The Daughter of the Tiger
5 Epílogo

Tudo estava escuro, não tinha medo de morrer. Já havia enfrentado Ela muitas vezes e sabia como era. De início vinha o frio, o escuro, depois a Luz e o calor que o guiariam a um lugar especial e... Onde está a bendita Luz? Por que ainda sentia dor e um frio nas costas?
Quando se morre sente dor?
Com dificuldades abriu os olhos, primeiro enxergou um borrão e depois este foi se moldado no rosto corado e os olhos vermelhos de tanto chorar de Kian, que agora sorria aliviada.
—C-como? O que você fez Peste?
— Shin-ou Tem. — ela lhe respondeu, sorrindo.
Milo tentou sentar no chão frio, mas o corpo ainda não lhe respondia, sem muitas opções, continuou deitado no chão da caverna.
—Eu não te ensinei isso! Quem te ensinou isso?
—Um cavaleiro de Escorpião me ensinou.
—Que? Quem?-ele não conseguia acreditar.
Kian não respondeu, enxugou as lágrimas e deu uma risadinha abraçando seu mestre, fazendo o corpo dele inteiro doer e ele gemer. Ela o soltou rapidamente, estava muito feliz por ter conseguido através do Shin-ou Tem estancar a hemorragia provocada por seu golpe.
Deitado no chão, Milo ainda não entendia o que houve. Deveria estar furioso por ela ter quebrado uma tradição de milênios ao salvar sua vida? Foi quando notou que ela usava a armadura. Sorriu. Era o primeiro a ter esta visão, algo que seus antecessores nunca tiveram. A emoção de cumprido uma missão com satisfação.
—É... é filha do Dohko mesmo...Vamos para casa, Pestinha.- ele pediu por fim.
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Alguns dias depois... Santuário de Atena.
Kian subia as escadas que levavam ao Salão do Grande Mestre. Trajava a armadura de ouro. Embora aparentasse, aos olhos de outros, que a indumentária era pesada demais para o corpo pequenino da garota, mas era leve como uma pluma para a sua usuária.
Parecia fazer parte de seu corpo, como uma segunda pele. Tal qual a máscara dourada que cobria seu rosto. Era a primeira Amazona de Ouro, e tal fato causava espanto a todos pelos quais passava naquele lugar.
Não havia servo, guarda ou cavaleiro que não parasse para admirar ou "virar a cara" para esta novidade.
Mas ela não se importava com isso no momento, tudo o que lhe importava era chegar à última casa onde todos a aguardavam.
Seu mestre se despediu dela, dizendo que ficaria na ilha de Milos gozando de uma merecida férias antes de preparar futuros aspirantes a cavaleiros. Ainda a chamava de Pestinha e não aceitava que falasse dos primeiros cabelos brancos aparecer em sua fronte.
Parou um instante apenas para admirar a Oitava Casa, onde iria residir pelos próximos anos. As colunas imponentes e milenares, quantas batalhas foram testemunhas? Sorriu por debaixo da máscara e em seguida continuou a caminhar.
Chegou finalmente ao seu destino. Soldados que guardavam a entrada a acompanharam a duas enormes portas de madeira, finamente ornamentadas e a abriram.
Todos os cavaleiros estavam lá, a jovem conseguiu identificar apenas alguns deles pelas descrições dadas por seu mestre, todos lado a lado esperando pelo início da reunião. E sentando ao trono estava Dohko, atual Grande Mestre.
Ele não usava Máscara e fitou com seriedade a Amazona que chegava. No fundo, Dohko queria explodir de orgulho pela visão de sua filha entrando no salão com a armadura dourada. Apenas o homem de madeixas longas e lilases ao seu lado, com um sorriso sereno nos lábios, sabia como estava o espirito de seu amigo. Reconheceu pelas vestes que só poderia ser o conselheiro do Grande Mestre, o segundo em comando no Santuário.
Entre os cavaleiros de ouro que ali estavam, havia rostos conhecidos pela Amazona. Shiryu mostrava mais maturidade e altivez usando a armadura de Libra do que se lembrava. Ele dava um sorriso discreto, admirando sua irmã adotiva caminhar pelo salão. Era possível perceber o orgulho que sentia.
E Sephir estava ali. Usando a armadura de Capricórnio, não escondia a satisfação por revê-la, parecendo que iria causar hematomas no braço do pobre cavaleiro de Aquário ao seu lado de tanto cutucar, para mostrar a amiga de infância. Os cavaleiros mais velhos mantinham em seus rostos a satisfação pela presença da nova companheira de armas.
Lembrava-se de seu mestre falar sobre cada um dos cavaleiros que conheceu e que ali estavam agora. Reconheceu pelas Armaduras douradas Aiolia de Leão, conhecido e respeitado por sua força e lealdade a Atena, a barba rente e bem cuidada lhe dava um ar muito sábio, o gentil e poderoso Shun de Virgem, o lendário Seiya de Sagitário, ao qual Kian achava que era mais alto devido às histórias que ouvia a respeito dele. E o rapaz loiro que Sephir perturbava era Hyoga de Aquário, com quem seu mestre outrora já lutou.
Havia outros jovens cavaleiros. Pessoas que não conhecia ainda, mas faria questão de torná-los seus companheiros e irmãos um dia. Observou vagamente cada um deles ao atravessar o salão.
Touro era um rapaz alto e forte, de pele de ébano, calvo, usava três piercings em forma de argolas na orelha esquerda e cavanhaque. Ele possuía um semblante bem tranquilo e cumprimentou a amazona com um leve aceno de cabeça ao passar por ele, demonstrando ser uma pessoa gentil. O oposto de Gêmeos que estava ao seu lado, um belo rapaz de cabelos negros e longos, mantinha um ar de completo tédio pelo cerimonial, e a ignorou completamente.
Achou curioso que o cavaleiro de Câncer fosse apenas um pré-adolescente, de cabelos loiros acinzentados, curtos e arrepiados. Era o mais baixo entre todos os cavaleiros e o que aparentava ser o mais frágil, mas a experiência da amazona dizia que se havia conseguido a honra de usar uma armadura dourada, ele não era fraco. A expressão fria em seu rosto não combinava com sua tenra idade e isso a impressionou.
E somente depois de passar pelos cavaleiros notou que um atrasado cavaleiro de Peixes chegava por uma porta lateral, parecia que havia acabado de acordar de algum longo sono. O jovem de curtos cabelos ruivos, que escondia o lado direito do rosto com a franja mais comprida, ignorou completamente o olhar de repreensão do Conselheiro do Grande Mestre e do cavaleiro de Sagitário ao seu lado.
Com altivez Kian caminhou pelo tapete vermelho que separava os cavaleiros em duas fileiras e a levava até o Grande Mestre. Ficou diante dele e tal qual como mandava o protocolo, ela ajoelhou-se diante do patriarca.
Notou que uma bela mulher aparecia de uma sala adjacente, ficando ao lado do Patriarca, sorrindo. Ela emanava um cosmo sereno e poderoso e Kian logo reconheceu ser a deusa Atena. Engoliu em seco, nervosa.
Dohko levantou-se e foi até ela, pedindo que se levante. Para a surpresa dos demais cavaleiros a abraçou emocionado, quebrando qualquer protocolo. A deusa parecia não ter se importado, sorrindo satisfeita com a cena.
—Bem vinda ao lar, filha. Senti saudades.
—Obrigada papai... eu também.
Fim
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