The Couch

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Quanto tempo, gente! Como vocês estão? Espero que bem. Enfim, eu estou muito animada pelas cenas Quinntana no episódio dessa semana e aparentemente minha imaginação está de volta, então eu decidi escrever essa one shot só para me divertir mesmo, imaginando o que poderia acontecer daqui pra frente (já que todo mundo sabe que o Ryan não vai fazer jus a essa storyline como sempre, né).
Espero que gostem!

Rachel não conseguia parar de olhá-las.

No começo, tentou ignorá-las, e pareceu fácil fazer isso com as distrações que tinha no apartamento, como por exemplo Brody e seus abdomens. Porém, depois de uma hora, Brody se tornou chato e ela conseguia ouvir perfeitamente os gemidos de Santana e Quinn vindos do sofá — o seu sofá, a primeira compra que fizera em New York para aquele apartamento.

Brody teve de sair para resolver os últimos detalhes para sua peça, Magic Mike, deixando Rachel sozinha com as duas. Como Kurt estava em seu encontro com Adam havia quase três horas, Rachel não tinha ninguém a quem ligar com quem pudesse sair. Foi à cozinha, tentou fazer um sanduíche vegetariano com o que tinha na geladeira, ainda prestando atenção aos barulhos que as outras duas faziam na sala.

Ela respirou fundo, tentando controlar seus impulsos de gritar com elas, de fazê-las parar de se beijarem por pelo menos três minutos para que pudesse aproveitar o que estava passando na televisão e sentar em seu sofá caro. Rachel, distraída, se cortou acidentalmente enquanto tentava fatiar um tomate.

— Isso é tudo culpa da Santana — murmurou depois de ter de passar pela sala novamente em direção ao banheiro atrás da caixa de primeiros-socorros.

E era mesmo, pensou Rachel amargurada. Desde que viera mudar para o seu apartamento, Santana não deixava nenhum dos outros três em paz. Irritava-os das piores maneiras possíveis. Rachel mal tolerava as noites em que Santana chegava as três na manhã em casa, com uma mulher a tiracolo e uma garrafa de vodka na mão. Santana cantava os versos de “Someone Like You” em voz alta no banho durante a manhã seguinte, e Rachel podia ouvi-la chorar.

Mas agora que ela estava namorando Quinn, o apartamento se tornara o pior lugar para se viver em New York.

Tudo começara no casamento de Will, enquanto Rachel tentava fugir de Finn. Sem Brody e sem New York, Rachel era só mais uma garotinha assustada que sempre procurava conforto nos braços enormes do garoto. O sexo, tal como ela lembrava, era terrível, nada comparado a Brody e seus trejeitos delicados e sempre cuidadosos. Rachel se arrependera da bebida que tomara e do sexo que fizera e pedira desculpas a Finn no dia seguinte, quando o garoto lhe contou de Santana e Quinn.

Rachel sentira uma raiva inexplicável ao ouvir as novidades. Em parte, a garota estava feliz por Quinn finalmente ter se assumido, mas odiava o fato de Quinn ter procurado Santana ao invés dela, para tratar de tais assuntos. Rachel não era lésbica, obviamente, mas sempre pensou que a amizade que tinha com Quinn era a mais sincera e importante de todas.

Passado o grande assunto do casamento, acima da fuga de Emma, Rachel voltou a conviver com Santana em New York. Agora, entretanto, Rachel tinha Quinn, presença constante nos últimos três fins de semana, que ia para New York usando a passagem que ela devia usar para visitar Rachel, e não Santana. Se Rachel estava com ciúmes por que Quinn e Santana pareciam engatar em um namoro sério? Poderia se dizer que sim.

— Saiam do meu sofá! — Rachel exclamou irritada, carregando um prato com seu sanduíche natural destrambelhadamente por causa do dedo cortado.

Quinn, por cima de Santana, se sobressaltou e sentou de um salto, o rosto ficando vermelho rapidamente. Santana, por outro lado, abriu os olhos de forma calma, fitando Rachel tranquilamente enquanto sentava e puxava Quinn para o seu colo, beijando seu pescoço de leve. Ela ofereceu o lugar vago ao seu lado a Rachel, que, mal-humorada, sentou-se e ligou a televisão.

