The Dreamy Mermaid

1 The Dreamy Mermaid


Notas iniciais
Espero que curtam e por favor, não esqueçam de deixar seu comentário! (:

A sereia adorava todos os dias ir à praia para apreciar o quão belo, em sua opinião, era o mundo humano. E como era difícil pra ela poder ficar tardes e tardes ali sem ser observada. O segredo era manter sua cauda escondida nas ondas, enquanto seu torso está inclinado de modo que tenha a melhor visão possível.

Suas amigas não gostavam das suas ‘viagens’. Até porque a cada dia que passava, a sereia Lina passava mais tempo no mundo dos humanos, sonhando com os belos corpos que por vezes passavam e pensando se um dia poderia andar normalmente pela areia. A mais cética de suas amigas, Nélia, criticava-a abertamente.

– Ela deve estar realmente achando que o mundo gira em torno dela. – comentava Nélia alto.

Lina virava os olhos sempre que ouvia a amiga começar com o recalque.

– Apenas me deixe em paz.

– Você é uma safada. Qual é a graça de ficar olhando humanos? Eles são menos desenvolvidos!

– Eu não fico fantasiando, ok? – Lina cuspiu as palavras na cara de Nélia – Eu tenho respeito por mim mesma. Há muitas coisas para se fazer lá em cima. O mundo é grande, belo e espera por mim.

E Lina começou a arrumar suas malas.

– Ei, espera aí, aonde você vai? – Perguntou a cética Nélia pra amiga.

– Pra um lugar aonde me aceitem.

– Você não pode sair daqui sem a permissão de Poseidon! Se liga, Lina!

– Eu já disse para você me deixar em paz!

Cansada, Lina desevencilhou-se da amiga. Mas sabia que ela estava certa, não poderia sair do reino das águas sem a permissão de Poseidon. Pegou sua mochila, algumas conchas (várias na verdade) e correu para seu templo.

O templo de Poseidon nunca havia estado tão sombrio. Ou ela simplesmente estranhou porque nunca esteve lá sozinha. Estava sempre na companhia de sua mãe, outras sereias, peixes ou criminosos. Mas não era um lugar perigoso, óbvio.

A sereia aproximou-se da estátua de Poseidon e começou a soltar palavras baixas, lentas e profundas, de modo que o Deus não a entendesse mal..

– Eu sinto como se tivesse sido o maior azar do mundo ter nascido aqui no mundo aquático. – Finalizou ela.

Seguiu-se um momento de silêncio. Lina derramou algumas conchas na bacia de Poseidon. Após o que lhe pareceu um minuto, ela ouviu uma voz grave, gentil, mas grave em sua cabeça.

– Entendo você, Lina. Mas seria do seu interesse saber que outras sereias já tiveram esse inocente sonho. Eu disse inocente, pois o mundo humano é uma ilusão. E todas elas imploraram antes do pôr-do-sol para que pudessem voltar. Muitas nem conseguiram chegar a tempo.

Lina mordeu um lábio.

– Estou ciente das consequências.

A angustia de Poseidon era nítida. Mas a sereia estava tão feliz que ignorou esse fato. Poseidon realizou logo seu pedido e concedeu-lhe suas desejadas pernas. Lina até esqueceu que não podia mais respirar no fundo do mar e precisou da ajuda do Deus para que pudesse voltar à superfície.

“Obrigada!” dizia ela em sua mente.

A primeira coisa que Lina, a ex-sereia, fez quando deixou o mar foi sentar-se em uma rocha. E naquela manhã de sábado, Lina soltou sua voz suave e melodiosa, que seduzia todos os homens e mulheres que passavam por ali sem que ela percebesse. Eles queriam o pecado, o que logo assustou a ingênua Lina.

– Sai! – ordenou ela desvencilhando-se. E então ela correu até o outro extremo da praia. Em parte ela fugia, mas em outra ela apreciava seus belos pernões.

Mas logo surgiu o primeiro dilema: Ela havia esquecido a mochila dela no mar. Como se sustentaria?

Sem pensar muito, Lina passou a recolher várias das conchas que via ali na areia. Em sua mente possuíam um grande valor. E tudo para Lina carregava algo sentimental – exatamente tudo. Seus braços logo se encheram de “valiosas e fofinhas conchinhas”. E ela se achava a rica, enquanto as crianças olhavam entusiasmadas pra ela.

– Me dá uma concha, moça? – perguntou uma delas.

– Isso é mendigar, sabiam? – resmungou Lina, mas cedeu uma de suas conchinhas.

E então ela parou pra pensar: “Tenho o dinheiro, o que fazer com ele agora?”. A resposta veio à sua esquerda. Uma loja pequena e de aspecto velho chamou sua atenção. Ela nem hesitou na hora de entrar com seus vários sacos de conchas.

– Vim vender minhas conchas! – disse Lina para a gerente, observando com ansiedade a reação da outra que foi no mínimo decepcionante. Após uma longa pausa ela apenas sorriu ironicamente.

– Você deve estar brincando… – E expulsou-a da loja.

