— Narrador —

Lily a conduziu por meio dos alunos espalhados pela sala comunal, até uma escada em espiral, onde — segundo Lílian — ficavam os dormitórios das garotas. Explicou, também, que nenhum garoto podia subir ali. Nenhum deles nunca tentou. Lily queria saber o que acontecia.

A ruiva abriu a porta e havia seis camas. Em uma delas, as coisas de Angelina a aguardavam. A menina correu até os seus pertences (que não eram muitos), abrindo seu malão. Tudo estava ali, até as poucas roupas que Maria e Sam compraram. Sentiu falta de sua coruja.

— Onde está Black Eyes? — perguntou Angelina à Lily.

— No corujal. Não se preocupe — disse Lily vendo a expressão confusa no rosto da amiga —, ela estará bem lá. Poderá vê-la a qualquer hora... Amanhã — acrescentou.

— Ah, claro — assentiu Angelina olhando o quarto redondo, com camas com dosséis vermelhos. Lily a observava admirar o lugar. Perguntas apareceram na mente da garota. Angelina engoliu em seco, sabendo que Lílian falaria algo em alguns segundos.

Três, dois, um...

Mas Lily mudou o rumo das perguntas, dizendo:

— Você nunca me disse o por quê de estar entrando agora.

— Você nunca perguntou — disse Angelina, dando de ombros.

— Bem... Por que está entrando agora? — perguntou. Angelina suspirou.

— Eu... eu vivia fugindo. Desde pequena — respondeu Angelina. — Então, ninguém me achava. — Deu de ombros. — Até agora.

— E por que você vivia fugindo? — Lily sentou-se na beira da cama de Angelina.

— Uns... homens, queriam — querem — me matar. — Angelina não sabia o porquê de estar contando tudo aquilo. Era lago que escondia a sete chaves.

Os olhos de Lílian se arregalaram, assustada e surpresa.

— Meu Merlin! Por quê? — quis saber Lily.

— Sinceramente, eu não sei. Ou... eu talvez saiba — Angelina balançou a cabeça. — Nunca parei para perguntar a eles, sabe. Tenho medo.

— Sinto que não quer me contar o motivo... — Lílian disse. — Tudo bem. Me conte quando estiver pronta ou quando confiar em mim.

— Não é que eu não... não confie em você. — Respondeu Angelina. — É só que é... algo complicado.

— Tudo bem, Angelina — sorriu Lily e depois parou para pensar. Angelina reprimiu uma careta. — Mas pode me dizer o que quer dizer com ser "achada", não é?

— Eu estava fugindo dos... dos Caçadores, correndo pela floresta.... — Angelina franziu a testa. — Então eu vi uma casa e me lancei na propriedade. Eu não sabia que era uma bruxa, e projetei um tipo escudo e alguns deles tombaram. Logo depois, uma mulher saiu da casa e me protegeu do restante, lançando algum feitiço. Eu não vi o rosto da mulher, até então, pois, eu havia batido com a cabeça e... depois ela me acolheu — terminou a garota.

Lily ficou em silêncio, absorvendo o que Angelina acabara de contar. Por fim, a ruiva levantou a cabeça para olhar Angelina.

— Isso é estranho, não acha? — indagou ela e Angelina concordou com a cabeça.

A porta se abriu e Rosa entrou, com expressão cansada.

— O que é estranho? — perguntou, jogando-se em sua cama.

— Ah, nada — disse Lílian. — Bem — suspirou —, é melhor eu ir me deitar. Amanhã teremos um dia cheio!

— Seu quarto não é aqui? — estranhou Angelina. Lily riu.

— Sou mais nova que você, esqueceu? Você é do quinto ano e eu ainda estou no terceiro — respondeu a ruiva. — Temos quartos separados. — Revirou os olhos indo abrir a porta, dando de cara com a garota de cabelos castanhos avermelhados (a namorada de Tiago). Lily pareceu engasgar com o que queria dizer e saiu, ignorando o olhar de desprezo que esta lhe lançara. — Boa noite, meninas. — Disse antes de desaparecer.

