The Dark Knights
3 Primeira Semana - Parte Dois
Notas iniciais
No sábado, Milena, após as dificuldades para dormir. Acorda no dia seguinte com o cabelo todo amaçado e bagunçado. Seus orbes verdes miram o despertador e a moça vê que já é meio-dia. Suas pálpebras ainda pesavam um pouco, mas aos poucos ela começa a se levantar.
Ao levantar-se, ainda de pijama, ela segue pelo corredor até as escadas em direção a cozinha. Chegando ao andar de baixo já na cozinha. Ela bocejava e coçava os olhos tentando abri-los. Estava estranhando aquela quietude toda, sua mãe deveria tê-la chamado para tomar o café da manhã. Olhando em volta Milena se depara com um bilhete na geladeira.
Nele estava escrito “Milena, tive de sair agora na parte da manhã e seu pai saiu mais cedo para trabalhar, mas me disse que estaria em casa as três, por favor, querida cuide da casa pra mim até ele voltar. Beijos querida. Fica com Deus.”. Murmurou com desdém ao terminar de ler o bilhete da mãe.
- Não vou perder meu final de semana esperando o velho. Além do mais... – Sorriu. – Tenho umas coisas mais interessantes pra fazer! – Milena subiu para o seu quarto correndo trocar de roupa.
[Esconderijo dos Heróis]
O misterioso ser que dava as ordens estava em uma das partes mais escuras do velho prédio no qual viviam os obscuros seres. Ele segurava sua espada Katana apenas com a mão esquerda olhando com ar de onipotência...
- Levante... Agatha... – Desafiou-a. Ela ofegante então fincou a ponta de sua espada no chão e apoiou-se nela, erguendo-se com dificuldade, ficando em fim, de pé.
- Você... – Respirou fundo. – Vai me p-pagar... – Retrucou a morena quase caindo novamente, segurando firme o cabo da espada um pouco tremula. Ela firma-se nos pés novamente e caminha em direção ao seu oponente mancando um pouco devido a um ferimento que lhe fora feito pelo seu Líder. Ao ver a cena ele ri debochadamente da atitude da jovem.
- Vem. – Provocou. Agatha começa a correr irada, rugindo. Empunhou sua espada na altura dos ombros. Seu oponente só fazia olhar para ela com um sorriso maroto e desdenhoso, postura ereta e antes que ela se aproximasse dele ele embainhou sua espada para poder se divertir por mais tempo. Quando Agatha encontra-se mais próxima de seu alvo, pára a corrida bruscamente, joga o peso do corpo no sentido oposto para inverter o movimento e dá um salto mortal para trás, aplicando um golpe vertical, no ar. Sua Soul Stealer estava prestes a tocar no líder, porém, ele vira uma sombra negra que expande rapidamente como uma nuvem de fumaça e some tão rápido quanto surgirá.
- Estou aqui. – Agatha percebe a voz do adversário atrás dela, então vira-se instantaneamente já preparando outro ataque, mas quando se vira, vê que ele também está logo em cima dela. Ela joga o corpo para o lado direito para escapar do murro que vinha na direção dela. Aproveitando o mesmo movimento, dá uma volta completa e tenta acertá-lo mais uma vez com a sua espada ceifadora. O líder abaixa, dá um giro, e tenta lhe dar uma rasteira.
Agatha sorri com desdém e da um leve salto seguido de cambalhota para frente.
- Posso estar ferida... Mas ainda assim... Você não devia me subestimar – Voltou-se para encará-lo, mas...
- Você nunca aprende... – Disse ele um pouco ensandecido, rindo maleficamente. De costas para Agatha golpeou-a pelas costas com o cotovelo empurrando-a para frente.
Em seguida deu mais uma rasteira. Que desta vez conseguiu atingir sua “súdita”. Enquanto ela caia, deu-lhe ainda uma joelhada na boca do estomago, fazendo a menina perder de vez o fôlego, sangrando ligeiramente pela boca e derrubando sua espada, deixando-a cair no chão batendo a cabeça.
