Notas iniciais
Eu queria agradecer a Sonho Geek por ter comentado a fic, muito obrigada, o comentário de vocês é muito importante pra mim ♥ Esse capitulo ficou bem longo, mas espero que gostem. Boa leitura...

A matéria que todos estavam realmente aguardando com ansiedade era a de Defesa Contra as Artes das Trevas, mas as aulas de Quirrell foram uma piada. Sua sala cheirava fortemente a alho que todos diziam que era para espantar um vampiro que ele encontrara na Romênia e temia que viesse atacá-lo a qualquer dia.

Seu turbante contou ele, fora presente de um príncipe africano como agradecimento por tê-lo livrado de um zumbi incômodo, mas os alunos não tinham muita certeza se acreditavam na historia. Primeiro porque, quando Simas Finnigan pediu ansioso para Quirrell contar como liquidara o zumbi, Quirrell ficou vermelho e começou a falar do tempo, segundo porque eles repararam que havia um cheiro engraçado em volta do turbante, e os gêmeos Weasley insistiam que devia estar cheio de alho também, de modo que Quirrell estava protegido em qualquer lugar.

Sexta-feira foi um dia importante para Harry e Rony, Eles finalmente conseguiram encontrar o caminho para o salão principal e tomar o café da manhã sem se perder nem uma vez.

— O que temos hoje? — perguntou Harry a Rony enquanto punha açúcar no mingau de aveia.

— Poções duplas com o pessoal da Sonserina. Snape é diretor da Sonserina. Dizem que sempre os protege. Vamos ver se é verdade.

— Gostaria que Minerva nos protegesse. — A Professora Minerva era diretora da Grifinória, mas isso não a impedira de dar aos seus alunos uma montanha de dever de casa no dia anterior.

Naquele instante chegou o correio. Harry agora já se acostumara com isso, mas levara um susto na primeira manhã quando centenas de corujas entraram de repente no salão principal durante o café da manhã, circulando as mesas até verem seus donos e deixarem cair as cartas e pacotes no colo deles.

Edwiges trazia volta e meia cartas dos tios para Harry, que perguntavam como estava sendo Hogwarts. Às vezes a coruja também entrava para beliscar sua orelha e comer um pedacinho de torrada antes de ir dormir no corujal com as outras corujas da escola. Esta manhã, porém, ela esvoaçou entre a geleia e o açucareiro e deixou cair um bilhete no prato de Harry. Ele o abriu imediatamente. Mas dessa vez não era uma carta dos Dursley.

“Prezado Harry” — dizia, numa letra muito garranchosa. — “Sei que tem as tardes de sexta-feira livre, então será que não gostaria de vir tomar uma xícara de chá comigo por volta das três horas? Quero saber como foi a sua primeira semana. Mande-me uma resposta pela Edwiges... Hagrid”.

Harry pediu emprestada a pena de Rony e escreveu:

“Sim, gostaria, vejo você mais tarde” no verso do bilhete e despachou Edwiges outra vez. Foi uma sorte que Harry tivesse o convite de Hagrid com que se alegrar, porque a aula de Poções seria a pior coisa que lhe acontecera até ali.

Enquanto isso, Duda Dursley tomava o café da manhã, enquanto conversava na mesa da Sonserina com os amigos. Os dias haviam se passado em uma enorme correria e ele mal tivera tempo de conversar com Fred, George, ou até mesmo Harry. Já fazia alguns dias que estava em Hogwarts e percebeu que o que mais temia acontecera. Harry e ele se afastaram. Temia que o irmão não fosse mais ser seu amigo por ele pertencer a Sonserina.

Concordava que alguns sonserinos eram realmente maus. Muitos ainda faziam bullyng com ele por ser tímido e Draco Malfoy agora liderava esse grupo lhe chamando de sangue-ruim e as vezes o azarava, Duda sofria um verdadeiro pesadelo, mas na maioria das vezes, Andrew, Thomas e Lizzie o defendiam e detestavam o pequeno Malfoy.

