Notas iniciais
yooo gente ^^ desculpe o atraso (de novo) não mordam meu pé por favor ;^; era para ter saído o capítulo há um tempo atrás, mas daí percebi que eu NÃO havia programado o capítulo como tinha imaginado --' mas aqui está ele ^^ AH, uma coisa importante: vão aparecer mais três ou quatro personagens novas daqui alguns capítulos, e queria saber se vcs não gostariam que suas personagens no jogo fossem essas personagens? ^^ Se quiserem é só preencher a ficha que deixei no final e depois me mandar nos comentários ou por mensagem ^^. Espero que gostem do capítulo suuper atrasado o/




(Nevra)

Não fazia sentido o que Ezarel havia dito que acontecera.

Amanda ser sugada para dentro de Mikaela? Sério?

Joguei a adaga com força do chão, frustrado; ela ricocheteou no chão semidestruído até a capa preta de Amanda jogada. Quem diria que uma garota tão linda seria uma bruxa?

Aproveitei a raiva e chutei aquele pedaço de pano negro, a odiando por ter me enganado. A odiando tanto que nem conseguia me sensibilizar com a dor na sua voz ao quase me implorar para parar com nossa luta, muito pelo contrário, a odiei o suficiente para atacar ainda mais intensamente, e teria cortado sua garganta se ela não tivesse reflexos melhores que os de um felino e desviado, permitindo que minha lâmina tocasse apenas no fio que prendia aquela capa a seu pescoço.

–Nevra! — Valkyon me sacudiu pelos ombros, tirando-me dos meus devaneios, fazendo com que percebesse que fuzilava com o olhar aquele pedaço de pano.

Passei meu olhar dele para Ezarel, este que fitava o círculo, preocupado.

–Não vai entrar ai e ir até onde ela está? — perguntei ríspido; sabia que a culpa não era dele, mas descobrir que Amanda era a bruxa foi...

Ele bufou e olhou para mim por sobre o ombro, tão irritado quanto eu. Remexeu nos bolsos escondidos por dentro de seu casaco marrom surrado e atirou uma bola de vidro do tamanho de sua palma para mim. Quase a deixei cair pelo movimento brusco, suspirando aliviado quando a segurei firme.

Foi quando percebi que não era apenas uma bola de vidro, mas sim a chave para o portal. Sua textura era lisa e gélida, com algo que lembrava água cintilando lá dentro em cores do azul-escuro ao branco, remexendo-se como se lutasse para sair daquela prisão.

Claro que não era água.

Aquilo era maana puro e condensado.

–O Círculo foi destruído já; não tem MESMO como seguir aquelas duas. Vai ter que ser do jeito original do plano de Ezarel. — falou Valkyon algum lugar atrás de mim. Inclinei um pouco a cabeça em sua direção, sem necessariamente vê-lo, apenas o suficiente para ele entender que eu o estava ouvindo, embora preferisse nem o fazer.

–Tisc — foi apenas o que o outro soltou e apoiou-se num poste próximo, encarando algum ponto distante de nós, deixando bem claro que não queria conversa, o cabelo desgrenhado e escorrido pelo rosto nem parecia incomodá-lo.

Fui até o Círculo; Ezarel não teria sido burro o suficiente para destruir nossa passagem para segui-las, então não fazia sentido que aquilo estivesse destruído.

E lá estavam as pequenas chamas arroxeadas, quase extintas, mas continuando a arder, consumindo aqueles cogumelos um dia brancos.

–Tentou ao menos apagar isso? — perguntei mesmo já sabendo a resposta.

–Claro que não, isso é fogo ametista, só deixa de queimar quando o alvo for completamente destruído. — Ezarel respondeu sem vontade.

Voltei-me para o que antes era o Círculo; por isso as chamas estavam tão pequenas, já quase não haviam mais cogumelos ali para serem queimados.

