The Dark Room
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Olhei para as marcas em meus bracos... pequenos furos profundos que penetram minha alma...marcas de um passado distante presente...agulhas que ainda parecem estarem la'...observo calado o tempo que insiste em parar...nao sei ao certo quando tudo comecou...nem quando tudo terminou...mas sei que hoje existem grades e la' fora ha' uma grande tempestade...comecei a ter medo de sonhar...mantenho os olhos abertos...por todos os lados a ruidos, passos...percebo que hoje a pessoas diferentes...talvez seja dia de visita...Logo vejo uma figura sombria que me faz lembrar amigos que ja se foram...tento me levantar...nao consigo...la'grimas escorrem pela minha face...angustiado...preso...nao consigo pensar...imagens distorcidas do que foi minha vida...vejo apenas algumas cenas ... cenas de um quarto escuro...Quando fecho os olhos eu viajo para esse quarto...lentamente vou caminhando...adentrando a uma casa velha...moveis velhos, sujos, em meio a ratos correndo no chao...finalmente abro uma velha porta descascada, velha...com pouca luz vejo alguem no chao junto a uma poca de sangue...o cheiro de mofo e' insuportavel...me aproximo e vejo uma seringa caida ao lado...me deparo entao com sua face palida descorada...e' entao que vejo meus amigos adentrarem no quartinho escuro... percebo ... que sou eu no chao...Eles nao choram, nao se assustam ou ate mesmo reclamam o acontecido ao Criador...rapidamente procuram entorpecente e dinheiro em meus bolsos...me despem de meus pertences...decidem enterrar-me nos fundos...Ainda ouco as gargalhadas das piadas mal contadas das bebedeiras de outroras que antes juntos dividiamos mesas de butecos na augusta, camas de bordeis sujos em meio a garrafas espalhadas ao chao e todos fartos abracados ao mesmo seio fascinados com o mundo que surgia, caminhadas de passos juntos embriagados na pequena orla da praia do meio de trindade, respirando a mesma fumaca da fogueira que queimava na fogueira da antiga sao tome, do alto de alto de suas pedras viajavamos o mesmo destino dos loucos ouvindo ventania... notas tiradas coladas juntas no colegio...nada disso tinha mais valor...ja fazia tempo que todos estavamos dentro daquele quartinho escuro...de um jeito ou de outro o fim seria o mesmo para todos...Naquele momento clamei aos ceus para que alguem me ouvisse...prometi nunca mais entrar naquele quartinho escuro...clamei ao CRIADOR...senti que seguravam em minhas pernas e em meus bracos...escutei distante...a cova ta pronta!...nao conseguia enchergar mais nada...apenas sentia meu corpo sendo levado...Joga ele na cova!...Eu consigo entender meus amigos.... a busca inevitavel de mais uma dose e' terrivel...enterraria a propria mae sem sentimentos ...Lembrei-me de que um dia atraz invadi a casa de minha mae onde eu ja nao era bem vindo e no momento que eu revirava suas coisas ela entrou no quarto, aquele olhar foi a sentenca de morte, nada e' igual aquele olhar de desanimo, de frustracao, de cansaco, de quem a seculos nao dorme, com a voz fraca e rouca me disse — voce ja levou tudo de valor, sera que consegue negociar meu rim? ainda tenho dois...Sentia a terra caindo por cima de mim...lembrei-me de quando crianca correndo atraz de bola...como eu era ligeiro ...queria ser jogador de futebol...tinha um bom porte fisico...fiz um gol memoravel uma vez num campeonato...tinha uns dez anos...a bola veio alta...matei-a no peito, escorreu para minha canhota, ajeitei para a direita o marcador veio , com um toque a frente tireio da jogada e iniciei uma corrida em direcao ao gol , uma jornada de uns cinquenta metros...me lembro que ventava muito ...estava para chover...aquele sopro de ar frio em minha face gelava minha alma mas aquecia meus animos e como uma maquina na forca bruta trombei entre dois moleques...cada um caiu de um lado...quase caindo mantive o equilibrio...ainda tive tempo de olhar para traz e ve-los ao chao e ao fundo o pessoal da escola em pe' gritando, incentivando para que eu alcancasse a bola...o ultimo zagueiro ja se aproximava bufando...quando com uma brusca parada limpeio do lance deixando-o derrapar sobre a grama aspera...o golero sentindo a pressao do lance ja vinha com os olhos arregalados...era o meu momento inesquecivel...ele nao teve nenhuma chance...coloquei no canto ...dei praticamente uma volta olimpica comemorando o gol com meus colegas...pensei na minha avo' que morreu na mesma e'poca...sua face castigada pelo enfisema proporcionado pelo cigarro...sua pele ressecada...sua voz rouca e quase sem ar...lembrei-me da campainha do quarto de minha avo'...por um tempo fui o responsavel pela campainha...toda vez que ela passava mal eu tocava a campainha que tocava na casa de meus pais e tios...as vezes era dificil quando subitamente surgia uma crise de falta de ar e eu nao encontrava a bombinha...eu tinha de oito a dez anos...mas o engracado e' que eu era o neto preferido de minha avo'...ela por ser muito brava permitia apenas a minha presenca...sera que era por eu ser cumplice do seu vicio escondido do cigarro , o qual eu treinado desde pequeno comprava para ela ...... nao creio ... tinha-mos algo muito maior...nos defendiamos...nos entendiamos...eu sentia sua aflicao ...sua vontade de fumar...enquanto todos a proibiao e censuravam , ela limitada fisicamente, era eu que proporcionava tal alivio ate o dia de sua morte ela nao passou vontade....morreu sufocada sem ar nos meus bracos...abracada a mim ...eu tihna dez anos...a familia so' descobriu que eu fornecia os cigarros neste momento ...de sua morte.... Pensei em tantas coisas que deixei de fazer...outras que nao devia ter feito...Percebi que comecou a chover...muito...interromperam o meu funebre enterro e correram para dentro da casa...Naquele momento uma rajada de raio caiu ao meu lado...um estrondo...como uma grande bomba...percebi enorme clarao...um esplendor... Abri os olhos...Nao entrei mais naquele quarto escuro...mas tem um preco bem alto...O quartinho escuro sempre me acompanha...
