Thranduil estava na ala oeste de seu castelo, que dava para a sala das estrelas, a sala não era coberta e dava para ter uma bela vista das estrelas e da lua, todas as noites. Era o lugar preferido de Thranduil em seu castelo, sempre ia ali para poder pensar quando tinha problemas demais em sua mente. E dessa vez o problema maior tinha nome, Tauriel. Por algum motivo sentia-se tão mal em tê-la machucado, nunca tinha sentido-se assim com nenhum de seus outros súditos antes, mesmo muitas vezes tendo feito coisa pior com eles do que apenas um tapa. Thranduil era arrogante e não admitia qualquer tipo de comportamento dos Elfos perante ele que não fosse de seu agrado, tudo em seu reino tinha que ser como ele queria e Tauriel ia contra todas suas expectativas, era teimosa, corajosa, até demais para seu gosto e muito atrevida. Desde de pequena ela não gostava de seguir ordens, sempre ficava brava ou fazia birra, Thranduil deu um riso quando lembrou de uma vez que a pequena Elfa queria pegar seu arco e ir praticar, ela correu por todo o castelo até os guardas a pegarem, naquele dia o Rei Élfico deu uma bela bronca na pequena, ficou sem falar com ele por uma semana até que Legolas a convenceu de vir pedir a ele para que a ensinasse a atirar com o arco assim como Thranduil estava ensinando Legolas, e ela só tinha 4 anos. Agora que crescera e tornou-se adulta Tauriel estava muito pior, e o Rei Élfico tinha que resolver esse problema antes de algo pior acontecesse, temia que Tauriel fosse embora do castelo. Por mais que não quisesse admitir ele se importava com Tauriel, talvez todos os anos de convívio e tê-la conhecido desde que pequena fizera com que o Elfo tenha criado um tipo de afeição pela ruiva, queria protege-la apesar dela ser difícil com ele e por mais que proibisse seu romance com Legolas ou com o anão, também queria a sua felicidade. Agora o Rei estava em com conflito interno, queria ir até Tauriel e pedir desculpas pelo tapa e por tê-la humilhado, mas por outro lado seu orgulho era maior, nunca fora um Rei muito tolerante e todos sabiam disso, inclusive Tauriel e mesmo assim ela passou com limites com ele. "Mas você também passou."uma voz teimava em aparecer em sua mente o lembrando disso, ele havia decidido, iria procurar Tauriel, iria pedir desculpas pelo tapa, e tentar fazê-la entender que a proibição que ele tinha imposto à ela era para seu próprio bem. Thranduil saiu da sala das estrelas e foi até a ala leste, onde ficava o quarto de Tauriel, subiu algumas escadas e chegou em frente a porta de mogno, bateu e esperou.


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Tauriel já estava chegando até a área onde ficavam as celas, entrou em silêncio, para sua sorte ouvia o ronco alto dos anões adormecidos. Ela foi olhando cela por cela, apesar de estar ali para ver Kili ainda era chefe da Guarda e tinha um dever a cumprir. Chegando perto da cela de Kili este estava acordado ainda e jogava para cima uma pedra pelo que parecia, e pegava novamente, fazia isso repetidas vezes, mas parou quando a ruiva chegou em frente à sua cela e olhou-a de canto de olho.


–A pedra na sua mão, o que é? Perguntou a Elfa com curiosidade.


–É um talismã.-Ele respondeu achando um pouco de graça. Tauriel se surpreendeu um pouco com a resposta, o que um anão fazia com uma talismã?-Tem um feitiço poderoso, se alguém que não seja um anão ler as runas nessa pedra, será amaldiçoado para sempre!-Kili mostrou a pedra para a Elfa rapidamente esticando o braço o basteante para que Tauriel pudesse ler as runas. Os dois se encaram por alguns segundos e ele levou a mão para baixo novamente, a Elfa acreditando nas palavras do anão logo quis sair de perto de sua cela e voltar para seu quarto, tinha sido uma ideia idiota ir até ali na verdade.-Ou não.-Disse o anão rapidamente com um sorriso maroto nos lábios, fazendo Tauriel parar e encará-lo.-Depende de quanto acredita nessa coisa, é só uma lembrança.-Killi mostrou a pedra novamente. Dessa vez Tauriel também sorriu para ele.-É uma runa, minha mãe me deu para que me lembrasse da minha promessa.-Aquilo despertou a curiosidade da Elfa outra vez.


–Que promessa?


–De que eu voltaria para ela.-Respondeu Killi simplesmente. Tauriel tinha gostado daquilo, queria ficar mais com Kili, descobrir mais sobre ele.-Ela se preocupa, acha que sou inconsequente.-Dessa vez Kili deu um sorriso mais galanteador para Tauriel, ela retribuiu.


