The Desolation of Thranduil
17 Perdas
Notas iniciais
No meio do alvoroço o Rei élfico estava tentando pensar rapidamente no que fazer, realmente não queria ajudar os anões, ainda mais numa luta que não era dos elfos, entretanto se caso os orcs vencessem a batalha, e que com certeza iriam, por decorrência da desproporção de número contra os anões, seria pior para o rei ter orcs como vizinhos próximos do seu reino, contra anões havia o mínimo de civilização, mas contra orcs, suas fronteiras assim como os vilarejos próximos estariam em constante perigo.
– Thranduil, devemos ajuda-los! – Gritou Lexi ao seu lado, mesmo estando próximos, o barulho da marcha intensa dos orcs era alto demais. Thranduil apenas olhou para ela, para confirmar que a tinha ouvido, mas não a respondeu, pois na verdade nem ele mesmo tinha decidido o que fazer.
Os anões marchavam na linha de frente, em direção aos orcs que vinham do lado aposto ao exército dos elfos, quando os orcs estavam bem próximos aos anões, o rei élfico apenas deu a ordem, com um movimento de cabeça, ele olhou para Lexi que num gesto concordou com a decisão dele, apesar de ser a contra gosto era o mais sensato a se fazer. No momento em que a primeira leva de orcs chegou à linha de frente dos anões, os elfos surgiram por trás dos pequenos, pulando pelas costas deles e agora tomando a linha de frente da batalha, assim como os anões também o fizeram. Thranduil, Lexi, Bard e Gandalf, assim como o pequeno hobbit, estavam parados, esperando que a batalha chegasse até eles, tensos. Num relapso de distração Thranduil olhou para a cima das ruínas de Erebor, a companhia de Thorin apenas observava a matança de sua própria raça, sem moverem um músculo sequer, o rei elfo sempre soube que anões não eram dignos de confiança, ainda mais Thorin Escudo de Carvalho, entretanto nunca pensou que eles também fossem covardes o bastante para dispensar uma briga com os orcs, pelo visto esse era mais uma “qualidade” a ser acrescentada a lista de adjetivos dos anões.
Um forte e alto som de trombetas fez Thranduil levar sua atenção aos orcs novamente, parecia ser uma nova ordem para outra parte do gigantesco exército de orcs, o comando estava vindo de algum orcs de cima da montanha, mas o rei não teve tempo de identifica-lo, pois as bestas de guerra dos orcs estavam prestes a atacar a parte do exército de elfos que não estava na linha de frente, quem estava comandando as criaturas das trevas era esperto, estava tentando cerca-los.
– Ribo i thangail! [Preparem-se para atacar] – Disse o rei élfico montado em seu alce, para o restante de elfos que ainda não estavam na luta. Ao mesmo tempo pode ouvir o grito ecoante do comandante do exército dos orcs, mandando que a metade do seu próprio exército marchassem para a cidade de Valle, enquanto a outra metade ficasse lutando a margem de Erebor, no mesmo instante Thranduil olhou para a cidade, desejando que Tauriel já estivesse bem longe dali, não conseguiria concentra-se na batalha sabendo que ela também poderia estar em perigo, sabia que ela era uma das melhores guerreiras do seu reino, porém não poderia arriscar, não queria perde-la e conhecendo a ruiva como ele conhecia com certeza ela ainda deveria estar lá, ou pior, poderia estar vindo para o centro da batalha onde ele se encontrava agora, se ao menos ela ainda estivesse da cidade, ele poderia ir até e protege-la, dos males este seria o melhor.
– Todos vocês, voltem para Valle! – Bard gritou para o seu exército. – Agora!
O loiro pode ouvi-lo de longe e vê-lo correndo para a cidade, junto com os homens e mulheres indo atrás dele. Também desejava fazer o mesmo, mas o grande grupo de orcs que estavam em sua frente bloqueavam o caminho, montado em seu grande alce branco o rei élfico cravava sua espada em vários dos orcs que estavam em seu lado, ora se esquivando por entre as várias lâminas que o tentavam inutilmente atingir, ás vezes olhava rapidamente para a cidade, preocupado. Lexi como a seu pedido não saia de seu lado, também montada no seu cavalo branco, fazia o mesmo que ele, Thranduil tinha que admitir, ela era boa com a espada, muito mais do que ele se lembrava.
– Lexi, vá junto com Bard para a cidade. Agora! – O rei gritou para ela, chamando a atenção da loira.
– Mas e você?! – Lexi gritou em resposta.
– Irei assim que puder. – Thranduil aproximou-se dela agora, estavam lado a lado. – Se caso a encontrar...- Sua voz apesar de estar firme, foi parando aos poucos, não precisou dizer mais nada, seus olhos falavam por ele, Lexi assentiu, entendera o recado. Ela avançou com o cavalo para cima dos orcs, o elfo abriu passagem para ela também, que quando conseguiu sair do meio da multidão de orcs, elfos e anões, foi num galope rápido até a cidade.
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Na cidade quase que completamente vazia, a não ser pelas poucas crianças e idosos que lá estavam, Tauriel de cima de uma das torres da cidade observa parte do exército de orcs marchar para a cidade.