- Você... JAMAIS! – Pisoteou-a. – Irá me vencer. Não importa o quanto você tente. – Frisou, passando a rondá-la, em meio à roda formada pelos outros membros da ordem que apenas assistiam com suas espadas também de prontidão, menosprezando-a cada vez mais. – Levanta. – Chutou a cabeça da pobre mulher fazendo com que os óculos, cujo quais todos usam, saíssem do seu rosto. Agatha com seu espírito guerreiro não se dá por vencida. Respira fundo e tenta se levantar mais uma vez. Usando o braço direito para erguer o tórax. Lentamente ela se arrasta para longe do líder, conseqüentemente também, para longe de sua espada, e este ao ver que ela voltou a reagir se alegra.
- Ta ficando divertido! – Riu espalhafatoso e com muita sede... De sangue.
Agatha usa as mãos e puxa a perna boa para cima para sustentar melhor seu peso. Gemendo um pouco, aquela “amazona” fica de pé mais uma vez. Estrala o pescoço duas vezes. Estende a mão direita para o lado e faz com que suba do chão seu maior pertence e com poucos giros retorne para o seu domínio.
- Vai ficar aí parada? – Como um relâmpago, Agatha se virá e sai em disparada na direção daquele que, até onde se sabe, deveria ser seu superior. Mas Agatha estava farta daquilo. Queria ser mais superior também, não ser tratada como qualquer. Disparada, corria cerrando os dentes de raiva. Sua boca sangrava e a região da têmpora também. Eis que o seu adversário também se pôs a correr, porém, sem sua espada. Enquanto corriam, algo surge na frente do líder, vindo do chão. Ele vê o perigo antes que possa ser atingido e dá um salto para trás para se esquivar. Após esquivar-se, vê que era um clone de Agatha com sua espada perfeitamente voltada para sua cabeça. O clone desaparece logo após o ataque falhado e o líder misterioso percebe que Agatha não está mais a sua frente. Tudo isto numa fração de segundo. Então, o homem que a pouco se vangloriava é atingido pelas costas.
Agatha sorri, mas novamente ele some diante de seus olhos. Ela abaixa a cabeça e vira de costas empunhando a espada a sua frente para bloquear o ataque furtivo do inimigo. Os dois sorriem e se afastam rapidamente. Agatha decide copiar a tática furtiva dele e no momento que se afastam cria outro clone para pegá-lo desprevenido pelas costas. Ele percebe a intenção dela de ataque e dessa vez pula em sua direção girando no meio do ar manejando a espada. “Vou te partir ao meio” pensou. Agatha empunha sua katana personalizada numa posição horizontal, evitando assim, o gosto da lâmina de seu mestre. No mesmo instante ela cria outro clone para atingi-lo por baixo enquanto suas armas ainda estão em contato. Sempre astuto. Ele dá mais um giro sobre a cabeça da morena desviando de mais um clone. A jovem morena, também astuta, já previa tal movimento. Ela ataca com um corte mais baixo aonde ele irá cair, mas aproveitando o movimento anterior, ele estica a perna tentando golpeá-la com um ponta-pé. Agatha joga o corpo pra trás. Levanta. Dá meia volta e como se rasgasse o ar junto, faz um corte de baixo para cima. Porém, antes que ela complete o movimento ele já conseguira tocar o chão. Ele tenta se afastar dela com um salto mortal para trás e o faz, mas quando está voltando para o chão ele vê outro clone surgindo e dá outro salto. Agatha bufando agarra o cabo de sua espada parada acima dela com muita força. Cravando suas unhas em sua própria mão, fazendo-a sangrar. Em sua expressão era cada vez mais visível o ódio que ela sentia por ele. Os clones não paravam de sair do chão enquanto o adversário continuava a esquivar com o mesmo salto. Num dos saltos ele golpeia um dos clones de Agatha. Quando consegue enfim ficar de pé no chão ele a encara novamente um pouco ofegante.