— Você precisa arranjar um lugar só para você — disse Rachel, sem olhar para Santana, tentando comer o sanduíche com uma mão. — Urgente.

— Estou procurando — respondeu Santana despreocupadamente. Quinn e ela trocaram um olhar divertido, não captado por Rachel, que lutava com seu sanduíche. — Sabe o quão é difícil achar um lugar aqui?

Rachel parou entre uma mordida e outra para lançar um olhar raivoso à Santana. Quinn riu, entrelaçando seus dedos nos de Santana; Rachel desviou o olhar para as mãos das duas, sentindo-se repentinamente triste. Por um simples momento, Rachel quis ser Santana, quis estar em seu lugar, beijando Quinn e transando com ela todo fim de semana. Ao reparar no que pensara, ela balançou a cabeça tentando espantar os pensamentos.

Não deu certo.

— Você pode morar em New Haven comigo — sugeriu Quinn, franzindo a testa para Rachel. — Posso sair do meu dormitório e nós podemos arranjar um apartamento lá.

— Mas eu quero ficar aqui, Quinnie — Santana murmurou manhosa. Ela deixou a cabeça cair no ombro de Quinn, parecendo um pouco decepcionada. — Quando você se formar, pode vir para cá. Até lá, serei uma cantora famosa. E aí, tudo será um sonho.

Rachel virou o rosto quando Quinn se virou para beijar Santana. Se não estivesse comendo, provavelmente teria feito uma careta como se fosse vomitar, como tinha feito várias vezes nas últimas três semanas. Rachel também notara o apelido que Santana usara para se referir à namorada, Quinnie. Pelo que Rachel se lembrava, apenas Judy podia chamar Quinn dessa forma. Pensar que Quinn e Santana estavam namorando sério mesmo fazia seu estômago revirar.

— E você, Rach? — Quinn perguntou depois que o selinho virou em uma sessão de amassos de cinco minutos. — O que vai fazer depois de se formar? É óbvio que não vai ficar morando aqui, não é?

Rachel tossiu, finalmente terminando seu sanduíche. Ela fitou Quinn por alguns minutos antes de responder:

— Vou estar na Broadway quando me formar — respondeu secamente. — Meu closet será do tamanho desse apartamento.

Quinn e Santana trocaram olhares significativos. Rachel procurou ignorá-las, focando sua atenção na televisão. Ela não se importava com quem Santana estava saindo, Rachel não dava à mínima para a sua vida sexual, então porque estava sentindo tanto ciúmes das duas? Tinha Brody, podia simplesmente ligar para ele e o garoto estaria lá por ela, sempre. E, mesmo se com Brody não desse certo, havia um milhão de garotos com quem pudesse ficar em New York.

— Bem, vou buscar um sorvete para mim — anunciou Santana, pedindo para que Quinn levantasse de seu colo. — Você vem? — ofereceu depois de estar em pé, com olhos pedintes e fazendo beicinho. Rachel revirou os olhos.

— Acho que não — Quinn disse, puxando Santana para um beijo antes de deixar a garota sair. — Mas me compre um de chocolate, por favor.

— Quer um, Berry? — indagou Santana, fitando Rachel seriamente.

— De morango — respondeu Rachel de mal-humor, entregando o prato com os farelos do sanduíche à Santana. — Leve isso à cozinha antes de sair. É o mínimo que pode fazer.

Santana fez uma careta, mas pegou o prato e deixou-o na pia da cozinha. Antes de sair, voltou à sala para dar mais um beijo demorado em Quinn que fez Rachel querer se levantar, assumir posição de corrida, avançar contra a janela e cair no gramado lá embaixo. Não importava as dores que sentiria, o importante era estar longe da nojeira de casal de Santana e Quinn.

— Já volto! — Santana disse ao sair do apartamento. Quinn mandou-lhe mais beijos, mas Rachel, se pudesse, trancava a porta de arrastar e nunca mais deixava a garota entrar outra vez.

— Vocês duas são nojentas — Rachel disse sem rodeios, mordida. — Sem querer ofender.

— Você faz barulho demais quando transa com Brody — retrucou Quinn, dando de ombros. — E eu nunca reclamei.