— Boa noite, Lily — falaram Angelina e Rosa em uníssono. Angelina ria internamente com o que Lily queria dizer à namorada do irmão.

A garota de cabelos castanhos avermelhados a olhou e se assustou ao vê-la ali, parada. Estudou Angelina da cabeça aos pés, pensando "Quem é essa?"

— Oi — disse, lentamente, a Angelina.

— Oi — respondeu Angelina.

— Quem é você? — perguntou, estreitando os olhos para Angelina.

— Meu nome é Angelina White. Sou nova — disse Angelina, olhando para Rosa, que se levantara para ver o que estava acontecendo.

— Ah — mas não era isso que ela ia dizer. — Meu nome é Rachel Humphrey. — E olhou para Rosa. — E aí, Rosa Weasley Granger?

— Oi — respondeu Rosa, seca. Rachel revirou os olhos e foi para sua cama, fechando o seu dossel. Rosa levantou-se de sua cama e foi para a de Angelina e, olhando para a cama fechada de Rachel, sussurrou: — Às vezes, eu acho que ela deveria ter ido para Sonserina. — Balançou a cabeça. — Não sei como Tiago a aguenta.

Angelina olhou para a cama da garota de cabelos castanhos avermelhados, atravessando o dossel e vendo seus pensamentos. Ela era metida, mas tinha o coração... digamos, bom.

— Acho que ela só é incompreendida — suspirou Angelina, observando outras garotas entrarem no dormitório. É melhor irmos dormir. Boa noite, Rosa.

— Boa noite, Angel — riu-se Rosa. Angelina a acompanhou. Colocou seu pijama e deitou-se na cama, demorando a pegar no sono.

Acabou adormecendo, pensando nos olhos amendoados de Tiago, atravessando-a, perfurando-a, enxergando o seu eu.


•••

Rosa a acordou, fazendo Angelina se assustar. Os pássaros cantavam do lado de fora, o sol entrando pela janela. Angelina olhou para Rosa e a primeira coisa que viu, foi o distintivo com o "M" brilhando em seu rosto.

— Acorda, Angel — disse Rosa, descobrindo a amiga. — Senão, vamos nos atrasar!

Angelina resmungou algo inteligível e levantou-se. Colocou suas vestes, já com o símbolo da Grifinória, pegou sua mochila e saiu com Rosa.

Atravessaram o retrato da Mulher Gorda, se encaminhando para o Salão Principal, onde tomariam café da manhã e descobririam os seus horários. Angelina estaria em todas as matérias com Rosa; menos naquelas que ela teria que escolher. Chegaram ao Salão Principal e viram Lily sentada com uma garota de cabelos ondulados castanhos claros e, ao lado, se encontrava Alvo — irmão de Lily e Tiago —, com Teddy e Escórpio (sentados à mesa da Grifinória).

Sentaram-se ao lado de Lily, que sorriu quando as vira. Os garotos, Angelina reparara que estava sentada ao lado de Alvo, olharam para ela. Angelina corou e virou-se para Lily, que apresentava a menina de cabelos castanhos.

— Essa é Melissa Sans — dizia Lílian. Angelina sorriu para a garota, que era legal. Até que Teddy tossiu para Lily, que o olhou revirando os olhos. — Esta é Angelina White — disse Lily. — Angelina, esse é o Teddy Lupin que, de alguma forma, é meu primo. — Angelina assentiu para ele, como se não tivesse ouvido falar dele na noite passada. — Esse é o meu irmã, Alvo Severo.

— Olá — seus olhos verdes penetrantes a olharam.

— Oi — murmurou Angelina e ele sorriu. O que a fez corar.

— E, por fim, Escórpio Malfoy— concluiu Lílian. O garoto louro a cumprimentou com a cabeça e Angelina assentiu.

— Ah, então o seu nome é Angelina? — perguntou Tiago aparecendo do nada e sentando-se defronte à garota. — Bonito nome — aprovou.