–Acha que foi a bruxa quem fez isso? — Valkyon perguntou, um frio me descendo pela espinha ao se referir á Amanda daquele jeito.

–Duvido muito; esse fogo não se consegue por nenhuma magia, é preciso muito maana concentrado girando em alta velocidade para que as partículas do ar se choquem, só assim esse atrito vai gerar as faíscas e... — Ezarel começou a explicar, e aulas de alquimia era algo que não tínhamos tempo para ter naquele momento.

–E não dá pra fazer isso sem ter muito tempo de preparação. Certo, entendemos. — o cortei jogando nossa chave de portal para o alto e peguei-a de volta na mão; repeti esse mesmo gesto enquanto caminhava até o meio da rua semidestruída -Se não tem outro jeito, vamos voltar logo e preparar algum esquadrão para ir atrás primeiramente de Mikaela.

A bola caiu de volta para minha mão aberta que esperava por ela, estendi esse mesmo braço á minha frente, e imediatamente o maana ali dentro se agitou mais forte, mudando bruscamente para branco intenso.

–Posso? — perguntei para os dois outros Guardas; Ezarel colocou-se em passos rápidos ao meu lado, Valkyon ainda demorando um pouco — O que houve?

–Nada — falou entredentes, e uma rápida expressão de dor passou pelo seu rosto, deixando claro por alguns instantes que realmente havia alguma coisa.

Decidi, mesmo que contra minha vontade, deixar pra lá; se fosse algum ferimento, ele estaria sobre cuidados médicos em poucos minutos.

Abri a mão, deixando a bola cair, esta indo lentamente de encontro ao chão, o branco que emanava de dentro dela cada vez mais forte, a ponto de eu precisar desviar os olhos.

Tudo se tornou branco e silencioso, um chiado agudo tomando meus ouvidos para logo depois todo aquele clarão se desprender em milhões de pontos de luz que foram jogados em nossa direção como se carregados por algum vento forte, sentindo um leve roçar na pele quando estes a tocava; era como se milhões de papel de seda branca tivessem sido picotados e atirados ao vento. Assim que eles se afastaram, nada além de escuridão nos circundava, esta que rapidamente se começou a desvanecer como tinta negra escorrendo lentamente por uma parede, revelando a decoração baseada em vidro do Salão do Cristal, com Miiko batendo um pé nervosamente e nos fuzilado com o olhar antes mesmo que aquela escuridão houvesse terminado de escorrer para fora de minha vista.

" Duas ameaças de ataque já haviam sido relatadas á Guarda Brilho naquela manhã, ambas do outro lado do Reino.

Miiko caminhava apreensiva de um lado para o outro do Salão do Cristal, suas caudas agitando-se nervosamente atrás de si; seu guarda pessoal sabiamente quieto em um canto, apenas observando sua superior roer a unha do dedão enquanto os chefes das Guardas não voltavam para mobilizarem as tropas disponíveis.

Um dia de atraso era preocupante na situação que enfrentavam e poderia custar mais do que algumas mortes.

–Eles chegaram. — disse o guarda; dois metros de altura sustentavam um corpo forte de pele escura e uma cabeça que misturava a de um porco com a de humano; seu longo machado de lâmina dupla tão ereto quanto sua coluna, os olhos pequenos fitando um ponto vazio no Salão, local onde a paisagem se desmanchava como tinha escorrendo, revelando aos poucos, de cima para baixo, os três chefes num estado que demonstrava que a missão não havia sido tão simples quanto o suposto.

Miiko parou onde estava, batendo no chão seu cajado com uma gaiola dourada na ponta; o fogo azul lá dentro aumentando de intensidade conforme fuzilava com o olhar os guardas que mal haviam aparecido por completo.

–Espero que tenham uma boa justificativa para este atraso absurdo! — falou furiosa o suficiente para que o enorme alívio que sentia nem fosse notado.

–Ah sim, — disse Nevra quase caindo, batendo de costas na parede atrás deles — temos uma justificativa que você vai amar ouvir."

