Chego em casa, o silencio me incomoda. Nenhuma palavra foi dita desde que saímos da cerimonia. Sou o tipo de pessoa que não consegue obedecer a regra de ficar calada em certos momentos.

– Eu não acredito que Caleb escolheu a erudição -digo irritada

– Filha, ele tinha o direito de escolher, e ele escolheu o que achava que era melhor para ele -ela diz calma, mas percebo a tristeza em seu olhar- seu pai e eu ficamos felizes de que você tenha escolhido ficar conosco

Mal sabe ela que não era isso que eu queria. Mas nunca vou deixar que ela saiba disso, isso acabaria com ela. Por mais que diga que temos o direito de escolher, nunca é isso que querem, sei que minha mãe queria que o Caleb tivesse escolhido a Abnegação, mas ela nunca vai falar isso. Já meu pai, em seu olhar eu consigo ver a decepção, ele esperava isso de mim, mas nunca esperaria de Caleb. Dou boa noite, e subo, não indo direto para o meu quarto, e si para o de Caleb. Ao entrar vejo que a cama esta puxada e a algo caído atrás, abaixo-me e pego. è um livro. Não apenas um como vários. Então ele sempre soube o que escolheria, só nunca deixou transparecer para ninguém. Saio do quarto, deixando-o como encontrei.

...

Tudo que consigo pensar é que não era para ser eu. Era para ser ele, ele deveria estar aqui, ele gostava daqui. Fui obrigada a mudar a minha decisão por causa dele, vou ter que viver o resto da minha vida em um lugar no qual não pertenço. Não sei o que vou fazer. Na verdade não há nada a fazer, eu escolhi isso.

Com tudo isso tinha esquecido a historia de Divergente. Depois que meus pais dormem, decido voltar ao quarto de Caleb a fim de ver se em algum de seus livros tem alguma coisa sobre Divergentes. Começo a procurar, são tantas paginas de assuntos que pouco me importam, não sei como Caleb consegue gostar disso, só sei que jamais escolheria a Erudição, mesmo tendo aptidão para ela. Depois de um tempo, encontro um dicionario e decido então buscar o significado da palavra, lá encontro pouca coisa, não como eu esperava, e lá diz: Não comum, diferente, discordante.

Aquilo não ajuda e nada, não entendo porque tenho que temer por ser assim, decido esquecer isso.

...

Passam-se 3 meses desde que escolhi a Abnegação, nada mudou. É um dia comum tão comum quanto os outros, planejamos ir ver os sem-facção, levar comida, cobertas, e o que mais precisarem.

Estou sentada na mesa quando ouço o gritos seguidos por tiros, tento correr até a janela mas meu pai me impede, eles estão assutados tanto quanto eu. Meu pai abre um pedaço da cortina, e vejo tropas se aproximando, muitas e muitas pessoas carregando armas, vestidas de preto, a Audácia. Meu pai corre para trancar as portas, mas é lançado para trás com por um chute, um soldado aparece, mas ao em vez de apontar a arma para nós ele a abaixa.

Notas finais
Espero que fiquem curiosos, vou escrever mais amanha.