The Dark Side Of The Sun
10 Capítulo #9
Notas iniciais
– Feito. – Entrei no meu quarto e os garotos estavam sentados no chão.
– Certeza que ninguém te viu? – Perguntou Will.
– Absoluta. – Pisquei para ele e subi a escada em direção ao closet. Peguei algumas peças de roupas deles e joguei escada a baixo.
– Troque de roupa, o jantar começa em 20 minutos. – Peguei uma muda de roupa para mim e me dirigi ao banheiro.
Vesti a roupa rapidamente e dei espaço para William entrar no banheiro. Desci para o andar de baixo e trombei com Frank no meio do caminho que sorriu confiante para mim. Peguei uma caixinha de primeiros socorros em cima do frigobar – não faço a mínima ideia de como foi parar lá – e caminhei até Garrett que sentava todo escolhido no chão.
– ‘Tá doendo muito? – Sentei-me de frente para ele. Seu rosto ainda estava molhado pelas lágrimas, mas essas não eram lágrimas de dor. Ou melhor, eram. Mas não de uma dor física.
– Demais. – Sussurrou e eu percebi o duplo sentido da minha pergunta e da sua resposta.
– Vai passar. – Me aproximei dele e comecei a cuidar de seus ferimentos. Não eram graves, mas mesmo assim Garrett arfava quando eu os limpava. – E não se preocupe, Will disse que vai dar um jeito de trazer comida para você.
– Vocês são os sequestradores mais carinhosos que eu conheço. – Ri baixinho e Gary tentou o mesmo, mas o corte em seus lábios fez com que ele fechasse o cenho.
– E você conhece outros? – Arqueei uma sobrancelha divertida. Garrett fez cara de quem estava pensando, com direito a mão no queixo antes de me responder:
– Não. – Ri um pouco mais alto e selei nossos lábios levemente para não machucá-lo.
– Prontinho. – Disse Frank enquanto descia a escada e arrumava o cabelo com a mão. – Garrett, deixarei meu celular aqui. Se alguém bater na porta, não abra. Fique em total silêncio e qualquer coisa, os números da Ells e do Bill são os únicos salvos.
– O que você quer jantar? – Perguntou William enquanto desamassava a camiseta com a mão.
– Confio em você, Will. E valeu, Frankie. – Ambos inclinaram a cabeça e deixaram o quarto.
Fechei a porta do quarto e rumei ao refeitório com os dois. Olhei para trás e pude ver alguns alunos curiosos olhando para o quarto destruído de Garrett. Acho que William também exagerou quando pedimos para ele deixar sinais de luta no quarto.
– Eu acho que você deve aparecer por lá. – Sussurrou Frank no meu ouvido. – Você é “o protegido do Boyd menor” – Engrossou a voz ao dizer isso. – Tente demonstrar preocupação. Principalmente agora. – Apontou para Norman que havia acabado de chegar ao local.
– Vão subindo, e aproveitem a distração de todos e façam um prato para o Garrett. – Não esperei respostas dos dois e corri até a porta do quarto de Garrett. Dei uma espiada do lado de dentro e pude ver o quarto totalmente destruído e algumas gotas de sangue completando o cenário de destruição.
William realmente exagerou.
– O que diabos aconteceu aqui? – Falei um pouco mais alto, chamando a atenção de todos para mim. – Onde está Garrett? – Norman Boyd apareceu em minha frente e segurou meus ombros fortemente.
– Você de nada sabe, meu garoto? – O desespero em sua voz era palpável. Quase senti pena dele. Quase.
– N-não. – Bem que minha mãe disse que aquelas aulas de teatro um dia iriam ser necessárias para mim. – Já levaram ele para o hospital? Ali tem sangue, senhor Boyd. – Apontei para o quarto por cima do ombro do mais velho.
– Não. – Respondeu simplesmente. Arqueei a sobrancelha em falsa indignação.
– Como assim “não”? Pelo amor de Deus, ele ‘tá ferido. Ou aquele sangue ali não é dele e sim... – Boyd apertou meus ombros mais fortemente quando um sorriso começou a se formar em meus lábios e chegou mais perto de mim.