Aquela figura sombria metodica vestida toda de branco aproximou-se de mim...Para mim nao fazia diferenca, apenas deveria ficar atento aos sinais...--Logam , consulta com Dr. , agora! ...A afirmativa era um sinal...apenas tinha que seguir na direcao indicada...como muitas vezes fiz....novamente ...Lentamente dirigi-me ao consultorio do Psiquiatra mais esquisito e paranoico do hospital...Criei uma especie concentracao pessoal em que so' me focava no que me interessava...nao reagia a divresas perguntas se nao fossem do meu interesse...na maior parte das vezes eu nem as ouvia...era eu que analisava...observava tudo...todos os detalhes...e tinha um verdadeiro enredo em minha mente sobre varias pessoas...personagens...oque me mantinha ocupado...longe do quarto escuro...Comecou a consulta...Ele brigou novamente com a esposa...sua gravata esta com o no' mal feito novamente...com certeza seus sintomas de paranoia vao estar acentuados hoje...nota-se rapidamente que a camisa nao esta ornando como de costume com a gravata...Seus olhos hoje estao sem profundidade ...sem aquele brilho rotineiro de questionador...talvez algo grave tenha acontecido...--Logam, ha' um ano voce esta aqui, preciso de respostas, estou sendo pressionado, oque aconteceu naquele fatidico dia ? ...minha atencao voltou-se a pergunta ...--Foram encontrados dois corpos em um quarto daquele casa abandonada, o do Sr. Garcia e do Sr. Hermam, ambos com traumatismo cranio encefalico ou seja com a cranio esmagado, havia sinais de luta segundo a policia, eles foram espancados, foram encontrados seringas com vestigios de heroina, e no seu sangue havia grande quantidade de heroina, suficiente para sustentar o vicio dos dependentes da ala deste hospital por um mes... Oque aconteceu la'?
...Minha mente voltou-se para a cova...eu vi o raio novamente...o esplendor...tive um impulso inicial de tirar a terra de sobre mim...levantei-me...novo raio explodiu ao lado enquanto a chuva se transformava em intensa tempestade...relampagos e trovoes saudavam meu retorno...em pe' na beira da cova acometido de imensa raiva ceguei por instantes...peguei a pa' que ao lado testemenhuva meu infortunio e agora meu regresso...pensei tambem na imagem deles usando a minha droga rindo da minha face cheia de terra...logo meu corpo extremeceu anceando nova dose...caminhei com a pa' em minha mao em direcao a casa...Ouvi grande estrondo...outro raio caiu sobre a casa ...parecia ter a atingido bem no meio ...mas de tal forca que um clarao cegou-me por instantes ponde-me por terra ao chao.... ainda nos fundos...seguiu-se diversos gritos...estrondos de madeira quebrando...sequencialmente novamente raios cairam sobre a casa...parecia que o mundo desabava e sobre no's uma baixa nuvem negra pairava descarregando sua tempestade de forma violenta...Mesmo assim enchi -me de energia e corri para a porta dos fundos da casa que permitia acesso ao seu interior...deparei-me com Lopes ensanguentado , que assustou ao me ver: --Voce esta vivo...nao entre ai cara..fuja enquanto a tempo...Correu como sempre muito ligeiro atravenssando uma janela ganhando a rua e nunca mais o vi...ainda penso que deveria ter o seguido...mas adentrei a casa...e caminhei em direcao ao quarto de onde havia movimentacao...ainda segurando a pa' em minha mao...nao sabia oque me esperava...quando cheguei a porta do quarto estava tudo escuro...algo entao se aproximou da porta muito grande , diferente, tinha um corpo cinza , torax avantajado, nao era um ser humano...seus olhos eram vermelhos e grandes...arrepiei-me por inteiro...nao fazia sentido aquilo...ao fundo ouvia os gemidos de dor de meus amigos...Ninguem acreditaria naquilo...oque seria aquilo...Aquilo virou-se de costas para mim adentrou novamente no quarto escuro e entao os gemidos de dor se tornaram um silencio infinito e frio...ouvia-se apenas a tempestade de raios que novamente acentuava-se ...sai correndo...Na verdade coisas estranhas vinham acontecendo a algum tempo e com frequencia...
–-Nao Dr. nao consigo me lembrar de nada , apenas de acordar e ver que estavam mortos me apavorar e sair de la' correndo...como o Dr. disse havia usado grande quantidade de heroina aquele dia....
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