The Dark Diaries: Last Days
1 Prólogo: 16 de novembro de 1999
Querido diário,
Vamos esclarecer uma coisa.
Não existe nada além do último suspiro. Depois que o corpo para de funcionar, resta o óbvio: Nós apodrecemos da mesma maneira que uma fruta rejeitada apodrece na feira. E depois, só fica pior. As larvas, os fungos e todo o processo de decomposição onde a nossa carne vira geleia até não sobrar mais nada. É triste, mas toda essa história de céu e anjinhos voando com vestidos brancos é apenas uma maneira de confortar quem fica. Serve de consolação para os que não aceitam que mentes brilhantes, seres humanos incríveis e talentosos não vão receber nenhum tipo de troféu pelo o esforço e seus grandes feitos na terra.
O mundo vai acabar. E saber que não existe nada além me deixa totalmente angustiada. É como se algo dentro de mim quisesse escapar e fugir para algum planeta fora do sistema solar, longe de qualquer possibilidade de ser atingido pelos destroços da terra.
É totalmente errado culpar a minha mãe por ter me posto no mundo nos anos 80. Dezessete anos antes da virada do milênio. A culpa é inteiramente minha. O espermatozoide vencedor. Agora terei que arcar com as consequências de ter me atrevido a fecundar uma porra de óvulo.
Mea maxima culpa.
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