Notas iniciais
Esse é o último capítulo da primeira temporada. Bem, quero agradecer a todos que acompanharam a fic, especialmente à CampHalfDirectioner e Rosie Weasley Malfoy que me incentivaram a postar a segunda temporada (coisa que eu vou fazer).

Eu passei o ano todo tentando encontrar Percy. Liguei para diversas escolas das quais eu fui expulsa. Não foram muitas, mas tiveram. Acho que duas ou três me disseram que Percy Jackson não foi expulso de lá. Legal. Ele era como eu, só que pior. Eu visitei bairros por onde achava que Percy poderia morar, mas não encontrei ele. Bem, deixe-me contar como foi o meu ano. Pratiquei bastante meu poder de brilhar, e agora já poderia controla-lo, sem problema. Pratiquei também arco e flecha, li muitos livros de poesia, ouvi muita música, fiz vários cursos de primeiros socorros, e alguns cursos básicos de medicina. Joanne estava morta, então eu não tinha amigos. Felizmente, duas gêmeas, digo, um par de gêmeas, entrou na escola, e elas eram bem legais. Ficamos amigas. Os nomes delas eram Savanna e Kayla. Eu só conseguia diferenciá-las, por causa da cor do cabelo e das roupas. Savanna usava roupas camufladas e coturnos como eu. Nós éramos duas soldadas. Kayla já gostava de usar roupas mais rockeiras. Não punk. Rockeiras. Meia-calça rasgada, jaqueta de couro, cabelos desgrenhados... essas coisas. E, claro, Savanna tinha se cansado de ser confundida com Kayla, portanto, ela tingiu o cabelo de azul. Isso era algo que eu gostaria de fazer. Bom, às vezes, elas iam andar comigo, procurar Percy em algum lugar. Nunca conseguimos. Naquele dia, eu não sei porquê, mas tinha sentido uma vontade de usar a camiseta do Acampamento Meio-Sangue, que eu não resisti e usei. Coloquei uma camisa camuflada por cima, e um jeans camuflado. E, claro, meus coturnos. Savanna e Kayla não quiseram vir comigo. Bom, fiquei o dia inteiro revirando os shoppings de Manhattan. Não o vi por lá. Depois de horas e horas o procurando, decidi tomar um café. Fui até o Starbuck da rua perto de minha escola, onde encontrei o “novo empregado” que estava empregado em todos os lugares para os quais eu ia, me vigiando. Comprei um chocolate quente, como normalmente fazia e tomei. Savanna me ligou (sim, eu estava com o celular de minha mãe. Perigoso, não? Eu nasci pro perigo, cara.) e me disse que já poderia vir, então ela estava indo me encontrar. Terminei e me levantei para jogar fora. Quando me virei na direção da lixeira, eu o vi. Sim, lá estava ele, me olhando. Perseu Jackson. O homem com quem eu vou me casar e ter dois filhos chamados Timothy e Annabeth. Ele havia crescido, e bastante. Estava mais musculoso. Mais bonito. Ano passado, eu o achava bonitinho, mas agora, estava bonito de verdade. Dei um sorriso leve e tímido, mas não sabia o que fazer. Então, saí correndo na direção dele e ele veio na minha. Nos abraçamos. Ele afundou o rosto no meu ombro esquerdo e eu fiquei afagando os cabelos pretos dele. Ele teve de se abaixar um pouco, considerando que é dez centímetros mais alto do que eu. Percy tinha o cheiro de mar de sempre. Eu poderia ficar ali para sempre. Não teria problema algum. Ainda abraçados, Percy me fez um aviso.

Percy: Você está acendendo.

Eu: Então, me beije para que eu possa apagar.

E assim ele fez. Me beijou. Seus lábios estavam salgados, como sempre, claro. Enfim, ele continuava o mesmo. Cabelos despenteados, olhos verde-mar, bermuda, camiseta, é o Percy que sempre foi, e o Percy que eu quero ter. Paramos nosso beijo por causa do tal “novo empregado”, que pigarreou em nós.

Percy: Hã, algum problema?

Bati em minha testa.

Eu: Percy, este é o novo empregado do Starbucks. Hoje. Amanhã ele será empregado do lugar para onde eu for. O nome dele é Apolo. Digo, Fred.

Percy arqueou as sobrancelhas e riu.

Percy: Fred?

Apolo: Algum problema?

Percy: Não, nenhum, senhor.

Era estranho ver Percy chamando meu pai de senhor, porque meu pai estava com aquela forma de sempre, de um menino louro de dezessete anos. Mas, como ele disse, é melhor tratar os deuses com respeito, ou, eles te explodem.

Apolo: Percy Jackson, não é? Filho de Poseidon.

Percy: Sim, senhor.