– Eles estão vindo!- A elfa gritou de cima da torre, para alguns poucos que ainda estavam pelas ruas na cidade. – Escondam-se! – Apressados todos foram em um pequeno grupo até uma parte da cidade, que de cima, Tauriel julgou ser algum tipo de salão, com portas reforçadas. Armada com seu arco a ruiva começou a atirar várias flechas, acertando sempre seus alvos, de vez em quando até de duas em duas flechas ela atirava, aprendera essa tática com Legolas, mas de qualquer maneira não importava quantos orcs ela matava, mesmo que ela derrubasse dez ao chão, outros quinze pareciam tomar o lugar destes, nunca em sua vida a elfa tinha presenciado um exército tão numeroso de orcs. De longe ela avistou um gigantesco orc vir correndo em sua direção, mais precisamente em direção ao muro em que a torre que ela estava se encontrava, era um batedor, seu único propósito era quebrar grandes barreiras para facilitar a entrada de seus companheiros de guerra, eram relativamente fáceis de serem derrubados, apenas com um tiro certeiro na cabeça, em sua primeira tentativa, acertou perto do bochecha, nada. Na segunda, um pouco acima dos olhos, e novamente nada, suas flechas não estavam perfurando adequadamente o grosso couro do orc, quando foi armar-se para uma terceira tentativa, e dessa vez iria lançar duas flechas de uma só vez, não houve tempo, o batedor já havia chegado no muro, e consequentemente balançado toda a estrutura, o forte estrondo fez com que Tauriel tivesse que se jogar ao chão, do lado de dentro da cidade, para não cair em meio a multidão de orcs que estavam do lado de fora, a grossa camada de neve que se formava em todo canto da cidade amortecera a sua queda. No mesmo instante que a Elfa encostara seus pés no chão , ela sacou uma de suas adagas, então com o arco em uma mão e a adaga na outra a ruiva começara a atacar os orcs que vinham em sua direção, sentia o vento forte do inverno ultrapassar o seu corpo, arrepiando sua espinha, o sangue fétido dos orcs manchava suas vestes, assim como algumas gotas caiam em sua pele, mas ela não se importava, não se sentiu mais suja do que se sentira pela aquela manhã, naquele momento todo o turbilhão de sentimentos que existiam em seu ser se transformaram em raiva, ela gostava daquilo, toda aquela raiva a instigava a lutar, porém o que Tauriel nem sequer cogitou no momento era que deixar-se levar pela raiva, ainda mais num campo de batalha, não era o decisão mais correta a ser tomada, a ruiva quando deu-se por conta, não sabia em que parte da cidade mais ela estava, com certeza estava bem longe de onde tinha caído, ao seus pés vários corpos de orcs jogados no chão, muitos deles com seus membros dilacerados, e ao redor da ruiva muitos outros correndo em sua direção, de fato arriscar sua própria vida em nome da raiva tinha sido uma das piores ideias que a elfa já teve, porém de uma forma ou de outra, sentia-se tão miserável que talvez a morte não fosse algo tão ruim assim naquele momento. Dois orcs a atacaram ao mesmo tempo, enquanto ela desviava de um, cortara a garganta do outro e depois com a mesma adaga a enfincava na cabeça do outro orc, os que estavam mais distantes ela acertava com a flecha e os se se aproximavam ela continuava os acertando com sua adaga, a ruiva continuou nesse ritmo por um tempo, até que vários homens e mulheres também chegaram a cidade, para proteger a mesma, Tauriel agradeceu mentalmente, ela já não estava mais aguentando sozinha. A elfa correu para o centro na cidade, na mesa direção que os homens iam, quando lá chegou avistou Bard tomando a frente, dando ordens a multidão, no momento em que o homem a avistou foi até seu alcance , surpreso.
– Tauriel! O que faz aqui? – O homem perguntou rapidamente.- Imaginei que estivesse junto com os outros elfos. – Por um momento ela imaginou ter visto um misto de curiosidade e surpresa nos olhos de Bard.
– Não luto por pedras preciosas, por mais valiosas que elas sejam, luto por nossa paz. – A ruiva o respondeu seriamente, ele pareia concordar com ela, Bard não se juntara a Thranduil para conquistar a riqueza dos anões e sim para ajudar a sua própria gente. – É por isso que estou aqui.
– Entendo, de qualquer forma ter a presença dos elfos aqui, mesmo não sendo na forma que esperávamos, é de grande ajuda. – Bard falava apressadamente, olhando de um lado para o outro, preocupado. – Você viu meus filhos enquanto esteve aqui? Tilda, Sigrid, Bain? – A ruiva negou em silêncio, pensou em mencionar o pequeno grupo que fora para o grande salão, mas não se lembrava de ter visto os três jovens entre eles. Uma movimentação repentina fez os dois ficarem em posição de alerta.
– Eles derrubaram os portões! O pátio central foi tomado! – Gritou um homem correndo em direção a eles, atrás do homem vieram também algumas mulheres e crianças que estavam perdidos no meio da batalha.
– Mulheres e crianças vão para o grande salão, levem os feridos também! – Era Bard quem dava as ordens. – Aos que ainda tem alguma força em seus corpos, protejam as entradas que ainda nos restam, não deixe que eles avancem mais! –O grande grupo de homens e até mesmo alguns mulheres no meio destes, que decidiram lutar, se espalharam indo para os quatro cantos da cidade. Sobraram apenas Tauriel, Bard e mais alguns que estavam acompanhando o arqueiro. A elfa foi a primeira a agir, se afastando do homem.
