The Dealer's Daughter. Once Upon a Time.
12 Capítulo 12.
Notas iniciais
~Storybrooke, Atualmente.
– Bom dia — disse Gold ao ver que sua filha acordara — Dormiu bem?
– B-bom dia — respondeu Clear puxando o cobertor para tampar-se. Ainda não estava acostumada com o homem — S-sim. Onde estou? E como vim parar aqui? — questionou olhando o cômodo. Era amplo, e sua mobília era praticamente toda feita de madeira. Havia um grande guarda-roupa de jacarandá que tomava o espaço de quase uma parede toda. Ao lado da enorme cama de casal havia uma porta de vidro com molduras de madeira, que dava em uma sacada com uma vista maravilhosa para o mar; à sua frente, uma mesinha redonda também de jacarandá e um pequeno sofá cor creme. Na parede oposta da sacada, uma penteadeira e uma prateleira que combinavam com o guarda-roupa tampavam o papel de parede de mesma cor do sofá. Era aconchegante e detalhista, diferente de qualquer cômodo na casa dos Dobbey.
– Você está em casa. Adormeceu no hospital ontem e sua mãe pediu que a trouxesse...
– Minha mãe! Onde ela está?! Como ela está?! — interrogou a garota sentando-se rapidamente na cama e descobrindo seu corpo. Notou que estava vestida em uma maravilhosa camisola de seda azul, que contrastava com sua pele extremamente pálida — Eu deveria saber como vim parar nessa roupa?
– Whale pediu que sua mãe passasse a noite no hospital em observação — respondeu calmamente o homem — e sobre sua roupa, magia é a resposta.
– Ãn, então, quando vamos buscá-la? — perguntou a jovem cobrindo-se novamente.
– Só estava esperando-te acordar — respondeu Gold — Talvez você queira tomar café antes de irmos ao hospital...
– Não, estou bem. Agora deixe-me me vest-... aliás, onde estão minhas coisas?
– Ali — o Senhor das Trevas apontou para duas malas azuis, ambas encostadas na mesinha de centro — Estarei te esperando lá embaixo — continuou levantando-se da poltrona (também cor creme) que se localizava encostada na parede em frente a cama, próxima da porta de acesso ao hall.
A adolescente não disse mais nenhuma palavra. Depois de ver-se livre do olhar observador de seu pai, descobriu-se e num salto pôs-se de pé. Caminhou sob o carpete claro do quarto e investigou cada centímetro do cômodo, agora mais atenciosamente. Parou diante do espelho de corpo inteiro que se encontrava ao lado do guarda-roupa e contemplou seu reflexo no espelho. Notou como seu corpo escultural era valorizado naquela camisola azul escura, sua pele branca combinava perfeitamente com o tecido brilhante, seus seios preenchiam com perfeição a parte superior da vestimenta, que era trabalhada em renda. Para dar o acabamento perfeito, seus cabelos avermelhados ondulados caíam sobre seus ombros, e seus olhos esverdeados combinavam perfeitamente com todo o conjunto.
– A filha de Rumplestiltskin está sempre bem vestida. — sussurrou para si mesma, rindo-se. Seu pai sempre dizia isso a ela quando era criança.
Clear caminhou até a sacada e sentiu a brisa fresca do oceano. Admirou a paisagem, na qual o sol espalhava seus primeiros raios de luz pela água do mar. De repente se lembrou de Tom. Os dois adoravam observar paisagens juntos. Se perguntou como ele estava, e se qualquer dia voltariam a se falar, ao menos como amigos. Fechou os olhos com força para tentar livrar-se do pensamento, respirou fundo e virou-se de volta ao quarto. Abriu as malas e sentou-se no sofá para tentar escolher sua roupa do dia. Pegou um par de jeans e uma regata safira, colocando, como sempre, seu moletom listrado por cima. Calçou seu par de tênis All Star pretos, agarrou seu celular de cima da mesinha de centro e apressou-se escada abaixo.
– Vamos — disse surgindo na sala.
– Vamos. — indagou o homem levantando-se do sofá.
– De carro? — contestou Clear ao se dirigirem ao automóvel negro de seu pai.
– Sim, a não ser que queira ir com magia...