— Kurt reclama — Rachel falou, irritada. — Sempre. E Santana também.

— Acho que você deveria diminuir seus gritos na hora do amor e deixá-los para o palco — Quinn comentou displicentemente, se levantando e indo até o armário da cozinha. Abriu-o, como se fosse a dona do cômodo, e se colocou nas pontas dos pés para poder ver o que poderia tirar de proveito dali.

Rachel a seguiu, batendo os pés com força no chão. Estando de pantufas, o efeito que ela queria não foi muito bem aproveitado. Ela parou atrás de Quinn, com uma vontade imensa de socar as costas daquela garota arrogante e idiota, que se sentia a rainha do seu apartamento só por que namorava alguém de New York.

— O que está fazendo com ela, Quinn? — Rachel perguntou, atropelando as palavras. Suas mãos tremiam, e não era por causa do frio lá fora. Tremiam de raiva, por que Quinn Fabray era para visitar ela, Rachel Berry, todos os fins de semana, e não Santana Lopez.

Quinn virou-se lentamente, olhando Rachel de cima como sempre olhava durante o Ensino Médio. Nos primeiros anos aquele olhar vinha com um misto de raiva e desprezo, mas ao fim do último ano, ele era antecioso, amoroso e leal, quase como...

Rachel sacudiu a cabeça, espantando tais pensamentos de novo.

— Olha, Quinn, eu entendo que você goste de meninas, e eu respeito isso, mas, pelo amor de Deus, tinha que ser logo a Santana?

Elas se olharam por longos minutos antes de Quinn cair na gargalhada. Rachel a encarou, surpresa com a reação. Quinn geralmente nunca achava graça de nada, o que aumentava suas suspeitas de que as duas estavam tramando algo.

— Rach, gosto dela — Quinn respondeu sinceramente, olhando fundo nos olhos de Rachel.

A garota simplesmente odiava quando Quinn fazia aquilo: chamava-a por seu apelido, algo que nunca fazia no Ensino Médio; ou quando se concentrava em fixar aqueles belos olhos amendoados em sua direção, como se tivesse algum direito de fazer aquilo, de deixar Rachel zonza apenas com um olhar.

— Além disso, nós estamos todos namorando, certo? — Quinn continuou, quebrando o contato visual e indo procurar o que comer no armário em cima do fogão. — Kurt e Adam, você e o Brody, eu e Santana. Acho que isso não deveria ser um problema.

— Você devia estar aqui por mim! — exclamou Rachel, aborrecida.

Rachel bateu o pé no chão, mas, de novo, não causou o efeito que queria. Quinn virou-se novamente, surpresa. A sobrancelha arqueada indicava a Rachel que ela, talvez, passara um pouco dos limites.

— Aquelas duas passagens de trem que você gastou uma dinheirama no ano passado era para nós duas, não para você e Santana! — exclamou Rachel. A garota andava para lá e para cá na cozinha. Quinn apenas observava, em choque. — Eu sou sua melhor amiga, Quinn! Fui eu quem tirou você de várias roubadas durante o Ensino Médio enquanto Santana só te colocava em mais burradas! Eu, Quinn, fui eu! Era para você estar aqui por mim, não por ela! E aí, você vem pra cá para transar no meu sofá com ela...!

— Você nunca usou as suas passagens — lembrou Quinn amargamente.

Rachel parou no meio da cozinha para encarar Quinn. De fato, ela nunca tinha usado suas passagens, considerara inclusive que já tinham vencido, mas ela tinha uma razão. New York, tão cheia de distrações, estava consumindo suas forças, e junto com NYADA, Rachel tinha menos tempo ainda para visitar Quinn em Yale. Pensava sempre no assunto antes de dormir, mas o deixava sem uma conclusão todos os dias.

— E como você pode cobrar que eu nunca usei as minhas antes de San vir para cá se você nunca sequer pensou em usar as suas? — Quinn continuou, mais cruel que nunca.

Quinn sabia, Rachel tinha certeza. Ela sabia que Rachel pensava sempre nela e como fariam aquela amizade durar se uma das partes não cooperava. Os e-mails trocados todos os dias, as ligações via Skype, nada daquilo não tinha o mesmo efeito de se verem ao vivo, Rachel percebeu.

