The Dark Side Of The Moon (interativa)
2 Apresentando...
Notas iniciais
Gabriel, sentado na beira do abismo que dividia a civilização da floresta, sorriu para o vento macio da Floresta do Medo. Nome injusto. Aquela floresta era sua casa desde... Bem, desde que perdera a única pessoa a quem realmente amara. Camellia ficaria para sempre em seu coração. Ainda se lembrava dos detalhes do vestido verde. Era tradição entre as mulheres dos bárbaros se vestirem de verde no casamento, desejando saúde para lutar e esperança de vencer. Estava tão linda. Infelizmente, aquela beleza havia sido tingida de escarlate. O mesmo escarlate que tingira seus pais.
– Gabriel? O grude está pronto, idiota. – Clara disse, surgindo do nada, como era de seu costume.
Clara... Ela lhe ajudara tanto até ali. Fora ela quem o guiara para a tribo que se tornara sua nova família, fora ela que o ajudara a proteger seu pai adotivo e futuro sogro no dia do casamento. Ela quase morrera ao tentar salvá-lo. Era o anjo da guarda de Gabriel.
– Clara... Você sabe que nós vamos nos separar, não?
– E?
– Você vai ficar viva até eu conseguir minha vingança, não é?
– Tenho mais chances de sobreviver que você. – Ela sorriu debochadamente.
O rapaz observou os lábios rubros e finos formarem o tão conhecido e irritante sorriso, enquanto uma sobrancelha se erguia. A pele dela era incrivelmente branca e tinha o corpo de uma mulher já feita, apesar de ter quase a mesma idade que ele. Clara era bonita, isso era um fato. Mas, com certeza, nunca chegaria aos pés de Camellia. Ah, as lamúrias de um apaixonado.
– Com certeza, eu não vou sentir sua falta. – Ele comentou, aborrecido.
– Vamos tirar a prova? – Questionou de modo desafiador.
– Hã?
A mulher se aproximou e, num movimento incrivelmente rápido, empurrou-o para o precipício. Gabriel não teve escolha a não ser cair. Fitou os olhos extremamente verdes rodeados por sombras negras. Eles se desculpavam. Porém os lábios continuavam a sorrir.
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– Jhon? Jhon Blue, seu idiota, acorde agora ou vai levar um banho. – Clarissa chamou. Ela tinha longos cabelos negros e olhos bem verdes. Parecia ter um pouco mais de dezoito.
– Cale a boca, Clarissa, e me deixe dormir. – O rapaz pediu, se remexendo na cama dura do Quartel de Cavaleiros de Vossa Majestade, rei Tico.
– É um vagabundo mesmo! – Ela exclamou, despejando a água gelada ao extremo nele – Levanta, estrupício. O mimado infernal quer seu melhor soldado de pé.
– Clarissa... – Jhon resmungou com a cara no travesseiro encharcado.
– O quê?
– Corre! – Exclamou, levantando-se num salto, tentando pegar a garota, que começou a rir e a correr por aí.
O quarto ficava numa das torres mais altas, por algum diabo de motivo que ninguém conseguia entender. Rei Tico era um "idiota excêntrico", como Clarissa dizia. Correram e correram, Era óbvio que ele nunca a pegaria. Podia ser o melhor soldado, porém a morena era mais rápida. Ela correu até a janela. Um beco sem saída.
– Agora eu te mato! – Blue exclamou, avançando para a mulher que estava entre ele e a janela. Clarissa simplesmente esquivou repentinamente, fazendo Jhon se surpreender e não conseguir parar o ataque, o que o fez bater na batente da janela e cair. Um sorriso surgiu na face dela ao ouvi-lo gritar. Dois já foram.
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– Cale a boca, Clary! – Myranda Tsuka, uma menina loira e baixinha, gritou, invocada.
– Você só responde isso porque tem medo de admitir que talvez eu esteja certa. – Clary comentou calmamente, dando um gole em sua xícara de chá e abrindo outro e-mail.
– Eu não tenho medo de nada! As pessoas que devem ter medo de mim. – A loira ainda estava indignada, e a calma insuportavelmente inquebrável da morena de lábios rubros não ajudava.
– Se você está dizendo... Sua indignação apenas confirma minhas palavras.
– Está errada!
– Eu nunca erro. E se eu errar, volte no primeiro passo: Eu nunca erro.
– Odeio você.
– Que seja, vá me odiar em outro lugar que eu quero terminar logo isso aqui.
– EU TE ODEIO! – Berrou, agressiva, e saiu correndo para seu quarto.
A mansão de sua família ainda estava habitável, então, após a fuga do orfanato onde conhecera Clary, voltara para lá. Apesar de agora estar pobre. Foi subindo as escadas, até perceber algo diferente. Parecia que algo a observava. Agora no alto da escada, olhou para trás e... Não encontrou nada. Talvez fosse coisa de sua cabeça. Virou-se para continuar seu caminho, porém alguém lhe empurrou. Clary. Ela sorria, embora os olhos verdes pedissem desculpas. Myranda começou a cair para trás, como se fosse em câmera lenta.
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– Emmanuelle, você rejeitou o Marcos?
– Clarie... Sim, eu o rejeitei... Você sabe o motivo. – A loira respondeu, acanhada. Era já o terceiro menino em dois meses, e nada.
– Sim, eu sei. – Clarie era a única pessoa que já vira Emmanuelle acanhada. Também, era a única que conseguira ganhar toda a sua confiança – Você vai morrer solteira, sabia?
– Não é como se você pudesse dizer algo, não é? – Manú, como preferia ser chamada, replicou.
– Meu caso é diferente. Eu não posso amar, se lembra? Sou incapaz de sentir tal sentimento. Você não, apenas tem dificuldade. Vamos, antes de dona Maira se irrite. – Disse, abrindo o portão do Orfanato de Dona Maira, onde cresceram juntas.
– Okay, sua chata. – A loira resmungou, seguindo a garota de longos cabelos negros e lábios rubros. Passou na frente dela e desatou a correr como louca, não percebendo a pedra em seu caminho e tropeçando, indo em direção ao chão. "Dessa vez, eu não fiz nada...", Clarie pensou com seus botões, se preparando para ir embora daquele mundo.
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– Takeshi, acorde.
– Kina? Kina é você? – O ruivo chamou ainda meio que dormindo.
– Não, não, sou eu. Clarence. Você teve um pesadelo.
Takeshi abriu os olhos rapidamente e se deparou com a mulher que o salvara quando tinha oito anos, quando sua vila fora atacada por Kingruop, o Guerreiro dos Guerreiros. Clarence era alta, tinha pele alva e olhos verdes. Extremamente sarcástica e ranzinza, às vezes era difícil até para ele acreditar que era uma pessoa gentil e amável.
– Clarence? – Chamou, confuso. O sonho havia sido tão real...
– Não, Jathu.
– Esqueceu-se de falar "que ele guarde as almas dos mortos", como na história.
– Eu não sou de Thuja, então não tenho tal obrigação. Agora acorde que temos um longo caminho a seguir.
– Para onde me leva?
– Logo saberá, Takeshi. Logo saberá. – Ela afirmou. Talvez ele demorasse mais que os outros para chegar ao seu destino, porém o caso dele era um pouco mais complicado. Só um pouco.
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