Giovanni ficou pálido e seus olhos se arregalaram ao ouvir as palavras do avô.

– V-você disse que eu irei me tornar um guardião? Um guerreiro que protege o mundo?

– Exato. Eu esperei muito tempo para isso.

– O senhor já sabia? – Perguntou ainda com a voz trêmula.

– Sim. Essa pequena marca em forma de estrela em seu pescoço. Todos os seis escolhidos possuem uma. Essa estrela é conhecida como pentagrama.

O garoto tocou o local da marca em seu pescoço e abaixou o olhar. Já não sabia mais o que pensar de tudo. Passou toda sua vida pensando que era apenas um garoto normal, que iria crescer e se tornar um psicólogo ou biólogo e viver uma vida monótona... Mas de repente seu avô “morto” ressurge. Não sabia mais o que dizer.

– Você está bem filho?

O garoto despertou de seus devaneios e limpou a garganta.

– Sim. Só estava repensando minha vida inteira. – ele sorriu fraco.

– Sei que é difícil processar tudo isso. Mas tive que lhe contar.

– Enfim... – disse o menino voltando a tocar sua marca em seu pescoço – por que a marca de nascença é uma estrela, pentagrama ou que seja?

– Marcas de nascença são símbolos da reencarnação. Todos que nascem e possuem uma marca em qualquer parte do corpo, é sinal de ser uma reencarnação.

– E por que uma estrela?

– Os Hyokas mais antigos dizem que quando o primeiro humano descendente direto de Miguel surgiu, ele foi queimado no pescoço com o símbolo de um pentagrama. Muito tempo depois, quando a situação estava como a de agora, ele resolveu recrutar outros cinco descendentes do Arcanjo e os marcou com o mesmo símbolo. Desde então, a cada nova geração, os seis Guardiões Originais reencarnam com a mesma marca.

– O senhor irá me levar não é?

– Sim. Só precisava explicar-lhe toda a história, para não deixá-lo ainda mais confuso.

O garoto sorriu – Eu gostaria mesmo de ir. Será que serei um bom herói?

– Será o melhor – Lucius bagunçou os cabelos de Giovanni.

– Minha mãe... O que será que ela vai dizer?

– Ela irá entender.

...

Nathan polia sua espada, a expressão em seu rosto era rude e pensativa. A cada minuto se lembrava de sua batalha com a Ira. Queria ter conseguido salvar aqueles humanos que foram tomados pelo poder do demônio.

– O que é essa cara? – disse uma voz atrás de si.

– Uriel? – ele virou o corpo para encarar o amigo.

– Por que anda com essa cara ultimamente?

– Não é nada. Só ando preocupado com essas batalhas.

– Hm. Entendo. Não está sendo fácil, não é? – Uriel era conhecido por sua calma e lealdade. Sempre tendo um meio de reconfortar outros.

– Os Sete Pecados são poderosos e são capazes de tudo pra vencer uma batalha. É isso que mais me preocupa.

Ficaram em silêncio, Uriel fitou o chão com o olhar perdido. Passos foram ouvidos quebrando o silêncio. Uriel visualizou a barra de um grande vestido branco.

– O que fazem aqui tão cedo?

– Elizabeth. Estamos apenas passando o tempo. – Nathan respondeu.

– Hm. Está tudo difícil ultimamente não é?

– Não iremos desistir, tentaremos o máximo para acabar com essa guerra.

– Concordo. Temos que... – Elizabeth sentiu a mão queimar e no local apareceu uma marca. – O que é isso?

– Deixe-me ver. – Uriel se aproximou. – Parece uma estrela. Nunca havia visto algo assim.

Nesse momento passos foram ouvidos novamente, dessa vez mais firmes.

– É a marca dos guardiões.

– Senhor Miguel? Não entendo. Por que apareceu em mim?

– Todos os seis guardiões possuem marcas em seus pescoços. Essa mesma marca surge na mão de seis anjos, escolhidos para proteger e aconselhá-los.

– Então... A quem devo proteger e aconselhar?

– Ao sexto e ultimo escolhido. O garoto encontrado na Itália, seu nome é Giovanni.

Elizabeth abaixou os olhos para a marca. Agora teria se ligado ao garoto.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.