The Eight Pages
10 End?
Notas iniciais
~Then~
– O que será que vai acontecer hoje...? — essa era a pergunta que rondava a cabeça do conde de 13 anos. Por um descuido deixou-a escorrer até seus lábios infantis. O inesperado, isso o assustava por mais que quisesse ser forte e esconder.
– Isso o assusta? — já o outro era diferente. Sua voz máscula não denotava nenhum sentimento. Era claro que qualquer coisa que saisse daqueles lábios era uma simples mentira. Mas Ciel se forçava a confiar cegamente nelas.
– Claro que não... — ele se virou na cama ficando de costas para o outro. O quarto do conde estava escuro por causa das cortinas. Ainda era dia lá fora e o sol se escondia entre algumas nuvens.
– Que mentira. — o outro se mantinha em pé ao lado da cama de seu mestre enquanto observava o mesmo. Ciel estava com os olhos apagados, o brilho quase ausente em seus olhos azuis havia se perdido deixando-o azul fosco. — Disse que tinha um plano para isso... — Ciel se esticou até o criado mudo e pegou uma folha de papel em branco.
– Me da alguma coisa pra escrever... — o mordomo tirou uma caneta do bolso interno do fraque e entregou ao conde. — O plano é esse... — disse enquanto desenhava uma planta no papel. — Aquela escola tem três andares e um terraço... Não importa onde você vai pegar esse cara, você tem que seguir o plano que vou traçar agora.
– Pode começar. — Sebastian se curvou apoiando suas mãos uma de cada lado do corpo do garoto. O mesmo desenhava o próprio rosto no papel. O silêncio pairou por algum tempo antes de Ciel largar a caneta e enfiar o rosto no travesseiro e suspirar pesadamente. — Bocchan?
– Tá... Eu não tenho um plano... Quero acabar com isso, mas não sei o que fazer... Eu... — Sebastian pôs o indicador direito no lábios secos do garoto. Silêncio novamente. — Eu estou preocupado...
– Com o que? — o mordomo encarou os cabelos escuros do conde antes do mesmo suspirar.
– Com você... — silêncio novamente. Um sorriso nada discreto moldou os lábios de Sebastian. — Mas não se sinta tão importante seu otário... — Ciel o encarou com o rosto rosado. — Apenas quero que cumpra o contrato.
– Oh... Claro que sim. Pois o contrato é mais importante do que os sentimentos do Jovem Mestre.
– Que? — o conde soltou uma risada forçada para Sebastian antes do mesmo segurar seu rosto. — Até parece...
– Diga que me ama.
– Nem em um milhão de anos. — um sorriso suave nos lábios do demônio.
– Posso resolver isso... Um milhão de anos não é tanto tempo assim para mim...
~Now~
Os passos pesados contra o concreto seguiam a mesma pulsação de Ciel. Por um momento ele pensou que seu coração iria parar se aquilo continuasse, e ele não acharia ruim se aquilo acontecesse. Sebastian... Com cuidado ele saiu debaixo do corpo frio do mordomo e fechou os olhos do mesmo devagar.
– Agora está só dormindo... — disse com um sorriso amargo. A dor de cabeça estava ficando mais intensa e sua visão estava chuviscada o impedindo de ver muito bem. — Tenho a impressão que vamos nos encontrar ainda hoje, Sebastian... — os passos pararam e Ciel não respirou mais. — Mais tarde. — com um movimento rápido, o conde sacou sua arma e apontou para o sem rosto.
– Já estava achando estranho se entregar assim... — resmungou para o conde. O mesmo atirou descarregando todas as balas em seu alvo até que apenas o barulho do gatilho fosse audivel. Ciel atirou a arma na face do outro e suspirou desanimado.
– Parece que acabou... — o conde tirou o tapa olho e jogou longe. Ainda sentia o contrato do demônio pulsar em seu olho direito. Era tão forte assim ou...?
– Parece que sim. Foi divertido Phantomhive.
– É...
~Then~
O mordomo sentou seu amo em seu colo enquanto ambos se encaravam. Poderia ser a última vez que se olhariam assim e Ciel não queria deixar isso passar tão fácil.
– Pare de pensar criança. — Sebastian sorriu ao ver a expressão que se formara na face do garoto. Sem mais, o mordomo tomou os lábios já não tão castos assim de Ciel. Tomava cuidado para não encostar em seu peito e em seu braços fraturados, coisa que era um pouco impossível de se realizar.
– Me prometa. — disse o garoto quando Sebastian o deitou na cama. — Me prometa que essa não será a primeira e nem a última vez. — o demônio encarou as orbes azuis com admiração. Mantinham a firmeza de sempre mesmo nessas horas e isso o intrigava.
