The Crooked Man

12 Capitulo 12 - Infelicidade de reconhecer.


Notas iniciais
Era pra eu ter postado ontem, mas a Net não colaborou :/ Então... antes tarde do que nunca :D

Reino Unido — Inglaterra/1842

Depois de passar algumas horas em frente ao forno, tive vontade, pela primeira vez na vida, em entrar na biblioteca. Biggin Hills não é muito grande, então é comum que tenha todas as suas informações do passado guardadas em um lugar apenas. Depois de receber meu dinheiro, fui até o edifício marrom e cinzento bem alto. Era um lugar agradável de se ver. As portas de entrada eram de vidro assim como as paredes em volta e logo acima era possível ler uma entalhação bem grande escrita "Biblioteca de Biggin Hills — 1715".

Não hesitei antes de entrar. Era espaçoso e confortável, com muitas pratilheiras cheias de livros de todas as cores. As velas ficavam bem afastadas das estantes e de tudo que pudesse ser queimado caso algum acidente acontecesse. O piso de madeira amarelada dava um aspecto de noturnidade ao local, como se lá dentro estivesse de noite sendo que lá fora o sol ainda se fazia presente. Na direita, uma mulher idosa com óculos de meia lua e um senhor barbudo moreno cuidavam de alguns papéis. Como estavam atrás de um balcão supus que fossem os responsáveis.

Retirei a anotação que fiz do bolso. Estava um pouco amassada e ainda não conseguia distinguir o idioma. Portanto, fui até às duas pessoas torcendo para que tivessem a tradução.

– Com licença? — a senhora continuou lendo os papéis, porém, o homem levantou seu olhar na minha direção.

– Olá, senhor, posso ajudar em algo? — sua voz era grave como um trombone e a densa barba morena que cobria seu rosto me fez lembrar de um gorila.

– Tenho aqui comigo uma escrita em linguagem que desconheço, e quero saber se teriam aqui como me ajudar.

Ele saiu de trás do balcão e pude vê-lo melhor. Usava um casaco aberto azul escuro, com uma blusa de lã branca por baixo. Sua calça era preta e um pouco degastada, todavia, o sorriso que exibia no rosto ocupava toda a atenção de quem olhasse.

– Posso ver? — questionou gentilmente.

– Claro! — lhe dei a anotação e esperei, vendo ele observar atentamente o pequeno pedaço de papel. — E então?

– Ao meu ver, parece ser Latim! — falou levantando a cabeça novamente para mim.

– Latim? E como faço para descobrir a tradução?

O senhor sorriu.

– Existem diversos livros aqui sobre linguagens antigas, meu bom homem. — começou a se movimentar pelos corredores, e eu o segui — Muitas pessoas às vezes acabam se deparando com situações em que não sabem interpretar as coisas. Sou descendente de gregos, mas posso garantir que sou tão britânico quanto o senhor!

Passamos por dois adolescentes ruivos que sussurravam olhando para mim.

– Não é aquele homem que papai disse ser louco?

– É ele mesmo! Dizem por aí que ele falou sobre "o sangrento".

O que recebeu a notícia pareceu muito atordoado.

– O verso inteiro?

– Não. Só o nome...

Conforme íamos andando, fui perdendo a possibilidade de ouvir a conversa. Fiquei muito incomodado e, se já fossem adultos, acho que tiraria satisfação se ficasse mais tempo escutando os sussurros. O homem continuava andando e falando algumas coisas, mas eu já não prestava muita atenção. Ficava olhando em volta ou então pensando em Annie.

– Ah, como sou idiota! — exclamou parando e fixando o olhar em mim — Esqueci de me apresentar, me chamo Jacob.

Quando eu ia dizer meu nome, ele apontou para a minha esquerda com o polegar. Me virei e vi que estávamos perto de uma janela coberta e abaixo dela estava uma mesa com muitos livros em volta. Duas velas estavam dentro de copos apoiados por uma pequena estante vazia, como precaução de incêndio.

– É aqui! — disse alto, enquanto pegava e começava a folhear alguns dos livros.

Segui seu exemplo e peguei um com capa de couro, bem empoeirado. Quando abri, vi que se tratava da história da cidade e não de idiomas. Eu ia coloca-lo de volta quando algo me chamou a atenção. Um dos títulos do índice dizia "A vila dos protestantes". Olhei para Jacob e vi que não tinha encontrado o que procurava ainda, então tomei a liberdade de abrir na página de número indicado e ler.

Logo na parte de cima estava a foto de um homem com barba grisalha e com as duas mãos apoiadas em cima de uma enxada. De baixo estava escrito "Luddin Hanks, o fundador". Folheei algumas páginas depois dessa. Muitas pessoas iam aparecendo, fazendas e reuniões também eram mostradas. Então vi algo que quase me fez gritar. Era uma foto velha com duas pessoas. Uma delas era uma mulher com expressão dura e vestes pretas. A outra era um homem, também com roupas negras, no entanto, era um capuz. Esse último eu tive a infelicidade de reconhecer.

Abaixo estava: A fazendeira Edina Noir e seu marido, Rodrick Galloway.

Era o senhor com quem eu conversei no bar. Ou, pelo menos, pensei ter conversado. Parecia alegre e jovial, como se levasse uma vida sem problemas. A mesma barba, o mesmo olhar. Eu teria voltado atrás e lido a história desde o começo, mas Jacob chamou minha atenção.

...romeno, latim... ah! Aqui está, meu caro! — sorriu triunfante e olhou para o papel amassado na outra mão — Pronto para descobrir o que isso significa?

Assenti e apertei o livro contra meu peito. Esse iria comigo para casa.

Notas finais
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