The Crooked Man

10 Capítulo 10 - Sofrido.


Notas iniciais
Mais um capítulo ;) Esse aqui eu fiz na velocidade da luz, e ficou muito chato. Deem as opiniões de vocês nos comentários, ou até mesmo teorias sobre o que está acontecendo... Quem sabe alguém acerta... (acho quase que impossível) Mas ta aí de qualquer jeito, o próximo vai ser legal, tenho algo mais bem preparado. Bye :S

Reino Unido — Inglaterra/1842

Quando acordei, demorei um pouco para recobrar todos os sentidos. Meu corpo estava dormente e dolorido, e tudo o que eu estava com vontade de fazer era continuar encarando a passagem no teto pela qual caí junto com Hugo. Então a curiosidade despertou e me perguntei: aonde está o gato? Nem mesmo um felino poderia escalar paredes e entrar por um buraco acima sem apoio. Levantei a parte superior do meu corpo dando impulso com os braços. Pude ver os ralados na minha perna, e, quando tentei toca-los, ardiam.

Olhei ao meu redor e vi mais nitidamente o lugar que parecia muito com um porão vazio. Fiz um grande esforço para levantar, gemendo. Me puis de pé um pouco bambo e, correndo o olhar pelo chão de pedra, não fui capaz de encontrar o isqueiro que usei na noite passada. Passei as mãos pelos dois bolsos da calça e também não encontrei nada. Eu estava bem no meio do local, então não havia como andar me apoiando na parede. A única saída existente era uma porta de ferro, velha e enferrujada ao meu lado esquerdo.

Andei lentamente até ela, sentindo as insuportáveis dores na pele e nos músculos. Forcei a maçaneta fina para baixo com as duas mãos e a empurrei, fazendo um barulho estrondoso. Entrei num comprido corredor, com as paredes e o chão rochoso. Caminhei por mais alguns minutos, até chegar ao final. Na minha frente, o sol bateu no meu rosto. Coloquei um braço para proteger minha visão da luz e esperei até me acostumar com a claridade. Presente ali estava uma escada, também rochosa, para cima. Subi, dessa vez me apoiando nas paredes do lado, e me encontrei no meio de uma floresta.

Ouvia corvos e sentia uma leve brisa. As árvores não eram muito juntas, então fui capaz de reconhecer o local. Eu estava perto da estrada para Biggin Hills. Comecei a pensar se eu deveria torcer para que a criatura tivesse ido embora e voltar para casa, ou tomar o rumo para à população. Optei pela segunda opção e tomei a estrada, já começando a me sentir melhor. O cansaço estava tomando conta da minha alma. Mal acordei e já tive que andar mais que normalmente.

Ao chegar na cidade, as pessoas já estavam ativas realizando suas tarefas do cotidiano. Fui até um banco e me sentei, fechando os olhos e tentando esvaziar a mente.

– Meu Deus, que foi que aconteceu à você?

Abri os olhos e o que vi foi Annie com as mãos levadas até a boca e com uma expressão que transbordava preocupação. Ela olhava para os meus braços e pernas, notando o farrapo que eu estava com a queda e os arrastos. Sorri gentilmente e muito feliz por ver que se preocupava com um sujeito como eu.

– Caí da escada. Estava escuro e acabei tropeçando no Hugo! — não era totalmente mentira, isso realmente aconteceu alguns dias atrás.

– Hugo é aquele seu gato? — agora ela estava sentada do meu lado, examinando meu corpo.

– Sim. — ela tirou do bolso do vestido bonito alguns curativos e estava colocando nos machucados — Hoje acordei sem encontra-lo, mais tarde vou sair em busca dele.

– Normal. — eu fazia caretas de dor e ela ria um pouco — Gatos costumam querer liberdade, mas sempre voltam para seus donos.

– Assim espero...

Extasiado. Essa era a palavra que me definia naquele momento. Annie não percebeu, porém eu estava encarando seu belo rosto angelical fazia algum tempo. Eu pensei que olhar para uma mulher desse jeito não ia acontecer nunca mais desde que ela se foi.

– Você consegue perceber que está deixando a raiva tomar conta da sua cabeça?!

– O que eu consigo perceber é que já não tenho mais nada a tratar com você.

Andei furioso até a porta. Coloquei meu chapéu e me puis para fora, já pronto para andar. A mão dela me puxou e virei à seu encontro.

– Por favor... — ela chorava, com a cabeça baixa — Me desculpe se não foi do jeito que você pensou ser, mas precisa entender que...

– Não. — a cortei, firmemente.

– Droga! — ela levantou a cabeça e me olhou com raiva, ainda chorosa — Estamos assim faz três anos e nunca foi diferente pra você, por que precisa ser agora?

– Eu não sei... — falei, sem perder o tom — Só sei que é assim que eu gostaria.

– Você está me ouvindo? — questionou Annie, enquanto sustentava meu olhar sorrindo brincalhona.

– O quê?

– Já terminei. No que estava pensando?

– Em nada, somente que devo estar atrasado para o trabalho na padaria.

Por alguma razão, ela pareceu chateada com a resposta, no entanto, não quis demonstrar isso.

5 Horas depois.

Eu voltei para casa apenas depois de ter comprado uma espingarda e dois revólveres para me garantir. Com a arma grande em mãos, passei por todos os cômodos, e graças ao bom Deus, ele não estava lá. Todavia, estava tudo destruído e derrubado. A porta da frente se encontrava escancarada, o que significa que ele não saiu por onde entrou. Até mesmo coisas de mínimo tamanho, como gavetas, estavam abertas e jogadas. É possível imaginar que fazendo isso, estava procurando alguma coisa, e que não era muito grande.

Hugo apareceu algum tempo depois. Foi sem mais nem menos, deitou e foi dormir, como se estivesse cansado de alguma coisa.

Fiz o melhor que pude para colocar as coisas no lugar e organizar tudo. No quarto, a única coisa quebrada era a janela, só. A cama, a estante e o tapete estavam em perfeita ordem. O que demorei para perceber é que meu casaco tinha sumido. Não estava mais lá em cima. Demorei mais ainda para entender o motivo. Já disse isso e volto a repetir: não sou burro. Assimilei tudo o que sabia até o momento e cheguei numa conclusão. Ele quis meu cheiro. Seria fácil me encontrar depois disso, já que o faro daquele monstro deve ser mais avançado que de uma pessoa normal. Eu não fui capaz de compreender nem mesmo como ele conseguiu subir a casa inteira usando apenas as mãos e em cerca de um minuto. O lugar é pequeno, mas nem tanto.

Muitas teorias eram feitas, e muitas eram descartadas. Umas mais absurdas que as outras. Cheguei a pensar na hipótese dele ser um demônio, que Deus mandou para me castigar. Tratei de esquecer logo isso, porque se assim fosse, eu já não estaria mais vivo. Nem teria sofrido tanto.

Notas finais
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