Notas iniciais
OI LEITORES (se é que ainda tem alguém aqui)! EU SEI QUE DEMOREI, MAAAASSS EU NUNCA PROMETO NÃO DEMORAR!
Além de um bloqueio criativo danado, eu passei todo esse tempo escrevendo o primeiro de alguns capítulos extras para a fic.
Não vou pedir desculpas, okay? u_u Não me matem, me amem! Se me amarem a fic continua, caso tentem algo contra a minha pessoa, vocês não saberão o fim dessa história. SOU MÁ!
Enjoy it :D

– Sente-se, Bennet. — Ordenou McGray

Obedeceu. Sentou-se na cadeira de frente para mim e David. Devon não participaria do interrogatório, precisava cuidar de um outro caso.

Apoiou os pulsos algemados sobre a mesa de metal. Tinha o semblante calmo, despreocupado. Piscava mansamente.

– O que aconteceu na noite de 19 de Setembro de 2012? — Perguntei. A única resposta que obtive foi o silêncio

– Você sabe que vai ter que abrir o jogo uma hora, não é? — Uma pergunta retórica feita por David

– Então se eu não responder as perguntas, vocês vão me torturar até eu abrir o jogo? É isso que eu entendi? Porque, eu tenho certeza que, o delegado McGray vai ficar bem feliz de fazer isso! — Sorriu cínico

David respirou fundo se ajeitando na cadeira.

– Sem paciência, David? — Perguntou desafiando

Os dois se fitavam dentro dos olhos. Era como um daqueles jogos de quem aguenta mais tempo. Durou pouco. David desviou o olhar do suspeito para mim. Eu entendia. Era difícil encarar Tyler por muito tempo; seus olhos pareciam enxergar algo muito além do que a nossa "casca", parecia enxergar nossa alma.

– Nós sabemos que essa situação é cansativa. É só você dizer o que nós queremos saber e pronto. — Disse tentando amenizar o clima pesado e tenso que se instalou na sala

Moveu a cabeça com o olhar ainda preso em David, e quando alcançou o ângulo do meu rosto, fitou-me sorrindo.

– Me deixa explicar uma coisa. Eu não vou facilitar em nada para vocês.– Disse vagarosamente inclinando o corpo sobre a mesa

A paciência tanto minha quanto de David estava se esgotando. Tyler estava nos testando. Estava conseguindo nos tirar do sério e isso o deixava satisfeito, ou melhor, deixava-o excitado. Eu pudia ver em seus olhos.

Decidi tentar o ponto fraco de Tyler. Ou aquele que eu pensava ser seu ponto fraco.

– Ele morreu por você, não é? — Seu semblante mudou. Não tinha mais o ar deboxado de antes. Continuei — Você o amava mais do que amava Audrey. Ele foi o único a te amar de verdade. Foi o único que te fez sentir especial, o único que te fez sentir que não era um desperdiço de espaço.

Seus músculos se tensionaram.

Aquilo abalava ele.

Eu vou fazer você sentir a pior dor do mundo, Dra. Laura Simons. — Comentou forçando um sorriso

– Eu já senti. — Respondi pensando na morte do meu filho. Doía. Nunca pararia de doer. Nunca

O silêncio tomou conta do cômodo.

O ar parecia mais denso, pesado. Era difícil respirar.

David se mantia quieto, prestando atenção nas reações de Tyler.

Respirei fundo e prossegui.

– O que você sabe sobre a morte de Audrey Leviscco?

– O que você sabe sobre a morte de Peter Simons?– Perguntou soltado o corpo no encosto da cadeira

Como ele sabia? Como ele sabia da morte do meu filho? Como ele sabia o nome do meu filho?

Uma onda de fúria e loucura explodiu e percorreu o meu corpo, e quando fui dar por mim, estava praticamente em cima de Tyler estapeando-o. David me puxava pelo braço tentando me tirar de perto do suspeito que tinha um sorriso maior que o rosto estampado.

– Você não tem direito de tocar no nome do meu filho! — Gritei sendo arrastada para fora da sala

Já estávamos do lado de fora da sala de interrogatório.

– Laura, acalme-se! — Disse David soltado o meu braço que estava dolorido pela força que havia depositado ali para conseguir me tirar do cômodo anterior

– Como ele sabia do meu filho?! Como ele sabia o nome do meu filho?! Como ele sempre sabe de tudo?! Como?! — Eu praticamente gritava no meio do corredor

– Laura, acalme-se! Assim, você vai abacar passando mal.

– David, como ele sabia?.. Como?.. — Eu estava descontrolada. Ele tinha pisado no meu calo, ou melhor, Tyler enfiado uma faca no meu peito. Senti as lágrimas rolarem pelo meu rosto

– Ele está te provocando...

– Ele está me enlouquecendo! — Interrompi quase gritando

– Laura, vamos até a minha sala. Você senta, bebe um copo de água, toma um calmante. Huh? — Perguntou assentindo

– Eu não quero me acalmar! — Fiz que ia voltar para a sala, mas David me impediu segurando-me pelo braço com força — David, me solta!