— Fique quieto, Tiago. — Respondeu Lílian. — Por que não vai procurar a vadia da sua namorada?

— Olha como você fala, Luna — a repreendeu Tiago, ainda encarando Tiago.

Ela não conseguia para de olhar para o garoto. Seus olhos pareciam ser conhecidos; ele sentia o mesmo, Angelina conseguiu ver. Seus olhares estavam tão conectados, os olhos esverdeados de Tiago a estavam puxando para o oceano profundo, que Angelina assustou-se quando Black Eyes pousou na mesa, com um pedaço de pergaminho no bico.

Angelina pegou o papel e o desdobrou. Era de Maria e Sam.

"Cara Angelina, esperamos que esteja bem e que seu primeiro dia em Hogwarts seja o melhor. Soubemos que foi selecionada para Grifinória, parabéns! Black Eyes se mostrou uma ótima coruja e gosta de você.

Se houver algum problema, não hesite em nos contar. Talvez poderemos ajudá-la. Não se esqueça, você já é da família.

Com carinho, Maria e Sam."

A garota sorriu para a carta e escreveu no verso desta, um agradecimento a preocupação e o apoio. Passou a mão nas penas de Black Eyes e pediu que levasse a carta para Maria e Sam. A coruja levantou voo e saiu para manhã claro, com Angelina a observando partir. Depois virou-se para comida à sua frente, sentindo-se faminta.

Tiago a observou colocar no prato um pedaço de bolo e um pouco de suco de abóbora no copo. Ele continuou a observá-la a comer, distraída. Os olhos da garota estavam concentrados em despedaçar o bolo e colocá-lo na boca. Ele percebeu que não sabia nada sobre ela e podia ficar olhando para Angelina o dia todo... Se não fosse por sua namorada.

Rachel sentou-se ao lado de Tiago, empurrando Teddy para o lado. O garoto revirou os olhos e começou a comer o próprio café da manhã.

— Então... — disse Alvo a Angelina, que o olhou —nunca vi você aqui, Angelina.

Angelina engoliu o suco em sua boca e respondeu:
— Ah, é que eu entrei esse ano.

— Sério? — Alvo espantou-se. — Eu nunca vi um caso como esse. É... interessante.

— Legal — assentiu a garota — que você ache interessante.

Alvo sorriu.

— Por que eu não a vi na Seleção? — indagou ele.

— A professora McGonagall não queria que eu chamasse atenção — respondeu Angelina. — Então ela me levou até uma sala e colocou aquele chapéu. Por isso a Seleção demorou a começar.

Alvo e Angelina começaram uma conversa animada enquanto Tiago observava os dois. Não acreditava que seu irmão pudesse fazer uma amizade com uma garota tão rápido; não quando a garota era Angelina.

— Sabe, era para eu ser da Grifinória — ia dizendo Alvo —, mas eu decidi, no último momento, ficar na Sonserina.

— E se arrepende? — Angelina perguntou, curiosa. Gostava de ouvi-lo falar.

— Não. — Disse ele por fim. — Mas devo admitir que não há amigos confiáveis na Sonserina. E, bem, na Grifinória está toda a minha família.

— Então é solitário? — A garota inclinou a cabeça. Alvo negou.

— Não. Tenho o Escórpio aqui — respondeu Alvo, tocando o ombro do amigo, que sorriu.

Tiago, não aguentando mais ouvir a conversa, levantou-se da mesa bruscamente, deixando a namorada confusa.Antes de se afastar, Angelina o olhou.

Seus olhares se encontraram.

— O que foi? — perguntou ele, hostil. Angelina assustou-se com a atitude do garoto.

— Nada. — Respondeu Angelina no mesmo tom.

Ele balançou a cabeça e se afastou. Alvo Angelina o olharam partir, sem nem olhar para trás, indo na direção dos amigos que o esperavam na porta do Salão Principal.

— O que deu nele? — indagou Alvo, estupefato.

— Eu não sei. — E, pela primeira vez, ela não sabia mesmo.

Notas finais
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