Notas iniciais
Mais um pouco somente para vocês!
Aproveitem...
xoxo, J.

Dias após a bruxa ter sido queimada, era como se nada tivesse acontecido. Todos voltaram as suas rotinas normais, com exceção do grupo de lenhadores que faria daquele reino sua nova casa. Henry, Kit, Donny e Frank estavam em uma taverna. Bebiam e conversavam sobre o vilarejo. Donny tinha ficado decepcionado ao saber que não era permitido a existência de bordéis, a Igreja não permitia. Então se quisesse saciar sua vontade de provar a carne de outra mulher que não fosse a dele, teria que primeiro que se casar com ela.

-Não vejo como sobreviver ao inverno sem uma mulher pra me aquecer, pelo menos não neste reino- murmurou, bebericando a caneca de cerveja.

-Nunca conseguirá uma esposa deste jeito- retrucou Frank- Se pretende viver aqui, saiba que muitas coisas são proibidas-

-Como...?

-Deitar-se com uma mulher antes do casamento, ter filhos bastardos, não orar pelo rei e sua família... Até mesmo olhar para a mulher de outro homem é considerado desrespeitoso- respondeu Frank. Todos ali sabiam que ele era o mais sábio dos lenhadores. Já havia vivido tempo o suficiente nos bosques e em reinos como aquele para poder opinar no que é certo e no é errado- Tudo se resume aos principais pecados e a traição. A punição para um homem que corrompe a mulher de outro é a forca-

-Acredito que deva haver um motivo para o rei ser tão rígido- disse Henry, sentando ao lado de seus companheiros- Provavelmente a rainha deve ter tido alguma recaída memorável-

Alguns homens que estavam sentados no bar viraram suas cabeças para trás, como se olhassem alguém que os tivesse ofendido. Kit se encolheu ao lado de Frank. Ele era o mais jovem e o menos experiente, não queria voltar para casa com o orgulho e algum membro quebrado por aldeiões raivosos.

-Peço desculpas pelo garoto- disse Frank, levantando a caneca de cerveja para os homens, que simplesmente ignoraram o pedido e voltaram a atenção para seus próprios copos.

-Tome cuidado com a língua, Henry- disse Donny por Frank- Ou então, aqueles homens a arrancarão-

*Igreja (Templo)

Dita estava em seus aposentos, trançando os longos cachos cor de fogo, quando ouviu alguém bater na porta.

-Milady?- disse uma das madres, abrindo a porta- Alguém a espera na entrada do templo-

-Avise que já irei receber seja lá quem for...-

-É o princípe, milady- respondeu a madre, se aproximando e terminando o penteado de sua senhoria. Dita olhou para a senhora pelo espelho e logo desviou o olhar- A madre superiora disse que estava na hora de uma visita da realeza, mas todos nós já sabemos do que se trata-

-Por favor, irmã, ajude-me com o vestido- murmurou, se levantando e se despindo. A madre pegou um vestido azul que estava estendido na cama e ajudou a ruiva de olhos azuis se vestir.

Assim que saiu de seu quarto, Dita foi rezar em uma sala reservada para tal ação. Todas as mulheres do templo rezavam antes de sair do mesmo. Depois de alguns segundos, foi interrompida pela porta se abrindo.

-Como ousa deixar o princípe esperando?- perguntou madre superiora, puxando Dita pelo pulso.

-Pode se esperar para uma guerra, mas não se pode esperar por uma simples prece?- retrucou Dita, puxando a mão- Tenho certeza que um príncipe poderá entender que meus deveres são por um bem maior e não devem ser atrapalhados com visitas-

A madre abriu a boca para retrucar, mas logo a fechou e deixou Dita sozinha. Logo que se ajoelhou novamente, foi interrompida pela porta abrindo novamente.

-Quem interrompe minhas preces desta vez?

-Não era minha intenção, milady- disse uma voz masculina e Dita se virou, levantando e fazendo uma breve reverência ao príncipe. Ele se aproximou, pegando sua mão e beijando as costas da mesma- Tem tempo para uma caminhada?-

-É claro, milorde- Dita respondeu e eles saíram do templo.

-Como pode ter privacidade com tantas freiras ao seu redor?- perguntou o príncipe Thomas, enquanto se afastavam cada vez mais do centro da cidade. Dita sorriu educadamente e cruzou as mãos na frente do corpo.

-Simples, ela nunca existiu- respondeu e Thomas riu- Não quero ser rude, mas qual o motivo deste passeio?-

Thomas riu e deu mais alguns passos antes de parar na frente dela.

-O rei acha que devemos nos casar- disse ele e Dita riu de nervoso.

-Bem, milorde, isso não é algo que escuto todo dia, então se por acaso tiver uma reação não muito aceitável, peço que me perdoe- murmurou ela e ficou algum tempo em silêncio, o olhando. Finalmente ao recobrar sua mente, Dita respirou fundo e assentiu para si mesma- A madre superiora já sabe, não é?-

-Creio que meu pai já tenha tudo planejado- respondeu Thomas- "Precisamos manter os elos entre realeza e religião firmes." ele diz todas as vezes que o assunto do casamento surge...-

-Eu não sei se tenho essa opção, mas seria bom para minha mente e pra minha alma, se eu tivesse um tempo para pensar- murmurou Dita e Thomas assentiu. Ao caminhar de volta para a Igreja, Dita se pegou observando um lenhador arrastando a lenha que cortara na floresta para uma pequena cabana. Ele a percebeu também e ficaram se fitando por alguns segundos, até que Thomas a tirou do transe, puxando sua mão levemente. Dita podia sentir os olhos do lenhador a acompanhando, então olhou novamente e ele sorriu, brevemente, fazendo um aceno com a cabeça. Dita sabia que não deveria, mas sorriu de volta.

Notas finais
Então, gostaram?
Por favor, comentem!
Já estou bolando novos capítulos...
Críticas são sempre bem vindas!