The Eight Pages

6 The Fifth Page (5.2)


Notas iniciais
A fic deve ta uma caca... Desculpem demoraaaa! Provas, e tals... Obrigado, a quem mandou MP e ficou cobrando... Eu não ia posta serio.
Enjoy

- Bochan! Diabos... — O garoto havia sumido. Como ele pôde fugir e sumir de vista assim tão rápido? Pense demônio, esse seus sentidos!

Sebastian fecho os olhos e tentou ouvir qualquer coisa, mas seus sentidos estavam fracos por causa daquele maldito. Não, ele não fez um trato com aquela coisa para perder Ciel assim, tão facilmente. Sem chance! Se concentrou mais. Um barulho fez abrir o s olhos e correr em direção ao local. Era um labirinto de becos escuros e neblinosos, não conseguia ver direito e, por duas vezes bateu contra a parede de alguma construção.

- Bocchan — chegou em um beco sem saída. Estava encrencado se não achasse o conde. Maldito garoto mimado, dessa vez ele não escaparia de umas belas palmadas naquele traaseiro. Sua mão estava até coçando.

Sebastian cabaleou e se apoiou em uma parede. Sua cabeça estava doendo e havia chiado no seu ouvido. Sentiu algo escorrer de seu nariz até a boca e usando a língua pegou o líquido. Sangue. Sorriu e se virou. Nada. Aquele maldito estava brincando com ele. Mas não ficaria assim.

Em algum lugar entre as paredes úmidas e latas de lixo fedorentas se encontrava um certo conde, sozinho e perdido. Resmungava coisas sem sentido e chutava algumas pedrinhas tentando manter a calma. Tentativa sem sucesso.

Respirou fundo e continuou andando. Pensara ter ouvido Sebastian chamando, mas talvez fosse só uma impressão... Ou não.

- Aposto que ele está zangado. — sussurrou com um sorriso torto. No momento estava com mais medo de Sebastian do que do sem rosto. Falando nele, tinha de achá-lo. — Apareça! — nada, nem uma dorzinha de cabeça. Ciel pensou mai um pouco enquanto andava. O que fazia aquele monstro aparecer? Hmm... É claro, aquelas páginas esquisitas! Tinhas que achar uma, mas quem garantia que tinha uma naqueles becos? Tinha que tentar.

Virou-se e andou mais um pouco. Dobrou a esquerda e depois a direita. Olhou para os lados. Sem sinal de vida.

- Quando eu preciso ele foge... Ah, — ali estava, presa em uma janela, uma das páginas — Finalmente! — Ciel logo a pegou.

"Find the Key"

Ele analisou a página. De todas, era a que fazia mais sentido... Ou não. "Ache a chave" parecia bem conveniente, a não ser pela pergunta: Que chave? Isso era o problema

- Bocchan!

- Ah, merda! — Ciel se virou. Sebastian estava por perto e não podia achá-lo. Olhou ao redor, era um beco sem saída, não havia lugar para se esconder. Ótimo, a investigação havia acabado. Ele se rendia.

- Finalmente te achei! — Ciel não se moveu. Escondeu a página no bolso da calça e esperou. — Vamos embora daqui, agora! — Sebastian puxou o garoto e o colocou em seu ombro.

- E-ei! Eu sei andar sozinho, me ponha no chão!

- Sabe andar? Isso é o que me preocupa. Se ficasse parada sem fazer nada eu ficaria mais tranquilo! — Ciel se debateu chutando e socando o mordomo. — Fique quieto!

- Me ponha no chão demônio idiota! Não preciso de você! — era a gota para Sebastian. Com um movimento brusco ele prendeu Ciel contra a parede.

- Não precisa é? Pois então por que me pediu para ficar até que dormisse? Se não precisa de mim por que fez o contrato?! Responda-me!

- Cale-se! — o conde desferiu um tapa no rosto do outro. Sebastian o soltou e cambaleou se encostando na parede do outro lado com a mão colada ao rosto. Se endireitou e arrumou as roupas.