- Chega de brincadeira! – Disse ele, porém Agatha não se abala. – Cuidado com os pés. – Disse ele sorrindo. Agatha não tem tempo de se virar dessa vez. O líder acabara sendo mais ligeiro ao criar um clone atrás dela que cortou sua bota e seus tendões dos pés. Ela perde a sustentação e seu calcanhar de Aquiles desliga-se do pé deixando exposta a parte interior de ambos, como: os ossos, os músculos etc. Ao cair de joelhos perante ele, sangue esguicha do ferimento e escorre rápido formando uma pequena possa em torno de seus pés que aumenta pouco a pouco. Ela apóia-se sobre as duas mãos para não dar de cara no chão, ficando por sua vez, de quatro, segurando sua dor. O líder vitorioso se aproxima e adverte-a mais uma vez.
- Eu te disse. Você jamais vai me vencer – Falou, fingindo serenidade. Parou ao lado dela. – Deixe de ser tão idiota. Pare de me desafiar a todo o momento. – Alertou. Ele puxa sua espada para cima e finca nas costas de Agatha que grita. Ele ri e repete o ataque várias e várias vezes. Agatha aos poucos vai perdendo as forças a cada golpe. Começa a cuspir sangue. Sua visão começa a sumir.
Seu corpo não agüenta tantas agressões e vai ao chão outra vez.
- Tadinha! – Simulando sentimentalismo. Como se já não fosse o bastante, deitada sobre a poça de seu próprio sangue a pobre moribunda fora rolada para cima com o pé do vencedor que o fazia somente pelo prazer de humilha- lá até o ultimo suspiro. Quando ela vira para cima com parte da face suja, manchada de vermelho... “É o fim!”. Sorriu. O possante líder da misteriosa “Ordem” empunhou sua espada e ergueu-a ao céu e iluminou-se com o brilho da lua cheia daquela noite. A luz invadia o prédio abandonado, no qual se situavam os membros da organização todos em posição de sentido formando um circulo um ringue, para aquele confronto entre os dois, por uma parte arruinada. A luz refletiu em seus olhos que não reagiram devido ao seu corpo já estar muito enfraquecido. Sua visão escurecia enquanto ele se preparava e deu o golpe final.
[ Nas ruas ]
Desolada, menina solitária. Caminha pelas enormes ruas de sua cidade com ambiente altamente urbano. Pra onde se olha vê-se prédios. Prédios à direita, enormes prédios à esquerda. Plantas e arvores só mesmo para enfeitar. É o mal do homem, o mal do século XXI, cada vez mais as pessoas se tornam consumistas e mais, e mais a natureza sem ter como se defender vai perdendo seu espaço para os homens. Afinal, o que é um ponto verde no meio das grandes cidades? É uma arvore plantada em um cantinho minúsculo pra se tornar ecologicamente “correta” ou pode ser um novo prédio sendo construído pintado com essa cor “horrível”. Era o que pensava de vez em quando, Milena, a ambientalista. Se pelo menos do próprio lar os homens que os constroem cuidassem, porém, nem isso cabe em suas agendas apertadas. Pelas ruas asfaltadas ela via as pessoas roubando vidas, pessoas vendendo. Também tinham aquelas raras de se ver pessoas honestas, gentis e trabalhadoras, que gostam de ajudar as pessoas. Uma em um milhão. E ainda somem como vultos cedo ou tarde consumidos pelas vontades do mundo, cada vez mais frio e cruel. Milena se via entre essas ultimas pessoas. Tinha sonhos, hoje tem objetivos. Tinha ternura, agora é calculista em prol de algo que ela ainda nem sabe se existe, mas que acredita ser por um bem maior. Tão pouco sabe pra onde está tentando ir. Agora ela passa a ter consciência de que não é e jamais será novamente a mesma, agora que tudo isso já havia passado ela passou a concentrar-se mais nestas coisas “corriqueiras”. Aquele ser havia lhe concedido naquele momento os teus olhos.
