The Dealer's Daughter. Once Upon a Time.
20 Capítulo 20.
Notas iniciais
~ Storybrooke, Atualmente.
— Emma... Você achou? — perguntou Gold ao sentar-se em uma cama que havia no quartinho dos fundos da loja.
— Sim, não tem nada dentro. — respondeu chacoalhando um pote de vidro — Caramba. — continuou ao ouvir o barulho de algo dentro do pote, e enfiou a mão, pegando algo invisível.
— É um giz invisível. Use na porta de entrada. Trace uma linha. E o resto de vocês... preparem-se para a batalha. — explicou o Senhor das Trevas.
Todos se entreolharam e deixaram o quartinho, indo para a loja. Apenas MM ficou para trás, mas ninguém realmente ligou.
— Hey Tom, eu acho que tem algumas espadas em algum lugar por aqui. — disse Clear procurando alguma arma.
— Tom? — perguntou Neal se aproximando dos dois.
— Eu, Tom Dobbey, namorado da Clear. — afirmou o jovem erguendo a mão — E você, quem é?
— Neal Cassidy, meio-irmão da Clear. — se apresentou o homem, e os dois trocaram um aperto de mãos.
— Haha, achei! — exclamou Clear visualizando um monte de espadas — Aqui, peguem. — continuou entregando uma para cada um.
Depois disso Baelfire se aproximou de Emma, que "desenhava" uma linha na parte de baixo da porta de entrada.
— Faltou um pedaço. — ironizou o homem.
— Engraçadinho. — respondeu a loira também ironizando.
— Não sabia que você era mágica. — disse Bae escorando em um balcão.
— Nossa! Vai querer me criticar por isso? Não venha me falar de surpresas, Sr. Filho do Rumplestiltskin. — rebateu secamente a mulher.
— Ah...
— O que foi? — questionou erguendo o tom de voz.
— Não queria que Tamara fosse uma surpresa.
— Não me incomoda saber que meu ex-namorado está noivo.
— Noivo?! — perguntou Clear se aproximando — Você está noivo Bae?
— É, pois é, parece que sim. — respondeu o homem, deixando a garota chocada.
— Tudo tranquilo lá fora. — afirmou David se aproximando também, e alternando o olhar entre os três — Está tudo bem?
Neal soltou uma risadinha, Clear disfarçou a cara de surpresa e Emma apenas assentiu, com cara de inocente.
Logo a loira voltou para o quartinho dos fundos, e Clear continuou ali com seu irmão.
— Quem é ela? — perguntou a adolescente.
— "Ela" quem? — perguntou o homem de volta.
— "Ela" sua noiva! Ou vai me dizer que mudou de time...
— Não, é claro que não! Tamara é o nome dela...
— Tamara uhn... Você pretende trazê-la à Storybrooke?
— Não sei, não quero que ela venha para essa loucura toda...
— Hmm, mas eu quero conhecê-la.
De repente Emma voltou.
— Hey, sobre o que estão falando? — perguntou a mulher se aproximando.
— Sobre a noiva dele... Ah, e cadê o Tom? — respondeu e questionou a ruiva.
— Ele estava lá junto com o Gold. — respondeu a xerife.
— Hmm, okay, vou lá atrás dele. — afirmou a garota deixando os dois a sós.
Enquanto isso, Tom e Gold conversavam sozinhos no pequeno cômodo.
— Lembra-se do nosso acordo? — perguntou o homem ao garoto, que automaticamente ficou apreensivo.
— Sim, o que é que tem? — disse o jovem engolindo em seco.
— O que é que tem, que essa é sua deixa. Vá lá e faça a cabeça de sua namorada para ela usar sua magia pelo menos para me curar. Já é um começo. — afirmou Rumple — Ou você prefere que eu acabe com o relacionamentozinho de vocês de uma forma bem drástica?
— N-não, eu vou cumprir com minha parte. Eu juro. — respondeu o rapaz.
— Hey, qual é o assunto? — perguntou Clear entrando no local.
— Nada, ele só estava perguntando se eu estava bem. — mentiu o Senhor das Trevas.
— Ah okay... — a garota foi interrompida por um pequeno "terremoto" na loja.
— São elas. — afirmou David entrando na salinha junto com Emma e Neal — Regina e Cora. Elas estão aqui.
Todos ficaram apreensivos, e foram para a frente da loja e formaram uma linha em posição de ataque, cada um com uma espada.
— Regina, pense bem no que está fazendo. — indagou Emma quando as duas mulheres entraram.
— Não fale comigo. — rebateu a prefeita com sua voz de Rainha Má, enquanto MM saía por uma porta lateral.
Regina criou uma bola de fogo em suas mãos, e a atirou contra as pessoas à sua frente.
— Agora seria uma boa hora para usar sua magia. — sussurrou Tom para Clear, que não respondeu, apenas assistiu David pular na frente a bola de fogo e desviá-la com sua espada, mas Regina o atirou para fora do estabelecimento com magia e fechou a porta.