- Vamos voltar à mansão bocchan. — Ciel estava ofegante. Seu orgulho havia sido apulhalado sem dó alguma por aquele maldito a sua frente. Não ia fazer o que ele queria.

- Pode ir! Não pedi para que viesse atrás de mim!

- Bocchan, nós vamos voltar. Por bem ou por mal.

- Vá pro inferno Sebastian!

- Irônia sua dizer isso. — o garoto revirou os olhos e saiu andando para um lado qualquer. — Não é por ai Bocchan.

- Foda-se! — o outro suspirou e agarrou o garoto novamente. Ciel não se debateu nem reclamou, ficou em silêncio até a mansão. Silêncio. Era a palavra que descrevia a relação desses dois. Além do silêncio, confusão e raiva também eram ótimas.

O conde se trancou em seu quarto o resto do dia e o mordomo cuidou de seus afazeres. Não trocaram palavra alguma durante todo o dia, nem olhares, nada.

A noite, Ciel foi se deitar mais cedo, mas não conseguia dormir. Sebastian o havia magoado. Porra, era óbvio que não precisava dele... Não é? É claro que não. Ciel mal sabia amarrar o próprio sapato sozinho. Ridículo.

Enterrou o rosto no travesseiro e suspirou com força. "Eu odeio esse demônio"

- Está chorando Phantomhive? — aquela voz... Era ele!

- Vá pro inferno fazer companhia àquele maldito! — respondeu Ciel com a voz abafada.

- Que falta de educação. — o conde suspirou e olhou para o monstro. — Não está com dor de cabeça?

- Não é da sua conta. Quero que me conte o que houve ontem a noite, o que fez para meu pai ir atrás de você e o que significam essas páginas e por que não me lembro de nada?!

- Ei, ei, ei! Vai com calma! A primeira pergunta não pode ser respondida. O que fiz para seu pai vir atrás de mim? Matei pessoas. Estas páginas? Que tal você descobrir sozinho?

- Me responda! — Ciel se levantou e andou até o rosto — Me responda tudo!

- Não quero... Mas se quer mesmo saber o por que se esqueceu de 3 anos atrás — ele estendeu a mão — me toque. Eu te mostro tudo.

Ciel encarou a mão do outro. Devia aceitar? Poderia ser alguma armadilha... Não, Ciel tinha que descobrir o que quer que aquele monstro tinha pra mostrar. Por essa razão esticou o braço. Estava na hora de descobrir tudo e acabar com isso.

- Tudo bem... — a mão do garoto foi em direção a do sem rosto. Nesse momento a porta do quarto se abriu e o sem rosto desapareceu. Ciel levou algum tempo para perceber o que tinha acontecido. Olhou para a porta para encontrar um Sebastian zangado. Ah, sim, seria uma boa hora para correr.

Sebastian entrou no quarto, fechou a porta e fitou Ciel. Vamos Ciel, arrume uma desculpa, dizia o olhar do mordomo. O ar ficou pesado, irespirável. Ambos, mestre e mordomo, se olhavam no escuro do quarto. O orgulhoso e teimoso e o obstinado e, agora mais do que nunca, possessivo deixando um silêncio desconfortável no ar. Ciel estava pronto para mais um ataque de raiva de seu mordomo, mas algo o surpreendeu.

Sebastian cominhou até o criado mudo e pousou o candelabro no mesmo. Acendeu as velas e olhou para o conde com um sorriso. O usual sorriso dele... Falso.

- Bocchan, por que ainda está acordado? — Ciel piscou confuso. — Vamos, para a cama. Já está tarde. — Sebastiaan se aproximou fazendo menção de pegá-lo no colo. O conde estendeu a mão e parou Sebastian. Franziu o cenho e olhou para a figura a sua frente. Silêncio novamente.

- O que está fazendo? — perguntou Ciel.

- Te pondo na cama, já está...

- Você não o viu?