Duda decidiu que daquela manhã não passaria, tinha que conversar com Harry mesmo sobre a capa e o mapa do maroto, iria aproveitar a oportunidade.

— O que você tanto olha na mesa do Harry? — perguntou Lizzie percebendo que de uns dias para cá o amigo estava diferente, mais triste.

— Eu tenho que falar com o Harry — ele disse e Lizzie assentiu.

Logo Duda caminhou a mesa da Grifinória e chamou Harry, surpreendendo Hermione e Rony e os primeiranistas. Os demais grifinórios que conheciam Duda e a amizade dele com Fred e George, apenas acenaram para ele, sorrindo.

— Oi Fred oi George — disse Duda, fazendo Hermione lhe olhar surpresa. Então ele era amigo dos Weasley's. Um sonserino amigo de grifinórios? " pensou Hermione surpresa. — Oi Harry.

— Oi Duda — disseram os três em coro.

— Harry, posso falar um minuto com você? — perguntou e ele assentiu — Venha comigo por favor! — acrescentou e Harry o acompanhou, surpreso.

Sentia falta de Duda, mas com as aulas e agora sua amizade com Rony, Harry mal conversava com o primo e irmão, mas faria de tudo para mudar isso. Logo, Harry acompanhara o primo as masmorras da Sonserina e já estavam no dormitório masculino da Sonserina, que estava vazio, pois muitos tomavam seu café da manhã no salão principal. Vendo que Harry esperava que ele falasse algo, Duda começou:

— Eu não lembro quando você nasceu — começou Duda e Harry ouvia tudo atentamente — Mas eu lembro o que você era e ainda é para mim. Você sabe Harry, eu sempre fui tímido, eu era um desastre ambulante, lembra quando o Pedro tentou fazer amizade comigo? Ele se deu bem com você de cara, agora comigo... Quanto mais ele tentava se aproximar, mais tímido eu era e mais eu o afastava. Para ele, eu demonstrava que não queria amizade, que era quieto e não falaria com ele, mas por dentro eu queria a amizade dele... Ele demorou tanto a se acostumar comigo. — lembrou Duda e Harry riu.

Claro que se lembrava, Duda nunca foi de fazer amizades facilmente, Duda era reservado e não conseguia ser ele mesmo com os outros, somente Harry conhecia o irmão, somente Harry o consolava quando ele estava triste, somente Harry nunca desistira do irmão. Antes de ir para Hogwarts, Duda perdera muitos amigos pelo seu jeito de ser e isso o traumatizou para sempre, o fazendo confiar muito pouco em si mesmo.

— Claro que eu lembro, mas onde você quer chegar? — perguntou Harry curioso.

— Com você não, eu cresci com você, segundo minha mãe assim que você chegou em casa, eu demonstrei um sinal de magia. Você se tornou meu melhor amigo Harry, o meu irmão. Você sabe como eu odeio chorar em publico, mas sempre chorava na sua frente, porque com você eu sou eu mesmo. Você é o meu melhor amigo, o meu irmão e eu sou feliz de ter te conhecido. Nos afastamos desde que vim para Hogwarts mas eu quero mudar isso, éramos tão próximos. Você me odeia por eu ser da Sonserina? — perguntou Duda receoso e inseguro, temia perder o amor do primo.

— Eu vou ser sincero, agora que conheço as casas, eu preferia você na Grifinória e eu acho os sonserinos maus, mas Duda, com exceção de você e seus amigos, porque pessoas melhores que vocês não há. Eu nunca ficaria bravo por você ser da Sonserina, que tipo de irmão eu seria? Não precisa se preocupar, eu sempre vou te amar. Sei que nos afastamos, mas é porque essas aulas estão uma loucura — disse Harry indo abraçar o primo.

Ficaram ali abraços por alguns segundos, apenas eles. Fazia algum tempo que não tinham um momento só de irmãos.

