The Dark Side
3 Sonhos não são tão bem vindos assim
Notas iniciais
Estou em uma recepção de hospital. Tento falar com a atendente no balcão, mas nenhum som sai de minha boca. Desisto dela e começo a andar pelos corredores quando paro. Em choque. Minha irmã, Emma, está ali, do outro lado, encostada em uma parede e chorando compulsivamente, apertando o copo em sua mão que ele parece prestes a explodir.
Corro até ela, tento alcançá-la, tento chamar sua atenção, mas ao invés de colidirmos eu a atravesso. Emma não parece me notar.
- Emma, querida, pode vir aqui um instante, por favor? — diz uma voz chorosa e doce vinda de um quarto próximo. Mamãe.
Entro tão desesperada no quarto que quase tropeço em uma mesinha móvel e só então lembro que provavelmente também posso atravessá-la.
Minha mãe está sentada em uma cadeira de metal, os cabelos castanhos escuros mais emaranhados do que nunca. Seus olhos estão vermelhos e inchados e ela olha fixamente para a frente.
Me viro lentamente e mil armas de choque parecem atingir meu corpo.
Sou eu.
Eu estou ali, inconsciente e pálida demais para sequer parecer viva, que dirá saudável. Tubos saem de meu nariz e agulhas furam meus pulsos. Ao lado da cama, máquinas apitam incessantemente um som irritante e histérico como um corvo. Seus painéis mostram linhas quebradas que identifico como as batidas do meu coração. Tão lentas, tão fracas.
Então uma dor absurda chacoalha meu corpo e minhas têmporas parecem estar sendo abertas por uma furadeira. Já não consigo mais ver ou ouvir minha mãe soluçando e não sei se isso é bom ou ruim. A dor é tão insuportável que caio no chão. Eu grito.
E acordo arfando e engasgando em busca de ar.
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