melhor ele e a família.

-Você não pode estar falando sério!? –Lovino continuava. –Será que só eu vejo que aquele idiota com cara de batata é um completo idiota!?

-Não sejamos preconceituosos, vamos conhece-lo, talvez ele realmente goste de Feliciano, agora venha aqui, mio piccolo, sente no colo do seu avô e me conte como vocês se conheceram. E não se esqueça dos detalhes pervertidos. –Ele falou, dando tapinhas em sua perna, como nos velhos tempos.

O menor se sentou como se fosse uma criança e então começou a contar como foi amor à primeira vista e como foi o momento em que viu um ser tão perfeito em sua frente pela primeira vez.

A sanidade de Lovino naquelas questões era bem questionável.

**

O loiro mais velho e de cabelos longos esperava pacientemente no restaurante que havia marcado com seu filho, bebericando chá e se segurando pra não explodir.

Primeiro, Gilbert fugia e então, como se o destino lhe pregasse uma peça, encontrava o italiano de novo e faziam sexo como se fossem dois animais. Devia estar pagando alguma divida celestial, ou era carma, ou qualquer coisa do gênero, mas tinha certeza que era algo ruim.

Suspirou baixinho, sem que ninguém percebesse e voltou pro seu chá. Assim que o garoto albino chegou a sua mesa ele já o encarava pesadamente e com certa desaprovação, um garoto de óculos e roupas formais estava ao lado do albino. Eles se sentaram polidamente a mesa e pediram um pouco de chá a uma garçonete.

O garoto de cabelos amorenados parecia admirado pela aparência do maior, Gêrmania já havia sem recebido inúmeros elogios a sua beleza. Mas o garoto também era belo, de uma forma delicada e quase feminina, mas belo.

-Vô, eu… -o loiro deu um longo suspiro antes do albino terminar sua fala.

-Quero uma explicação para sua fuga da faculdade. –ele comandou, dominando aquela conversa. –E que seja por um bom motivo.

-Eu tinha coisas pra terminar aqui. –deu-se a resposta em poucas palavras.

-Que tipo de assuntos? –questionou, seu olhar frio era comandante naquela conversa, até mesmo o incrível Gilbert estava se espatifando com aquele olhar de desaprovação.

-Assuntos comigo. –o garoto moreno interviu, enfim. –Perdão, senhor, meu nome Roderich Edelstein, seu filho fugiu para vir atrás de mim, –o coração de Gilbert se aqueceu com a ideia de seu amante lhe protegendo da única pessoa além de seu irmão e Elizaveta que lhe assustavam. –entretanto discordo completamente da atitude irresponsável, tola e rebelde dele.

O encanto acabou.

-Perdão? –Germânia levantou uma sobrancelha diante do menor.

-Senhor, este garoto, nessa idade, já deveria ter desenvolvido um mínimo senso de ética ou se preocupado com o trabalho que a família teria para coloca-lo naquela faculdade, mas como um animal, seguiu seus hormônios e foi atrás de mim. –Roderich continuou, atirando flechas e mais flechas contra Gilbert impiedosamente. –Não posso dizer que não aprecio a veia romântica em sua família, mas discordo completamente das atitudes dele.

Germânia tinha um sorriso leve no canto dos lábios. Seria uma aprovação para Roderich, a maturidade e a fofura de Roderich teriam conquistado até mesmo seu avô. –Concordo plenamente. –o loiro sorriu. –Gilbert é completamente imaturo e impulsivo e isso é algo que temos que corrigir o mais rápido possível antes que eu dê a ele a chance de formar uma família. Mas antes, qual é mesmo sua relação com meu neto.

-Amante. –Gilbert respondeu sorridente, fazendo Roderich corar assim como Germânia.

-Entendo. Nossa família sempre teve bom gosto. –o de cabelos dourados riu de canto, em vista da situação. Roderich esperava algo mais rígido e um pouco menos compreensivo, mas duvidava que alguém como Gilbert viesse de uma família que não fosse liberal.

-Posso considerar isso um elogio? –um cochicho veio aos ouvidos do loiro como um flash e o fez se virar, vendo o rosto do italiano e seu amante secreto. Ele prendeu o ar e seu coração quase pulou uma batida.

Atrás dele estavam Ludwig e um outro garoto de cabelos castanhos.

-West!? –Gilbert se surpreendeu. –Feliciano!?

-Roderich!? Gilbert!? –Ludwig falou em surpresa.

Roderich olhou ao redor e então percebeu que estavam de mãos dadas. –Porque estão aqui?

-Estamos em um encontro. –Feliciano sorriu, apertando a mão de Ludwig.

-E meu amado pequeno queria me mostrar o seu novo amante. –O italiano mais velho sorriu, enquanto deixava suas mãos a acariciar o cabelo do loiro mais velho. –Mas parece que encontrei um dos meus favoritos no caminho.

-Amante!? –Gilbert começou a rir, fazendo Ludwig corar. –West, você não perde tempo, né!?

-Vovô Roma, vocês se conhecem? –Feliciano questionou.

-Essa é uma maravilhosa história romântica pra ser contada em um momento como esses. –Roma sorriu, ao se sentar na ultima cadeira vaga da mesa. –Meu pequeno, porque você não vai passear no parque com esse belo jovem enquanto eu e ele nos recordamos de alguns momentos com algumas boas taças de vinho.

-Sinto que também deveríamos ir, Gilbert. Os senhores tem assuntos a tratar. –falou, se levantando respeitosamente.

-Eu não! –Gilbert sorriu, ao não se levantar. –Essa história deve ser boa.

-Gilbert tem razão. –Feliciano sorriu. –As histórias do vovô Roma sempre me inspiraram a escrever as cenas eróticas nos meus romances.

-Então deve ser boa mesmo. –Gilbert sorriu enquanto Feliciano ocupava o lugar de Roderich.

-Feliciano eu acho que não devíamos fazer isso. –Ludwig falou, delicadamente.

-Não, tudo bem. –Roma sorriu. –Talvez vocês devessem ficar, essa é uma maravilhosa história. Meu pequeno, anote isso, talvez dê um livro. Esse foi um dos meus amores mais belos e uma das mais divinas paixões de verão que eu já vivi. –Germânia corava diante daquelas palavras adocicadas.

Ludwig relutou um pouco até pegar uma cadeia e sentar-se, ao lado de Feliciano. Gilbert deu algum espaço e Roderich se sentou em outra cadeira ao lado dele, todos prontos como crianças pra ouvir uma historinha.

-Bom, tudo começou em uma manha de verão; em uma praia da Itália. Eu estava de férias e você, meu pequeno, estava com seus pais, e Germânia estava hospedado na mesma pousada que eu; foi naquela pousada que nós…

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.