— Agora vamos voltar, antes que deem por nossa falta, mas antes tome, a capa e o mapa do maroto, eles lhe serão uteis — disse Duda entregando Harry a capa e o mapa a Harry, que assentiu e logo cada um ia para sua mesa, Harry na Grifinória e Duda na Sonserina. Harry pôde perceber Hermione lhe cutucando e a fitou:

— O Dursley é seu primo? E mesmo sendo da Sonserina, tem amizade com os Weasley's? Fred e George me contaram — disse Hermione surpresa, não sabia que os sonserinos poderiam ser legais.

— Sim, ele é meu primo e é diferente dos demais Sonserinos — Harry respondeu dando de ombros e a garota o fitou admirada, antes de terminar de comer.

A aula de Poções foi em uma das masmorras. Era mais frio ali do que na parte social do castelo e teria dado arrepios mesmo sem os animais embalsamados flutuando em frascos de vidro nas paredes à volta.

Snape, como Flitwick, começou a aula fazendo a chamada e, como Flitwick, ele parou no nome de Harry...

— Ah, sim — disse baixinho. — Harry Potter. A nossa nova celebridade.

Draco Malfoy e seus amigos Crabbe e Goyle deram risadinhas escondendo a boca com as mãos. Snape terminou a chamada e encarou a classe. Seus olhos eram negros como os de Hagrid, mas não tinham o calor dos de Hagrid. Eram frios e vazios e lembravam túneis escuros.

— Vocês estão aqui para aprender a ciência sutil e a arte exata do preparo de poções — começou. Falava pouco acima de um sussurro, mas eles não perderam nenhuma palavra. Como a Professora Minerva, Snape tinha o dom de manter uma classe silenciosa sem esforço. — Como aqui não fazemos gestos tolos, muitos de vocês podem pensar que isto não é mágica. Não espero que vocês realmente entendam a beleza de um caldeirão cozinhando em fogo lento, com a fumaça a tremeluzir, o delicado poder dos líquidos que fluem pelas veias humanas e enfeitiçam a mente, confundem os sentidos... Posso ensinar-lhes a engarrafar fama, a cozinhar glórias, até a zumbificar se não forem o bando de cabeças-ocas que geralmente me mandam ensinar.

Mais silêncio seguiu-se a esse pequeno discurso. Harry e Rony se entreolharam com as sobrancelhas erguidas Hermione Granger estava sentada na beiradinha da carteira e parecia desesperada para começar a provar que não era uma cabeça-oca.

— Potter! — disse Snape de repente. — O que eu obteria se adicionasse raiz de asfódelo em pó a uma infusão de losna?

“Raiz de quê em pó a um infusão do quê”? Harry olhou para Rony, que parecia tão embatucado quanto ele, a mão de Hermione se ergueu no ar.

— Não sei não senhor — disse Harry.

A boca de Snape se contorceu num riso de desdém.

—Tsk, tsk, a fama pelo visto não é tudo.

E não deu atenção a mão de Hermione.

— Vamos tentar outra vez, Potter. Se eu lhe pedisse, onde você iria buscar bezoar?

Hermione esticava sua mão no ar o mais alto que pôde sem se levantar da carteira, mas Harry não tinha a menor ideia do que fosse bezoar. Tentou não olhar para Malfoy, Crabbe e Goyle, que se sacudiam de tanto rir.

— Não sei não senhor.

— Achou que não precisava abrir os livros antes de vir, hein, Potter?

Harry fez força para continuar olhando diretamente para aqueles olhos frios. Folheara os livros na casa dos Dursley, mas será que Snape esperava que ele se lembrasse de tudo que vira em

Mil ervas e fungos mágicos?

Snape continuava a desprezar a mão trêmula de Hermione.

— Qual é a diferença Potter, entre acônito liconico e acônito lapelo?

Ao ouvir isso Hermione se levantou, a mão esquerda em direção ao teto da masmorra.