(Mikaela)

Meus joelhos fraquejaram; não fosse aquela folha enorme ao meu lado para que eu me sustentasse aquele penhasco seria a última coisa que eu veria.

–Não não não ... — repeti várias vezes, os lábios trêmulos — O-onde estou...?

Amanda olhou para mim, claramente se divertindo com aquilo; ela suspirou fundo uma vez, os ombros subindo e descendo com o gesto.

–Acabei de te dizer: estamos em Eldarya.

Se eu pudesse teria rosnado; aquilo não me respondia nada, apenas me deixava mais confusa.

Inclinei-me para frente, o estômago revirando e os olhos ardendo com lágrimas as quais eu não conseguia identificar do que eram exatamente.

–Me tire daqui.- ordenei fuzilando-a com o olhar por entre os fios marrons de meu cabelo que caiam em frente a meus olhos, mal erguendo minha cabeça.

Amanda aproximou-se mais de mim, parando de braços cruzados e queixo erguido, um olhar quase assassino, fazendo com que um frio percorresse minha espinha.

–Não. — respondeu seca.

Endireitei o corpo, franzindo o cenho diante daquela repentina mudança de humor dela.

– Eu não sei o que quer de mim, mas eu ...

–Não!- gritou e distanciei-me dois passos, assustada com essa reação — Você é pertence de Eldarya, tem que ficar aqui e pronto!

Fitei-a em silêncio por alguns instantes, tempo suficiente para que a dureza em seu olhar sumisse e ela encolhesse os ombros.

– Não me olhe assim... — falou baixinho, a voz mansa — Não quero que tenha medo de mim, eu só...

– Ah não?- interrompi aproveitando aquele momento sentimental dela antes que seu humor mudasse outra vez — como não vou ter medo de quem me atirou uma faca?! — apontei para o ferimento inchado e aberto no ombro.

Ela o encarou por alguns instantes, ficando pálida.

– precisamos cuidar disso... — murmurou para si mesma, olhando ao redor.

Balancei a cabeça, rindo sem saber do que; toda aquela situação estava começando a me enlouquecer. Literalmente.

– Não preciso dos seus cuidados, vou arranjar um jeito de ir embora sozinha.- dei as costas, adentrando de volta na floresta.

– Espere ai!- ela gritou e disparei, sem me importar para onde estava indo, só queria distância dela para poder acalmar a mente e pensar em um plano para ir embora dali.

Chegou um ponto em que tudo parecia igual; já não sabia se eu estava indo em frente ou andando em círculos. Sem contar o sol que estava começando a se por, fazendo com que trevas e luz disputassem o lugar no céu, deixando aquela floresta mergulhada na semiescuridão, dificultando ainda mais minha caminhada pelos caminhos cheios de empecilhos daquele local.

E para piorar ainda mais, chegou em dado ponto que algumas estátuas pequenas e estranhas feitas de pedra começaram a aparecer pelo caminho; até parei para analisá-las mais de perto, admirada com os detalhes com que foram esculpidas ( e, claro, não pude deixar de fazer uma comparação com as estatuas deixadas pelos habitantes da ilha de pascoa no meu mundo). Foi quando um frio percorreu minha espinha, não vindo do vento quase noturno que começava a balançar aquelas árvores diferentes, mas sim do fato de eu ter me dado conta de que, se haviam obras de arte ali, havia civilização por perto.

As batidas de meu coração aceleraram com o medo, e nem a ideia de que talvez os "habitantes" dali fossem amigáveis conseguia me acalmar, só conseguia imaginá-los como criaturas monstruosas feitas de sombras e olhos de fogo.

Obriguei meus pés a seguirem em frente, e não sei se era imaginação minha, mas podia jurar ter visto os olhos esculpidos daquelas estátuas seguirem meus passos durante o restante do trajeto.

Foi quando aqueles guinchos desesperados chegaram até mim.