– Espere! – Ele se apressou para acompanha-la. – Para onde está indo?
– Para o pátio principal. – Ela respondeu sem parar, apenas parou de andar quando Bard entrou no seu caminho.
– Não pode ir sozinha, você não irá conseguir com todos eles.
– Eu sei me defender. – Ela mudou seu trajeto, mas o homem novamente ficou no caminho.
– Eu irei com você. — Ele disse. Tauriel parou e encarou Bard, ficara realmente agradecida com ele, a elfa sabia que o arqueiro não queria segui-la de verdade, mas ainda sim estava disposto a ajudar, ele era um bom homem.
– Bard, encontre seus filhos. Eu irei ficar bem. – A ruiva falou seriamente, ele cogitou por alguns segundos, assentiu levemente e deu passagem para a elfa. Tauriel olhou uma última vez para ele e foi correndo em direção ao pátio, o beco no qual ela se encontrava estava com o chão inteiramente coberto com uma neve fofa, o que deixou a ruiva menos rápida do que ela realmente era, no instante que começou a ouvir os grunhidos de orcs ela com seu arco em punhos o armou com duas flechas, virando a última curva do beco ela finalmente chegara ao pátio. Tauriel não teve tempo para pensar, uma flecha vinha em sua direção, por instinto ela esquivou-se para o lado, fazendo com a flecha acertasse apenas de raspão sua orelha direita, no mesmo momento ela atingiu em cheio o orc arqueiro que estava no telhado de uma das construções em volta do pátio, talvez aquele fosse seu fim, quando ouviu que os orcs haviam dominado o pátio não pensou que seriam tantos, com certeza mais uma centena haviam ali, e mais atravessavam os portões a cada minuto. Um dos grandes vinha em seu alcance, ela também correu até ele, porém passou por baixo das pernas dele, cortando-as dos dois lados, ele caiu de joelhos, dando um urro forte, que alertou aos outros, mais e mais deles vinham na direção da ruiva, ela não tinha tempo para pensar em seus movimentos, então agia apenas por instintos, sua agilidade a ajudou nesse quesito, se esquivava de várias espadas e facadas, ora cortava a garganta de um ou até mesmo pegava uma de suas flechas e cravava na cabeça de um ou outro, sem usar o arco necessariamente, no meio de toda a matança até perdera uma de suas adagas, a adrenalina corria tão rapidamente em suas veias que quase não sentiu quando fora atingida pelas costas, quase. Tudo ao seu redor parou, se gritou, não havia percebido, era como se todos estivessem em câmera lenta, a elfa sabia que não estava perdendo os sentidos, mas era como se tudo desaparecesse por alguns segundos, ela poderia jurar que ouvira o som de seu próprio coração batendo apressadamente, olhou para baixo e viu a espada atravessada na lateral de seu corpo, a lamina negra banhada com veneno e com seu próprio sangue vermelho vivo, um zumbido a vez acordar. Pegou a sua adaga, mirando para si mesma e cravou no orc que estava atrás de si, quando ele caiu a lamina no corpo da elfa se desvencilhou-se do seu corpo, o baque fez com que ela automaticamente colocasse as mãos na ferida, por sorte não parecia de atingido nenhum órgão vital, fora um corte lateral, porém o que a preocupava não era a ferida em si, e sim o orc que estava correndo em sua direção, a ruiva estava atordoada, rapidamente colocou a mão na bainha que estava pendurada na cintura, em busca de sua adaga, mas o fez inutilmente, sua última adaga estava no corpo do orc morto atrás dela, quando preparou-se para pegar uma nova flecha era tarde demais, o orc já estava a centímetros dela, fechou os olhos e esperou, o último som que ouviu foi o tilintar da espada e som de carne sendo rasgada.
Silêncio.
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Quando os orcs começam a dispersar-se do campo de batalha em frente à Erebor, Thranduil percebeu a sua chance de finalmente poder ir para a cidade.
–Berio i nand a garas![Protejam a cidade de Valle!] – O rei gritou para os elfos que estavam ao seu redor, sem realmente espera-los, cavalgou entre os orcs, saindo do meio do campo.