–E você é?


–Não.-Falou o anão com o mesmo sorriso, e jogou a runa um pouco mais alto do que pretendia, fazendo esta sair para fora da cela, a runa iria cair alguns andares a baixo de onde estavam, mas Tauriel foi mais ágil e conseguiu pega-la de súbito. A Elfa pegou a runa do chão e começou a analisa-la. Quando o anão agora bem perto das grades se pronunciou.


–Parece que estão dando uma festa lá em cima.-Disse ele a julgar pelo barulho que ecoava em todo o castelo.


– É o Mereth-en-Gilith, o banquete das estrelas. Todas as luzes são sagradas para os Eldar.-Disse a Elfa afastando-se um pouco da cela ainda com a runa em mãos.-Mas os Elfos da floresta amam a luz das estrelas acima das outras.


–Sempre pensei que fosse uma luz fria.-Disse o anão fazendo com que Tauriel voltasse a ele.-Remota e muito distante.


–Ela é memória.-Contrariou Tauriel.-Preciosa e pura, como sua promessa.-Ela terminou entregando a runa para Kili. Houve um momento de silêncio entre dos dois, quando a Elfa deu as costas para ele e olhou para cima, pensando se realmente era uma boa ideia estar com anão já que deveria estar no banquete com seu povo, mas algo fez crescer um sentimento dentro dela, de contar suas aventuras para kili, ela voltou-se para ele e começou animada.-Eu andei por ai algumas vezes, além das florestas, nas montanhas a noite. Eu vi o Mundo desaparecer e a luz branca e imortal encher o ar.-Tauriel falava num sussurro enquanto revivia o momento em sua memória.


–Eu via uma Lua de fogo uma vez. Ela surgiu atrás da Terra Parda, enorme. Vermelha e dourada, encheu todo o céu. Estávamos escoltando alguns mercadores de Ered Luin.-Tauriel agora sentava no pé da escada que estava ao lado da cela de Kili para ouvir melhor sua história.-Eles trocavam prataria por peles. Pegamos o Caminho Verde para o Sul, deixando a montanha à nossa esquerda. E ai ela apareceu, uma Lua de fogo gigante, indicando a direção. Um dia eu gostaria de lhe mostrar as cavernas que vimos por lá, cheia de pedras preciosas e trolls...mas é claro, uma dama como você iria querer pisar numa caverna fedida de trolls das montanhas. Iria sujar seu vestido.-Kili agora tinha um sorriso travesso no rosto enquanto olhava Tauriel e sua indignação.


–Acho isso muito engraçado vindo de você, já esqueceu-se de quem era a dama indefesa hoje na floresta?-Tauriel o provocou, tirando o sorriso do rosto de Kili.


–Eu não precisava de sua ajuda, estava tudo sob controle e se tivesse me dado uma faca como eu pedi poderia ter acabado com todas aquelas pragas.-Sua voz saia confiante.


–Nunca daria uma arma a você anão, vocês não são confiáveis.-Disse Tauriel com um sorriso querendo-o provocar mais um pouco.


–Então por que está aqui?-Perguntou o anão sério, o sorriso nos lábios da Elfa diminuí.


–Eu não sei.-Ela mentiu, e preparou-se para levantar e sair dali.


–Está encantadora nesse vestido Tauriel.-A Elfa parou quando ouviu seu nome, não lembrava-se de ter se apresentado para ele.-Quando a vi na floresta não pensei que fosse esse tipo de Elfa, sabe, como seu rei meio hã..."extravagante"-Disse Kili medindo bem as duas palavras. Tauriel deu risada imaginando o que Thranduil faria com o anão se soubesse que este insinuou que ele tinha um comportamento deverás "extravagante", usando as palavras de Kili, mas ela não poderia repreender o anão, se Thranduil não tivesse Legolas como filho, até ela desconfiaria.-E aproposito sou Kili.

–Eu sei.-O anão ficou com a expressão confusa.-Ouvi quando o anão loiro o chamou assim hoje na floresta.-Explicou Tauriel indicando a cela ao lado onde se encontrava o outro anão.-E eu não sou esse tipo de Elfa, não ligo para esse tipo de coisa como meu rei, mas eu tive que ir vê-lo e bem, é uma longa história.-Disse a Elfa com a voz cansada lembrando-se da conversa de que teve algumas horas atrás.

–Bem, eu não tenho nenhum compromisso em mente agora sabe.-Kili disse querendo-a incentivar a continuar.