Parei onde estava. O vento varreu o local, trazendo com ele mais daqueles gritos estranhos.

Não conseguia mais continuar, eu tentava me convencer de que aquilo vinha de alguma criatura sombria que me esquartejaria assim que me aproximasse, mas algo me mantinha ali, fitando o caminho que levaria até aqueles sons, as estátuas de pedra me encarando como se ansiassem pela minha decisão final, como se soubessem de algo que eu não sabia.

Mais um grito agudo e ao mesmo tempo quase animalesco soou, e antes que eu tomasse consciência do que eu estava fazendo eu já estava indo atrás de quem emitia aqueles barulhos.

Gastei o restante de minhas forças indo até lá, afastando com tapas as folhas gigantes que se colocavam em meu caminho, tropeçando pelo caminho e ainda assim seguindo em frente; e o medo que eu sentia por estar rodando perdida em um lugar estranho foi substituído pelo medo de não chegar a tempo. Nem me importei em pensar sobre em direção á que eu estava indo, eu só precisava chegar até lá; os olhos daquelas estátuas olhando por mim pelo caminho pareciam concordar comigo. Pareciam satisfeitas pela minha decisão. Um frio rápido me desceu pelo corpo com esse pensamento de que as esculturas de pedra pudessem ter vida própria, mas os guinchos continuam mais agudos e desesperados, parecendo diminuir de intensidade aos poucos, fato que me acelerou ainda mais.

Cheguei á uma praia com areia fina e branca, a luz do sol apenas um risco no horizonte perdendo forças para a lua cheia que se erguia majestosa no céu. Levou um tempo até que meu fôlego voltasse e eu pudesse focar no que acontecia alguns metros á minha frente: várias caixas que pareciam de madeira estavam dispostas umas sobre as outras, e era de lá que os guinchos soavam, vindos mais abafados de dentro das caixas e desesperados dos seres pequenos que estavam sendo arrastados ou jogados para aquelas mesmas caixas por pessoas vestindo capas pretas e outras brancas que encobriam todo seu corpo.

Imediatamente lembrei de Amanda vestida desse mesmo jeito quando atirou a faca em meu ombro, e essa lembrança foi o suficiente para que eu fincasse meus pés no chão.

Daquela distância eu não conseguia identificar que tipo de criaturas é que estavam sendo capturadas, mas era possível ver os tons de verde que formavam sua pele. E tamanho. As cabeças redondas daqueles bichos sendo jogados dentro das caixas não chegavam nem aos joelhos de seus sequestradores.

Seus guinchos desesperados ainda soavam altos em meus ouvidos, parecendo que eu estava lá no meio da confusão e não afastada mais de dez metros; mesmo meu coração se apertando por pena daquelas criaturas, fosse o que aquilo tudo significasse, era problema daquele mundo e não meu.

Fingindo nao haver culpa apertando meu peito por dar as costas, voltei para dentro da floresta.

A pior das decisões.

Um dos encapuzados estava ali, imóvel como se não passasse de sombras, trazendo no punho outro daquele bicho pequeno e esverdeado. Não tive tempo para analisar a criatura que trazia chiando pelo pescoço, pois, assim que o encontrei ali, uma lâmina fria foi colocada contra minha garganta, não me permitindo nem engolir em seco sem correr o risco de ser cortada.

A forte sensação de que já estavam a minha espera me dominou, fato que não não ajudou em nada. Agora eu estava ainda mais assustada com aquela situação.

Eu não devia estar ali.

Eu tinha que sair dali.

Sem nenhuma palavra, quem quer que estivesse atrás de mim segurou com força em meu ombro com sua outra mão, bem em cima do ferimento, levando uma onda de dor por todo o lado esquerdo de meu corpo. Não me deixei expressar mais do que um leve franzir de sobrancelhas diante deles.