— David! — exclamou Emma, antes de Cora atirá-la para trás também com magia, e Neal avançar até ela e tentar atingi-la com sua espada, mas a mesma desapareceu numa fumaça roxa, deixando apenas a adaga caída no chão, mas logo reaparecendo novamente no mesmo local.
Regina usou sua magia para paralisar o casal mais novo e foi até Emma e apertou seu pescoço. Em um segundo de distração da mulher, Emma então conseguiu se livrar do aperto em sua garganta e pegou uma estaca de madeira pontuda e apontou para o pescoço de Regina, fazendo a mesma descongelar o casal e deixando Cora com duas opções: ou ela pegava a adaga do chão e sua filha morria nas mãos de Emma ou ela deixava a adaga e sua filha sobreviveria.
— Como vai ser? — perguntou Bae apontando para a adaga no chão.
— Mãe! — exclamou Regina tentando fazê-la escolher sua vida.
— Escolha com sabedoria. — continuou Neal.
A mulher então usou magia para pegar a adaga e Emma empurrou Regina sobre ela, fazendo as duas caírem sobre um balcão.
— Vão para perto do Gold. Eu estou com o giz! — ordenou Emma aos três ali presentes, que correram para a salinha dos fundos.
A loira "desenhou" uma linha no chão da entrada do pequeno cômodo e criou-se uma barreira mágica, enquanto Cora e Regina se levantavam.
— Está ficando fraco. — afirmou Neal observando a barreira, na qual Cora tentava destruir — Ela vai entrar.
— Talvez seja melhor assim. — indagou Gold, e isso partiu o coração de Clear. A ficha dela não tinha caído, mas agora ela percebeu que estava perdendo seu pai, e tecnicamente já não tinha mais sua mãe — Assim esse poder amaldiçoado vai desaparecer deste mundo.
— Não. — disseram Bae e Clear juntos — Você não vai morrer.
— Eu estou morrendo. Tenho certeza.
Clear sentou-se na parte da pequena cama que estava desocupada, e pegou em uma das mãos do homem.
— Preciso falar com a Belle. — afirmou o homem — Emma, por favor? — pediu erguendo sua mão livre para que a mulher lhe entregasse o celular, e assim ela o fez.
— Quem é Belle? — perguntou Neal.
— Minha mãe. — respondeu Clear com a voz triste, estava prestes a chorar.
Gold então discou o número, e Belle atendeu.
— Oi Belle. — disse quando a mulher atendeu.
— Sr. Gold, eu já disse... que não lembro do senhor.
— Eu sei, eu sei... É que... Querida, eu estou morrendo.
— Oh, eu... eu sinto muito.
— Sei que continua confusa e não sabe quem é. Então vou lhe contar. Você é uma heroína... que ajudou o seu povo. Você é uma mulher linda... que amou um homem feio. Você me amou de verdade. Você descobre a bondade nas pessoas. E quando ela não existe... você a cria. Você me fez querer voltar no tempo. Para ser a melhor versão de mim. Isso nunca me aconteceu antes. Então quando se olhar no espelho... e não souber quem você é... você é assim. Obrigado.
A essa altura, Clear praticamente se afogava em suas lágrimas. Estava sem chão, sem rumo. Quando finalmente conseguiu se reunir com seus pais, ali estava ela, perdendo-os novamente. Até quando isso ia acontecer? Até quando ela teria que perder tudo, e quando criasse expectativas de que ficaria bem, tudo desmoronasse novamente? Dizem que vilões não têm finais felizes, então será que ela era uma vilã? Afinal, ela não tinha o coração puro, então será que essa era a consequência? Ou o problema era seu pai?
— Não sabia que você era capaz disso. — indagou Baelfire quebrando um silêncio triste que se formara desde que seu pai desligara o telefone.
— Eu estou cheio de amor. — rebateu o homem — Passei uma vida toda procurando por você... para ter a chance de dizer que amo você. Eu sinto muito.
— Nunca achei que você quebraria o nosso acordo.
— Eu só fiz a escolha errada. — falou com a voz cheia de arrependimento. Soltou a mão da mão de Clear e estendeu na direção dele — Posso?
— Ainda estou bravo. — murmurou como uma criança teimosa, a voz já anunciando o choro.
— Eu sei.
Neal então olhou para a mão de seu pai, e não resistiu. Agarrou-a fortemente com suas duas mãos e encostou o rosto nelas, deixando o choro escapar. Tom, Emma e Clear observavam calados, a mais nova apenas deixando as lágrimas escorrerem.
— Clear. — indagou Tom aproximando-se dela — Você sabe que tudo isso seria resolvido se você usasse sua magia, para curar seu pai... — continuou sob o olhar molhado de sua namorada.
— Você não sabe o que está falando Tom. — retrucou em meio aos soluços.
— Isso não precisa acabar assim... Você tem tudo em suas mãos, tudo resumido em 5 letras: MAGIA.
— EU NÃO VOU USAR MINHA MAGIA! — gritou assustando a todos, e lançando um olhar mortal para o garoto, um olhar obscuro.
No mesmo instante Cora conseguiu quebrar a barreira mágica, e todos se levantaram e se prepararam para o ataque.