Cansada de andar sem rumo à loirinha vê um banco na praça onde poderia desfrutar de uma sombra fresquinha naquele dia escaldante. Com passos largos se dirigiu em direção a ele com pressa e antes de sentar-se comprou um picolé de creme, o seu predileto com um velho senhor levando seu carrinho de sorvete.
Ela começa a tomar seu sorvete, pensando na vida, com os pensamentos lá longe. Tinha um certo movimento naquela pracinha que ficava no centro da cidade, passando gente que ia e vinha, de vez em quando alguns rapazes paravam a uma distância para admirar a “paisagem”. Garotos “descolados”, olhando para aquela musa, aquela tentação voluptuosa que lhes ofuscava a visão, mas ela não estava nem aí pra eles, ela só queria saber de uma pessoa. Os garotos tinham jeitinho malandro e um visual maneiro e estavam num grupo de três amigos. Olhavam insistentemente para a jovem comendo-a com os olhos.
— Cara. Olha só que gata gostosa! – Disse o macho alfa do bando.
— É mesmo. Tremenda gata! E ae Bryan, vai chega? – Perguntou um dos amigos.
O primeiro calou-se para poder observá-la melhor. Fez dela o centro de suas atenções. Observando suas curvas pecaminosas chupando aquele picolé tão devagarzinho naquele calor escaldante para se refrescar, estava com uma blusinha justa, preta, com duas alcinhas e sutiã na mesma cor, jeans básico também justo, e salto de três cm. Bryan sentia uma forte atração pela menina, olhando sua pele branquinha, neste momento meio avermelhada pelo sol forte. Ela suava um pouquinho e o garoto quase babava ao ver aquelas pequenas gotinhas de suor que escorriam do seu pescoço para dentro da blusinha por entre seus seios empinadinhos. Suas pernas cruzadas mostrando quanta carne tinham aquelas coxas. Com tantos olhares famintos Milena passa a perder a concentração, ficando deveras irritada. Então decide tomar uma atitude quanto aqueles rapazes e insinua-se para eles provocando-os ainda mais, dando-lhes esperança para que se aproximassem. Ela passa a fazer gestos ousados: lamber a pontinha do sorvete, colocar boa parte na boa e tirar bem devagar voltando a repetir o processo algumas vezes de modo aleatório. Deixava o sorvete derreter um pouco, parecendo um creme. O deixava então correr ligeiramente pelos lábios brincando com a imaginação dos garotos de maneira totalmente despudorada Seu plano funciona e Bryan e os outros começam a ficar mais excitados com ela e achando que ela “já está na deles”. Os lindos orbes verdes de Milena encaram friamente seus admiradores enquanto caminham em sua direção e ela continua a provocá-los.
— Oi gostosa! Como você se chama? – Perguntou Bryan com um sorriso maroto colocando o pé esquerdo no banco inclinando o corpo para frente mascando chiclete como se fosse beijá-la. Com seu cabelo “puro gel” todo espetado tentava pagar uma de galã diante dela. Tinha um porte atlético médio, era branco, olhos castanhos claros, calça jeans escura e uma camiseta da sua banda de rock favorita, na cor preta, com uma estampa dos integrantes.
Milena não soube o que fazer diante daquela “cantada” tão sem noção, sem falar um pouco grosseira para uma moça do seu porte. A gata ri por impulso, mas seu riso não era de aceitação, e sim de repulsa misturado com um pouco de nervosismo. Ela então o olha nos olhos.
— Dá o fora garoto. Vai bate uma. E vê estuda umas cantadas melhorzinhas! – Caçoou do garoto que só queria beijar na boca, possivelmente levá-la para se divertir em alguma casa noturna. – Não quero que me vejam com perdedores como vocês que acham que sabem pegar mulheres. Deviam desistir disso e sair logo do armário fofas! – Fitou-o nos olhos e riu maldosa, sarcástica jogando-lhes um beijinho e dando tchauzinho no final. Bryan fecha a cara se sentindo humilhado, revoltado, vergonhoso por tamanho fracasso. Jamais havia sido tão diminuído em sua vida. O orgulho teve que descer rasgando pela garganta naquele momento, ele também sabia que não teria mais a mesma moral perante seus companheiros. Assim como seu colega, ficaram muito sem graça e sem reação com aquela resposta tão fria. Sem mais palavras vão embora cabisbaixos. Na mais completa paz de sua solidão Milena comemora seu veneno, tornando a seus pensamentos anteriores.