Ignorando-me completamente, como se sua função ali já houvesse terminado, o primeiro foi na frente, sua capa bruxuleando atrás de si com seu andar firme; os olhos grandes, redondos e verdes da criaturinha em sua mão miraram em mim, seu bico pequeno e alaranjado abrindo e fechando como se tentasse dizer algo. Em seus olhos o medo estampado brilhava, primeiro achei que fosse por não querer ter o mesmo fim dos outros, mas depois de uma de suas mãozinhas estender-se em minha direção enquanto era levado embora, percebi que ele (ou ela, não sabia ao certo) temia pelo o que aconteceria comigo.

Finquei com força as unhas na palma da mão ao fechá-las em punho, esperando por alguma ação de quem estava atrás de mim, segurando a vontade de correr.

A vontade de gritar.

A vontade de chorar.

A vontade de lutar.

– Nem pense nisso. — quem quer que estivesse atrás de mim sussurrou em meu ouvido, aproximando seu corpo e pressionando ainda mais a adaga.

Meu maxilar tremeu, obrigando-me a cerrá-lo. Eu não iria lutar, não enquanto houvesse um objeto cortante em meu pescoço; mas não foi só minha repentina vontade de passar uma rasteira por seus pés e derrubá-lo que me dominou, o fato de ele ter adivinhado meus pensamentos me assustara ainda mais.

– Siga pelo caminho de onde veio. — voltou a falar, seu hálito quente fazendo cócegas em minha nuca, arrepiando minha pele e causando-me náuseas.

Sem protestar obedeci, trêmula ao voltar pelo caminho até a praia de areia branca que, agora iluminada pela enorme lua cheia, dava a impressão de ser feita por ossos moídos. Afastei rapidamente tal ideia da cabeça, temendo começar a chorar implorando para que me deixasse ir. Afinal, rebaixar meu orgulho de tal maneira seria perda de tempo, duvidava que fosse realmente me libertar.

Sua mão enluvada em branco ainda permanecia em meu ombro, de modo que a dor ali atrapalhasse meus pensamentos. Ele fez-me seguir até uma embarcação gigantesca ancorada a praia, local para onde aquelas caixotes com as criaturas estranhas verdes eram embarcadas por mais gente vestindo preto ou branco da cabeça aos pés, tornando suas silhuetas ainda mais sinistras por sob o luar pálido.

O caminho até lá parceu curto e longo ao mesmo tempo; meu estômago revirava ora com a impaciência para chegar logo até ali e acabar com tudo, ora com o terror pelo o que aconteceria quando chegássemos lá. E, antes que pudesse decidir qual dos dois sentimentos era o mais forte, eu já estava de frente para a única pessoa que parecia ter uma silhueta feminina, parada de braços cruzados como se observasse se todos ali seguiam suas ordens, vestindo capa e luvas vermelhas, o ar ao seu redor exalando sua autoridade, fato que fez-me encolher os ombros diante de sua presença.

– O que é isso? — perguntou como se eu não passasse de um incômodo, seus olhos, mesmo que encobertos pelo capuz, ainda me davam a sensação de olharem através de minha alma.

– Era essa quem observava.

–Kyaaa!! — ouço um grito por perto, e pelo canto do olho vejo a mesma criatura de antes se esperneando nos braços de seu sequestrador, suas mãos estendidas em minha direção, guinchando por ajuda.

Ou por querer ajudar.

Aquela mulher nem mexeu a cabeça.

– Entre ai!- o outro homem rosnou para o ser, tentando forçá-lo a entrar dentro da última caixa de madeira.

E a criaturinha resistia.

Resistia como se fosse mais do que fosse sua vida em jogo.

Aqueles dois que estavam comigo nem se mexeram. Estavam esperando por minha reação. Queriam que eu fizesse algo. E eu queria poder fazer. Mas ali, perdida (tanto em localização quanto em pensamentos confusos), eu me sentia mais imponente do que nunca.

–Deixa... E-ele... — gaguejei com muito esforço, rezando para que eles não conseguissem me ouvir.