Montado em seu alce Thranduil cavalgou até a ponte de Valle, a saída principal da cidade para Erebor, vários orcs que estavam em seu caminho, fechando a passagem na ponte, seu alce com os longos e fortes chifres tirou todos do caminho, alguns orcs ficaram presos na galhada, o elfo para finalizar cortou as cabeças de todos, quando o rei estava passando pelo portão, várias flechas atingiram o peito e a cabeça do alce, que tombou para frente, morto. Thranduil com o baque caiu em frente ao corpo sem vida de seu companheiro, olhou para ele com pesar, levantou-se rapidamente já com as duas espadas em punhos, seu golpe era tão forte e que chegava a decepar vários membros daquelas criaturas, Thranduil matara vários em poucos minutos, sempre com golpes precisos e ágeis, mais orcs vinham de cada canto da cidade, com sorte seu exército de elfos veio logo atrás de si, agora a preocupação principal do rei era encontrar Tauriel, ou pelo menos ter certeza de que ela já estaria longe dali. De primeiro momento não avistou nem Tauriel, Lexi ou até mesmo o arqueiro Bard, esperava que ao menos Lexi estivesse com Gandalf, pelo menos com o mago, ele saberia que a meia elfa estaria segura. Com um pequeno grupo de cinco elfos a sua escolta, entre eles, estava um de seus capitães, Daeron. Andaram rapidamente entre as ruelas da cidade, encontraram alguns orcs pelo caminho, mas Thranduil acabara com eles facilmente, sem nem ao menor precisar olhar para suas vitimas. Entretanto foi apenas alguns segundos depois que algo aconteceu, algo que fez com que o elfo provasse um sentimento que já não sentira há muitos séculos, o desespero. O grito alto e feminino o alertou, fez com que ele, assim como os outros que estavam ao seu alcance apressassem o passo. O rei sabia que era um pensamento infeliz, mas desejava com todas as suas forças que aquele grito fosse de qualquer outra mulher sendo morta pelos orcs, ou coisa pior, ou até mesmo um de seus soldados, não que o elfo não se importasse com seu próprio povo, mas o mérito que dava a Tauriel, a importância que dava a ela, era mais forte do que qualquer sentimento. Chegaram num grande pátio, onde este se encontrava infestado de orcs, os cinco elfos que estavam atrás dele correram para a batalha, abrindo caminho para o rei passar entre as criaturas, alguns outros elfos chegavam também por outras passagens laterais que davam até o grande pátio, assim também como alguns homens e mulheres, Lexi não estava entre eles. Thranduil no seu percurso matou alguns dos orcs que ousavam chegar perto dele, mas sem dar muita atenção à corja, estava procurando Tauriel no meio de todos, de relance ele pensou ter visto algo laranja, mas não soube dizer de onde veio exatamente, olhou para todos os lados rapidamente, logo após isso, nítidos cabelos ruivos foram percebidos há distancia, apesar de estar longe o rei reconheceria aqueles cabelos em qualquer lugar, então o que viu em seguida, fez seus olhos arregalarem-se, e seu coração congelar, o tempo parecia ter parado.
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Esperou. Tudo era escuridão e calmaria. Esperou. E nada. Quando a elfa decidiu abrir os olhos novamente pode ver seu rei diante de si, enfincando sua espada na garganta do orc que estava em sua frente, fazendo com que a lamina atravessasse a cabeça do mesmo. Nesse instante verdes encontraram azuis e tudo parecia estar calmo, tudo parecia estar no seu devido lugar, por um momento toda a raiva que ela sentia foi como desaparecendo, e o avalio tomasse seu lugar. Fato que rapidamente se distorceu.
– O que pensa que estava fazendo? – Ele falou entre dentes, com raiva contida, chegando mais perto dela, parecia que ele a estava analisando, como se quisesse checar se ela estava bem. – Se quer uma morte rápida e indolor eu posso dá-la a você, mas não hoje e não agora. Então por favor, será que você faria a gentileza de tentar não se matar? – Ele falou baixo a centímetros do rosto da ruiva, olhando fixamente para seus olhos, para que ela pudesse ouvir com clareza. Ao mesmo tempo um orc corria até eles, tentando atacar o loiro pelas costas, mas apenas um movimento rápido de Thranduil com a espada fez o orc cair diante deles, tudo isso sem deixar de olhar para a ruiva.
– Eu não estava tentando me matar, se não notou, estamos numa guerra. – No mesmo momento ela desembainhou uma adaga que estava na cintura do rei, para lançá-la na cabeça de um orc que estava atrás dela, o movimento fez com que sua ferida incomodasse e perder um pouco do equilíbrio, Thranduil a segurou, fazendo-a apoiar-se do seu corpo, o elfo passou a mão na lateral do corpo dela, e sentiu-a estremecer em seus braços, quando passou a mão pelo tecido quente e húmido, olhou para sua própria mão, sangue. No mesmo instante Tauriel desvencilhou-se dele. – Eu estou bem, não preciso de sua ajuda. – A ruiva disse com rispidez.
–Não, você não está. – Ele respondeu, impassível. Se um dia ela realmente não sabia o que se passava nos olhos de Thranduil, esse dia era hoje. – Vamos sair daqui, você precisa ser tratada. – Ele já estava puxando-a por uma mão, tentando leva-la para longe da multidão, atrás da linha de frente dos elfos.
Me solte! – Ela gritou, puxando sua mão para si mesma. – Eu não vou a lugar nenhum e nem você. Não pode abandonar nosso próprio povo a sua própria sorte. – Ela falou seriamente. – Olhe ao seu redor. – Era verdade, se os elfos ainda permaneciam em pé lutando, era em nome do seu rei. – Não pode deixa-los.
– Não posso deixar que se machuque, não mais. – Thranduil sussurrou mais para ele mesmo do que para a ruiva.
– Eu não irei, sei me cuidar.
– Vá para o norte da cidade, está quase que totalmente fazia de orcs, estará mais segura lá. – Ele falou rapidamente, e se apressou quando percebeu que a elfa iria contestá-lo. — Não, você não irá mais lutar, com o veneno em seu sangue, ficará mais vulnerável e fraca, será um alvo fácil. Apenas faça o que eu estou mandando, certo? – Tauriel assentiu a contra gosto. – Ótimo.