Tauriel contou toda a história do vestido e de tua total falta de sorte que teve naquele dia, e arrancou umas boas risadas de Kili quando falou que teve que andar até o outro lado do castelo com todos os Elfos parando para olhá-la, mas parou a história quando chegou na parte que estava conversando com Thranduil, deixando Kili curioso.


–E o que ele queria com você, posso saber?-Kili disse aproximando-se mais das grades.


–Digamos que ele estava me dando um sermão de como eu não deveria me envolver com o filho dele.-Tauriel disse revirando os olhos.


–Ah então tal pai tal filho.


–Como assim?-Perguntou a ruiva confusa.


–O Elfo loiro metido, veio aqui mais cedo falando que eu não poderia falar com você ou me aproximar...-O anão a olhava de forma diferente agora.


–Legolas?-Tauriel surpreendeu-se não achou que o amigo se daria ao trabalho de falar com kili sobre ela.-Bem, mas cá estamos nos dois, quebrando regras.-A Elfa deu uma piscadela para o anão, ele deu um sorriso cúmplice como resposta que logo transformou-se em um olhar confuso.


–O que é isso em seu rosto?-Kili perguntou tentando tocar o rosto de Tauriel através das grades, ela se afastou e deu as costas para ele escondendo o rosto.


–Nada.-Disse apressadamente.


–Isso não parece nada.-Ele insistiu.-o que aconteceu?


–Bem...na verdade o rei também me impediu de vê-lo Killi, e eu não sou do tipo de gosto de ser controlada e o rei não é do tipo que gosta de ser desacatado.-A ruiva disse com sorriso triste.


–Ele...te bateu Tauriel?-Kili perguntou perplexo.-Quem esse cretino pensa que é?!Seu eu colocar minhas mãos nele eu vou...


–Você não vai fazer nada Kili, ele é o rei, nem eu ou você podemos fazer nada a respeito.-Ela o cortou.


–Você pode, pode fugir daqui, ir embora e nunca mais voltar, ele é louco Tauriel.-Falou o anão exasperado.-Ou também...pode ir fugir comigo, eu nunca a machucaria.-Continuou ele mais calmo do que antes, e fez e Elfa que estava para o chão encará-lo com surpresa.


–Eu preciso ir.-Tauriel já levantava-se e subia as escadas apressadas.


–Espere! Não vá!-Kili gritou mas Tauriel já estava longe e o deixou para trás.


A Elfa agora já perto de seu quarto pensava em como aquela conversa com Kili a abalara, gostou da conversa é claro, sentiu-se confortável com ele e pela primeira vez naquele dia estava em paz e feliz mas então Thranduil entrou em sua conversa e tudo desabou. Ela sabia que o anão tinha razão, o rei era louco e controlador, queria controlar sua vida, mandar em tudo que ela fazia e até mesmo em seu coração. Mas chegar ao ponto de fugir dele? Fugir de toda sua vida ali, da floresta que ela passara tantos anos protegendo, fugir de Legolas também é claro, porque ele nunca aceitaria fugir com ela, ainda mais se ela fosse com Kili. Sabia que seu amigo mais antigo a odiaria para sempre, porém ela poderia seguir seu coração, ser livre de tudo e de todos, ela não queria pertencer a ninguém, queria conhecer o Mundo e talvez Kili pudesse proporcionar isso à ela. Mas Tauriel seria tão egoísta a ponto de dar as costas para quem a acolheu o cuidou dela a vida inteira? A ruiva foi tirada deu seus pensamentos quando uma mão agarrou seu braço fazendo-a parar no meio do caminho, era Legolas.


–Eu vi você com o anão.-Disse Legolas sério.


Você estava me espionando?-Ela perguntou indignada e um pouco tensa, imaginando se Legolas teria ouvido toda a conversa, até o final.


–Eu não fiquei para escutar o que você e que seu amigo conversavam, se é o que quer saber.-Legolas a olhou acusador.-Mas estava fazendo um ronda para ver se estava tudo em ordem com os prisioneiros. Achei que meu pai tinha a alertado Tauriel, você não deve envolver-se com esse anão.-Legolas quase cuspiu a última palavra. A Elfa estava cansada de falarem o que ela deveria ou não fazer, num movimento ríspido ela soltou-se do aperto de Legolas.


–Sim, graças a você ele me "alertou" sim.- Disse ela ironicamente.-Mas o que você não sabe mellon, é que ele me alertou sobre você também, disse que nunca permitiria que seu filho o príncipe se envolvesse com uma simples Elfa da floresta como eu e você foi ingenuo demais reclamando de Kili quando na verdade cavou sua própria cova. Se me der licença meu príncipe irei para meu quarto agora.-Tauriel saiu sem olhar para trás ou dar mais explicações a Legolas que ficou parado alguns minutos digerindo tudo sobre aquela conversa.