Meu pai examinou Percy com cautela. Diria até que com olhos estreitos. Depois, sua expressão se suavizou.

Apolo: Bom, aquelas aulas de arco e flecha ainda estão de pé. – ele piscou para Percy. Eu não entendi nada, mas decidi deixar quieto. – Eu estou voltando ao trabalho, digo, ao Olimpo. Cuidado com a minha filha.

Eu: Pai...

Apolo: O quê? Dizem que eu pareço um adolescente. Finalmente estou me preocupando com algo e sou julgado.

Eu: Pai!

Apolo: Espere!

Meu pai ergueu os olhos e abriu um pouco a boca, como se estivesse impressionado com algo que apareceu. Eu até dei uma olhada para conferir se ele não estava louco. Ele ergueu as mãos como se estivesse recebendo algum tipo de energia.

Apolo: Estou sentindo um haicai chegando.

Bati em minha testa com força me perguntando porque havia aceitado que ele me vigiasse durante minha busca. Deixei minha mão deslizar por todo o meu rosto.

Eu: Pai.....

Meu pai limpou a garganta e fez um haicai. Por que ele era o deus da poesia? Olhe só o haicai que ele fez:


“Minha filha cresceu


Jackson quer namorá-la

Sentimentos ele teceu”


Que vergonha. Fiz uma careta do tipo “WTF?” e saí andando em direção a parede. Simplesmente bati a cabeça no cimento. Cara, como aquilo era deprimente. Voltei para onde eles estavam e fiquei balançando minha cabeça, em reprovação.


Eu: Pai! Não me faça passar vergonha na frente do meu namorado!

Percy: Ah, então eu sou seu namorado?

Eu: Eu não sou garota de ficar. Você já me chamou de “sua namorada”. Se você não queria compromisso, ninguém mandou me beijar.

Percy: Ninguém disse que eu não quero compromisso.

Ele me puxou pela cintura.

Apolo: Ei! Respeito com minha filha.

Eu: Pai, está tudo bem. Ele é um doce.

Me deitei no ombro de Percy.

Apolo: Sei.

Meu pai se virou para trás, e viu Savanna. Ela estava chegando naquele mesmo momento. Ela me viu e veio andando na nossa direção.

Savanna: E aí?

Apolo: Gostaria de um cappuccino por conta da casa, doçura?

Eu: Pai! Vá... trabalhar, sei lá! Não dê em cima da minha amiga.

Meu pai ergueu as mãos, como se estivesse se defendendo. Ele andou para longe, e se dissipou em névoa.

Eu: Savanna, buscas encerradas. Eu achei o que procurava. Este aqui é Percy Jackson. Percy, esta é Savanna Lake.

Percy: Oi. Prazer em conhece-la. – Ele estendeu a mão.

Savanna: Oi. – Ela apertou a mão dele e sorriu, simpática. – Então, você é o famoso Percy Jackson?

Ele arqueou a sobrancelhas.

Percy: Eu sou famoso?

Eu: Claro! Eu falo de você o tempo todo!

Ele sorriu, satisfeito.

Savanna: É sério. Ela realmente fala de você o tempo todo. Ela obrigou a mim e a minha irmã a rodarmos Nova York toda procurando você. Pelo menos duas vezes por minuto ela falava “Percy é lindo! Percy me protegia! Sinto saudades de Percy. Quero meu Cabeça de Alga de volta!”

Percy riu.

Percy: Bom, aqui estou. E, agora, você não vai mais me perder.

Eu: Ah, não vou mesmo. Porque, dessa vez, eu vou me lembrar de te passar o número do meu telefone.

Savanna franziu o cenho.

Savanna: Sério? Isso é sério, Raphaella? Você conhece o menino, vive aquelas aventuras malucas sei lá do quê que você não me contou, começa a namorá-lo, mas você não dá o seu telefone para ele? Ah, meu Deus, isso é demais para mim.

Eu ri daquilo. Savanna era bem doidinha.

Eu: Sav, vá dormir. Você acordou muito cedo. Aquela chata da sua irmã vai te achar logo, e hoje eu não estou com cabeça para ficar ouvindo ela chorar porque Kurt Cobain morreu. Imagino que você também não. Tchau!

Savanna revirou os olhos e foi andando para a saída.

Percy: E... então? Como foi seu ano?

Eu: Ah, até agora, legal. E... como está sua família?

Percy: Bem. Normal. Aliás, minha mãe me pediu para te levar para conhece-la no nosso apartamento. Ela está gripada, então não pode vir. Você se importaria?

Eu: Claro que não. Vamos! Sempre quis conhecer a sua mãe.

Percy me levou para um edifício bem pertinho dali. Subimos as escadas e entramos em seu apartamento. Era um lugar bem agradável. Pequeno, mas agradável.