— Não sei — disse Harry em voz baixa. — Mas acho que Hermione sabe, porque o senhor não pergunta a ela?

Alguns garotos riram, os olhos de Harry encontraram os de Simas e este deu uma piscadela. Snape, porém não gostou.

— Sente-se — disse com rispidez a Hermione. — Para sua informação Potter, asfódelo e losna produzem uma poção para adormecer tão forte que é conhecida como a Poção dos Mortos Vivos. O bezoar é uma pedra tirada do estômago da cabra e pode salvá-lo da maioria dos venenos. Quanto aos dois acônitos são plantas do mesmo gênero botânico. Então? Por que não estão copiando o que estou dizendo?

Ouviu-se um ruído repentino de gente apanhando penas e pergaminhos. E acima desse ruído a voz de Snape:

— E vou descontar um ponto da Grifinória por sua impertinência, Potter.

As coisas não melhoraram para os alunos da Grifinória na continuação da aula de Poções. Snape separou-os aos pares e mandou-os misturar uma poção simples para curar furúnculos. Caminhava imponente com sua longa capa negra, observando-os pesar urtigas secas e pilar presas de cobras, criticando quase todos, exceto Draco, de quem parecia gostar.

Tinha acabado de dizer a todos que olhassem a maneira perfeita com que Draco cozinhara as lesmas quando um silvo alto e nuvens de fumaça ocre e verde invadiram a masmorra. Neville conseguira derreter o caldeirão de Simas transformando-o numa bolha retorcida e a poção dos dois estava vazando pelo chão de pedra, fazendo furos nos sapatos dos garotos. Em segundos, a classe toda estava trepada nos banquinhos enquanto Neville, que se encharcara de poção quando o caldeirão derreteu, tinha os braços e as pernas cobertos de furúnculos vermelhos que o faziam gemer de dor.

— Menino idiota! — vociferou Snape, limpando a poção derramada com um aceno de sua varinha. — Suponho que tenham adicionado as cerdas de porco-espinho antes de tirar o caldeirão do fogo?

Neville choramingou quando os furúnculos começaram a pipocar em seu nariz.

— Levem-no para a ala hospitalar — Snape ordenou a Simas.

Em seguida voltou-se zangado para Harry e Rony, que estavam trabalhando ao lado de Neville.

— Você, Potter, por que não disse a ele para não adicionar as cerdas? Achou que você pareceria melhor se ele errasse, não foi? Mais um ponto que você perdeu para Grifinória.

A injustiça foi tão grande que Harry abriu a boca para argumentar, mas Rony deu-lhe um pontapé por trás do caldeirão.

— Não force a barra — cochichou. — Ouvi dizer que Snape pode ser muito indigesto.

Quando subiam as escadas para sair da masmorra uma hora depois, os pensamentos se sucediam velozes na cabeça de Harry, que se sentia deprimido. Perdera dois pontos para Grifinória na primeira semana, por que Snape o odiava tanto?— Ânimo — disse Rony — Snape está sempre tirando pontos de Fred e Jorge. Posso ir com você a casa de Rúbeo?

As cinco para as três eles saíram do castelo e atravessaram a propriedade. Hagrid morava numa casinha de madeira na orla da floresta proibida. Um par de galochas estava à porta da casa.

Quando Harry bateu à porta eles ouviram uma correria frenética e latidos ferozes. Depois, a voz de Hagrid dizendo:

— Para trás, Canino para trás.

A cara barbuda de Hagrid apareceu na fresta quando a porta se abriu.

— Espere aí. Para trás, Canino.

Ele os fez entrar, lutando para segurar com firmeza a coleira de um enorme cão de caçar javalis.

Havia apenas um aposento na casa. Presuntos e faisões pendiam do teto, uma chaleira de cobre fervia ao fogão e a um canto havia uma cama maciça coberta com uma colcha de retalhos.