— Você andou dizendo por aí que fui eu quem deu as passagens — Rachel retrucou, tentando ser tão cruel quanto Quinn, mas sem os mesmos resultados. — Finn me disse.

— Ah... — Quinn disse baixinho, abrindo um sorriso maroto. Ela chegou mais perto de Rachel sorrateiramente. — Falei mesmo. Ou você acha que eles iam mesmo acreditar que eu tinha feito tal ato?

Um a zero para você, Fabray, Rachel pensou, quase soltando fogo pelas narinas. Como aquela garota poderia ser tão convencida? Rachel percebeu que Quinn estava relativamente mais perto e se afastou rapidamente. Não queria a garota por perto, não mais.

— Como isso aconteceu? — Rachel perguntou, tentando se distrair com o único prato sujo da pia. Recusava-se a encarar Quinn Fabray. — Digo... Santana e você. No meu sofá.

— Da mesma forma que todos os meus relacionamentos começaram: eu sussurrei algo sensualmente no ouvido dela — disse Quinn num tom divertido. Rachel, mesmo de costas para ela, soube que Quinn tinha dado de ombros. — E Santana queria alguém para superar Brittany. Eu a ajudei com isso.

Rachel deixou o prato na pia e firmou suas mãos na beirada, querendo controlar seus instintos de bater em Quinn Fabray, pela segunda vez naquela tarde fria de março. Ela não podia. Quinn sabia que estava sendo usada, e ainda assim continuava saindo com Santana. Aquilo lhe causava náuseas.

O silêncio predominou por longos minutos. Nesse meio tempo, Rachel se perguntou aonde Santana fora para comprar os sorvetes, sendo que a sorveteria mais perto levava menos de dez minutos para ir e voltar. Santana estava mesmo sendo um ser humano gentil e deixando que ela e Quinn pudesse ter suas tretas resolvidas? Parecia impossível.

— Vocês precisam parar de transar no meu sofá — murmurou Rachel. Ela escolhera por ignorar a resposta de Quinn.

— Você tá com ciúmes do sofá? — indagou Quinn, curiosa. Chegara mais perto de Rachel, sempre mantendo o contato visual.

Rachel tentava se concentrar em qualquer coisa que não fossem os olhos amendoados de Quinn, mas era difícil. Quinn Fabray, mesmo após tanto tempo, tinha uma forma de conquistá-la, algo que Finn, Puck, Jesse ou Brody jamais teriam.

— E-estou — gaguejou Rachel, tossindo fortemente. — É o meu sofá; e eu paguei caro por ele. Pensar na bunda bronzeada de Santana lá toda noite me dá náuseas.

Quinn gargalhou com a resposta de Rachel, colocando o braço no armário e prendendo Rachel entre ela e a parede. Seus rostos quase se tocaram, e Rachel se perdeu novamente nos olhos verdes de Quinn antes de se abaixar e se livrar do aperto da garota.

— É o sofá — repetiu Rachel debilmente. Seus olhos estavam fechados e ela empenhou-se em tirar a imagem dos lábios de Quinn da mente, sem sucesso.

— Agorinha você me disse que era por minha causa — retrucou Quinn, e Rachel percebeu o tom de risada em sua voz. Não conseguia olhar para a garota, não podia. — Admita Rach, você queria que eu fosse sua namorada. Sem Brody, sem Santana, só eu e você.

Rachel usou toda sua força de vontade para não virar seu corpo e dar um tapa na cara de Quinn. Como ela tivera aquela ousadia? Ela era heterossexual, e mesmo gostando muito de Quinn, nunca teria coragem de chamá-la para sair ou, quem sabe, namorá-la.

— Admita, Rach. — Quinn a puxou pelo braço e encostou sua testa na de Rachel. Com seus lábios quase tocando os da menina, sussurrou: — Desde 2009, Rachel, você me quer, admita. O sentimento é mútuo, então não há problema.

Ela queria soltar-se de Quinn, queria gritar para ela que não a desejava, que jamais tinha sentido tais sentimentos em relação à Quinn, mas elas sabiam que era mentira. Rachel queria ser Santana nas últimas três semanas, queria ser a garota com quem Quinn transava nos últimos sábados e domingos. Ela queria estar com Quinn, e não Brody, nunca Brody.

