The Darkness Side
2 Samantha
Notas iniciais
Copo na mão, um gole, o ultimo. Não, na verdade só mais um. E mais outro, e outro. Pra que parar se assim minha mente estaria mais livre? Álcool, gosto ardente, mas que me tranquiliza de uma maneira inigualável. Há um ano, nada de vozes, nada de sussurros, nada ‘dele’ aparecendo de repente. Teria pena caso alguém tivesse o que tenho. Ter sonhos interrompidos por garotinhas que “necessitam de sua ajuda” não me deixavam com uma boa sanidade mental. Álcool, o único capaz de tranquilizar isso tudo.
- Samantha! Você viu?
Virei-me para olhar Victoria vindo em minha direção. All star nos pés, cachos definidos e um olhar confuso. Só não mais que o meu.
- Vi o que vick?
- Já está sobre o efeito da bebida Sam? Me dá esse copo aqui! Deixe-me colocar mais pq vazio não dá né? – Ela pegou meu copo e encheu com mais uma dose de vodka e coca. – Mas então, eu estava falando daquele gostoso ali atrás, ele nem olhou para mim quando passei. Deve ser um caído com certeza.
- Primeiro vick: Nem todos os caras precisam olhar para você vick, e segundo: Se fosse um caído, você já estaria morta.
Revirei os olhos e encarei minha bebida novamente. Eu devia parar. Minha cabeça já começava a rodar e um pequeno enjoo começava a subir. Mas a infeliz lembrança voltou. O acidente. Eu não aguentaria ver ele mais uma vez. Não podia. Levei o copo direto a minha boca com apenas um gole que desceu queimando.
- O que você conversou com a Alice hoje de manhã? – Perguntei
- Tentei ser simpática, mas parece que com aquela vadia estúpida nada dá certo. – Vick revirou os olhos. Nisso eles param e encaram fixamente para algo atrás de mim. Rapidamente virei-me, derrubando um pouco da bebida na saia. Ali estava. Lissa se aproximava do “gostoso da vick” dando-lhe um beijo.
- Ele realmente é um caído. Aquela vadia me paga. Vamos sam. – Ela pegou a bebida da minha mão e a colocou no balcão, puxando meu braço com força ela fechou os olhos e uma tontura me cercou rapidamente zumbidos estranhos em meus ouvidos. Odiava quando ela fazia isso. Sim era mais prático, mas acabava comigo. Ainda de olhos fechados senti um veludo roçando nos dedos dos meus pés. Havíamos chegado, mas não tive vontade de abrir meus olhos a bebida girava em minha cabeça, aquela ânsia subia loucamente. Senti que ia vomitar. Corri para o banheiro. Vick havia nos trazido até a minha casa por meio de teletransporte. Uma capacidade que alguns podem fazer.
Vick não parava de falar, minha cabeça doía tanto quanto podia suportar. O sono me acometia. Estava prestes a cair no travesseiro e dormir mas já haviam se passado 4h desde que bebeu pela ultima vez e se eu dormisse e tudo acabasse voltando?
- Não sei como a Lissa estava com ele! Aquela vadia! ... – Aquelas palavras entravam por um ouvido e saíam por outro até ela me lembrar de algo com uma última frase. – Ela devia mata-lo. Pelo que eu saiba vampiros caçam caídos.
- Mas você não tem certeza se ele era um caído...
- Claro que tenho! – Ela chegou a quase gritar. Já tinha até esquecido o quanto ela se irrita quando a contrariam. – Eu vi a marca.
A marca. É um sinal para identificar os caídos. Um “x” detalhado no centro da nuca com duas linhas curvas de cada lado. Simbolizavam aqueles que haviam caído do céu há milhares de anos atrás cujo atual e único objetivo era exterminar todos aqueles que não fossem como eles, exceto humanos.
- Mas então, como eles estariam juntos? Ah quer saber? Se aquela vadia quer morrer ela que morra! Já vou Sam. – Ela me abraçou e em um piscar de olhos desapareceu.
--- 3h depois ---
Meus olhos já não aguentavam mais ficar abertos por muito tempo. O efeito da bebida já havia passado, apenas a dor de cabeça predominava. “Você não serve mais para mim...”
Aquela voz. Meus pelos se arrepiaram em um segundo. Não, ele não podia ter voltado. Corri para a cozinha, deveria ter alguma bebida lá. Qualquer uma que fosse. Álcool. Só precisava disso e tudo voltaria ao normal. Não dá para vê-lo novamente e não me lembrar daquelas horríveis cenas. Meu coração não suportaria, eu não tenho estruturas para isso. Abri todos os armários e nada. Gavetas. Até debaixo do sofá procurei por algo. Nada.
“Pode procurar. Não há mais o seu milagroso remédio. E agora você terá que me ouvir.”
- EU NÃO QUERO TE OUVIR! – Gritei, me sentia acabada com aquela voz em minha cabeça. – Eu não suporto tudo isso. – Agora sussurrei mais para mim mesma do que para ele. Encostei-me na parede e sentei no chão. Mal percebi que chorava até sentir algo molhar meu rosto. Fechei meus olhos e acabei por dormir sem querer ali mesmo.
- Hey Sam, por que você fez isso? Pensei que gostasse de mim. – Ele me olhou com aqueles olhos azuis. Observei onde estava. Era meu quarto, a cama, o tapete macio, o abajur na mesinha, tudo assim como o real. Ele chegou mais perto. Foi quando pude perceber sua face com uma expressão vazia.
- E é justamente por isso que fiz o que fiz. Toda vez que e vejo. Que te ouço eu não aguento. Lembro-me do acidente. Da sua morte e sei que não o terei mais. Isso acaba comigo.
- Você sabe mais que ninguém que você poderia estar comigo! Você tem essa capacidade incrível e não pensou em utiliza-la, mas agora não será necessário. Todo esse tempo sem você eu consegui fazer com que nada mais houvesse de você aqui dentro. Tudo o que você fez para me evitar. Isso não te ajudou como acha.
- Era por isso que o álcool me ajudava. Poupava-me desses discursos, desse sofrimento. Agora eu quero acordar! – Disse isso aos prantos, ele segurou meu pulso com força. – Me solta não preciso de outros hematomas Tristan.
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