– Prometo. — não era uma ordem feita de um mestre a seu criado e sim uma promessa entre um garoto e um demônio. Tal promessa selada por um beijo entre ambos onde algumas lágrimas do mais frágil escaparam ao sentir que aquilo era outra mentira daquele que amava.
Os beijos do demônio desceram até o pescoço de Ciel fazendo o mesmo se arrepiar e se segurar para não respirar muito fundo. Sebastian sorriu ao ver o esforço do pequeno para se conter. Não queria machucá-lo, mas adoraria vê-lo dessa forma. O garoto segurou a mão direita do maior retirando-lhe a luva e espalmando sua própria mão na dele. Havia uma enorme diferença entre ambas até Sebastian entrelaçar os dedos com os de Ciel e beijar sua pequena mão.
– Acabe logo com isso... — resmungou o garoto fazendo o mordomo sorrir e levar a pequena mão até seu peito.
– Quero que isso dure o máximo possível, Ciel. Por isso não tenha pressa. — dizendo isso, Sebastian levou a mão esquerda até os botões de Ciel tirando-os de suas casas. O garoto segurou um gemido quando sentiu a língua do mais velho deslizar em seu pescoço até mais abaixo.
– Esta faixa está me atrapalhando.
– Se vira... — Sebastian riu e continuou seu caminho passando a língua demoradamente no umbigo do jovem amo. Ciel se contorceu e levou sua mão livre a roupa do mais velho puxando-a para os lados em uma tentativa falha de rasgá-la.
– Vá com calma... Não precisa ter pressa. — o garoto corou e olhou para o lado. Sebastian sorriu e se pôs de joelhos na cama. Retirou seu fraque seguido pelo colete e então a gravata.
– Tira tudo. — resmungou Ciel.
– Bocchan, eu...
– Eu tô mandando tirar tudo! Tira! — o mais velho suspirou e desabotoou a camisa a tirando em seguida. O garoto se sentou de frente para seu mordomo e abaixou a cabeça. Ele tinha uma ideia do porque Sebastian não queria tirar a camisa. A resposta era seu ombro esquerdo onde estava mordida e seu pescoço. Ciel estendeu sua mão livre em direção ao peito de Sebastian, mas o mesmo recuou hesitante.
–Bocchan... Eu... — mais uma tentativa da parte de Ciel e mais um recuo da parte de Sebastian.
– Eu não vou te machucar... — sussurrou o garoto. — Me desculpa se fiz isso antes... — o gosto de pedir desculpas para Sebastian era amargo — Confie em mim desta vez. — mas valeria a pena se pudesse tocá-lo.
– Eu confio. — mais uma vez a mão do garoto se dirigiu ao peito do mais velho, mas desta vez não houve hesitação. Ciel tocou a pele pálida de seu mordomo sentindo um arrepio atravessar seu corpo. Estava fria. Engolindo em seco, o garoto se inclinou para frente beijando as marcas de dentes no ombro e pescoço de Sebastian. O mesmo gemeu baixinho contraindo os músculos do corpo todo o que fez Ciel se afastar assustado.
– Desculpe... — o demônio suspirou e sorriu em seguida. Segurou o rosto de Ciel nas mãos e o beijou novamente. Ambos se olharam por um momento antes de Sebastian colocar seu mestre em seu colo novamente. O garoto corou ao sentir algo pressionando sua bunda. — Que porra é essa? — o mordomo riu e beijou o conde novamente. Desta vez o demônio não lhe deu pausa para respirar, suas mãos hábeis retiraram a cueca do garoto jogando-a para fora da cama. Agora Ciel estava exposto.
– Oh... Temos um problema aqui embaixo. — disse Sebastian sorrindo e olhando a ereção de seu mestre.
– Não fica olhando! — resmungou o conde tentando esconder seu membro com uma das mãos. O mordomo segurou a pequena mão de Ciel e a prendeu.
– Por que não? Não vai ficar menor, bocchan. — o garoto corou com violência ao ouvir aquilo. Era constrangedor, maldito seja esse mordomo.
Sebastian segurou o membro de seu mestre e o manipulou com rapidez. O conde não conseguia conter os gemidos que lhe escapavam dos lábios. O que Sebastian estava fazendo era bom, era muito bom.
– Sebas... — o garoto agarrou os cabelos negros do mordomo e jogou a cabeça para trás. — Sebastian!
– Quer me dizer algo bocchan? — o moreno sorriu e aumentou a velocidade de sua mão. — Ainda estou esperando aquelas três palavras.
– Vai se ferrar... Ah! — Sebastian pressionou o polegar na glânde do garoto fazendo o mesmo soltar um grito baixo.
