The Crimson Shadow
1 Prólogo
Verão de 1996.
Cabelos louros escuros a esvoaçar pelos campos quentes e amarelos, uma gargalhada profunda soava quando o pai de Sophie a agarrará por trás e a lançava carinhosamente pelo ar, abraçando-a por fim. Ambos os olhos azuis-esverdados se cruzavam, e as pequenas e delicadas mãos da pequena agarravam a face de Chris. - Que anda a minha pequena a fazer aqui sozinha?- Perguntava com um tom de voz suave pousando Sophie no chão. – Brincar com a natureza Papá – Riu voltando a correr pelos campos, deixando os seus pequenos e descalços pés sentir o chão debaixo de si.
Chris riu e sentiu as delicadas e brancas mãos de Lynn a sua volta. Puxou-a para a frente colando os seus lábios apaixonadamente nos dela. Chris e Lynn eram um casal apaixonado e dedicadas a filha. Tinham-se conhecido numa discoteca londrina numa noite dos anos 80, e pouco tempos depois já se encontravam às escondidas dos pais de Lynn. Ano e meio depois casaram e em 1990 tiveram a melhor dádiva de sempre, Sophie.
Tudo indicava que os três tinham tudo para serem felizes, e naquele ano, tudo correra da melhor forma. Chris tinha sido promovido, e era consagrado um dos melhores advogados da Grã-Bretanha. Lynn, uma médica conceituada. Continuava com a sua paixão de salvar vidas e a pequena Sophie, ela crescia a cada dia, tornando-se numa criança extremamente bonita, inteligente e apaixonada pela natureza.
Um dia, Chris e Lynn decidiram deixar a princesa com um grande amigo do casal, Zackery, mais conhecido como Zac. Nada passara pela cabeça do casal ao deixar a pequena com ele, no final de contas, Sophie adorava Annabel, a filha mais velha de Zac. O que nenhum dos dois imaginara, é que Annabel não estava em casa naquele dia, tinha ido para casa da mãe de férias com os irmãos.
Despediram-se de Sophie com um abraço apertado e um beijinho na testa, como de costume, e indicaram a Zac a hora da sua chegada. – Antes da meia-noite vimos buscar a Sophie, é só um pequeno jantar e um passeio a beira mar, aproveitar o tempo. – Riu Chris, despedindo-se depois do grande amigo.
Sophie via os pais a desaparecem no carro e virou-se correndo até ao quintal, onde Zac tinha o Pat, um labrador de ano e meio. Animada, a menina brincava entretida, sentindo pouco tempo depois as mãos enormes e geladas de Zac nas suas costas. – Queres ver uma borboleta vermelha que tenho ali guardada para ti? – Riu olhando profundamente nos olhos da criança. – Existem borboletas vermelhas? – Estupefacta, Sophie olha-o nos olhos levantando-se.
- Existem, queres ver? – Sorriu levando a menina pela mão para dentro.
Um quarto para a meia-noite e o casal chega perto da casa de Zac. Acharam estranho ver as luzes todas apagadas e nem um sinal de um ser vivo. Chris saiu olhando tudo em volta, e ouve um choro abafado no meio de um arbusto. Correu e em choque retira a pequena Sophie de lá abraçando-a com lágrimas.
- Quem te fez isto meu anjo? – Perguntou entre lágrimas. A pequena não respondera, chorando triste, com medo e envergonhada no colo do Pai. Estava com as roupas rasgadas, sem as cuecas e com arranhões e pisaduras pelo corpo todo. Revoltado, Chris entrega a menina nos braços da mãe e procura Zac por todo o lado, já não havia nada a fazer, ele tinha desaparecido! Volta para o carro e apoia ambas, voltando ainda nessa noite para casa em Londres, deixando bem claro nunca mais voltar aquela terra.
Atualidade
As imagens daquela noite nunca mais lhe saíram da cabeça, o medo, nojo, vergonha, foram-se apoderando dela, tornando a criança outrora feliz e extrovertida, numa menina tímida, envergonhada e de alguma forma estranha. Agora com quase 23 anos, continua a ser o orgulho dos Pais, pois só a eles ela confia e ama, sem amigos, desconhece o amor para com outras pessoas, com plena noção que parte é culpa dos pais, que desde o incidente, nunca mais voltaram a rever amigos e familiares daquela zona. Mas depois do trágico incidente, que até hoje, não sabem a história na totalidade, pensando apenas que a filha tinha sido espancada, Chris e Lynn só viram uma forma de tentar remediar o trauma na filha, ao distanciarem-se do local. Foram longos anos em que Sophie andou de psiquiatra em psiquiatra, tentado arrancar alguma coisa, durante anos não expressou uma única palavra, durante anos escondia-se no quarto, e ainda hoje o pesadelo a persegue.
Notas finais
xoxo, Sónia.
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