– Me de uma arma pelo menos. – A elfa falou irritada, e ficou ainda mais com o olhar desconfiado que Thranduil lhe dera. – Ou quer que algum orc me pegue desprevenida? – Ao mesmo tempo em que ela falava a ruiva tentava alcançar a outra adaga que se encontrava do outro lado da cintura do rei, ação que não obtivera sucesso. – Eu estou falando sério Thranduil, se caso... – Ele não deixou que ela terminasse de falar e a interrompeu.
– Eu sei, porém, leve esta. – O rei ofereceu sua própria espada para a ruiva, que a pegou com relutância, para qualquer um poderia parecer um gesto sem importância, mas para um elfo, e ainda mais um rei, entregar sua própria espada para outro, era algo de grande importância e com tamanho significado. Ele inclinou-se sobre ela, deixando seus rostos muito próximos, Tauriel pode jurar que viu um misto de indecisão e receio em sua face, ela não ousou mexer nenhum músculo. – Por favor, proteja-se. – Ele limitou-se a apenas dizer isso, enquanto voltou-se para longe dela. – Vá, agora. – A elfa deu meia volta, e olhou uma última vez para ele, antes de desaparecer em meio à ruinas da cidade. O rei ficou parado alguns segundos, até que se recompôs e voltou-se para a batalha, entretanto nenhum dos dois percebera quando um par de olhos curiosos os observava a distância, intrigados e maliciosos.
Tauriel chegou à parte superior da cidade, havia muitos homens, mulheres e crianças por lá, realmente parecia que estava quase que por completo livre de orcs. Mais a frente viu o mago e o pequenino que tinha visto na noite anterior, saindo da cabana de reuniões de Thranduil, Lexi estava junto com eles, pareciam estar olhando para as montanhas ao norte. Quando chegou perto dos três, Lexi foi a primeira a virar-se e ir até ela com um sorriso.
– Tauriel! – A loira se postou no lado dela. – Estávamos preocupados. – Tauriel entendeu que o plural naquela frase se referia também ao rei élfico. A ruiva não sentia mais nenhum ressentimento por Lexi, a loira sempre tentara ser muito simpática a calorosa com ela, Tauriel decidiu-se trata-la da mesma forma.
– Não se preocupe, estou bem. – Pela primeira vez a ruiva sorriu para Lexi, um sorriso pequeno e singelo, mas ainda sim verdadeiro. A conversa das duas fora interrompida por um galope alto que ecoava na rua de pedra na cidade, como naquele nível havia uma cobertura, a neve não chegara a cair por ali. Todos os quatro olharam para trás, um cavalo branco surgiu na entrada na área em que eles se encontravam, montado nele estava o príncipe élfico, Tauriel sentiu seu coração encher-se de alegria.
– Gandalf! – Ele gritou e imediatamente desceu do cavalo.
– Legolas! – Gandalf foi até o encontro do jovem elfo.
– Há outro exército. – Legolas falou de imediato.
– O que? – Perguntou o mago surpreso.
– Uma tropa de orcs de Gundabad, estão quase sobre nós. – Ele falou olhando a principio para Tauriel e depois voltando sua atenção para Gandalf.
– Gundabad? – Gandalf perguntou confuso, o príncipe apenas afirmou com a cabeça. – Este era o plano dele desde o começo. – Ele falou mais para si mesmo do que para os outros em sua volta. – Azog enfrenta nossas forças, e Bolg aparece pelo Norte.
– Norte? Onde fica o Norte, exatamente? – Perguntou o pequeno, voltando à atenção de todos para ele.
– Revenhill. – Respondeu o mago simplesmente. Olhando novamente para a montanha.
– Revenhill? Mas Thorin está lá. E Fili e Kili, todos estão lá – No momento em que o pequeno mencionou o nome de Kili, Tauriel imediatamente mudou sua atenção para a montanha, sentiu um olhar sobre si, era Legolas, ele parece ter pensado o mesmo que ela.
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Thranduil andava pela cidade, cansado, não apenas fisicamente como também mentalmente, tudo que via em sua frente eram corpos e mais corpos de elfos, amigos, companheiros, seu povo. Foram massacrados, tudo em vão, em nome da raça maldita dos anões, e mesmo não querendo admitir, em nome de sua própria ganancia e egoísmo, tudo que queria agora era sair de uma vez por todas daquela batalha, juntar os seus feridos e mortos e os que ainda restavam em pé, e marchar de volta à floresta. Precisava achar Lexi e Tauriel para iso. Howard chegara ao seu alcance, o jovem tinha comandado bem a sua própria companhia, mesmo sendo a primeira vez que este os liderava em batalha, seria justo dar-lhe uma promoção assim que tudo se acalmasse.
– Chame sua companhia. – O rei ordenou, sem olhar para o outro elfo. Um forte som de trompa surgiu, ecoando pela cidade agora silenciosa. Uma movimentação a sua esquerda chamou sua atenção, era Gandalf quem acabara de chegar.
– Meu Senhor, mande suas forças para Ravenhill! Os anões estão para serem atacados. – Ele falou calmamente, enquanto Thranduil o encarava seriamente. – Thorin precisa saber.
– Então vá avisar. – O rei disse simplesmente. – Já derramei muito sangue élfico defendendo esta terra maldita. – Ele dizia enquanto dava as costas para o mago. – Chega. – Ouviu Gandalf o chamar, mas não virou-se para responde-lo, estava cansado de ser bom demais para todos, talvez se tivesse matado todo os anões enquanto ainda estavam em suas masmorras, nada disso teria acontecido.