Percy: Pode deixar sua mochila em... qualquer lugar.

Eu: Hã, ok.

Tirei minha mochila das costas e coloquei em um cantinho que não atrapalhasse ninguém.

Percy: Venha, quero te apresentar a minha mãe.

Ele pegou minha mão e me levou para a sala. Lá, havia uma mulher bonita, com, eu diria, uns trinta e poucos anos, cabelos castanhos compridos, sentada no sofá, enrolada em um cobertor.

Percy: Mãe, esta é Rapha. Rapha, esta é minha mãe, Sally Jackson.

Eu: Hã, oi Sra. Jackson.

Ela sorriu, simpática

Sra. J: Olá. Muito prazer, Rapha. Por favor, pode me chamar apenas de Sally.

Eu: Sally... Ok.

Sally: Então, você é a famosa Raphaella Elizabeth Harmon.

Encolhi os ombros.

Eu: É, só não esperava ser conhecida pelo meu nome completo. É meio chato, sabe? E eu não curto muito ser chamada de Elizabeth.

Ela riu.

Sally: Entendo. Percy fala muito de você. Eu diria até que te conheço como ninguém.

Percy corou e abaixou a cabeça, tímido. Eu ri.

Eu: Engraçado. Achei pessoa para quem eu havia tudo sobre mim era Annabeth. Deve ter sido tudo imaginação.

Ele olhou de rabo do olho para cima, envergonhado.

Sally: Você é filha de Apolo, não?

Eu: Sou sim! Arqueira oficial, à disposição. Também tenho outros poderes. Não sou só arqueira, mas isso é o que eu mais sei fazer.

Sally: Sim... Claro. Claro. Como quais, por exemplo?

Eu: Percy não contou?

Sally: Sim, ele contou, mas eu achei tão fascinante que eu precisava que você me confirmasse.

Eu: Nesse caso... Mando bem na poesia, música, eu vejo o futuro, eu tenho um poder inédito de filhos de Apolo, que é brilhar, e... alguns que eu ainda não descobri.

Percy: Ainda não descobriu todos?

Eu: Não, de acordo com meu pai. Às vezes, eu acho que ele me deu poderes demais, que algum dia podem sair de controle, e eu... sei lá...

Minha expressão ficou sombria com a lembrança.

Percy: O quê?

Eu: Nada não. Só uma ideia que se passou pela minha cabeça.

Percy: Que ideia?

Eu: Nada de mais. Esqueça.

Percy: Rapha, fale.

Eu: Não. Não foi nada. Esqueça isso, Percy.

Percy: Fale, Raphaella!

Abaixei minha cabeça.

Percy: Você teve uma visão, não foi?

Franzi o lábio e fiz que sim com a cabeça.

Sally: Conte-nos. Pode compartilhar o que quiser conosco.

Eu: Não acho que eu deva...

Percy: Conte. Por favor.

Respirei fundo.

Eu: Foi... foi no ano passado. Nós ainda estávamos no Acampamento Meio-Sangue. Eu achei melhor não contar para ninguém, porque é muito assombroso. Eu me vi usando uma armadura grega antiga, em um coliseu. Eu parecia estar determinada à fazer alguma coisa. Eu conheço o meu olhar quando estou determinada, e eu estava com esse olhar. Mas os meus olhos... não eram meus. Era como se algo estivesse me possuindo. Meus olhos... eram vermelhos. Você sabe que são castanhos.

Ele assentiu.

Eu: Então, tinha alguém lá para lutar comigo. Estava usando uma armadura grega antiga também. – Parei de falar, fechei os olhos e respirei fundo para tomar coragem para falar isso. – Era você, Percy. Você e eu iríamos lutar lá. Você estava totalmente relutante. Me pediu várias vezes para não fazermos aquilo, mas eu não permiti. Estava determinada a lutar com você até a morte. Eu disse que se fosse para mim ganhar aquela luta, te mataria com prazer, mas que se fosse para perder, eu morreria como uma guerreira. E aquela voz não era a minha. Não me deixaram usar meu arco. Tive de usar uma espada. Mas... não sei... eu era muito boa, falando em modesta parte. Eu tinha habilidade e todas essas coisas. Mas você... ah, Percy, você é o melhor. Por isso se defendeu perfeitamente. Você me machucou muito. Eu estava cheia de ralados, sangrando, mas você estava igualmente ferido. Bem, eu ganhei a luta. Na cena do final, nós dois estávamos sangrando bastante. Muito machucados. Sangue escorria da minha boca cortada, e você tinha uma ferida do tamanho de um limão em cima da sobrancelha esquerda. Eu pisei no seu peito e coloquei a ponta de minha espada na sua garganta. Quando olhei para o mediador da luta, que eu não consegui reconhecer, ele virou o polegar para baixo. Então, a minha visão terminou.

