The Crooked Man
19 Capítulo 19 - Hora de agir.
Notas iniciais
Reino Unido — Inglaterra/1842
– Deixe-me ver se entendi! — Annie estava sentada em uma cadeira, quase se pondo de pé e gritando — Vocês estiveram todo esse tempo escondendo de mim que estavam atrás de uma lenda antiga e que, na verdade, não é apenas uma lenda?
Estávamos em sua casa, e parecia ser a primeira vez de Jacob ali também. Era um lugar pequeno, mas aconchegante. As paredes eram brancas e havia uma lareira perto da cama. Nos encontrávamos no canto de uma salinha com uma fornalha esquentando carnes de alguns animais. Tínhamos estabelecido uma situação bem complicada ao contar resumidamente tudo o que havíamos feito nesses poucos dias, e ela não parecia muito contente.
– Annie, minha querida, tente entender que...
– Não há nada para entender, senhor Rodger! — agora sim ela levantou — Não deveriam estar fazendo algo dessa magnitude.
– Nós precisamos, isso é...
– Até mesmo você! — ela me olhou, mas não da maneira intimidadora com a qual estava há pouco, parecia magoada — Você mentiu para mim; nem havia dito que morava naquele lugar horrível.
– Se eu soubesse que tanta merda aconteceria, eu nem mesmo tinha vindo para cá! — eu não consegui me segurar e acabei elevando a minha voz.
Jacob colocou a mão sobre meu ombro e sussurrou um "se acalme, rapaz". Eu suspirei e fixei meu olhar o mais profundamente possível em Annie, eu precisava fazer com que ela visse que eu estava dizendo a verdade.
– Olha, eu não estou pedindo para que nos ajude com qualquer coisa, só achei que seria melhor que soubesse. — Jacob fez um sinal silencioso para que eu continuasse — Tem alguma coisa lá fora, na floresta.
– O... O Sangrento?– tive vontade de abraça-la e sussurrar que a protegeria, pois parecia frágil, mesmo depois de discutir.
– Provavelmente, não há outra explicação. E ele não está apenas com fome, ele quer alguma coisa.
– E o que é?
– Não sei! — balancei minha cabeça e fiquei com um pouco de raiva de mim mesmo por não ter respostas — Mas acho que está na casa.
Annie olhou de mim para Jacob e voltou a se sentar.
– Bom, então está resolvido.
– Como assim? — Indaguei.
– Você só precisa sair de lá. Pode ficar aqui por um tempo, eu não me importo. Além de que...
– Não acho que seja tão simples, garota — cortou-a Jacob — Essa coisa já esteve dentro da casa e teve muitas outras oportunidades para fazer seja lá o quê e ter ido embora. Precisamos bolar um plano.
– E o que seria?
– Bom... — comecei a falar sem jeito, porque eu não tinha dito isso nem para o Jacob — Preparei várias armadilhas em volta da casa. Algumas bem perigosas. Se ele voltar vai ser a última vez.
Jacob soltou uma pequena gargalhada.
– Então você usou o livro de caça que me pediu, em? Vamos ver qual foi o resultado.
Depois disso, percorremos a trilha de volta para a casa. Tive que guia-los cuidadosamente pelo mato, para que não tivessem problemas com as armadilhas que montei. Depois de muita explicação e detalhes sobre os funcionamentos, chegamos na casa.
– Meu Deus! Você esteve morando aqui todo esse tempo? — Annie perguntou para mim.
– A vida nunca tem me sido fácil.
Entramos e pedi para que esperassem. Voltei ao lado de fora e observei o espantalho. O corpo estava quase no final da decomposição e logo ele precisaria trocar. Retornei para dentro e fui falar com Jacob. Hugo estava atento, sem nem querer sair da casa. Aprendi da pior forma que isso era um péssimo sinal.
– Precisamos nos posicionar com as armas para o noroeste do espantalho.
– Por quê? — ele estava novamente passando a mão pela barba espessa.
– Eu enchi o local inteiro de armadilhas, esqueceu? O único local possível para ele aparecer é ao noroeste. Então, quando ele aparecer...
– ... atiramos?
– Exatamente.
– Eu quero ver! — disse Annie.
– O quê? É claro que não! Não vou correr o risco de por você em perigo.
Ela cruzou os braços e fez aquele mesmo olhar de antes. Já vi que não teria muitas chances de me opor.
– Se o que você disse é verdade, então eu estarei segura, não é verdade?
– Sim, mas...
– Ótimo, então eu vou ver.
Me virei para Jacob pedindo ajuda, no entanto, ele apenas deu de ombros e foi saindo. Tive que aceitar que Annie observasse, porém, deixei bem claro que ela tomasse distância. Vi Hugo uma última vez e saí, sem saber quais seriam os resultados deste plano. Parecia que Jacob realmente conseguiu decorar as posições de cada armadilha, já que estava andando despreocupadamente até o ponto que marcamos.
Peguei Annie pela mão e a coloquei alguns passos atrás de onde estaríamos. Quando eu ia me virar, ela segurou meu braço.
– Eu nunca duvidei de você! — e, sem nenhum aviso, ela me beijou. Foi um beijo rápido, mas extremamente marcante — Boa sorte!
Continuei o caminho um pouco desorientado. Claramente eu estava feliz por dentro, mas um pouco de tempo para colocar as coisas no lugar seria muito bom. Me posicionei ao lado de Jacob, que estava agachado e já com a espingarda apontada.
– Você está preparado? — me perguntou.
– Não sei se estou preparado, mas garanto que estou ansioso.
No momento seguinte sentimos um brisa que trouxe um cheiro horrível. Já sabíamos o que estava por vir, já sabíamos o que nos aguardava. Ficamos tensos, e ainda assim firmes. Eu queria acabar logo com aquilo para poder dormir em paz. Infelizmente, esse não era o único problema que persistia em minha mente.
– Você não quer nem ouvir meus motivos? – dizia ela.
– Não preciso de motivos. Te dei escolhas e você escolheu errado!– dizia eu.
O choro dela me atingiu como uma linda melodia de piano. Uma melodia triste e trágica. As notas se perderam e eu nunca mais tive a honra de ouvir esta melodia de novo. Se eu pudesse, eu mudaria tudo. Já que naquele exato momento eu confirmei uma coisa: Eu me perdi e andei por um caminho completamente torto.
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