Rachel desejava Quinn mais do que desejava qualquer outro homem em sua vida antes.

— Diga, Rach — sussurrou Quinn. Seus lábios estavam tão próximos dos que Rachel que o único ar que ela respirava era o hálito doce da garota. Rachel a queria, desejava poder finalmente beijar aqueles lábios suaves. — Diga e eu serei sua. Sem Santana, sem Brody. Será só você e eu.

Rachel engoliu em seco. Ela não ousou responder Quinn; em vez disso, a garota diminuiu a distância quase inexistente entre seus lábios e os de Quinn, finalmente beijando-a. Por quatro anos ela quis isso, inconscientemente ou não. Por quatro anos, ela desejou ser de Quinn Fabray, beijá-la, adorá-la, e ter seus sentimentos correspondidos pela garota.

Agora, ela finalmente tinha a atenção de Quinn só para si.

Quinn a puxou para mais perto de si, abrindo a boca de leve e permitindo que a língua de Rachel explorasse-a. Rachel gemeu audivelmente quando Quinn mordeu seu lábio inferior, empurrando a garota para a parede, batendo contra ela de forma violenta. As mãos de Quinn estavam passeando em suas costas, por baixo de sua blusa enquanto Rachel se ocupava em arranhar o pescoço de Quinn.

Ao se separarem por um minuto para respirar, Quinn tinha um sorriso de vitória no rosto. Rachel socou seu ombro, mas sorria também. Tão logo tinham recuperado o fôlego e Rachel atacou o pescoço de Quinn vorazmente, deixando uma marca ali. Os gemidos de Quinn davam a ela uma animação estranha, bem diferente do que sentia quando estava com Brody ou até mesmo Finn. Eles não lhe davam liberdade para poder sentir o que desejava sentir, os dois esperavam sempre algo dela que ela desde cedo sabia que não podia dar.

Mas Quinn... Cada sussurro, cada sílaba cortada por causa de um gemido, tudo era uma forma para que Rachel continuasse o que estivesse fazendo. Quinn procurou os lábios de Rachel mais uma vez, em nada do que poderia descrever como desespero. Esmagada contra a parede, Rachel empurrou Quinn para fora da cozinha, andando às cegas pelo apartamento, procurando um lugar para que pudesse finalmente saber por que Santana gemia tanto durante a noite quando Quinn estava ali.

— No seu precioso sofá? — Quinn perguntou soltando uma risada quando Rachel a jogou contra o móvel e ela caiu duramente nele.

— Sim, nele mesmo — Rachel respondeu seriamente, tirando sua blusa e caindo em cima de Quinn, voltando a beijá-la violentamente, chupando a língua de Quinn como se isso lhe valesse a vida.

Rachel começou a desabotoar a camisa de Quinn, imaginando o número de vezes que Santana havia feito isso. Tirou a amiga da cabeça ao ver o perfeito abdômen de Quinn na sua frente. Muito melhor que Brody, pensou. Muito mais interessante que Finn Hudson, concluiu com um sorriso malicioso. Rachel Berry observou atentamente o corpo escultural de Quinn novamente, deliciando-se ao beijá-lo em todas as partes.

Quinn Fabray iria ter algo a partir daquele momento que Santana Lopez nunca seria capaz de dar a ela.


Santana nunca desconfiou que Quinn pudesse ser gay até ela se jogar em seus braços no casamento de Will — o que era uma ofensa enorme ao seu radar-gay, já que convivia com a amiga havia anos.

Ela estava se sentindo sozinha no casamento e Quinn simplesmente veio até ela, totalmente bêbada, falando sobre como se sentia em relação a Rachel e no quanto queria invadir o quarto da garota com Finn só para lhe dar uns bons amassos logo após de socar seu desafiante. Santana a parou e disse que era uma bobagem fazer aquilo, com o Glee inteiro ali. Quinn precisava se acalmar, então Santana fez a coisa mais sábia de todas: deu-lhe mais bebida.

E o resto da noite... Bem, Santana não lembrava direito, mas agora ela era a namorada de Quinn e transava com ela nos fins de semana.