- Do que está falando bocchan? — Ciel riu. Seu mordomo não era idiota, mas sabia se passar como um. O garoto se sentou na cama e olhou para ele. O que ele estava tramando?

- Por que está ignorando isso? — Sebastian pendeu a cabeça para o lado. Ah não, já era demais! Ciel subiu na cama e pegou a gravata do outro puxando-a. Ficaram a centímetros de distância, ao passo que a respiração quente e controlada de Sebastian estava fazendo Ciel se acalmar.

- Bo...

- Cale-se! O que pretende fazer?! Você não vai matá-lo!

- Bocchan...

- Bocchan é o cacete! Eu tenho que descobrir o que aconteceu! — o garoto segurou a gola do fraque de seu mordomo e o chacoalhou. — Não me desobedeça! — Sebastian segurou as mãos de Ciel e sorriu.

- Não entendo bocchan. Do que está falando? — o conde não podia acreditar. O que Sebastian tinha?

- Que foi, perdeu a memória também?! — o mordomo sorriu — Quer a minha alma ou não? — seu sorriso desapareceu. É claro que queria a alma dele. Afinal fez tudo o que fez para mantê-lo a salvo. Mas parte de seu ser maligno não queria concordar com isso. Ele fez o que fez por outro motivo, motivo que nem ele mesmo sabia o que era... Na verdade sabia, só não admitiria.

- Não diga bobagens bocchan. — o mordomo fez o garoto se deitar — Já está tarde e seu corpo precisa de descanço. — Sebastian arrumou o cobertor sobre o corpo do garoto e se virou andando até a porta — Boa noite bocchan.

- Espera. — a mão pequena de Ciel segurou a ponta do fraque do homem. — Fica aqui... Até que eu durma. — Silêncio. Não encarava seu mordomo e se mostrava impassível. Por dentro tremia, chorava e implorava para que a figura a sua frente o abraçasse e dissesse que estava tudo bem, que iria ficar bem. Mas não disse nada. Pressionou os lábios e soltou o fraque do outro devagar levando a mão de volta ao peito.

Sebastian suspirou. Conseguia sentir um cheiro no ar... Medo. Olhando para Ciel era difícil notar alguma coisa, mas ele era um mordomo e tanto não? Sim, ele conhecia Ciel como a palma de sua mão. Sabia que por dentro ele estava tremendo, chorando e implorando conforto da sua parte. Por fora, seu rosto parecia o de uma estátua. Ciel soltou o fraque seu fraque, mas, antes sua mão alcançasse seu peito, Sebastian a segurou. Andou até a cama deixando para trás sapatos e fraque. Se sentou na cama e puxou a mão de Ciel o fazendo cair sobre seu peito.

- Vamos bocchan, é hora de dormir. — sussurrou. Como ele sabia, perguntou Ciel a sí mesmo.

O conde não resistiu, não xingou nem bateu em Sebastian. O abraçou mais forte e olhou para seu ombro esquerdo. Passou os dedos ali arrancando um gemido grave de dor do outro. Não se conteve, levantou o corpo e beijou o local sobre o tecido da camisa de Sebastian. O mesmo arregalou os olhos e gemeu novamente. Ciel havia mesmo feito isso?

- O que aconteceu com você? — perguntou o garoto deslizando os dedos no ombro do outro. Parecia um carinho, mas Ciel tinha outros planos — Conte-me.

- Não bocchan... — Ciel apertou o ombro de Sebastian fazendo-o grunhir. — Pare...!

- Diga! O que aconteceu?! — apertou novamente. Era bom ver o demônio se contorcer de dor sobre sua mão, mas algo no fundo o estava machucando. Vê-lo se contorcer era desesperador, mesmo sabendo que ele era um demônio e não tinha sentimentos. — Diga! — sua voz falhou. Estava embargada por ver Sebastian daquele jeito. O rosto contorcido de dor, os olhos pressionados e a boca aberta arfando.

