The Dark Order
2 CAPÍTULO II : Contra tudo e todos
Notas iniciais
Depois de tal ocorrido, o que poderia uma criança sozinha fazer? Bem, se fosse uma criança normal, teriam o encontrado. Mas ele não era uma criança normal. Depois de passar por tudo aquilo, tudo o que poderia fazer era esconder-se, e rezar para acordar logo daquele maldito pesadelo, que o torturava todo o tempo. Sua família toda assassinada, todos aqueles que amava estavam mortos. Isso era muita coisa para uma pequena criança de sete anos aguentar, mas ele tinha de ser forte.
Alguns dias se passam, e logo as necessidades fisiológicas vêm à tona; fome, sede, frio... Mas ele não tinha coragem de pedir por ajuda, já que desconfiava que qualquer pessoa poderia o estar caçando. E eis que em um certo momento, enquanto vagava pelas ruas escuras de Tóquio, Yuusaki se depara com a exaustão. Cansado, sem conseguir prosseguir, se encosta em uma lixeira, e volta a chorar.
— Mãe.. Pai.. Nee-chan... — Fala, se lamentando.
De repente, surgindo das sombras projetadas no beco, uma voz suave, porém firme, ressoa até seus ouvidos:
— Não deveria estar na rua a uma hora dessas, garoto.
— Q-Quem está aí?! — Respondeu, assustado.
Então, chegando mais perto, Yuusaki vê uma figura masculina, mas que não lhe parecia assustadora, e sim acolhedora.
— Fique calmo, garoto. Eu vi o que você fez, e estou te observando desde então.
— V-Você viu? — Respondeu, ainda assustado — Por favor, não chegue perto, não quero mais machucar ninguém..
— Então está dizendo que se me aproximar, irá me machucar? Acha que tem essa coragem, pequeno garoto?
Yuusaki fica ainda mais assustado com o homem. Então, ele foi se aproximando, cada vez mais, até que um pequeno reflexo da lua em uma poça de água o permitiu ver a face do homem, que aparentava ser um senhor.
— O-O que você quer comigo? — Pergunta assustado.
— Quero lhe ajudar, garoto. — Respondeu o senhor, com um rosto amigável — Eu sei que você já está no seu limite, então decidi vir te ajudar.
— Me ajudar? — respondeu, um tanto aliviado — Me ajudar como?
O senhor estendeu sua mão direita, como que estivesse tentando ajudá-lo a levantar. O menino ainda fica receoso, mas decide segurar na mão dele.
— Bom garoto. Está com fome? — Disse o senhor, com um rosto carismático.
— B-Bom.. Sim.. — Respondeu, com um rosto de leve desconfiança.
— Então lhe levarei para comer alguma coisa. Tem nome, garoto? — Perguntou.
— Err.. — Fica receoso de novo, mas decide responder — Me chamo Yuusaki, Yuusaki Keikorou.
— Oh, que belo nome. Um nome digno de um pequeno, e corajoso garoto.
— E o senhor? Como se chama? — Pergunta, já com mais confiança no velho.
— Meu nome... Bem, por enquanto, apenas me chame de Mestre.
Yuusaki fica sem reação, mas decide levar em consideração o que o velho disse. Ele o levou para um Fast Food que estava aberto, e pagou um pequeno lanche ao garoto. Enquanto o garoto se empanturrava, o velho "Mestre" recebeu uma ligação, e se ausentou do local para atendê-la. Era um de seus subordinados.
— Então Mestre, conseguiu convencer aquela criança? — Perguntou uma voz feminina, do outro lado da linha.
— É claro que consegui. E parece que teremos um ótimo aprendiz, já que eu pude ver o ódio pelos seus olhos. Aquele garoto anseia por vingança, isso eu posso sentir. E pelas habilidades que eu presenciei, ele será crucial para darmos procedimento aos nossos planos. — Respondeu, cheio de orgulho.
— Bom.. Devo mandar um carro, Senhor?
— Por favor. Aposto que aquele garoto não consegue mais andar um metro, de tão exausto que está.
O velho desliga o seu telefone, e volta para onde o garoto estava. Ele já havia terminado sua refeição, e mostrava claramente que estava cansado. Em poucos minutos, o carro que fora pedido pelo senhor chegou, e os levou para uma instalação extremamente secreta e bem escondida, dentro do monte Fuji. Yuusaki se rendeu ao cansaço, e dormiu a viagem inteira.
Algumas horas depois, ele acorda, e percebeu estar deitado em uma cama, que era um tanto confortável, e aconchegante. Ele se apoia na cabeceira da cama, e olha em volta; um quarto meio vazio, de paredes claras, sem janelas. Uma pequena cômoda à frente da cama, e um par de criados mudos, um em cada lado da cama. Ele se levanta, e ao olhar para a porta se assusta; havia uma garota, que aparentava ser da sua idade, de cabelos loiros, meio escondida atrás da porta, que estava levemente aberta. Era como se ela estivesse espiando-o.
— Ei! Quem é você?! — Pergunta, depois de levar um baita susto.