Aos poucos, Santana conseguiu fazer Quinn falar sobre seus sentimentos relacionados à Rachel sobriamente. Ela descobriu que Quinn gostava da garota desde sempre, que ao ir para New Haven ao invés da Universidade da Califórnia, Quinn queria ficar mais perto de Rachel e, quem sabe, fazer surgir algum outro sentimento além de amizade entre elas. Até, é claro, Brody aparecer.

Mas Santana não ia deixar sua amiga ficar sem a baixinha irritante dona do lugar onde morava agora. Brody era um cara legal e muito bonito, mas tinha uma mania estranha de andar nu pelo apartamento. Imaginar Quinn no lugar dele não era tão difícil. Por isso, Santana ordenou que ela passasse os próximos fins de semana em New York. Não importava quanto tempo ela teria que passar beijando Quinn para que Rachel percebesse que a garota de New Haven queria na verdade ela, mas Santana o faria.

Ela era amiga de Quinn e a ajudaria, tal como ela a ajudara durante seu período de negação ao relacionamento que tinha com Brittany. Santana iria usar Quinn também, obviamente. Ela jamais desistiria de Brittany, e o plano que ela partilhava com a melhor amiga poderia ajudá-la com isso.

Sentada na sorveteria três quadras distante de seu apartamento, Santana imaginou se Quinn já teria beijado Rachel.

Honestamente, ela achou que seria muito mais fácil. No primeiro fim de semana, Rachel sorriu e cumprimentou Quinn polidamente. No segundo fim de semana, Rachel olhou Quinn como se ela fosse uma cantora ruim que ganhara um papel totalmente desmerecido na Broadway. Na última quarta, dia em que Quinn tinha aulas apenas durante a manhã e prometera visitar Santana, Rachel chegou da universidade com Brody a tiracolo e sequer cumprimentou a garota, indo direto para o quarto como o garoto. Kurt teve que fazer as honras da casa.

No dia anterior, quando Quinn chegara, Rachel não estava em casa. Fora com Brody à biblioteca procurar sobre algum musical. Santana achou que estava na hora de ações extremas, e por isso sugeriu sexo a Quinn. Afinal, alguma coisa havia acontecido naquele quarto de hotel para as duas acordarem nuas na cama, de conchinha. Ao chegar tarde da noite, Rachel não notou elas em seu precioso sofá transando pois estava ocupada demais gemendo contra o pescoço de Brody.

— Esse apartamento está virando uma casa de sexo — Kurt comentara no café da manhã sem rodeios, ignorando Quinn de sutiã e Brody apenas de cueca. — Vocês quatro precisam parar.

— Quinta você trouxe o Adam aqui e nenhum de nós reclamou — Santana retrucou, trocando caricias com Quinn por debaixo da mesa enquanto Rachel as observava com os olhos estreitos.

Kurt se recusara a responder. Seu rosto estava tão vermelho quanto um tomate. Não falou durante o resto da manhã, até o almoço, quando avisara que iria sair com Adam e não tinha hora para voltar.

— Você precisa tomar algum sorvete para ficar aqui, sabia? — a garçonete bonitinha disse a Santana, tirando seus pensamentos daqueles amigos malucos que tinha.

Santana sorriu a ela afavelmente. Tal sorriso ela só guardava a Brittany e, nos últimos dias, a Quinn. A garçonete corou fortemente.

— Uma taça com três bolas, uma de pistache, outra de chocolate e a outra de creme. — Se havia uma pessoa que conseguia fazer um pedido de sorvete algo sensual, esse alguém era Santana Lopez.

Ela anotou rapidamente o pedido e saiu, tropeçando na mesa em frente. A garçonete sorriu para Santana, pedindo desculpas. Como adorava New York, Santana pensou abrindo um sorriso maior que o da garçonete. Em menos de um mês ali, Santana guardava uma caixa com números de telefone de várias garotas, e tinha certeza de que a garçonete bonita, com quem estava flertando havia dois dias, daria seu telefone assim que voltasse com o sorvete.

— Aqui está — a garçonete chamou a atenção de Santana novamente —, o seu pedido.