Após alguns minutos para a sua surpresa ela reencontra um velho amigo.
— Como tem passado? – A pessoa cuja aquela voz pertencia senta-se no mesmo banco que Milena que era bilateral ficando de costas para ela. Possuidor daquela bela voz grave de um bravo guerreiro medieval, uma voz excitante e calorosa com tom de juventude e virilidade tomava a liberdade de apoiar o braço esquerdo na parte superior do encosto colocando seu cotovelo sobre o ombro da garota para ficar mais a vontade após um dia de batalhas.
— Você? – Surpreendeu-se arqueando uma sobrancelha. – Eu estava esperando outra pessoa. – Completou, voltando a tomar seu sorvete. Vergil dá um curto e discreto riso pelo fora indireto de Milena que o faz lembrar... Uma outra pessoa.
— Cadê a sua amiga? – Perguntou Milena.
— Ela não pode vir. – Respondeu tentando conter o sorriso que ainda perdurava de alguns segundos atrás.
— O que aconteceu? – Indagou mais uma vez, curiosa, entre uma lambida e outra no sorvete quase acabado. Vergil fica sério.
— Ela teve o que merecia.
— Ui. Parece gostoso. Não vai mesmo dizer o que houve é? – Insistiu virando o rosto um pouco para trás tentando enxergá-lo virando os olhos em sua direção por cima do ombro.
— Já respondi garota. Deixa de marra. Depois não vim para lhe dar novas sobre ela. Vim saber se sua resposta continua sendo sim. Sua prova está chegando. – Um sorriso se formou aos poucos em seus lábios vermelhos e carnudos. Lábios que faziam todas, ou quase todas, as mulheres pecarem, só de lhe mirarem os olhos. Com cabelos negros, espetadinhos cheios de personalidade, onde cada fio era preenchido com brilho. Quando no sol, os fios tocados pela luz brilham num tom como o do mais fino ouro branco, mudando de cor. E quando tocados pela luz lunar brilham como a noite que caiu sobre a terra, as trevas que a cobrem em noites enluaradas. Azul escuro semelhante ao dos grandes mares do planeta banhados por aquela luz mística sobre os céus nublados. Lua, que nos deixa a mercê da escuridão, ocultando os males que existem no mundo nos expondo e escondendo ao mesmo tempo, permitindo que façamos coisas que a luz da manhã nos impede. Trevas que nos libertam nos deixam ser mais selvagens e aventureiros, mostra-nos nosso lado mais obscuro, que todos desejamos livrar. Era com esse tom peculiar que nos faz pensar nas noites mais que ele costumava chamar a atenção. Com uma cor tão acentuada que contrastava com sua pele levemente bronzeada.
— Mas é claro que sim. – Retrucou sorrindo da mesma forma repleta de confiança sem nem ainda ter idéia do que seria essa tal prova. Voltou-se para frente dando-lhe as costas novamente. “Vamos ver quanto tempo vai durar essa marra sua. Sua menina mimadinha, quando souber o que terá que fazer.” Pensou Vergil desprezando Milena pela sua infantil inocência. – Não abriria mão de tamanho poder pelo que quer que fosse – Riu lambendo o palito do picolé que ela já terminara de tomar. – A vida de vocês parece muito interessante. – Dizia ela sem nem medir as palavras se entregando lentamente ao seu outro eu que ela começava a conhecer nesta primeira semana após o primeiro contato com seus Heróis.
