The Dark Storm
4 Jeny, estou com problemas.
E ele não estava errado. Quando seus lindos olhos verdes tomados pela olheira encontraram Eric, um quase imperceptível sorriso no canto direito de seus lábios apareceu. Eric acena e, quando ela se aproxima, diz :
– Bom dia. Há quanto tempo, Jeniffer.
Jeny solta um agradável "olá", antes de começar a falar tudo :
– Você me conhece bem — ela começa — nunca fui de curtir a vida, de olhar pra ela com olhos poéticos. Mas quando te conheci, conheci também uma razão para viver. Das poucas vezes que nos víamos, eu me sentia uma nova pessoa. Mas eram tão poucas essas vezes, que me desanimava. Criei ciúmes de algo inanimado. Você dividia seu tempo com a maldita delegacia. Seu trabalho sempre foi prioridade, e isso me irritava cada vez mais.
Até esse ponto, Eric não ouvira muita novidade. Sabia de tudo isso. Mas o que vinha a seguir, ele nem tinha ideia do que era.
– Eu estava me sentindo mal havia um tempo. Mas em uma quinta-feira, decidi sair mais cedo do emprego. Eu já tinha as chaves do seu apartamento e sabia que era quinta que você também saía mais cedo. Preparei um jantar, coloquei uma música e esperei por você. Passaram trinta minutos, e você não aparecia. Uma hora, e nada. Acabei dormindo. Acordei três horas depois, com o barulho das chaves na porta e ...
– Jeniffer — interrompeu Eric — Disso eu sei. Mas por que me chamou aqui ?
– Nós discutimos a noite toda. E eu nem pude lhe dizer o que precisava. Só lembrei quando estava no carro, indo pra casa da minha mãe, chorando. Eu estava grávida, Eric. — Jeniffer pausou. Aumentou levemente o tom de sua voz e concluiu — Grávida de um filho seu. O Stephen é seu filho.
Jeny não aguenta. Chora desesperadamente, apoiada em seus próprios braços. Seu choro entra nos ouvidos de Eric, e ecoa em sua mente, que no momento não pensa nada. Seus olhos fixam-se em um ponto qualquer do rosto de Jeniffer e sua boca, entre-aberta, continua imóvel por um bom tempo. Sem reação, apenas tremendo, uma lágrima caí de seu rosto. Eric começou, naquele instante, a acreditar no destino.
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