— Estejam à vontade — falou Hagrid, soltando Canino, que pulou imediatamente para cima de Rony e começou a lamber-lhe a orelha. Como Hagrid, parecia óbvio que Canino não era tão feroz quanto se esperava.

— Este é o Rony — Harry disse a Hagrid, que fora despejar água fervendo num grande bule de chá e arrumar biscoitos num prato.

— Mais um Weasley, hein? — exclamou Hagrid vendo as sardas de Rony — Passei metade da vida expulsando seus irmãos da floresta.

Os biscoitos quase quebraram os dentes deles, mas Harry e Rony fingiram gostar e contaram a Hagrid como tinham sido as primeiras aulas. Canino descansou a cabeça no colo de Harry e cobriu as vestes dele de baba.

Harry e Rony ficaram contentes de ouvir Hagrid chamar Filch de guitarra velha.

— Quanto àquela gata, Madame Nor-r-ra, às vezes eu tenho vontade de apresentar o Canino a ela. Sabe que todas as vezes que vou até a escola ela me segue por toda parte? Não consigo me livrar da gata. É Filch que a manda fazer isso.

Harry contou a Hagrid a aula de Snape. Hagrid, como Rony, disse a Harry que não se preocupasse, que Snape não gostava praticamente de nenhum aluno.

— Mas ele parecia que realmente me odiava.

— Bobagem! Por que o odiaria?

Mas Harry não pôde deixar de pensar que Hagrid evitou encará-lo quando disse isso.

— Como vai seu irmão Carlinhos? — perguntou Hagrid a Rony. — Eu gostava muito dele. Tinha muito jeito com animais.

Harry se perguntou se Hagrid teria mudado de assunto de propósito. Enquanto Rony contava tudo sobre o trabalho de Carlinhos com dragões, Harry apanhou um pedaço de papel que estava na mesa sob o abafador de chá. Era uma noticia recortada do Profeta Diário

O CASO GRINGOTES

Prosseguem as investigações sobre o arrombamento de Gringotes, ocorrido em 31 de julho, que se acredita ter sido trabalho de bruxos e bruxas das Trevas desconhecido.

Os duendes de Gringotes insistiam hoje que nada foi roubado.

O cofre aberto na realidade fora esvaziado mais cedo naquele dia.

"Mas não vamos dizer o que havia dentro, para que ninguém se meta, se tiver juízo", disse um porta-voz esta tarde.

Harry lembrou-se que Rony lhe contata no trem que alguém tentara roubar Gringotes, mas não mencionara a data.

— Rúbeo! — exclamou Harry. — Aquele arrombamento de Gringotes aconteceu no dia do meu aniversário! Talvez estivesse acontecendo enquanto a gente estava lá! — Como os Dursley não sabia como funcionava o dinheiro bruxo, Hagrid acompanhara Harry pela primeira vez em Gringrotes no dia do aniversario de Harry.

Não havia a menor dúvida, desta vez, Hagrid decididamente evitara encarar Harry. Resmungou alguma coisa e lhe ofereceu mais um biscoito. Harry releu a notícia ”O cofre aberto na realidade fora esvaziado mais cedo naquele dia”. Hagrid esvaziara o cofre setecentos e treze, se é que se podia chamar esvaziar alguém levar aquele pacotinho encalombado. Seria aquilo que os ladrões estavam procurando?

Quando Harry e Rony voltaram ao castelo para jantar, tinham os bolsos pesados com os biscoitos que a educação os impedira de recusar. Harry pensou que nenhuma das aulas a que assistira até ali tinha lhe dado tanto o que pensar quanto o chá com Rúbeo Hagrid. Será que Hagrid tinha apanhado o pacote bem na hora? Onde estava o pacote agora? Será que ele sabia alguma coisa de Snape que não queria contar a Harry?