A animação de Lina tinha se esvaido. Muito chateada, ela despejou todas as conchinhas em um latão de lixo próximo, perdida em seus próprios pensamentos, perdida naquele mundo pequeno. Algumas pessoas a olhavam torto por estar usando traje de banho.

Quando ela parecia mais uma vez desligada do mundo, eis que uma tentação humana a traz de volta pra realidade. Uma loja de bijuterias encanta Lina. Olhe só aquele colar de pedras preciosas, oh meu Deus…

A sereia entrou na loja e começou a apontar tudo que queria (quase a loja inteira). A gerente às vezes lhe olhava estranho. Será que aquela mulher estava em inteira sanidade?

– Desculpe-me te interromper, senhora, mas tudo que você especulou até agora soma um total de 21 milhões de dólares… – disse a gerente delicadamente.

– Dólares? – Perguntou Lina confusa e ela percebeu que tinha feito algo errado novamente. Ela nem sabia o que diabos era dólares.

– Deixe-me adivinhar… Você não tem dinheiro. – afirmou a gerente parecendo à beira de um colapso.

– Eu…

– FORA! FORA DA MINHA LOJA!

E a sereia humilhada foi jogada na calçada. Ela sente seu joelho arder mas sua tristeza era tanta que ela quase não sentia a dor. Um mendigo estendeu-lhe a mão:

– Segure aqui, venha.

Lina olhou torto para as vestes do mendigo, mas aceitou a ajuda, desconfiando um pouco do homem.Os dois caminharam um pouco e a sereia soube um pouco da vida do mendigo. Seus filhos tinham o abandonado sendo que o mais velho e o preferido dele havia sido assassinado há 13 anos atrás. E agora nas ruas, o artesanato era a vida dele.

– Sabe, Lina, o mais importante que eu aprendi durante essa caminhada é que você não pode deixar as coisas te abalarem – Os dois sentaram-se na beira da calçada onde o mendigo estendia seus produtos artesanatais – Eu acho que esse ficaria lindo em você.

Lina sorriu pela primeira vez desde aquela manhãzinha.

– Sabe, eu nunca achei que tivesse realmente um valor aqui…

O mendigo então sorriu compreensivamente.

– Todos nós temos um valor. Ninguém está aqui por nada. E vamos enfrentar desafios, com certeza. Por exemplo, embora eu viva do artesanato, eu não tenho mais dinheiro para comprar o material, as coisas estão péssimas. Tenho comido menos e tampouco tenho achado algo.

E então a sereia lembra-se do montinho de conchas que jogou no latão de lixo.

– Ei, acho que posso ajudar!

E ela saiu correndo deixando o novo amigo confuso. A cena era nada mais, nada menos que bizarra: Uma jovem toda desengonçada com boa parte das nádegas de fora correndo a todo vapor com os braços pro alto. As pessoas ao redor pensavam: “Vá entender”.

Ela foi até o latão onde retirou o saquinho (que ironia!) de conchas e trouxe para o mendigo. Muito admirado ele pegou na mão de Lina e beijou-a. Seus lábios eram ásperos, mas sua boca cheia de amor e intensidade. As conchinhas eram as salvadoras do dia.

– Eu sabia que serviriam para alguma coisa! – disse Lina.

O mendigo abria o saco quando alguns homens encapuzados chegaram perto. Lina começou a ter um sentimento ruim com a presença deles. O sorriso que o mendigo carregava no rosto desaparaceu quando os homens começaram a chutar e socar o pobre homem.

– NÃO! NÃO! NÃÃÃO! – gritava Lina aterrorizada. Mas o outro apontou uma arma pra ela.

– Quietinha aí, princesa!

Lina nem sequer deu atenção. Fugiu em meio ao barulho de tiros enquanto o mendigo era humilhado. Se sentindo horrível ela consegue voltar pra praia.

E só quando viu o pôr-do-Sol sua ficha caiu. Que grande burrice ela cometera! Ela tinha tudo, uma família e amigos e uma casa e porra! E olha pelo que ela trocou tudo isso. E ela nunca acreditava quando papai dizia que as pessoas não davam valor às coisas quando às tinham.

Ela não tinha palavras pra tamanha decepção eas lágrimas que desciam de seus olhos eram mais sinceras que as lágrimas de qualquer outra pessoa. Pois continha valores. Valores que os seres humanos não tinham, e Lina tinha. E o ser humano que tiver valores, irá sofrer sem dúvida no mundo afora.

Lina entrou no mar, tapou a respiração e mergulhou. Queria voltar ao reino das águas. Mas ela não conseguiu segurar a respiração por muito tempo e morreu afogada. O coração de Poseidon se partiu. Partiu-se em memória à pequena sereia aventureira, que fez o que mais da metade dos habitantes não faria.

– O que a deixou tão triste, afinal? – Perguntou Nélia.

– A impureza, a deselegância e a deslealdade. A incompetência, a falta de caráter e de amor. Mas poderia ser bem pior, Nélia. E pensar que o tempo todo ela nem percebeu que usava traje de banho. Um dia ela será uma rainha. A pequena, doce, meiga e sonhadora sereia.


Notas finais
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Você chegou ao fim do livro. Parabéns!