Percy parecia abatido e bravo, ao mesmo tempo. Sally também não parecia feliz.

Eu: Ah, deuses, eu não deveria ter contado. – Levei minha mão a testa, demonstrando preocupação.

Percy: Não, não tem problema. É... é a verdade. Uma hora ou outra eu iria descobrir. Nem que fosse lá mesmo.

Olhei para Sally.

Eu: Por favor, não me odeie por possivelmente matar o seu filho. Eu estarei possuída.

Ela sorriu.

Sally: Eu entendo. Não se preocupe. Eu já sabia que Percy correria todos esses riscos.

Ela olhou para baixo, abatida.

Eu: Bem, mas não precisamos ficar tão preocupados. Mas precisamos, sim, ficar preocupados. Eu já tive uma visão de Percy adulto. – Eles sorriram, esperançosos. – Mas Apolo me disse que algumas visões poderiam não se realizar. Que, às vezes, algo acontece e impede que se realizem. Que grande parte das vezes que as pessoas sabem da visão, mesmo sem querer, elas se desviam do caminho que levaria ao previsto acontecido. Então, é esperar e ver o que acontece.

Os sorrisos deles desapareceram.

Sally: Bom, eu vou fazer um chá para você e um chocolate quente para mim. Percy derrubou o meu.

Percy: Foi um susto.

Eu: Não! Quê isso, Sally! Nada de chá. Eu estou vindo do Starbucks, e Percy me disse que você está com gripe. De jeito nenhum.

Percy: Mãe, eu faço outro. Rapha me ajuda.

Eu: É, melhor assim, antes que você derrube outro.

Sally e eu rimos. Percy revirou os olhos.

Nós fomos para a cozinha e eu ensinei Percy a preparar um chocolate quente do modo certo, sem contar que assei um cupcake. Percy e eu estávamos esperando o cupcake terminar de assar, e eu decidi me desculpar.

Eu: Percy, eu... eu estou me sentindo mal por ter te contado a visão. Não sei... sinto como se aquilo fosse acontecer por culpa minha.

Percy: Talvez, aconteça por culpa sua.

Franzi o cenho.

Eu: Obrigada. Estou me sentindo muito melhor com isso.

Ele sorriu e me abraçou. Deitei minha cabeça em seu peito.

Percy: Deixe-me pular para a parte em que eu faço você se sentir melhor. O que eu quero dizer é que não importa quantos e quais espíritos te possuam, eu sempre vou lutar para ter você de volta para mim, e eu nunca vou te machucar. Não emocionalmente.

Eu sorri com aquilo. Era tão agradecida aos deuses por colocarem Percy na minha vida...

Eu: Eu adoro você, sabia? Adoro quando você me abraça assim e me deixa deitar no seu peito.

Ele sorriu, satisfeito.

Percy: Eu sei.

Ri e revirei os olhos. Dei um beijinho rápido nele. Um sino tocou e eu sabia o que aquilo significava.

Eu: Está pronto.

Abri o forno. Tirei o cupcake de lá e coloquei a cobertura que havia feito.

Percy: Não posso mesmo comer?

Eu: Não. É para sua mãe.

Colocamos o cupcake e o chocolate quente em um bandeja e voltamos para a sala.

Eu: Voilà.

Sally: Ah, não precisava. – Ela pegou a bandeja. – Não acredito que Percy te obrigou a fazer um cupcake.

Percy levantou os braços, protestante, e eu ri.

Eu: Ele não me obrigou, Sally. Eu quis lhe fazer um agrado.

Sally: Ah, Rapha, muito obrigada mesmo. Você é um amor.

Fiz um gesto como se aquilo não fosse nada. Percy se sentou no tapete, com as pernas abertas, e eu me sentei entre as pernas dele. Ele me abraçou e nós ficamos lá, apenas vendo Sally comer o cupcake e beber o chocolate quente.

Percy: Você é muito prestativa. – Ele cochichou para mim.

Eu: E você é um amor. – Cochichei e dei um beijinho embaixo da orelha dele.

Percy: Sabia que eu te amo?

Não pude evitar que um sorriso se formasse em meu rosto. Percy me amava. AMAVA. Aquilo era suficiente para que uma enchente invadisse meus olhos. Sou emotiva, sabia? Eu, sinceramente, não sabia o que dizer, então disse apenas a primeira verdade que surgiu em minha cabeça.

Eu: Sabia que eu te amo ainda mais?


FIM!!!


Notas finais
Amo vocês!!! A segunda temporada vai se chamar "Raphaella Harmon: A volta de um velho inimigo"
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!