No caminho para a saída da cidade, Thranduil matou um ou dois orcs que ainda restavam na cidade, e logo no fim, perto do saída, lá estava ela, parada, barrando o seu caminho. Julgando pela mancha relativamente maior em seu vestido, ela deveria estar perdendo uma quantidade significativa de sangue. Porém não passou pela cabeça do elfo ajuda-la naquele momento, sabia muito bem o motivo dela estar ali agora.
– Ú-vennathog athar! [Não avance mais] – Ela disse com firmeza para ele. – Você não irá embora. – Thranduil sentiu a raiva e decepção crescerem em seu peito. – Não desta vez.
– Saia do meu caminho. – Desprezo era o único sentimento contido em sua voz.
– Os anões serão massacrados. – Ela disse com seriedade, porém seus olhos estavam começando a lacrimejar. Mas nem por isso o rei deixou-se abalar.
– Sim, eles morrerão. – O elfo não conteve sua satisfação em dizer tais palavras, o que apenas afetou Tauriel mais ainda. – Hoje, amanhã, em um ano. – Ele dizia firmemente ao mesmo tempo em que caminhava até ela. Ficando frente a frente. – Talvez até em cem anos. Não importa, eles não mortais. – Ele queria mais afetá-la do que realmente desprezar os anões, fazê-la lembrar de seu romance com o anão nunca aconteceria, por um simples motivo, ele morreria antes mesmo dela chegar nem há metade de sua vida imortal e Tauriel sabia disso. A face na ruiva fechou-se, raiva e ódio eram evidentes em seus olhos verdes. Rapidamente ela sacou o arco, apontando uma flecha a centímetros do rosto de Thranduil, ele não afastou-se, e fez um sinal para que os guardas que estavam atrás dele não atirassem nela.
– Você acha que sua vida vale mais do que a deles. Quando não há amor nela. – Aquelas palavras atingiram Thranduil em cheio, mais do que ele gostaria de admitir para si mesmo. Tauriel tinha a voz firme e decidida, até mesmo um pouco ressentida. – Não há amor em você. – A ruiva falava cada palavra pausadamente e friamente, para que ele pudesse absorver tudo de forma lenta e dolorosa. Thranduil a encarava, com a mesma frieza que ela fazia, a raiva crescendo em seu peito, transformou-se em magoa, naquele instante seu coração congelou, era como se não sentisse mais nada por ela. Não passaram nem três segundos encarando um ao outro, o rei sacou sua espada e quebrou o arco da elfa ao meio, ela surpreendeu-se com o ataque e não teve tempo de reagir, agora a espada do rei estava a centímetros na garganta dela, pronta para perfurar a sua pela macia.
– O que você sabe sobre amor? Nada! O que você sente por aquele anão não é real. – Os olhos marejados da elfa que há instantes estavam sobre a ponta da lâmina da espada, agora voltaram-se para o elfo. – Acha que é amor? Está pronta para morrer por ele? – Thranduil não pensava mais em nada, talvez ele a amasse, talvez o que faria naquele momento seria o maior arrependimento de sua existência, mas não importava, não mais. A única coisa que o impediu foi uma outra espada abaixou a sua, era de Legolas, o rei pode ouvir Tauriel respirar aliviada enquanto olhava para o filho.
– Cí hen naethathog, oru degithon. [Se você a ferir, terá que me matar.] – Legolas disse seriamente a ele. O príncipe voltou-se para Tauriel. –Eu vou com você. – Thranduil olhou para a ruiva, assim como ela para ele, ele entendera o que tinha acabado de fazer, cometera um grande erro. Com um último olhar dela, Tauriel e Legolas seguiram para a saída, em direção à montanha do Norte.
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Tauriel e Legolas haviam chegado às ruinas da velha fortaleza de Ravenhill, a neblina muito densa e o som alto do vento dificultavam a visão dos dois elfos, mais a frente um grande número de morcegos de Gundabad surgiram em meio ao nevoeiro, indo diretamente para a batalha que os anões ainda travavam em Erebor. Sem avisar a ruiva, Legolas não perdeu a oportunidade e se pendurou em um dos morcegos, de fato uma das maneiras mais rápidas de chegar até aos andares mais elevados das ruinas. Tauriel o acompanhou com o olhar, porém algo predeu a sua atenção, ou melhor, alguém. Kili estava muito distante, quase do topo do antigo castelo, lutando com dois orcs ao mesmo tempo.
