The Day We Met
2 Dark Paradise
Notas iniciais
(Marcella)
Decidi abusar na maquiagem hoje. Passei base, pó, uma sombra preta, meu fiel lápis preto na linha d’água , um batom marrom escuro e exagerei no rímel. Cheguei na escola por volta das 6:30, e passei na sala dos professores para ver se conseguia falar com o Sr. Green.
Pedi para que o chamassem, e após cinco minutos ele chega, com sua habitual xícara de café, uma camisa azul de botões, uma calça preta com um cinto marrom de couro. Estava cansado, suas olheiras deixavam claro a falta de sono, provavelmente não dormira noite passada.
—Bom dia Marcella, você queria falar comigo?
—Sim Sr. Green, queria te fazer algumas perguntas a respeito de alguns alunos.
—Sr. Green não Marcella, só Vincent tá bom, eu me sinto velho quando me chamam de senhor.- Ri bastante desse pedido, por um lado era engraçado, por outro, eu estava ansiosa –Mas me diga, sobre quem você gostaria de conversar?
—Bom, como o senhor deve ter percebido, eu não sou muito... sociável, digamos assim. Gostaria de saber quais alunos são ‘parecidos’ comigo, para que possa ter alguém para conversar que, de preferência, não me apresente para metade da escola, ou seja, alguém que eu possa confiar, sabe?- Vi que ele ficou pensativo por alguns instantes, mas logo respondeu
—Marcella, eu conheci o seu pai.- Naquele instante, o meu chão pareceu abrir- Eu sei da sua história, e eu sei que por causa dele você tem medo de se decepcionar com as pessoas. Façamos assim, hoje após a aula você tem algum compromisso?- fiz que não com a cabeça, as palavras pareciam ficar presas em minha garganta- Passe lá em casa após o almoço e então conversamos, está bem?- Fiz que sim com a cabeça- “Como ele o conhece? Nossa! Só espero que ele me ajude e me mostre que posso confiar nele”- Minha cabeça estava a mil por hora, não consegui prestar atenção em nenhuma das aulas, meus pensamentos estavam longe dali...
(FLASHBACK)
—“Como ele pôde se achar no direito de fazer isso com vocês?! Aquele desgraçado vai se arrepender de colocar minha filha e minha neta para fora de casa. Como estão os seus machucados meu amor?”- Minha vó perguntou. A amargura em sua voz era quase visível.
—“Estão bem vovó, ele não fez por querer”- Respondi- “ Se bem que esse está doendo um pouco”- Falei, mostrando a elas minha barriga inchada e roxa.
—“Meu Deus Marcella, como você não me mostrou isso antes?”- Minha mãe perguntou já pegando a chave do carro- “Venha, vamos ao hospital”
(FIM DO FLASHBACK)
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Após a aula, voltei correndo para casa. Cheguei em casa chamando pela minha mãe, que estava na cozinha.
—O que foi minha filha, o que houve? Você está pálida, parece que viu um fantasma.
—O Sr. Green conheceu o meu pai- Falei de uma vez.
—O que?! Como assim filha?- Ela perguntou. Sua voz, assim como a minha, estava vacilante.
—Não sei como, nem aonde, porém ele me pediu para ir até a casa dele hoje a tarde para me falar sobre os alunos e...
—Você quer ir filha?
—Quero mãe, mesmo tendo conhecido aquele canalha o Sr. Green me pareceu confiável.
—Então vá meu amor. Não volte tarde para casa, ok?- Ela disse, se aproximando e me dando um beijo na testa- Eu te amo, viu? Você é muito corajosa, minha vampirinha.
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Exatamente 14:00 cheguei ao endereço que ele me passou. Uma casa relativamente grande, branca, com um portão preto que dava pouca visibilidade do interior da casa. Chamei por ele, e logo o portão foi aberto. A casa era linda, o jardim era incrível, tinha uma piscina (bem convidativa naquela tarde de sol escaldante), uma área com uma churrasqueira , uma geladeira e um freezer e um parque com um escorregador e um balanço -”Ele tem filhos” –Pensei enquanto adentrava a propriedade.
—Olá Marcella, como vai? Vamos entrar, minha esposa acabou de preparar um bolo.
Com um pouco de receio, entrei na casa. Era uma casa simples, porém bonita. Depois de aluns instantes, ouço passos vindo do que penso ser a cozinha- “É sua mulher”- pensei.
—Olá, a senhorita é a tão falada Marcella?- Vejo na minha frente uma mulher loira, de um pouco mais de 1,70m, com olheiras de dar dó.
—Bom, acho que sim.- Respondi, meio receosa.
—Eu sou a Clara, esposa do professor Green. Muito prazer
Conversamos amenidades por alguns minutos, foi muito perceptível o amor que ela sente por ele, e eu realmente senti que é recíproco. Eu estava ótima, até que Vincent falou:
—Eu conheci o seu pai na clínica de reabilitação
—Verdade? Nossa, que bom que ele tentou se tratar.
—Você não sabia? Ele estava sóbrio a 40 dias quando o conheci.
—Não sabia, professor. Não tive mais contato com ele depois da última vez que ele nos procurou.
—Bom, vamos trocar de assunto, não é melhor?- Clara se pronunciou- Vincent disse que você o perguntou sobre os alunos de sua classe, certo?
—Sim, espero que o senhor possa me ajudar em relação á isso.
—Bom, acho que gostará do Alex, ele é fiel, bonito, solteiro...
—Professor, acho que o senhor não está entendendo. Eu estou procurando por amigos, não namorados.- Falei, um pouco envergonhada.
—É claro que eu entendi Marcella. Eu não estou falando para você namorar o Alex, o que eu quis dizer foi que ele é confiável.
—Além do mais, ele é gay-Disse Clara
—Como a senhora sabe disso?- Perguntei aos risos
—Está na cara, aliás, ele já veio aqui um milhão de vezes.- Ela respondeu- Pode ser que ela goste da Taylor, querido.
—Agora está melhorando, hehe.- Logo que acabei essa frase, vejo ele tirando cem dólares do bolso e entregando a ela- Qual é o problema? Foi algo que eu disse?
—Eu sabia- Disse Clara- Eu disse á ele que você gostava de meninas e ele disse que não, e quis discutir comigo, então nós apostamos cem pratas- Ela respondeu aos risos
—Pelo lado bom, não dá pra reparar- Disse Vincent, um pouco envergonhado- Ah, pode ser que você goste da Scarlett também
—Ah sim, pode ser- Respondi, e nessa hora já estava vermelha como uma pimenta- Bom, já está ficando tarde, eu tenho que ir, tudo bem? Até amanha, Sr. Green, tchau Clara.
—Até amanhã Marcella, vá com Deus.
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