– Laura, para com isso. Você está perdendo a razão. — Pausou — Por que você não vai para casa descansar?

– Eu não quero descansar, eu quero saber como ele sabia do meu filho.

– Vai para casa descansar e eu descubro isso para você, ok? — Assenti — Eu te levo em casa, huh?

– Não, você fica e termina com isso. Eu vou para casa. — Parei percebendo que minha bolsa e casaco ainda estavam na sala de interrogattório — As minhas coisas ainda estão lá dentro.

– Eu vou lá buscar.

Fiz que sim com a cabeça e ele adentrou o cômodo de paredes escuras. Me aproximei do vidro ao lado da porta observando Tyler; tão calmo, tão cínico. O períto criminal Morris voltou com meus pertences e eu continuei olhando através do vidro espelhado por dentro. O jovem suspeito olhava fixamente em minha direção; ele sabia que eu estava ali observando-o.

– Obrigado. — Disse pegando minha bolsa e casaco de suas mãos e caminhando até a saída do prédio

Ao chegar no estacionamento, destravei o alarme do carro e entrei batendo a porta com força do que pretendia. Eu ainda estava abalada. Então preferi esperar um pouco e me acalmar, ao sair dirigindo feito uma maluca e fazer uma besteira gigantesca no trânsito. Soltei a cabeça no encosto do banco e fechei os olhos por alguns segundos, até ouvir toques no vidro da janela. Abri os olhos e vi Joyce. Fiz um gesto com a cabeça para que entrasse no veículo e ela o fez.

– Tudo bem? — Perguntou-me

– Sim, estou bem.

– Deve estar se perguntando do porque de eu estar aqui, não é? Eu admito que não disse tudo que sabia. Também tenho que admitir que estava com medo e que não confio muito naqueles homens. — Disse se referindo a David e Devon — Sei que posso confiar em você. Não sei porque, mas sei que posso.

– Vamos fazer o seguinte: Vamos para a minha casa, tomamos uma xícara de chá e você me conta tudo que sabe. Huh?

– Ok.

Coloquei o cinto de segurança — Joyce repetiu o meu movimento — e dei partida no carro.

Ao chegarmos a minha casa e tomarmos o chá, ela começou:

– A Audrey sempre foi a minha melhor amiga, desde que eramos pequenas; era a minha irmã de coração. — Pausou dando um gole no chá de camomila, disfarçando o nervosismo e um possível choro — No início o que havia entre Audrey e Tyler era só uma amizade muito grande, nós sabiamos o quanto ele precisava de alguém que não fosse a avó dele. E também só era amizade porque Tyler estava apaixonado por um garoto. O pior é que, nós duas sabiamos que ele ia se machucar; o garoto parecia ter medo que as pessoas falassem dos dois e isso magoava o Tyler. — Pausou pensativa — Foi quando esse garoto sumiu, mudou de escola, sei lá o que aconteceu, que o Tyler desabou. Ele mudou muito e se afundou em depressão, tinha crises de pânico quase todos os dias na escola. E aí, Audrey acabou se aproximando ainda mais dele e depois de uma noite de bebedeira, os dois ficaram juntos.

– E você?

– Eu o quê? — Perguntou confusa

– Onde você se encaixava?

– Eu sempre fui amiga da Audrey e acabei sendo amiga do Tyler.

– Sobre o comportamento do Tyler...

– Ele estava diferente de quando namorava ou tinha um rolo com o garoto do colégio, ficou mais fechado, mais quieto. Lembro que antes de dupla personalidade, ele disse que o psiquiatra avaliava a possibilidade de bipolaridade. Mas a mudança de humor se dava por causa da depressão.

– Ele era agressivo como é hoje?

– Ele só era agressivo quando tinha crises de pânico. Ele gritava e chorava. Nenhuma de nós duas gostavamos de vê-lo daquele jeito. — Deu mais um gole no chá desviando o olhar para baixo. Continuou — Uma vez, Tyler teve uma crise das grandes e passou mal na escola. Lembro como se fosse hoje. Audrey não tinha ido à escola. Estavamos no meio da aula de Química, eu segui ele até o banheiro masculino e encontrei-o sentado no chão chorando. Ele parecia uma criança assustada. Eu senti pena e então o levei para casa. A dona Ellen disse que ele ficaria bem, que ele tinha deixado de tomar os remédios aquela manhã. Ele estava cansado de tudo aquilo, dos remédios, da depressão, das crises.

– Você parece entendê-lo muito bem. — Me fitou com os olhos arregalados — Joyce, você gosta do Tyler?

– Não. Não!– Respondeu assentindo negativamente com a cabeça

– Você parece se importar demais com ele. — Era o que Devon dizia para mim e eu estava falando para essa garota

– Eu só quero que tudo isso acabe rápido. — Comentou olhando a xícara em suas mãos

– Ele ameaçou você? — Perguntei tocando seu ombro

– Não.

– Joyce, você acredita que ele tenha matado a Audrey? — Olhei no fundo de seus olhos. Ela estava assustada

– Sim.

Notas finais
Espero merecer reviews ;D
Beijos, até