– Garrett desapareceu, meu rapaz. – Deixei que meu queixo caísse e desviei o meu olhar do de Boyd, dando a volta em meu próprio corpo e abracei a mim mesma. – Vá jantar, meu rapaz. Qualquer novidade eu mando te avisarem. – Passou o braço pelo meu ombro e ficou ao meu lado, enquanto víamos os alunos finalmente subirem para o refeitório.
– Avise-me, por favor. Garrett é muito importante para mim, senhor Boyd. – Pelo menos na minha última afirmação eu havia sido sincera. Boyd suspirou e quando abriu a boca para responder uma voz conhecida soou atrás de nós:
– Me desculpe à intromissão, senhor Boyd. Mas já temos as imagens das câmeras de segurança. – Senhor Bash disse e sorriu para nós, como se quisesse amenizar nossa dor.
– Muito obrigada, Joseph. – A voz de Boyd estava falha, como se prendesse o choro. Minha vontade era lhe dizer que essa dorzinha que ele estava sentido não era metade da dor que eu senti quando ele matou meu pai. – Vá comer algo, menino Travis. – Aliviou-me do peso de seu abraço e caminhou lado a lado ao senhor Bash.
Voltei correndo para o meu quarto e Will e Frank já estavam lá. Garrett já devorava um prato generoso de comida e assim que vi outro prato em cima da cama escutei meu estômago roncar, o que provocou riso geral.
– E ai, como foi com o Boyd? – Garrett largou o garfo no prato com força e praticamente gritou de boca cheia:
– Você falou com meu pai? – Seus olhos estavam arregalados e sua bochecha estufada. Uma cena um tanto quanto cômica de se ver.
– Para de gritar! – Dei um tapa na nuca dele que me olhou feio. – Falei sim. E agora, provavelmente, eles estão vendo as câmeras de segurança. – Olhei para William e ele levantou o polegar.
– ‘Tá tudo ok nas câmeras. Garrett e eu voltamos pelo ponto cego, segundo ele. – Pegou o prato e estendeu para mim. Não perdi tempo e peguei o mesmo, já dando uma garfada generosa e enfiando na minha boca. – Nenhuma câmera pegou uma única sombra da nossa volta. Agora da ida eu fiz questão que todas captassem todos os nossos movimentos. – Piscou para mim e eu pisquei de volta, sorrindo de boca cheia.
Então o celular começou a tocar. Todos nos entreolhamos, completamente tensos. Frank pegou o celular e atendeu ao mesmo, enquanto todos ficávamos em perfeito silêncio.
– Como vai, senhor Boyd? – Seu tom de voz era completamente sarcástico. Um tipo de sarcástico maníaco. Frank era bom nisso.
Escutávamos os gritos de Norman do outro lado da linha, mas era impossível entender o que ele dizia.
– Não se altere, Norman. Você quer falar com seu filho? Ótimo, então falará com seu filho. – Frank lançou um olhar sugestivo para Garrett que com um aceno de cabeça concordou. Seu prato já repousava na escrivaninha e suas mãos apertavam fortemente o tecido da calça jeans.
– P-Pai? Dê o que eles querem pai, por favor. Por favor, pai. – A voz de Garrett era chorosa, mas não era forçada. Ele realmente estava mal com toda aquela situação.
– Escute-me, Norman. Entrarei em contato com você em breve. Alguma gracinha que fuja das normas que eu lhe passei até agora, e seu querido filho... – Frank puxou o cabelo de Garrett que gemeu de dor. – Nos vemos em breve. – Frank desligou e telefone e direcionou um olhar piedoso à Garrett.
– ‘Tá tudo bem, Frankie. Só quero saber se eu realmente vou sair vivo depois de tudo isso. – Ri nasalmente e caminhei até Garrett, apertando seu ombro.
– Já te agradeci hoje? – Garrett sorriu docemente para mim e apertou minha mão.
– Nem precisa. Não estou fazendo isso só por você, Lea. Estou fazendo por mim também. – Algo de muito bom eu fiz em alguma vida passada para merecer Garrett.
Vire-me para Frank que conversava com William perto da janela do quarto.
– Frankie, por que não disse logo o que queria nessa ligação? – Perguntei enquanto me aproximava.