— Devia medir melhor as suas palavras. Não estou te advertindo porque sou seu amigo. Na verdade eu me divirto muito vendo o quão tapada você é e vou me divertir ainda mais quando você cair. Só não quero que você venha chorar pra mim depois como uma outra pessoa fez há algum tempo.
— Isso... – Milena se contorce no banco para trás e agarra o cabelo de Vergil sem considerar as possibilidades e o que aquela atitude poderia acarretar. Puxa a cabeça dele para trás meio bruta e o encara bem pertinho mais uma vez procurando seus olhos dentro daqueles óculos escuros, mas ela só via o próprio reflexo distorcido naquela grande lente envolto pela escuridão ilusória da imagem que era gerada pelas lentes opacas, sombrias. Segurou-o firme e torcia sua cabeça para trás. – Não vai acontecer. Não comigo. – Fitou-o séria, determinada a seguir em frente. Pelo menos por enquanto.
[Esconderijo dos Heróis]
Um corpo todo destruído, cheio de fraturas, muitas perfurações e lacerações repousava em uma cama velha com um colchão surrado, mofado e com rasgos. Era só a espuma. Pelo menos o que ainda sobrava dela. Fino o suficiente para sentir o estrado da cama em que estava.
Uma mulher de preto observava a outra que parecia estar entre a vida e a morte. Esta estava sentada em uma cadeira. Virada para o lado de trás com os dois braços apoiados um sobre o outro no topo do recosto e o queixo sobre eles. Ela também tinha os cabelos negros como os dos outros integrantes da Ordem, pele branca e um rostinho super magrinho, nariz afilado. Por baixo daqueles óculos escuros e aquela cara de poucos amigos era uma moça muito bonita e jovial, aparentava estar no auge de seus dezesseis, dezessete anos. Seus lábios eram até carnudos para sua boquinha pequena, tinham o mesmo tom da maçã mais madura, aquelas superestimadas. Uma boca que instigava a beijar. Muito!!!
Guardava a moça deitada na cama por ordens expressas, mas com notável contradição. A moça começa a despertar ao mesmo tempo em que a outra levanta da cadeira jogando-a pro lado. Agatha lentamente abria seus olhos e revelava a verdadeira cor de seus olhos. Aos poucos deixando aqueles orbes azuis escuro à mostra. Seu olhar era tão frio e insensível que dragavam as pessoas para o seu interior, aquela pupila tão contraída no centro daqueles orbes pareciam buracos negros e isso a deixava ainda mais ameaçadora. Assim, seu olhar era quase tão apavorante, como quando está com seus poderes. A outra se aproximara com raiva e o punho já preparado. Ela gruda na gola da camisa de Agatha e a puxa da cama sem nenhum cuidado, mostrando-lhe os dentes, rangendo e rosnando baixinho. Agatha se surpreende e ferida naquele estado não conseguiria reagir. Estava enfaixada no abdômen com tipóia no braço e seus pés ainda sem movimentos, toda dolorida, indefesa. Sua amiga afasta o punho devagar apertando-o com muita força. Seu rosto ia ficando cada vez mais avermelhado e sua boca cheia de saliva com tamanha vontade de enfiar um soco bem no meio do rostinho lindo de sua companheira. Mas no clímax de seu ódio ela opta por jogar Agatha de volta em sua cama que geme um pouco pela dor que sentia por todo o corpo. Ela dá as costas para a amiga e caminha para fora do quarto propelindo as seguintes palavras: — Você é uma irresponsável. Uma COMPLETA IDIOTA! Pode acabar arranjando problemas pra todos nós. – Puxa a porta com tudo e quando a atravessava...
— Como...? O que houve? – Indagou Agatha sem entender como ainda estava viva.
— Vergil... – Respondeu a outra saindo do quarto bufando e batendo a porta fazendo a estrutura já fragilizada do quarto de Agatha estremecer de leve.
Agatha se põe a pensar “Vergil?...” Tentou por um momento imagina-lo, tentando defende-la. “Não entendo... Bom... Agora eu tenho uma nova chance”. Sorriu lambendo os lábios.
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