Imerso em pensamentos, Harry nem percebeu quando Duda e seus amigos se juntaram a Fred e George na mesa da Grifinória durante o jantar. Hermione ainda estava surpresa, pois se era difícil entender um sonserino amigo de um grifinório, imagina um sonserino sentando na mesa da Grifinória? E pelo visto não foi a única a se surpreender, pois viu Draco Malfoy, olhar para a mesa da Grifinória a cena com uma cara de quem viu e não gostou.

— Oi Duda, Andrew, Thomas e Lizzie — disseram Fred e George em coro.

— Olá — responderam ele.

— Ouvi dizer que a aula de Poções não foi muito boa, o que aconteceu Harry? — perguntou Duda preocupado.

— O Snape simplesmente parecia que me odiava, implicou comigo a aula inteira — disse Harry e Duda suspirou. Snape era assim, só gostava dos sonserinos — Aliás, porque você não estava com a Sonserina? — perguntou sem entender o sumiço do primo e seus amigos nas aulas.

— É que eu sou do segundo ano e para o segundo ano as aulas são em horários diferentes do que os do primeiro — explicou Duda e Harry assentiu.

Eles passaram o resto do jantar conversando, enquanto Harry conversava algo com Rony sobre a invasão a Gringotes, Duda e seus amigos iniciavam uma conversa animada com Fred e George e Thomas e Hermione, por serem parecidíssimos iniciaram uma conversa sobre as aulas.

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Harry jamais achara que odiaria um garoto, como odiava Draco Malfoy, o mesmo o tirava do serio. Os alunos do primeiro ano da Grifinória, porém, só tinham uma aula com os da Sonserina, a de Poções, por isso não precisavam aturar Draco muito tempo. Ou pelo menos, não precisavam até ver um aviso pregado no salão comunal de Grifinória que fez todos gemerem. As aulas de voo começariam na quinta-feira e os alunos das duas casas aprenderiam juntos.

— Típico — disse Harry desanimado. — É o que eu sempre quis, fazer papel de palhaço montado numa vassoura na frente do Draco.

Ele estivera ansioso para aprender a voar, mais do que qualquer outra coisa.

— Você não sabe se vai fazer papel de palhaço — disse Rony sensato — Em todo o caso, sei que Draco vive falando que é bom em Quadribol, mas aposto que é conversa fiada.

Draco sem dúvida falava muito de voos. Queixava-se em voz alta que os alunos do primeiro ano nunca entravam para o time de Quadribol e se gabava em longas histórias, que sempre pareciam terminar com ele escapando por um triz dos trouxas de helicóptero. Mas ele não era o único pelo que Simas Finnigan contava, ele passara a maior parte da infância voando pelo campo montado numa vassoura. Até Rony contava para quem quisesse ouvir sobre a vez em que ele quase batera numa asa delta montado na velha vassoura de Carlinhos.

Todos os garotos de famílias de bruxos falavam o tempo todo de Quadribol. Rony já tivera uma grande discussão sobre futebol com Dino Thomas, que também usava o dormitório deles. Rony não via nada excitante em um jogo em que ninguém podia voar e só tinha uma bola. Harry surpreendera Rony cutucando o pôster em que Dino aparecia com o time de futebol de West Ham, tentando fazer os jogadores se mexerem.

Neville nunca andara de vassoura na vida, porque a avó nunca o deixara chegar perto de uma. No fundo, Harry achava que ela estava certíssima, porque Neville conseguira sofrer um número impressionante de acidentes mesmo com os dois pés no chão.

Hermione Granger estava quase tão nervosa quanto Neville com a ideia de voar. Isto não era coisa que se aprendesse de cor em um livro, não que ela não tivesse tentado. No café da manhã de quinta-feira, deu um cansaço neles falando sobre macetes de voo que lera em um livro da biblioteca chamado Quadribol através dos séculos. Neville praticamente se pendurava em cada palavra que ela dizia, desesperado para aprender qualquer coisa que o ajudasse a se segurar na vassoura mais tarde, mas todos os outros ficaram muito felizes quando a conferência de Hermione foi interrompida pela chegada do correio.