– Não podemos nos arriscar, Ells. Precisamos saber se Boyd está, ao menos, cogitando a ideia de chamar a polícia. – Abraçou Will de lado que olhou para o chão... Corado? – Como Bill é o mais comunicativo ele vai sair em busca de informações, tem 15 minutos para recolher quantas informações puder. – Virou-se totalmente para William e começou a falar. – Leve seu celular, se for passar mais tempo lá ou achar algo que precise ser urgentemente verificado, ligue. E pelo amor de Deus, tome cuidado. – Os olhares dos dois se conectaram e parecia que não iriam desviá-los tão cedo. Sorri maliciosamente e escutei Garrett pigarrear atrás de mim.
– Vá, Bill. – Dei ênfase no apelido que apenas Frank usava.
O moreno pegou o celular em cima da cama e saiu pela porta. Assim que escutei o baque da mesma virei para Frank. Passei o braço sobre os ombros largos e virei nossos corpos, fazendo-nos ficar de frente para a janela.
– Frankie, você quer me contar alguma coisa? – Sussurrei enquanto olhava a lua. Senti o mesmo se contorcer, mas fingi não prestar atenção nisso.
– Tipo o quê? – Olhei para ele e fixei meus olhos nos dele até perceber as bochechas ossudas do loiro adquirirem um tom avermelhado.
– Tipo o que ‘tá rolando entre você e o Frankie. Cara, eu só quero dizer que eu não tenho nada contra, aliás, acho super fofo e... – Frankie me empurrou para o lado e suas bochechas estavam extremamente vermelhas.
– Vai se foder, Goodwin. Eu não sou gay. – Sentou-se em uma das camas de cara fechada.
– Por que será que eu senti sua voz falhar quando disse as palavras “eu não”? – Garrett se pronunciou e eu prendi o riso com um barulho alto.
– Vocês dois se merecem. – Saiu batendo pé até o andar de cima e quando o som da porta do banheiro batendo ecoou pelo quarto, Garrett e eu nos entreolhamos e caimos na risada.
O celular de William começou a tocar e o mesmo desceu as escadas correndo.
– Bill? Como assim “não ‘tá sozinho”? – Ficou um tempinho em silêncio. –Não, Bill. Não, não e não. – Mais algum tempo em silêncio. – Tudo bem, vá. Mas toma cuidado, por favor. Me ligue qualquer coisa. – Ficou mais alguns poucos segundos na linha e desligou o telefone.
– Fala logo o que ‘tá acontecendo, porra. – Garrett-sou- delicado- como- uma- rosa disse.
– Estão dizendo que viram uma mulher entrar na sala de Boyd, alguns minutos atrás. – Sentou na poltrona de frente para Garrett e levou a mão aos cabelos, os penteando com os dedos para trás. – William foi pessoalmente conferir.
– Como assim, Frank? Isso pode ser perigoso para ele! A gente tinha que planejar tudo direitinho. E se pegarem ele, Frank? – Comecei a andar de um lado para o outro do quarto enquanto abraçava meu corpo.
– Ele estava irredutível, Ells. – Parei na janela novamente e apoiei meus cotovelos no parapeito. – Só vamos esperar que ele ligue de novo. – Concordei com a cabeça e senti o calor do corpo de Garrett me envolvendo. Como sei que era Garrett? Não sei, eu apenas sei.
O celular tocou e Frank atendeu, colocando o mesmo no viva-voz.
– Bill? Bill? – Frank estava tão – ou até mais — desesperado do que eu.
– É uma mulher, Frankie. E... Ai meus Deus! Ela ‘tá...
– O que você ‘tá fazendo aqui garoto? – Uma voz feminina disse. Uma voz muito conhecida por mim. Primeiro porque é a voz da possível cúmplice de Norman e segundo porque era a voz da minha mãe.
– Armada. – A voz de Will ecoou baixa do outro lado da linha e o celular foi desligado.
– Bill? Bill? Pelo amor de Deus, não faz isso comigo. – Frank jogou o celular do outro lado do quarto e correu até a porta.
– Aonde você vai, Frank? – Gritei quando consegui recuperar meus sentidos novamente.
– Vou salvar meu menino.
Notas finais
E GM É GOODWIN MEGAN hahah
Fale com o autor