– Kili. – Ela sussurrou, estava apreensiva por ele. A elfa não tinha mais tempo a perder, foi correndo até o alcance do anão, entrou na primeira entrada que encontrou pelo caminho, surpreendendo um orc que estava no mesmo corredor que ela, a ruiva desviou de seu ataque, passando por baixo da lamina da criatura e o golpeando pelas costas, fez o mesmo com os outro quatro ou cinco orcs que encontrou pelo caminho, um deles conseguiu fazer um pequeno corte em seu braço e com esse ela fez questão de esquarteja-lo. Do lado de fora da s ruinas, mais precisamente na torre principal Legolas estava em prontidão, procurando Tauriel e qualquer aliado que fosse para proteger, mesmo sendo anões. Quando o príncipe percebeu que Thorin acabara de aparecer no grande chão de gelo, com vários orcs ao seu redor, o elfo não hesitou em começar a matar nada orc que chegava perto do rei anão, cada tiro, um mais certeiro que o outro, na cabeça. Tauriel já tinha limpado todo o andar de baixo e nem sinal de Kili. – Kili! – Seu gritou ecoou pela montanha, nada. – Kili! – Ela esperou um pouco mais e então acalmou-se um pouco mais quando seu chamado fora respondido, Kili gritara o nome da elfa, e pelo som, ele não estava tão distante dela assim, sem avisar a elfa recebeu um chute doloroso demais nas costelas, batendo com força na pedra fria a sua frente, o que fez seu corpo inteiro latejar, se recompôs o mais rápido que seu corpo deixava, com a espada em punhos começou a lutar com o orc, era um dos comandantes, o mesmo que estava na Cidade do Lago quando Smaug acordou. Um grito reprimido teimou em sair de sua garganta quando o orc torceu seu braço com violência, outro soco dele a fez cair no chão, seus sentidos começavam a falhar, a figura do grande orc caminhando em sua direção, com um sorriso perverso nos lábios, parecia que estava se apagando, quando ele chegou perto da elfa a levantou, enforcando-a, o que mais incomodava Tauriel não era a falta de ar e sim a expressão de satisfação e vitória do orc, com um chute no abdome do orc a ruiva conseguira se soltar do seu aperto, mas fora em vão, pois a criatura a pegara pelo braço e com impulso a jogara contra a parede de pedra, a elfa bateu a cabeça com força, sentiu algo escorrendo pela testa. Iria morrer ali, não tinha mais escapatórias, eis então que uma figura atrás do orc aparece, pulando em suas costas, era Kili afinal, o jovem anão e o orc começam a lutar em frente a uma Tauriel um pouco norteada no chão, quando ela percebe que Kili está prestes a perder, a elfa junta toda sua força para impedir o orc, mas não consegue, o orc a joga no chão novamente, quase caindo na beirada do precipício, mesmo ela tentando levantar-se mais uma vez, era tarde demais. O grito ficou preso em sua garganta, sentiu que o ar fora levado dela quando Kili olhara para ela pela última vez, lágrimas caíram dos olhos dele no momento em que o orc tirou a grossa lança do seu corpo falecido, ela não quis mais olhar, não quis mais sentir. Tudo que tinha era raiva, num último esforço ela levantara, se jogando para cima do orc e forçou se peso para o penhasco, fazendo com que ambos caíssem dele.
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Algum tempo havia se passado após a saída de Tauriel e Legolas, a guerra estava ganha para o lado deles, homens, elfos e anões, a chegada das águias fora essencial para a derrota do segundo exército vindo do Norte. Todo o exército de elfos que ainda restara estavam descansando e recebendo cuidados, assim como os homens e mulheres na Cidade de Valle, Bard tinha feito questão de que eles fossem tratados antes de voltarem para a floresta, Thranduil pode ver de longe Lexi e Bard conversando, por sorte ela não se saíra ferida, nada mais que cortes superficiais, o rei não iria se perdoar se ela também saísse machucada. Não conseguira poupar Tauriel, o que para ele fora o pior ponto da batalha. Sentia raiva de si mesmo, chegara muito perto de mata-la naquele momento, realmente muito perto, ele temia que ela nunca mais fosse confiar nele, um riso rouco e sem vida saiu de sua boca, não era como se a confiasse dela fosse tudo que ele perdera naquele dia, não poderia mais nem sequer pensar que ela ainda tentaria ter algum tipo de relação com o rei, muito pelo contrário, certamente quando eles voltassem e se ela voltasse junto a ele ao castelo, tudo seria diferente, assim como Thranduil, Tauriel também não poderia apagar o que aconteceu, mesmo que ambos afirmassem isso com toda a convicção possível, há algumas coisas nesse Mundo que nem uma eternidade pode apagar ou mudar. O elfo sentia-se mal, sua cabeça parecia que iria explodir com todos os pensamentos que ferviam em sua mente, Tauriel estava em todos eles. Estava magoado com ela, como ela poderia dizer que não havia amor dentro dele? Se todas as suas ações para com ela diziam o contrário? Todo o cuidado que ele tinha, a necessidade de protegê-la, de estar com ela, de querê-la para si, será que ela não percebia? Não era apenas desejo e uma necessidade doentia de posse, era mais do que isso, mesmo que Thranduil não dissesse em voz alta e clara, o sentimento ainda estava ali. E ela afirmar que não havia nada, que tudo que eles passaram juntos, desde que ele a resgatara quando bebe, até sua vida adulta, não passava de um simples nada, fez com que o rei despertasse o seu pior, e seu pior foi demais, ultrapassara qualquer limite do bom senso. Mas ela poderia culpa-lo? Depois de terem passado a noite juntos, ela ainda foi atrás do anão, e Thranduil estava cansando disso, sempre que pareciam estar bem juntos ela ainda assim não esquecia o mais jovem dos anões, ele sempre estava ali, como um sombra no meio dos dois elfos. É claro que o rei élfico também não era um santo e muito menos a vitima da história, tudo que ele já tinha feito ela passar, toda sua possessão e seu ciúmes, chegaram ao limite quando ele consciente havia tirado a pureza da elfa de uma maneira tão obscura e violenta, que o rei tentava afastar esse pensamento toda vez que este surgia em sua mente. Encostado na parede fria, observando de longe as pessoas e os elfos comemorando a vitória juntos, viu até mesmo um ou dois anões no meio da multidão, olhando para baixo, para seu anel, fez com que ele desencostasse da parede e se endireitasse, a pedra era de um preto não escuro que ele se assustou e preocupou-se, talvez ela ainda pudesse estar em perigo, não pensou duas vezes, e saiu da cidade, sem nenhum tipo de escolta, e sem alertar ninguém.