POV Thranduil


Esperei alguns minutos em frente a porta de Tauriel mas não obtive respostas, bati mais uma vez porém com mais força agora, e nada. Estranho, pensei em entrar mas talvez isso seria intimo demais para meu gosto. Uma Elfa camareira que passava ali me olhou com curiosidade mas logo fez uma grande reverencia abaixou os olhos perante seu rei.


– A Senhora Tauriel não esta em seu quarto meu rei, ela saiu há algum tempo atrás e por sinal muito bem arrumada, creio que ela esteja no banquete.-Disse a Elfa ainda com o olhar baixo.


Sai, sem responde-la. É claro, com tudo que acontecera tinha me esquecido completamente do banquete que estava acontecendo no salão de festas, me dirigi até lá. Procurei Tauriel com os olhos em meio há vários Elfos mas não a encontrei, não estava em seu habitual lugar na mesa ao lado de Legolas, estranho. Quando cheguei para sentar-me todos levantaram mostrando respeito e com um gesto pedi para que relaxassem. Legolas estava ao meu lado, olhando para a comida, parecia perturbado. Talvez ele saiba onde Tauriel esta, afinal ele sempre corre atrás ela em todo lugar que ela vá.

–Estranho Tauriel não estar presente no nosso banquete.-Comentei tentando ter alguma resposta dele. Mas Legolas apenas assentiu sem me olhar. Revirei os olhos impaciente.-Por acaso a viu?-Legolas ainda olhava para o prato em sua frente com uma expressão indecisa e então me voltou-se para mim.


–Achei que tinha falado com ela.-Ele falou com um tom um acusador que me incomodou um pouco.


–Como?


–Tauriel, ainda está falando com o anão, acabei de vê-la na ala das celas conversando com ele...-Ela.Não.Fez.Isso.-...Estava linda, parece que se arrumou para vê-lo.-Disse Legolas com um sorriso triste e voz magoada, voltando a atenção para seu prato.


Será que eu sentiria culpa se enviasse Tauriel de presente para os orcs? Como aquela Elfa idiota ousou desrespeitar novamente, indo atrás daquele anão nojento!


–Compreendo...bem, talvez Tauriel não tenha entendido bem o que eu disse para ela.-Falei com a voz mais calma possível.-Mas, falarei com ela novamente assim que possível.-Dei o sorriso mais falso de toda a minha existência.- Agora meu filho, tenho alguns assuntos a tratar, se me der licença.-Legolas assentiu

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Subi até meus aposentos sem dar muita atenção a quem estava no meu trajeto. Cheguei até meu quarto e fui até a mesa de bebidas, me servi de um pouco de vinho enquanto tentava me acalmar. Não posso acreditar como fui tolo o bastante pensando que ela realmente merecia meu respeito ou minhas desculpas, no momento que eu dou as costas ela vai correndo para os braços daquele anão. Joguei a taça de vinho na parede tamanha era minha raiva de ambos, Tauriel não tinha limites! Pensei em expulsa-la de meu reino, mas provavelmente isso a agradaria muito e até mesmo tentaria libertar aquele anão, do jeito que ela era ousada não duvidava nem um pouco que ela era capaz disso, trair seu próprio povo. A raiva me consumia, poucas vezes qualquer um conseguia me deixar assim, nem mesmo aquele rei anão Thrór quando recusou-me as gemas que eram no meu povo por direito, não Tauriel tinha o poder de deixar-me assim. Mas essa seria a última vez que ela me azia de tolo, não iria tolerar mais nada vindo dela e com certeza ela iria pagar pelo que vez.


FIM POV Thranduil

Tauriel voltou ao seu quarto, despiu-se do vestido e desfez o coque do cabelo, na verdade sentia-se melhor com ele solto. A ruiva deitou na sua cama mas o sono demorou a vir, sua mente borbulhava com tudo que tinha acontecido hoje, geralmente os dias no reino dos Elfos tende a ser tranquilo, mas hoje em especial foi um caos. Sua bochecha não doía mais e repreendeu-se por não ter escondido bem a marca vermelha. Legolas magoou-se com ela pela segunda vez com ela naquele dia, mas Tauriel também não tinha gostado dele ir reclamar com o pai dele, todavia compreendia seu lado, Legolas apenas estava seguindo seu coração, assim como ela quando foi ver Kili, e foi com um sorriso nos lábios que Tauriel adormeceu quando pensava na conversa que teve com o anão.

Notas finais
Thranduil, decida-se o que quer da vida meu filho >.< Espero que tenham gostado, plss comentem seus lindos.