The Dark Side Of The Sun
11 Capítulo #10
Notas iniciais
Garrett e eu corríamos atrás de Frank quando ouvimos um disparo ao longe.
- N-não. – Escutei Frank sussurrar alguns passos à frente antes de recomeçar a correr mais rápido ainda. Aumentei meu ritmo também, rezando para que esse tiro não tivesse ferido Will.
Chegamos à frente do escritório de Norman, a porta estava fechada.
Frank não raciocinava. Estava cego pelo desespero. Abriu a porta e se enfiou dentro do cômodo, eu e Garrett entramos atrás.
- Garrett! – Um Norman Boyd sujo de sangue se pronunciou.
- O que...? – Minha mãe saiu pela porta do banheiro com uma arma firme em suas mãos.
- Mãe... – Sussurrei. Já sabia que era ela, mas vê-la ali, na minha frente... Queimava como o Inferno.
- Essa é sua mãe? – Frank gritou ao meu lado e minha mãe apontou a arma para ele.
- Não grite com minha filha! – Seu tom de voz estava alterado, seus olhos esbugalhados e suas mãos tremiam. Ela estava completamente fora de si.
- “Filha”? – Boyd se pronunciou novamente. Ele pressionava o próprio braço, contendo o sangramento. Percebi o olhar de Megan se direcionando ao mesmo e a dor brilhou em seus olhos.
Então tudo se organizou em minha cabeça.
O olhar de nojo que meu pai lançou à minha mãe quando ela tentou acalmá-lo, o “longe demais” que Boyd havia alcançado...
- Vocês estão juntos! – Olhei de Boyd para Megan diversas vezes antes do choro de minha mãe ecoar pela sala.
- Eu o amo, Lea! Entenda isso. – Apontava para Boyd com a arma enquanto a outra mão pressionava o seu nariz. – Ele me dava amor, carinho. Coisa que seu pai não me dava mais! Apenas me enchia de roupas, sapatos e joias, achando que era isso que eu queria. Norman é o meu príncipe encantado, aquele que eu esperei por todo esse tempo... – Seu choro era desesperado e por um minuto me esqueci de todos que estavam à minha volta.
- Foi você! Você matou meu pai! – Gritei enquanto sentia as lágrimas escorrerem pelo meu rosto.
- Eu não queria! Norman foi se desculpar naquela noite, mas seu pai estava cego pela raiva! Ele bateu no Norman... Ele iria matá-lo, filha! E eu o amo. E ele disse que eu jamais voltaria a ver você e seu irmão, eu me descontrolei! Eu amo demais vocês dois. – Apoiou as duas mãos na mesa, mas mantendo a arma em punho. – Norman me ajudou a limpar tudo, mas você tinha que ter essa ideia maldita de vir para cá, Eleanor! Eu sabia que você era esperta demais, avisei Norman para ficar de olho em você, mas ele não de ouviu!
- Por que não contou para ele? – Perguntei me referindo à minha verdadeira identidade enquanto me aproximava.
- Estava te protegendo, esperava que por não conseguir nada desistisse do Norman. Se eu contasse para ele que na verdade você é a Eleanor, e não o Travis, ele faria de tudo para tirá-la daqui. – O choro de Megan piorou quando parei em sua frente, encarando-a nos olhos. – Mas ai ele me ligou desesperado. Tinham sequestrado o filho dele. – Apontou com a arma para Garrett atrás de nós, e ai eu lembrei que ele, William e Frank ainda estavam lá. – Eu estava em Sheffield já, vim correndo. Sabia que você estava envolvida nisso. Só não esperava que o garoto estivesse de acordo com isso tudo também. – Riu amargamente.
- E onde pretende chegar com tudo isso, Megan? – Meu estômago revirava. Eu me recusava a chamá-la de “mãe”.
- Eu não posso ser presa! Não, não posso... Quem vai cuidar de você, quem vai cuidar de Travis? – Gesticulava rapidamente e pelo canto de olho vi Frank passar cuidadosamente para o banheiro, onde William aparentemente estava. – Eu vou matar todos eles! Isso, todos! Até Norman se você quiser... Apenas me perdoe, por favor. – Abaixou a cabeça soluçando de tanto chorar. – Me perdoa, por favor. – Gritou e passou a mão pela testa suada.
- Deixe todos irem, mãe. Isso é entre nós. – Coloquei a mão no seu rosto, usando pela segunda vez as aulas de teatro naquela noite.
- Eles vão me entregar, Lea! Não vê isso? – Seus olhos não paravam em um ponto fixo e logo sua coluna estava ereta novamente. – Cadê aquele outro? Eu vou ter que matá-los agora, Lea! Ele vai me entregar. – Gritava e sua voz tremia, assim como todo seu corpo esguio. Apontou a arma para Garrett. – Vou começar por você. – Deu um sorriso sádico e antes que eu pudesse fazer qualquer coisa o som do disparo ecoou pelo cômodo. Mas não foi Garrett que foi ao chão: William estava estirado no chão.
Aproveitei a distração de Megan e joguei meu corpo sobre o seu, empurrei a arma de sua mão e quebrei um dos vasos de cerâmica de Norman em sua cabeça. Quando me levantei e virei, Garrett e Norman estavam de pé olhando para o chão. Quando dirigi meu olhar ao mesmo ponto pude ver um William ensanguentado no chão.
- Não, não, não. Por favor, não me deixa. Por favor. – Frank trouxe o menor para seu colo, como se o ninasse. As lágrimas escorriam pelo seu rosto descontroladas e logo senti o meu rosto sendo tomado pelas mesmas.
- Frankie... Eu salvei alguém? – William perguntou num sopro de voz enquanto escutávamos as sirenes da polícia se aproximando.
Eu e os dois Boyds assistíamos a cena calados, compartilhando daquela dor que Frankie estava sentindo. E eu estava ali, presenciando a cena de alguém que eu amo partir, pela segunda vez. Mas aquele momento era deles. Era de Will e de Frankie.
- Salvou, meu anjo. Salvou. – Frank conseguiu dizer em meio ao seu choro. Me aproximei e logo senti os braços de Garrett me envolvendo.
Uma espécie de paz me invadiu, mesmo que eu não conseguisse parar de chorar. Estava doendo de um jeito inimaginável. William estava indo embora e assim como meu pai, foi pelas mãos daquela que um dia eu chamei de “mãe”.
- Então ‘tá tudo bem. – O moreno fechou seus lindos olhos e um grito agoniado de Frank ecoou pelo campus antes do mesmo juntar seus lábios aos de Will.
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