–Se não o que?- ela desafiou e senti a lâmina um pouco mais forte contra minha garganta.

A criatura gritou mais alto, seu sequestrador sem duvida controlando sua própria força e paciência para segurar o pequeno. E eu queria MUITO ajudar, queria muito correr até lá, pular nas costas daquele homem e mandar o pequeno correr.

Abri a boca para responde-la, mas minha própria covardia fez-me fechá-la logo em seguida.

Era melhor assim. Qualquer decisão errada que eu tomasse agora poderia fazer aquele bicho se agitar ainda mais. Poderia custar minha vida e a dele.

Eu não sabia do que aquelas pessoas eram capazes, não sabia o que faziam ali. E não tinha porquê eu saber; aquele era o mundo deles. Os problemas deles, eu não tinha que me intrometer nos assuntos de lá.

Mas, ao que tudo indicava, esse mundo queria que eu me envolvesse em seus problemas.

– O que acha que ela é? — a mulher perguntou ignorando aquela confusão que acontecia em frente ao navio. Se eu não tivesse outras questões mais importantes em mente, teria me perguntado como uma embarcação daquele tamanho conseguira parar tão perto assim da areia.

Um dos braços enluvados dela se ergueu, colocando o dedo indicador entre minhas sobrancelhas, um frio agudo me atingindo por toda a espinha com esse toque.

–Mate-a rápido; ela tem aptidão para ser Herdeira.

Antes que suas palavras acabassem de chegar aos meu ouvidos, o homem atrás de mim exclamou em surpresa, livrando meu pescoço de sua adaga. Viro-me a tempo de flagrá-lo tentando desvencilhar-se da criaturinha verde que prendera-se em seu tornozelo pelo bico.

–Kappa maldito! — resmunga por fim, praticamente chutando o ser para longe. Foi o som abafado de seu casco na areia que me fez perceber como sua forma lembrava a de uma tartaruga um tanto humanizada.

Nem cheguei a pensar em como agir direito, simplesmente corri na direção daquela criatura agora caída na areia.

Meu peito doeu ao ver um ser tão pequeno desacordado e com o corpo mole ao pegá-lo em meus braços. Mas não tive muito tempo para sentir compaixão daquela tartaruga, logo sou puxada para trás pela nuca, caindo de costas na areia macia, meu antigo "guarda-costas" erguendo-se agora acima de mim, não mais com uma adaga, mas com uma lança do tamanho de seu corpo.

Mirou a ponta de seu armamento em meu pescoço, fazendo-me gemer de dor quando esta começou a perfurar minha pele, um fio pegajoso e quente escorria-me agora pelo pescoço, minha garganta dando a impressão de eu estava tentando engolir vários pedaços de vidro de tanto que ela queimava.

Mesmo sem os ver, eu sentia seu olhos frios perfurando-me com mais intensidade do que sua lâmina.

Foi quando desisti. Desisti de esperar algum milagre para me tirar dali. Apenas fechei os olhos e gritei, aceitando aquela dor aguda em meu pescoço conforme sua lança adentrava ainda mais minha carne.

Notas finais
-nome da personagem -guarda a que pertence -Nick no jogo (se tiver, para que eu possa ver e assim descrever quando a personagem aparecer^^) caso não quiser mandar, manda a descrição física completa da personagem -espécie do familiar -nome do familiar -personalidade: (ex: "facilmente irritável, agressiva, porém extremamente companheira e não recusa nenhum tipo de ajuda a quem considerado como amigo" ou então: "inteligente, tímida/distante e um tanto fria" coisas assim - historia de como entrou na guarda - historia de infância até o momento em que entra na guarda(opcional, mas ajuda o/) É isso ae o/ mandem daí eu coloco a personagem nos capítulos seguintes ^^ e espero que tenham gostado desse capítulo gigante huehue E não deixem de comentar ^^ ajuda muito