E novamente um sangue de um desconhecido escorria entre meus dedos, seu corpo se encontrava encolhido em meus braços enquanto ele agonizava, seus olhos verdes arregalados se encontravam em pânico puro, implorando por ajuda, mas já não restava nada que eu pudesse fazer, por mais que eu desejasse. Era inimaginável a dor que ele possuía naquele momento, queria poder ajudá-lo, coloquei minhas mãos sobre a ferida exposta em seu abdômen e tentei curá-la mais de nada funcionou, pelo contrario, meu toque somente o machucou mais ainda, eu não sabia nada da vida daquele homem, nem ao menos como ele teve a infelicidade de vir parar aqui. Apertei sua mão com força e por um breve momento ele me encarou fundo nos olhos, como se quisessem me dizer algo, balbuciou algumas palavras mas só saia ainda mais sangue de sua boca. Coloquei minha mão sobre sua testa, retirando fios de cabelos que insistiam em cair sobre sua vista.

– Eu sinto muito – minha voz saiu fraca, eu não sabia o que dizer, muito menos o que fazer, não pude evitar que as lagrimas caíssem de meus olhos.

Seus olhos esbugalhados me encararam por alguns segundos, até que toda sua dor foi embora, seus olhos perderam o brilho e se tornaram tão vazios quanto eu me sentia agora. Levou algum tempo para eu perceber que isso tinha acontecido novamente, olhei para o corpo em meus braços novamente, nem sabia qual era o seu nome, muito menos onde morava, quem era a sua família, ou se tinha filhos, sabia somente que por conta de um infeliz acaso ele estava aqui morto em meus braços.

– Nós temos que ir – Jenny apareceu no arco da porta com uma expressão séria no rosto, cenas como esta não a traziam boas lembranças.

Apenas assenti com a cabeça, deitando o corpo inerte do homem no chão frio da cozinha, tentei tirar o excesso de sangue em uma das cortinas, percebi que já começava a cair uma leve garoa do lado de fora, deixando a noite ainda mais fria do que de costume. Peguei minha Magnum que se encontrava sobre a bancada perto da janela, colocando-a em minha cintura e com um ultimo olhar fitei o homem estendido ao chão.

– Vamos – ela me alertou mais uma vez impaciente, desta vez não teria mais volta, esse era só o começo e nós sabiamos disto, a guerra havia começado.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.