- Pare! Eu não vou dizer! — os olhos vermelhos fitaram os azuis com astúcia. Ele não ia dizer. O conde se afastou e cruzou as pernas olhando para o demônio a sua frente. A expressão de dor dele se suavizava aos poucos assim como sua respiração. Ciel sentiu uma dor sufucante no peito, e... Arrependimento? Mas não diria a ele.

- Pode se retirar... — sussrrou Ciel. Sebastian segurou o garoto e o prendeu na cama. Por cima do tecido abocanhou o ombro do menor arrancando um grito do mesmo. O garoto se debateu tentando se soltar, mas era inútil. A dor era tremenda e o caninos afiados do demônio perfuraram a pele do conde e sua carne em seguida.

Sebastian chupou o sangue de Ciel ao rasgar a camisa com os dentes. Abraçou o garoto aprofundando suas presas e arrancando outro grito sem fôlego de Ciel. O sangue dele era... Bom. Se sua alma tivesse o mesmo gosto...

Quando finalmente soltou o conde, o mordomo viu lágrimas nos olhos dele. Ainda não satisfeito, chupou o pescoço do garoto deixando um ematôma roxo ali. Soltou-o e limpou os lábios com a língua.

- Você é meu... — dizendo isso ele se vestiu novamente e saiu do quarto. Ciel olhou para o ombro e passou os dedos ali. A ferida começara a fechar devido a salíva do demônio. Por que ele havia feito aquilo? Vingança? Mas Ciel estava arrependido. Mas Sebastian não sabia disso.

Lembrou-se de quando o mordomo lambera seu sangue. O sangue de Ciel... O deixava forte? Mas os fins não justificavam os meios e se o garoto deitado na cama já estava magoado e com o orgulho ferido, agora ele tinha motivos maiores ainda para ignorar o mordomo.

Ciel limpou suas lágrimas e vestiu sua máscara novamente. Não poderia fraquejar agora, não agora que as respostas pareciam tão perto. Se manteria firme e participaria dessa peça de teatro imposta por ele mesmo. Mestre e mordomo? Só na mente dos mais ingênuos.

No quarto de Sebastian uma figura esguia apareceu. Se perguntava por que havia sido chamado e recebeu a resposta.

- O trato está desfeito. — disse o mordomo olhando para o outro — Você não cumpriu os termos impostos. — se tivesse uma boca estaria rindo agora. Esticou o braço e agarrou o pescoço do mordomo puxando-o para perto. O mesmo socou o rosto (?) do monstro e também segurou seu pescoço. — Saia daqui, pois não posso desobedecer meu mestre. — os olhos de Sebastian brilhavam. O outro recuou, soltou o mordomo e sumiu. Covarde desgraçado.

Sebastian suspirou se deitando na cama. Ciel devia estar uma fera agora, mas ele era inteligente e iria descobrir o por que do mordomo ter feito aquilo. Ele se lembrou do gosto... Era bom... Bom demais. Sorriu e apagou as velas com as pontas dos dedos. Aquela alma o instigava cada vez mais. Mas algo o instigava mais ainda. Algo que os demônios conheciam bem, ou pelo menos achavam que sim. Olhou para sua mão esquerda e a colocou sobre o peito. O toque... Era diferente. E Sebastian só percebera isso agora.

Não iria dormir. Já não sentia sono. Se levantou do quarto andando pelos corredores da mansão. Havia muita coisa a ser resolvida ainda e ele suspeitava que uma das oito chaves era ele mesmo. O teatro de marionetes estava chegando ao fim e ele não sabia quem estava puxando os fios... Mas iria descobrir, era uma questão de tempo. E quando acontecesse ele cortaria os fios.

Passou pelo quarto de Ciel e entreabriu a porta olhando o garoto deitado na cama. Foi até ele e o observou mais de perto. Ele estava bem, não havia motivo para preocupação. Saiu do quarto e andou até a cozinha, tinha trabalho a fazer.

End of The Fifth Night

Notas finais
Até o proximo