– Vamos logo para esse hospital — bufou entrando no carro.
Os dois se foram até o hospital calados, a garota olhando através da janela.
– Chegamos. — declarou Rumple para tentar quebrar o silêncio.
A adolescente ignorou o comentário e pulou para fora do automóvel, impaciente. Seu pai a seguiu, mas quando chegou na recepção, sua filha já perguntava da mãe no balcão de atendimento.
– A Srta. Gold já pode ir para casa. Aguarde um instante até o Dr. Whale autorizar a entrada de vocês. — informou a recepcionista.
– Srta. Gold? — riu a Garota Mascarada, levantando uma sobrancelha, ironicamente.
– Ela não tem exatamente um sobrenome, então eu coloquei o meu! — explicou o Senhor das Trevas.
A menina continuou rindo baixinho, até avistar Whale se aproximando.
– Podem levá-la para casa, ela está perfeitamente bem. Tiveram muita sorte! — afirmou o médico.
– Obrigada/o — pai e filha agradeceram juntos.
Whale conduziu-os até o quarto em que a mulher se encontrava e deixou-os sozinhos.
– Mãe! — exclamou a garota correndo até a figura feminina e abraçando-a fortemente.
– C-Clear... e-eu n-não c-consigo r-respirar — gaguejou Belle perdendo o ar.
– Ah, desculpe — riu-se preocupada — Dormiu bem?
– Dormir? Haha, isso foi a única coisa impossível essa noite.
– Você deve estar bem cansada... vamos para casa!
Gold cansou-se de dar espaço às duas e invadiu a conversa.
– Whale disse que está liberada. Vou levá-la para casa!
A mulher sorriu e, depois de alguns minutos, os três já estavam do lado de fora do hospital.
– Aceitam café no Granny's? — perguntou a adolescente ao pararem em frente o carro.
– Eu já comi no hospital... e estou exausta. — respondeu a amada de Rumple.
– Estou sem fome — indagou o homem.
– Bom, eu estou faminta, então vou passar para comer um pouco. Não querem nada mesmo?
– Ficaremos bem.
– Okay, então vejo vocês depois. — despediu-se Clear.
A garota tomou o caminho do restaurante, mas decidiu passar pela delegacia para dar as boas-vindas ao pirata. Ao chegar lá, encontrou-o conversando com Emma, e decidiu esperá-los terminarem, afinal ela interrompera o momento dos dois na noite anterior.
– Então, pirata, quem é você? — perguntou Emma puxando a cadeira para perto da cela e ligando um gravador.
– Ah, vejo que hoje você está afim de conversar, afinal ontem não quis saber nem meu nome quando me trouxe para cá — retrucou o pirata com um sorriso sínico estampado em seu rosto — Killian Jones — continuou ao detectar o olhar reprovador de Emma — Mas todo mundo me chama por um apelido bem divertido... Gancho — a loira ergueu uma sobrancelha — Você se lembra de tirá-lo ontem à noite.
– Seria "Capitão Gancho"?
– Então já ouviu falar de mim — assinalou o pirata sorridente.
– Por que o Capitão Gancho veio para Storybrooke? — questionou a mulher curiosa.
– Para me vingar do homem que decepou minha mão... Rumplestiltskin.
– E eu deveria saber como conseguiu vir parar aqui? Quero dizer, não há como viajar através de mundos... e eu estou certa de que você não pertence a este aqui.
– Eu contei com uma pequena ajudinha.
– E de quem seria?
– Não vou dizer.
– Então é melhor se acostumar com a prisão.
– Espere!
– O quê?!
– Você comentou algo sobre sonhos... que teve comigo. Como eram?
– Eu não tenho tempo para você...
– Não, você está com medo. Medo de falar. De se abrir comigo, de confiar em mim. Seria bem mais fácil se confiasse.
– Devia achar normal ninguém confiar em você.
– Coisa de pirata... Não precisa falar nada. Você é como um livro aberto.
– Sou mesmo?
– Totalmente. Vamos ver, você insistiu em me trazer aqui para mostrar aos seus pais que pode se virar sozinha, e não precisa da proteção deles.
– Isso não é percepção, é ouvir conversas.
– Você quer esfregar na cara deles que eles abandonaram você.