A garota tenta escapar, fechando a porta, mas ele foi mais experto; abriu a porta, e correu atrás dela:
— Ei! Espera! — Grita, correndo atrás dela.
A garotinha, ao olhar para trás para ver se ele ainda a perseguia, não notou uma leve ondulação no carpete, e tropeçou. Ele conseguiu alcançá-la, já que ela estava caída no chão.
— (Arf, Arf) Por que você correu de mim? — Perguntou, com uma voz meio seca, e respiração forte.
A garota olha para ele, que mostrava um rosto sério, com os cabelos brancos jogados contra o rosto, o que o deixava meio assustador, e faz uma leve expressão de choro.
— Ora, ora.. Não sabia que crianças faziam este tipo de coisa.. — Disse uma mulher, com um uniforme de empregada — Acalme-se, pequena senhora, ele é só um convidado do Mestre.
Yuusaki fica sem entender a situação, e sai de cima da garota. A empregada ajuda ambos a levantarem, e a garotinha começa a fazer alguns gestos que ele não entendeu muito bem. A empregada responde:
— Sim, pequena senhora, o chamarei imediatamente.
— Ei, ei! Como assim? Ela não disse nada, e mesmo assim você a respondeu? — Ele pergunta, com uma expressão de dúvida.
— Ah sim, é que a pequena senhora é muda, por isso ela fala por linguagem de sinais. — Responde ao garoto, com um leve sorriso.
— Ah... Eu não sabia, me desculpe.. — Diz, com um rosto envergonhado.
A garota vira pra ele, faz alguns gestos, e segura suas mãos, com um sorriso. Ele, sem entender o que ela quis dizer, olhou novamente para a empregada.
— Ah, ela disse que estava tudo bem, e quer fazer amizade com você. — Responde, e se vira, com o rosto corado, e as mãos sobre suas bochechas — Ah, a juventude...
— Bom, parece que a minha pequena já fez amizade com o novo aprendiz — Disse o Mestre, surpreendendo a todos, com sua aparição repentina — Mas sabe garoto, se quiser se dar bem com ela, é melhor aprender também a linguagem de sinais. Ela pode te ouvir, mas não pode falar com você.
— Hmm.. Bom.. Eu nunca ouvi falar sobre isso.. — Responde o garoto, com um rosto confuso.
A garota solta suas mãos, e faz mais alguns gestos. Ele volta a olhar para a empregada.
— Oh, tem certeza, pequena senhora? Sabe que será difícil, não sabe? — Respondeu à garota, com um rosto meio espantado — Sabe, ele não deve nem saber ler!
— Como assim não sei ler? Eu sei ler sim, tia! — Respondeu Yuusaki, com uma expressão brava — E mais, meu pai me ensinou a ler e escrever vários kanjis, então eu não sei só katakana!
— Oh, que surpresa... Espero que sim, pois a pequena senhora me pediu para lhe ensinar a linguagem de sinais..
— Creio que teremos tempo, mas outra hora. Yumi, volte para seu quarto. Tenho assuntos a tratar com esse garoto.
A garota se despede fazendo gestos, dizendo "Entendido vovô, vejo vocês mais tarde".
— Vamos, pequena senhora, está na hora da sua lição. — Disse a empregada, levando-a para longe.
O velho Mestre despediu-se de sua neta, apoiou seu braço sobre o ombro do garoto, e o levou para uma parte afastada de onde eles estavam. Os dois passaram por um corredor, que continham várias portas. O Mestre disse que eram quartos de alojamento dos seus subordinados.
Após passar pelo corredor, eles chegaram no que parecia ser o centro do complexo em que estavam. Ele levou o garoto até um local, que parecia ser um vestiário.
— Pegue isso. — Disse o velho, com um rosto mais sério.
O velho entregou para Yuusaki uma chave, com um número, e disse para procurar o armário com o número indicado. O Número era "CZ 00805", que coincidentemente era idêntico ao nome do soro no qual ele precisava usar para continuar a desenvolver seu corpo. Ao chegar no armário, ele se depara com um pequeno engradado, que dizia "Soro Imunoretardante CZ-805 GH", e em cima, pendurado em um cabide, uma espécie de uniforme. No uniforme estava preso um bilhete, que dizia "Não esqueça de tomar uma porção deste soro todos os dias — mamãe". Ao ler isso, seus olhos se encheram de lágrimas. Ele vestiu o uniforme, abriu o engradado, pegou uma seringa, e injetou o soro no seu braço. Ele estava acostumado a fazer isto, já que sabia ser necessário para ele poder se desenvolver.
Logo após terminar, fechou o armário, pegou novamente a chave, secou suas lágrimas, e se dirigiu para a saída. O velho Mestre o estava aguardando.
— Olhinhos vermelhos, hã? Deve ter lido o bilhete então. — Disse ele, segurando novamente o garoto pelo ombro.
— É.. Eu li..
— Bem. Você conseguiu evitar debulhar-se em lágrimas, e isto é muito bom. Agora venha, está na hora de começarmos seu treinamento.
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