Havia muitos corpos entre as ruínas de Revenhill, todos de orcs, era um bom sinal ao menos. O rei olhava para todos os lados a procura de algum sinal de Tauriel ou Legolas, até que este surgiu, passando por uma entrada entre as ruinas, ele parecia tenso.
– Que bom que esta aqui, eu não consigo vê-la nesse estado. – Legolas falou com um suspiro pesado. – Ela precisa de você. – Dizendo isso ele seguiu pelo caminho que Thranduil tinha acabado de chegar, o rei ficou sem entender as palavras do filho, até que quando passou pela mesma entrada que o príncipe havia surgido, foi que ele entendera. Tauriel estava sentada ao lado do corpo do anão pelo qual vivia se importando, segurando uma das mãos dele, seu rosto estava encharcado de lagrimas e sangue, o rei não teve satisfação nenhuma em finalmente ver o seu rival morto, talvez ele até o preferisse vivo, assim não teria que ver a ruiva no estado que se encontrava, talvez assim ele não saberia que ela nunca, nem por um segundo pertencera a ele e talvez assim ele não precisaria presenciar a cena da viúva sofrendo por seu amado. Tauriel não olhou para Thranduil quando este chegara, mas sabia de sua presença ali.
– Eles querem enterrá-lo. – Ela disse simplesmente.
– Sim. – O elfo tentou fazer com que sua voz não saísse tão dura, ela não precisava mais de mais sofrimento do que já tinha.
– Se isso é amor, eu não o quero. – A ruiva olhou para ele pela primeira vez, ele caminhou lentamente até ela. – Tire isto de mim, por favor. – Mais lágrimas começaram a cair de seus olhos, toda a magoa que sentira dela desaparecem naquele momento, vê-la chorar, vê-la triste, tudo que ele queria fazer era reconforta-la em seus braços, mesmo ela estando triste por causa do anão morto em seu lado. – Por que dói tanto? – Ela perguntou em meio às lágrimas.
– Porque era real. – Fora difícil para ele dizer tal coisa, e tanto Tauriel como o rei entendiam o tamanho do significado, para ele ter que admitir isso a quem ele amava, com certeza haveria um significado maior. Tauriel olhou para ele, com um misto de confusão e gratidão pelo que ele acabara de dizer, olhou para o jovem moreno uma última vez e inclinou-se para dar-lhe um último beijo, o rei virou o rosto para não ver a cena. Quando voltou a olhá-la ela estava colocando um tipo de pedra entre as mãos do anão, então algo o alertou, a mancha de sangue antes menor nas vestes dela, agora cobriam toda a lateral do corpo, o elfo chegou mais perto dela para ver melhor, ao lado, no chão, uma pequena poça de sangue começava a surgir. – Você precisa de cuidados, agora. – Thranduil falou com urgência, se agachando ao lado dela e segurando-a. Rasgou um pedaço da própria capa e com o pano fez pressão no ferimento da elfa, ela não protestou, estranho, quando o elfo olhou para o rosto de Tauriel ela já estava desacordada, deitou a cabeça dela em seu braço direito, e deu leve tapinhas na bochecha dela, afim da ruiva reagir, deu certo. A elfa abriu os olhos devagar e respirou profundamente, seus olhos se encontraram. – Não me assuste mais desse jeito. – Ele sussurrou para ela.
– Por que esta aqui? – Sua voz era fraca e seus olhos começaram a se fechar lentamente mais uma vez.
– Porque eu faria tudo por você, até mesmo se tivesse que vê-la com outro alguém. – Não sabia se ela tinha ouvido sua resposta, pois logo após a elfa já se encontrava desacordada novamente, levantou-a em seus braços e num passo apressado rumou até a Cidade de Valle.
Já estava perto do anoitecer, Tauriel estava sendo tratada por um dos elfos curandeiros. Thranduil ficou velando o sono tranquilo da dela por algum tempo, até que decidiu dar-lhe um pouco de privacidade e saiu da tenda, queria ficar um pouco sozinho, mesmo ali não tendo muito espaço para isso. Mais afastado dos outros, mas não o bastante para ficar longe da tenda da ruiva, ele estava parado, observando a noite, as estrelas, como já não fazia a um bom tempo.
– Como ela esta? – Perguntou uma voz vinda de suas costas.
– Bem, ela irá sobreviver. – Ele respondeu sem se prolongar.
– Isso é bom, fico feliz que todos estejam bem. – Ela se postou ao seu lado, observando as estrelas junto a ele.
– Eu não estou bem Lexi...- O rei disse um sussurro, depois de alguns segundos em silêncio.
– Bem, que eu digo é no caso vivo, entende? – Ela tentou brincar com ele, mas sem sucesso. – Você não a perdeu sabe, ela ainda esta viva e com você.
– Eu não posso perdê-la Lexi. – Thranduil olhou para a loira em seu lado. – Porque eu realmente nunca a tive.
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