– Não são essas. — o garoto apertou o ombro esquerdo do mordomo fazendo o mesmo gemer. — Não faça isso. — Sebastian o deitou na cama novamente e se concentrou em masturbar Ciel. — Diga... — o conde ficou mudo ao não ser pelos gemidos.
– Não vou falar... — o mordomo parou e encarou o garoto.
– Sua teimosia me encanta, Ciel. — Sebastian levou o indicador e o médio a sua própria boca. O garoto cerrou os olhos com força até sentir os dedos do mordomo pressionarem sua entrada.
– Sebastian! — o mordomo sorriu e beijou o pescoço do garoto. O mais velho não deu tempo para que Ciel se acostumasse e penetrou mais um dedo recebendo um gemido de dor. — Seja gentil.
– Não. — antes que o garoto se pronunciasse, Sebastian o estocou sem dó. — Eu não quero ser gentil com você... — silêncio. Ambos permaneceram estáticos. Mesmo dizendo aquilo, Sebastian estava esperando que o corpo de Ciel o aceitasse completamente. Não queria machucá-lo e não sabia realmente o por que.
Os olhos vermelhos do demônio se fecharam. Já os azuis permaneceram abertos e firmes. A única mão livre de Ciel arranhou o peito do mais velho, descendo até sua barriga onde estavam as linhas da sutura. Foi nesse momento que pensou no que o mordomo havia passado por sua causa. Onde estava seu orgulho para lhe dizer que aquilo era culpa do próprio Sebastian em sí? Estava sendo estilhaçado pelo próprio naquele mesmo momento.
Os olhos ainda se mantinham fechados. Não queria encarar Ciel, não queria sentir pena, não queria sentir o que estava sentindo. Não queria sentir nada. Mas como lutar contra seu corpo, não, contra sua essência? A que fora descoberta por meio do próprio garoto, que fora, aos poucos, moldada e então encravada em sí. Sebastian não queria encarar os olhos que fizeram com mudasse tanto, queria machucar Ciel, fazê-lo sofrer do mesmo jeito que sofrera por ele, mas... Mas... Mesmo assim...
As estocadas ficaram mais intensas e os olhos vermelhos se abriram. Ambas as cores se chocaram uma na outra, não havia o que esconder agora. Estavam juntos e não havia como negar todos os sentimentos que estavam presentes em tal ato. Os olhos azuis entenderam o que os vermelhos queriam dizer. Sem nenhuma palavra ambos se fecharam e assim permaneceram.
– Eu te amo, Sebastian...
~Now~
– É... Até que sim... — respondeu o garoto sem interesse no estava acontecendo. Olhava para o céu sem estrelas enquanto imagens lhe passavam pela mente. Sorriu suavemente e então se levantou. — Acabe logo com isso.
– Ah, Ciel... Quero que isso dure o máximo possível. — o olho do garoto latejou por um instante. O que era isso? Sebastian?
– Se... Sebastian? — sussurrou Ciel olhando para o corpo do mordomo. O mesmo parecia estar uma posição diferente. O olho de Ciel latejou novamente até que começou a arder. O conde gritou e se ajoelhou com a mão livre sobre o olho direito. — Sebastian?! — disse mais alto. A dor aumentou fazendo o garoto gemer. Já havia entendido. — Sebastian! Sebastian! — a visão de Ciel vacilou e por um instante ficou cego. Pode ouvir um barulho vindo de trás de sí e então uma presença ao seu lado.
– O que diabos pensa que está fazendo? Desistindo? Não foi por isso que fizemos um contrato, bocchan. — o conde sorriu e tirou a mão dos olhos. Encarou a figura negra ao seu lado envolto com uma aura assombrosa.
– Pra me sacanear você tem forças, hein? — Sebastian soltou uma risada e então encarou o sem rosto. — Pega. — assim que ouviu isso, o demônio avançou em direção ao sem rosto desferindo uma série de golpes no mesmo por todos os lados. Era veloz, o que não dava tempo para o monstro desaparecer. Com um último soco de uma série, Sebastian arremessou o vilão ao chão.
– Você é... Realmente... Um chato... Demônio... — Sebastian riu e andou até o sem rosto estralando os dedos. — Vai me matar também?
– Oya, não sabia que cadáveres falavam. — um último sorriso sarcástico do mordomo até o mesmo estourar a cabeça do sem rosto com um soco.
Silêncio.
A aura negra de Sebastian desapareceu juntamente com sua força. O demônio caiu ao chão de joelhos e tossiu um pouco de sangue. Ciel se forçou de pé e caminhou até o mordomo envolvendo seu pescoço com os braços e descançando a cabeça em seu ombro. Ambos fecharam os olhos assim que sentiram a chuva fria tocar seus corpos.
