The Eleventh Hour

2 A destruidora de corações


Notas iniciais
A musiquinha que inspira esse capítulo chama Bad Moon Rising - creedence clearwater revival: https://open.spotify.com/track/20OFwXhEXf12DzwXmaV7fj?si=dBlyy1KVRRCA7c8zkB3Z1g

I see the bad moon rising
I see trouble on the way
I see earthquakes and lightnin'
I see bad times today

Isis Poeirestelar não estava errada ao afirmar que a adversária de Penny Haywood poderia ser um problema. Emily Tyler, quintanista como as duas, mas da grifinória, estava acostumada a ganhar. E ela não se importava em jogar baixo para isso: desde que Haywood havia anunciado a sua candidatura, boatos esquisitos sobre a reputação da lufana tinham começado a circular pela escola.

Poeirestelar já havia partido em defesa dela em umas cinco circunstancias diferentes e ameaçado estuporar um sem-fim de pessoas desconhecidas após escutar comentários maliciosos sobre sua amiga, mas isso não impedia de que os rumores continuassem correndo. Se ela queria ajudar mesmo, precisaria mudar de tática. E era por isso que ela estava, naquele momento, de frente para Bill Weasley que, indiferente ao seu olhar de cão abandonado, a encarava irredutível.

— Não. De jeito nenhum. Nunca. – ele repetiu quando ela insistiu.

— Puxa, William... – ela fez uma cara de sofrimento que esperava ter algum efeito no coração mole do amigo. – É por uma boa causa!

— Nam-nam. – ele a preveniu com o dedo indicador. – Só mamãe pode me chamar assim, você sabe. – Isis suspirou, quase vencida. – Is, eu adoro você. – ele disse, em tom de quem se desculpava. – Eu adoro Penny. – continuou. – e eu adoro o que quer que esteja começando a acontecer entre vocês... – sorriu, mas ficou sério de súbito. – Opa, isso soou pervertido?

— Não, Bill. – ela girou os olhos, tentando não parecer constrangida. – Continue.

— Então, como eu ia dizendo, eu adoro vocês, mas essa é uma das poucas coisas que eu não faria pelas duas. – ele deu de ombros. – Além do mais esse evento nem é para o meu ano. – Bill estava cursando o sétimo e último ano em Hogwarts e tudo o que ele queria era atravessar o último trimestre escolar sendo o bom monitor que ele era.

— Mas a Penny é nossa amiga! E é importante para ela liderar o comitê de decoração do Baile.

— Eu entendo. Mas, como você sabe, é muito importante para mim não ver Emily Tyler.

Isis suspirou. Bill havia sido rejeitado pela garota há alguns meses atrás. Além de uma pessoa muito competitiva, Tyler era também uma espécie de destruidora de corações e Bill ainda tinha o orgulho ferido.

— Você não acha que ver Tyler perder para Penny aqueceria seu coração levemente dolorido? – ela tentou uma última vez.

— Talvez.

— Bill.

— Isis.

— Bill? – ela pediu uma última vez e ele a odiou momentaneamente pelo jeito como usou aquela cartada final: porque aquele não era o olhar de cão abandonado que ela estava adotando até então. Era o olhar de intimidade que só dá para se ter com outra pessoa quando as duas tiraram a virgindade uma da outra.

— Ah, sete infernos, Poeirestelar, tudo bem. – ele grunhiu, por fim.

Isis se permitiu se sentir só um pouquinho culpada pela escolha utilizada antes de ficar exultante pela vitória. Já fazia muitas luas agora, mas aparentemente aquele era o tipo de evento que tinha efeito vitalício.

A coisa sobre Poeirestelar e Weasley é que eles eram amigos desde que ela estava no terceiro ano e ele no quinto. Isis tinha um faro para confusão que não passava despercebido e Bill Weasley já havia escutado muito sobre ela quando Poeirestelar finalmente viera lhe pedir dicas de duelo. De lá para cá, ela havia conseguido tornar a vida dele muito mais perigosa, mas infinitamente mais divertida.