— Vocês, saiam da minha frente. — falou a mais velha fazendo os quatro desaparecerem, e reaparecerem no meio da floresta.
Neal, Emma, Tom e Clear ficaram alguns segundos tentando se situarem, até que a ficha caiu.
— Não! — berrou Clear voltando a chorar, e deixando sua espada cair no chão.
O semblante de todos se tornou triste, e Neal também começou a chorar.
— Se você tivesse usado sua magia, nosso pai estaria vivo, e Cora morta! — exclamou Baelfire olhando acusadoramente para sua irmã.
— Você tem magia? — perguntou Emma confusa.
— Mas é claro que eu tenho né! Sou filha do Senhor das Trevas! — retrucou a adolescente aumentando o tom de voz.
— E por que você não a usou?! Seria a solução para os nossos problemas! — rebateu a loira no mesmo tom que a garota.
— Eu tenho meus motivos, que são só da minha conta!
— Não acredito que deixou nosso pai morrer só por causa de seu medinho de magia!
— Você poderia pelo menos usar sua droga de magia só para nos levar de volta mais rápido?!
— EU NÃO VOU USAR MINHA MAGIA E PONTO FINAL! — bradou voltando a possuir aquele olhar maligno, que colocava medo em qualquer um. O castanho-esverdeado de seus olhos se tornou um castanho escuro, com um brilho diferente, um brilho mal, e todos recuaram diante do rosto alterado da garota, se entreolhando assustados.
~ Floresta Encantada, Antes da Maldição.
Já era tarde da noite, e todos da casa estavam dormindo. Clear então decidiu checar o tesouro do capitão, o qual estava uma parte em seu quarto. Enquanto contava as moedas, já fazia planos para tirar todos da casa daquele lugar e levá-los para a tal ilha que Gancho e Cora ficariam. Até que seus pensamentos foram interrompidos por uma voz.
— Clear, será que eu posso dormir aqui com você? É que eu estou com medo... — disse Zack com uma voz manhosa — Da onde veio todo esse ouro? — perguntou aproximando-se da pilha de moedas, joias, etc.
De repente a garota levantou a cabeça para encará-lo, seu olhar maligno invadia seu rosto. Fez todo o ouro desaparecer e levantou-se andando na direção do menino.
— Ah Zack, você não deveria ter entrado aqui... — falou com uma voz que não era a dela, e era tão maligna quanto seu olhar.
— Clear...? — murmurou a criança assustada, afastando-se conforme a jovem se aproximava.
Quando o menino virou-se para a porta, Clear a fechou com magia, e continuou se aproximando do menino.
— Pobrezinho, eu sinto muito, mas as coisas são assim... — indagou agora a pouco centímetros de distância do garotinho — Não se pode estar no lugar errado — continuou arrancando o coraçãozinho do menino, que pulsava claramente na mão da adolescente, sem nenhuma mancha nem nada, um dos corações mais puros que existiam — na hora errada. — finalizou apertando o coraçãozinho até virar pó, e vendo a criança perder a vida ali, na sua frente, por suas próprias mãos. Por um momento deu um sorriso sombrio, e deixou as cinzas caírem no chão, lentamente.
De repente foi como se outra pessoa tomasse o corpo dela, só que desta vez, essa pessoa era ela mesma. No mesmo momento ela percebeu o que acabara de fazer, e que aquilo não tinha volta. Olhou para baixo no corpinho sem vida da criança e deixou a primeira lágrima escorrer por seu rosto, uma lágrima de arrependimento, de culpa. Levou a mão sobre a boca e ajoelhou lentamente diante do corpo da criança, tocando seu pequeno rosto sem vida com a outra mão.
— Não... — murmurou cheia de arrependimento — Não! Não! NÃO! — gritou abraçando o corpo à sua frente e chorando desesperadamente, seus soluços ecoavam na casa.
— Clear, o que está... — disse Maggie adentrando o quarto, e levando a mão à boca ao ver a situação em que se encontravam os dois.
Logo os dois outros homens da casa de aproximaram da mulher e puderam ver a cena também. Carl, o pai dos garotos, ficou sem ação, seus olhos perderam o brilho no mesmo instante. Tom passou a mão em seus cabelos e bufou, os olhos já se enchendo de lágrimas.
— O que aconteceu aqui? — perguntou Carl deixando uma lágrima escorrer em seu rosto.
Clear não sabia o que fazer. Ela não podia contar a verdade, então simplesmente decidiu mentir.
— Ele entrou no meu quarto pedindo para dormir comigo, e quando eu olhei para ele, ele simplesmente começou a passar mal e desmaiou. — respondeu a garota tentando conter o choro.
Maggie se aproximou do dos dois e ajoelhou-se, abraçando o corpo fortemente contra si, e chorando desesperadamente, a dor só aumentava conforme suas lágrimas escorriam.
Clear afastou-se e percebeu o que fizera, e foi quando olhou nos olhos de Carl e Tom que a culpa piorou mais ainda. Ela não havia tirado somente uma vida, mas sim um irmão e um filho, que tinha ainda toda uma vida para viver.
Continua.
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