– Ah, bocchan! — Sebastian se virou tirando seu fraque — Seu gesso não... — antes que terminasse, o garoto segurou seu rosto entre as mãos e beijou o mais velho. Surpreso, o mordomo manteve os olhos abertos por alguns segundos antes de abraçar seu pequeno mestre com força. — Bocchan... — sussurrou Sebastian ao se separarem. — Seu gesso não pode molhar... — concluiu colocando o fraque por cima do braço de Ciel.
– Como se essa porcaria estivesse seca e limpa... Seu imbecíl. — o mais velho sorriu e abraçou Ciel. — Acabou então? Tudo? — silêncio. Ambos não sabiam a resposta desta pergunta, mas por enquanto, sim, havia acabado.
– Vamos pra casa. — disse o mordomo. Sebastian se levantou com dificuldade e estendeu a mão esquerda a Ciel. — Bocchan?
– Ei... Quero fazer uma viagem. — o outro sorriu e levantou o garoto pela cintura o pondo de pé.
– Quando ambos estivermos curados, Ciel. Depois disso eu te levo até pro inferno.
– Que senso de humor barato o seu... — resmungou o conde enquanto ambos caminhavam para dentro da escola novamente deixando um corpo estirado e preso ao concreto do chão para trás. Mas como um passe de mágica o corpo desapareceu deixando apenas as marcas da luta que ocorrera naquele local.
~Alguns meses depois...~
– Tá muito frio aqui... — o garoto de cabelos escuros resmungou antes de cair de cara na neve. Sebastian riu e levantou seu mestre que apresentava uma cara feia e branca da neve. — Tá muito, muito frio...
– Quase lá, Ciel. — o conde olhou de canto para o mordomo que sorriu.
– Jovem mestre. — corrigiu.
– Está ficando muito abusado pro meu gosto. — Sebastian parou e estendeu a mão apontando para o local. — É aqui?
– Sim. Continua do mesmo jeito de 16 anos atrás. — Ciel andou pela clareira olhando em volta. A floresta estava mais densa desde que Sebastian passara por ali e agora com a neve ficara mais densa ainda.
– Faz tanto frio assim na Alemanha? — disse o conde esfregando as mãos.
– Sim, ninguém mandou vossa alteza não me ouvir. Poderiamos ter vindo no verão. — Sebastian parou seu sermão ao ver seu mestre de joelhos segurando algo brilhante em uma das mãos. — Isso é...
– Um colar. — Ciel examinou o pingente. — Um porta retratos? — Sebastian se ajoelhou ao lado de seu mestre. — Não consigo abrir.
– Está enferrujado. — Sebastian estendeu a mão e Ciel pôs o colar na mesma. — Não sei se vai abrir sem quebrar. — o mordomo abriu o pequeno porta retratos e fez uma expressão de surpresa.
– O que? Quem é? — o conde também olhou, mas não havia nada dentro. — Sebastian? — o mordomo sorriu e se levantou jogando o colar longe. — Ei!
– Bocchan, o inverno alemão é muito rigoroso e você, com sua saúde frágil, vai acabar pegando uma gripe forte. Vamos voltar para a hospedaria.
– Eu não tenho a saúde frágil! — Ciel tossiu fazendo o mordomo rir.
– Vamos, vamos. — o mordomo pegou seu mestre no colo e fez seu caminho de volta pelas árvores até o lugar onde estavam hospedados.
– Sebastian.
– Sim?
– Como você não morreu naquela noite? — silêncio. O mordomo sorriu.
– Estava tudo escuro naquela hora, mas então... Então eu ouvi sua voz chamando meu nome. Não sei como voltei a mim, mas... — Sebastian ficou em silêncio. — Podemos falar sobre isso depois. — Ciel soltou um muxoxo e enterrou o rosto no ombro do mordomo.
– Você me ama... — silêncio. O garoto sorriu, pois sabia que aquilo era um sim.
Atrás de algumas árvores alguém os observava. Quieto, quase invisível. O mordomo olhou para trás por um instante e pode ver a figura. Estava do mesmo jeito de quando se conheceram, a pele pálida totalmente exposta, sem panos, uma peça de mármore em meio as árvores. Sebastian não falou, sorriu e beijou o topo da cabeça de seu mestre recebendo um resmungo como resposta. Saiu daquele lugar onde várias de suas lembranças foram enterradas e deixou a figura os olhar. O mesmo homem pálido pareceu suspirar e então sumiu.
– Não acabou... Sebastian Michaelis...
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