Harry não recebera nenhuma carta desde o bilhete de Hagrid, uma coisa que Draco não demorara nada a notar, é claro. A coruja de Draco estava sempre lhe trazendo de casa pacotes de doces, que ele abria fazendo farol na mesa da Sonserina.

Uma coruja de curral trouxe para Neville um pacotinho da avó.

Ele o abriu excitado e mostrou a todos uma bolinha de vidro do tamanho de uma bola de gude grande, que parecia cheia de fumaça branca.

— É um Lembrol! — explicou ele. — Vovó sabe que sou esquecido. Isto serve para avisar que a gente esqueceu de fazer alguma coisa. Olhe, aperte assim e ele fica vermelho, ah... — E ficou sem graça, porque o Lembrol de repente emitiu uma luz escarlate.

—... Você esqueceu alguma coisa...

Neville estava tentando se lembrar do que esquecera quando Draco, que ia passando pela mesa da Grifinória, arrancou o Lembrol de sua mão.

Harry e Rony puseram-se imediatamente de pé. Andavam querendo um motivo para brigar com Draco, mas a Professora Minerva, que era capaz de identificar uma confusão mais depressa do que qualquer outro professor da escola, num segundo estava lá.

— Que é que está acontecendo?

— Draco tirou o meu Lembrol, professora.

Mal-humorado, Draco mais do que depressa largou o Lembrol na mesa.

— Só estava olhando — falou, e saiu de fininho com Crabbe e Goyle na esteira.

Às três e meia, aquela tarde, Harry, Rony e os outros garotos da Grifinória desceram correndo as escadas que levavam para fora do castelo para a primeira aula de vôo. Era um dia claro, com uma brisa fresca e a grama ondeava pelas encostas sob seus pés ao caminharem em direção a um gramado plano que havia do lado oposto à floresta proibida, cujas árvores balançavam sinistramente a distância.

Os garotos da Sonserina já estavam lá, bem como as vinte vassouras arrumadas em fileiras no chão. Harry ouvira Fred e Jorge Weasley se queixarem das vassouras da escola, dizendo que havia umas que começavam a vibrar quando voavam muito alto, ou sempre repuxavam ligeiramente para a esquerda.

A professora, Madame Hooch, chegou. Tinhas cabelos curtos e grisalhos e olhos amarelos como os de um falcão.

— Vamos, o que é que estão esperando? — perguntou com rispidez. — Cada um ao lado de uma vassoura. Vamos, andem logo.

Harry olhou para a vassoura. Era velha e tinha algumas palhas espetadas para fora em ângulos estranhos.

— Estiquem a mão direita sobre a vassoura — mandou Madame Hooch diante deles — e digam "Em pé!”.

— EM PÉ! — gritaram todos.

A vassoura de Harry pulou imediatamente para sua mão, mas foi uma das poucas que fez isso.

A de Hermione Granger simplesmente se virou no chão e a de Neville nem se mexeu.

Talvez as vassouras como os cavalos, percebessem quando a pessoa estava com medo, pensou Harry, havia um tremor na voz de Neville, que dizia com demasiada clareza que ele queria manter os pés no chão.

Madame Hooch, em seguida, mostrou-lhes como montar as vassouras sem escorregar pela outra extremidade, e passou pelas fileiras de alunos corrigindo a maneira de segurá-la. Harry e Rony ficaram contentes quando ela disse a Draco que ele segurava a vassoura errado havia anos.

— Agora, quando eu apitar, dêem um impulso forte com os pés — disse a professora. — Mantenham as vassouras firmes, saiam alguns centímetros do chão e voltem a descer curvando o corpo um pouco para frente. Quando eu apitar... Três... Dois...

Mas Neville, nervoso, assustado, e com medo que a vassoura o largasse no chão, deu um impulso forte antes mesmo de o apito tocar os lábios de Madame Hooch...