The Darkness Within...
1 The Darkness Within...
Notas iniciais
As pessoas pensam que é simples viver... Você não deve ter medo de nada, deve dar a sua opinião... É... As pessoas sempre pensam o que querem. Nunca pensam nos outros. Desde que era pequena, eu achava que fazer amigos significava colocar as vontades dos outros sempre na frente das suas; tratar como prioridade as vontades e desejos dos outros. Assim, só assim, eu achava que conseguiria fazer amigos. Eu não sabia oque o mundo tinha de pior. Me acostumei a isso... A derrota... A perda... A solidão... Me acostumei a ser deixada de lado... Ser a número dois... Ser uma step*...
Voltando a época que eu era mais nova... Eu estudava em uma escola pequena, mas tive que sair pois eu já tinha passado pelo último ano que eles davam. Então fui para outra escola. Lá, eu logo fiz amigos. Eu achava que eram meus amigos... É muito triste você confundir as pessoas que realmente estavam dispostas a serem seus verdadeiros amigos, com os que só estavam com você para se sentirem superior... Foi isso que me aconteceu... Confundi a única pessoa que sempre me apoiou com os que eu achava que eram meus "amigos pra vida toda". A pessoa na qual eu troquei saiu do colégio, aí eu pensei "Finalmente! Agora estou com meus verdadeiros amigos!".
Foi aí que eu passei a gostar de alguém, eu adorava ficar ao seu lado, mal percebia que ele nem ligava pra mim. Fui me confessar pra ele e oque eu recebi em troca...
"HAHAHAHA! É sério isso? Por que eu ficaria com você? Tem outras garotas por aí mais bonitas do que você! Mais legais do que você!"
Naquela hora a minha coragem morreu, e em meu coração surgiu um sentimento de vergonha. Aquelas palavras me fizeram... Fizeram a minha cabeça! Comecei a ficar com vergonha de mim mesma, sempre me pegava pensando coisas do tipo: "Eu sou uma idiota..." ou "Eles estão certos... Ninguém gostaria de ficar perto de alguém como eu...". Fiquei mais deprimida. Percebi que as pessoas a minha volta ficavam assustadas um pouco por eu não falar mais com ninguém e por sempre ficar calada. Eu passei a pensar que era algum tipo de monstro horrível e, passei a me tratar assim... Eu me auto punia. Não, eu não me cortava, eu ficava pensando coisas do tipo: "Tudo estaria ótimo se eu nunca tivesse existido!".
Essa pessoa que eu gostava tinha saído do colégio, e eu continuei igual. Nada havia mudado... Nada além dos meu modo rígido comigo mesma. Eu tinha passado a pensar coisas piores de mim mesma, e estavam piorando mais e mais. Foi aí que eu achei que o mundo estava contra mim, e se o mundo quer guerra... O mundo vai ter! Eu virei uma pessoa violenta na escola, se alguém queria se meter comigo... Bom, continuando... Eu fiquei bastante violenta, passei a gostar de brigas, vivia brigando, sempre era mandada pra coordenação. Foi aí que uma vez:
(Vou narrar desta vez)
–De novo se metendo em brigas?!- A coordenadora estava brava comigo.
–Mas foram eles que come-
–Não me interessa! Você não têm jeito mesmo...- Ela havia me interrompido. — Volte para a sala.
(Fim da narração)
Quando saí da sala eu percebi que, todos os meus esforços que eu estava fazendo estavam sendo inúteis. Eu comecei a avaliar tudo oque as pessoas gostavam e admiravam nos outros. Prestei a atenção em tudo, não perdi cada detalhe. Peguei essas características, todos esses detalhes e fui adicionando na minha personalidade e no meu jeito de ser. As pessoas, percebendo que eu já não estava mais violenta como antes, decidiram tentar ser gentil comigo, aí eu pensei: "Depois de tudo... Será que agora eu terei amigos?". Eu estava certa, todos haviam gostado de mim, um tempo depois eu já havia estado amigas de todos, ou pelo menos pensava... Foi aí que eu me dei conta... Quem eu havia me tornado? Eu me tornei um robô, uma máquina de fazer os outros felizes. Se tinham algum problema, quem chamavam? Eu. Se precisavam de alguém para fazer alguma coisa, quem chamavam? Eu. Eu me transformei em algo... Algo que eu não sou.
Não sei oque sou... Sou uma pessoa rara que não têm defeitos? Ou alguém que estava apenas fingindo e manipulando os outros? Eu colocava as vontades dos outros na frente das minhas, vivia sorrindo para não preocupar os outros, vivia sendo deixada de lado... Mesmo não querendo nada disso... Eu não consegui falar com os outros sobre isso, minha voz não saía. Eu não consegui me mexer e fazer algo, estava presa. Eu não consegui enxergar fora dessa máscara, ela já estava totalmente presa á mim. E agora... Eu desisti de tentar... Desisti de tudo... Durante todo esse tempo eu perdi a minha coragem, ganhei vergonha de mim mesma, ganhei raiva de mim mesma, ganhei medo. Eu estou submersa nessa outra personalidade, e é por isso que agora falo: Não faça como eu. Não finja ser quem você não é senão você pode passar por isso. Eu tenho raiva, tristeza e medo de mim mesma, raiva por ser oque sou, tristeza por ter que aturar dias e mais dias deprimidas por não conseguir dizer oque sinto, e medo... Eu sinto muito medo de tudo isso ter me tornado fraca ao longo dos anos, ter me tornado frágil, ter me tornado uma menina de porcelana. Sinto medo de não poder proteger quem eu amo por ser a tola que sou hoje. Sinto medo do futuro, medo de não saber se vou continuar assim pro resto da minha vida, medo de não saber se essa sou realmente eu ou não, pois afinal... Quem eu sou?

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