E quando ele tivera o coração partido por Emily Tyler, ela tinha estado lá por ele. Em parte, é claro, porque ela se sentia culpada por tê-lo incentivado ao romance, mas também porque era uma boa amiga. E quando Weasley havia pegado sua primeira detenção na vida por ter matado as três últimas aulas de voo para chorar em seu dormitório em paz, Isis fizera questão de escapar do castelo depois do horário para ajudá-lo na missão de polir as mil vassouras que ele precisava antes de dar sua tarefa por encerrado.

Como eles haviam parado debaixo da mesa que estava suficientemente coberta por um tecido, impossibilitando que eles fossem vistos, não era um mistério: os dois eram adolescentes, afinal de contas. Bill estava no seu último ano escolar e sua única experiencia amorosa havia sido um fracasso. Isis era a avant-garde que sempre havia sido e estava curiosa. Era uma combinação fatídica.

Eles não se deram ao trabalho sequer de tirarem as roupas, apenas abaixaram as imprescindíveis. Isis havia ficado por cima. A experiência sexual fora, simultaneamente, doce, dolorosa e divertida. Bill havia ficado tão surpreso quando, depois de algumas tentativas frustradas, seu corpo de fato entrou no corpo de Poeirestelar que precisou perguntar a ela.

Isis, por sua vez, precisou baixar o olhar e suspender um pouco a camisa branca para dar o veredito cientifico de que sim, os corpos estavam acoplados. Eles haviam rido juntos e se beijado de maneira mais ou menos satisfatória. Então Bill havia colocado as mãos em sua cintura e alguma coisa instintiva e silenciosa havia feito eles se moverem em sincronia. De início, não pareceu que algo mais do que isso aconteceria, mas surpreendentemente os dois conseguiram se satisfazer. E Isis bateu a cabeça no tampo da madeira quando, ao gozar, arqueou muito o corpo para trás.

Eles riram de novo e nunca mais tentaram nada parecido. Eram amigos. Bill sempre guardaria a recordação com carinho e ele tinha certeza que ela também, mas era só isso. Os dois se achavam atraentes, a depender do ângulo. Ele a amava, mas não desse jeito. Ela também o amava, mas, igualmente, não desse jeito.

Além disso, para Isis, a lembrança era agridoce: ela estava certa de que não queria ter perdido a virgindade com mais ninguém, mas sentia um gosto de culpa toda vez que se lembrava do fato, porque Bill Weasley era, além de todas as coisas já citadas, a queda platônica de Rowan Khanna.

E era Rowan quem estava agora estalando os dedos na sua frente na tentativa frustrada de lhe chamar a atenção.

— Ei, Isis! O que houve? Bill acabou de sair marchando e praguejando por ali. – a garota apontou com o queixo a passagem que ele havia pegado.

— Ah, ham, oi, Rowan. – Isis massageou o pescoço subitamente tenso. – Não houve nada. – e ela observou o quanto a voz saiu um pouco mais aguda do que o habitual. – Eu apenas o convenci a me ajudar na campanha de Penny. – sorriu.

— Ah, bom, se você conseguiu convencê-lo então está ganho. – Rowan sorriu também. – Há algo no semblante de Bill que simplesmente faz as pessoas confiarem nele, né?

— É... Algo assim.

Notas finais
O nome desse capítulo é meio ambíguo na minha modesta opinião. Eu gosto que ele funcione tanto para a Tyler quanto para a Poeirestelar. A verdade é que só sei escrever protagonistas meio otários que a gente torce odiando, hahahaha Eu acho que a Isis é um pouco como um carro descontrolado, bem o estereotipinho de áries. Ela tem todas as melhores qualidades e todos os defeitos. Pra mim é uma delicia escrever, já que ela herdou o signo de mim; a ironia é que eu nunca fui exatamente o epiteto ariano. Enquanto ela encabeça o mundo, eu fico mais confortável elaborando-o na minha mente, rs. E pra mim, a graça dela ser assim é que ficou fácil ir desdobrando a personalidade dela a partir de recursos narrativos baratos que eu fui encontrando pela frente. ;)