– Como é?
– Como eu disse, um livro aberto.
– Como você sabe disso? Quero dizer, que eles me abandonaram?
– Passei anos na Terra do Nunca, com os garotos perdidos. Todos eles tinham o mesmo olhar. Você fica com esse olhar quando é abandonado.
– Mas o meu mundo não é a Terra do Nunca.
– Mas órfão é órfão. — Emma deu a ele um olhar triste — Amor sempre foi uma coisa rara na sua vida, não é? — continuou o pirata — Você já se apaixonou?
– Não, eu nunca me apaixonei... Mas aparentemente você já... Digo, quem é a Milah da tatuagem? Vi quando te algemei ontem, mas poupei comentários...
– Uma pessoa do passado — respondeu Gancho, seu semblante se tornando triste.
– Onde ela está?
– Ela foi embora.
– Foi o Gold... Rumplestiltskin. Ele não tirou só a sua mão de você, não é? Por isso quer matá-lo.
– Para quem nunca se apaixonou, você é bem perceptiva, não é?
– Talvez eu tenha me apaixonado uma vez.
Ela pareceu tão vulnerável diante da memória que Gancho, no fundo, sentiu vontade de consola-la. Mas, no momento, o que daria vantagem a ele seria aproveitar-se do momento frágil da loira para tentar seduzi-la e persuadi-la a liberta-lo.
– Então que tal falarmos sobre isso bebendo um pouco de rum, o que você acha amor? — disse com um olhar terno e uma voz sedutora, se aproximando das barras que os separavam.
Tentador, com certeza. Mas não o suficiente para derreter totalmente o coração de Emma Swan.
– Eu acho que não. — rebateu levantando-se da cadeira e pegando o gravador do chão.
– Osso duro de roer. Sabe, a maioria dos homens desanimariam. Mas eu amo um desafio.
Clear decidiu tomar a conversa como encerrada, e decidiu aparecer.
– Bom dia — indagou sorrindo levemente, quase imperceptivelmente.
– Ãnn, bom dia Clear — respondeu Emma sem graça.
– Eu vim visitar um certo pirata cretino. — afirmou olhando para o Capitão Gancho. Ele estava mais sexy do que nunca, mas não possuía seu gancho, o que obviamente era normal devido às circunstâncias.
– Que diabos você quer comigo pirralha? Vai me matar por raptar sua mãe? — riu-se o pirata.
– Eu só vim para te alertar. Você mais que ninguém sabe que meu pai e você têm um passado, e mais um deslize seu e meu pai arranca mais do que a sua mão. Aliás, não sei se você sabe, mas há magia em Storybrooke.
– Suas ameaças não me assustam e muito menos me desanimam garota, eu vou me vingar de seu pai, independente se ele tem magia ou não.
– Então você deveria se preparar para ter seu coração brutalmente arrancado, deficiente.
– Veremos.
Clear deu um sorriso maléfico e virou-se de costas para o pirata.
– Eu queria falar com você também Emma, será que pode ser agora?
– Claro, topa um café no Granny's?
– Era exatamente o que estava pensando!
Swan sorriu e após trancar a delegacia, as duas tomaram o rumo do restaurante, no Fusca amarelo da loira.
– Então... sobre o que exatamente quer falar? — perguntou a mulher com os olhos fixos no trânsito.
– Na verdade, eu queria me desculpar. E-eu fui injusta com você. Eu a culpei por algo que tenho quase absoluta certeza que não foi sua culpa, e gostaria de me redimir.
– É claro, afinal você estava amaldiçoada, certo?
– Claro — a adolescente riu tristemente — Tanto que Tom queria quebrar a maldição por este motivo, para que eu me lembrasse que eu nunca havia ao menos conhecido o Graham...
– E agora que você se lembra...?
– Na verdade nós nos encontramos uma vez... Nada de mais.
Emma então estacionou o carro próximo ao restaurante.
– Café da manhã? — perguntou a mulher com um grande sorriso.
– Café da manhã. — respondeu a garota sorrindo de volta.
– Clear? — perguntou uma voz masculina ao adentrarem no restaurante.
– Tom?! — exclamou a garota, com um aperto no coração, tornando seu semblante triste.
Continua.
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