Colocou a taça de sorvete na frente de Santana entregando-lhe a colher e alguns guardanapos. Em um deles, estava o seu nome, Camila, e seu celular, tal como Santana previra.

— Posso lhe perguntar algo? — perguntou Camila, observando Santana se deliciar com o sorvete. Santana assentiu. — Está aqui há mais de uma hora, sem pedir nada. E você sempre vem aqui com uma garota loira e outra morena.

— Quer saber onde elas estão? — disse Santana, um pouco decepcionada.

Foi a vez de Camila assentir, curiosa.

— Espero que estejam transando — respondeu Santana displicentemente, dando de ombros, tomando mais um pouco do sorvete. Camila riu, nervosa, mas Santana acenou seriamente. — Elas se pertencem, sabia? É uma longa história.

— Achei que estivesse namorando a loira — comentou Camila, sentando-se na cadeira vaga em frente à Santana. — Q-quero dizer, vocês pareciam estar namorando.

— Para causar ciúmes na morena.

Camila franziu a testa. Seus olhos encontraram os de Santana, e as duas riram ao mesmo tempo. Nesse segundo, Santana sentiu uma conexão com ela, e, como acontecia com as outras garotas que lhe entregavam seus telefones, não se sentiu como se estivesse traindo Brittany, de modo algum, apenas seguindo um conselho da melhor amiga.

— Na verdade, acho que elas já tiveram o tempo que precisavam — disse Santana olhando no relógio do celular, guardando o guardanapo com o número de Camila no bolso. — Quando termina seu turno?

— Em duas horas.

— Vou te ligar. — Ela nunca dissera aquilo à nenhuma das outras garotas. Talvez New York estivesse começando a fazer o efeito desejado em sua vida. — E, quem sabe, Quinn e Rachel também venham comigo.

Camila assentiu, se levantando e dando um beijo na bochecha de Santana, sorrindo em seguida. Ela terminou o sorvete, meio sonhadora, mas logo voltou à realidade. Era hora de saber se Quinn tinha seguido seu conselho ou não.


O barulho da porta sendo arrastada fez Rachel se levantar de supetão, assustada. Santana estava de volta, pensou. Santana estava de volta e pegaria as duas nuas no sofá que Rachel tanto dizia que prezava.

Aquilo era horrível. Não a parte do sexo — Quinn Fabray possuía dedos e a língua de uma deusa —, mas sim a parte de ter traído seus próprios ideais em relação ao sofá. Era um pensamento estúpido, é claro, visto que transara com a namorada de sua colega de quarto que tinha força e coragem o suficiente para fazê-la sair voando pela janela.

— Santana vai me matar — disse Rachel, abrindo os olhos e empurrando Quinn acidentalmente do sofá, cobrindo a parte de cima do corpo com o lençol de Santana.

— Porra Rachel, não precisava disso — reclamou Quinn coçando a cabeça que batera na mesinha de centro, próxima demais do sofá. — E por que Santana teria razões para te matar?

— Porque eu acabei de transar com a sua namorada, talvez por isso! — ela exclamou irritada, se levantando e procurando sua camiseta, jogada em algum lugar do apartamento. Ao achá-la, se deu conta de outra coisa. — E eu também tenho um namorado! Os dois irão se juntar para me matar!

Rachel estava tão nervosa que colocou a camiseta ao contrário. Sem notar o erro (ou Quinn rindo de seu ataque de nervos), sentou-se no sofá novamente e ligou a TV, fingindo prestar atenção em um programa qualquer que passava.

Cinco segundos mais tarde, Santana finalmente entrou no apartamento. Ela encostou-se no batente da porta, observando a cena: Quinn sentada no chão da sala nua, sem se preocupar em esconder alguma parte do seu corpo e Rachel, com a camisa ao avesso e um lençol para cobrir suas pernas trêmulas.

— O que estavam fazendo aqui? — indagou Santana divertidamente.

Rachel tinha consciência agora de que o namoro entre Santana e Quinn era uma mentira, mas ainda assim não deixou de se sentir culpada por ter feito sexo com Quinn. Kurt tinha razão, ela pensou amedrontada enquanto Santana sentava ao seu lado no sofá, o apartamento estava se tornando uma casa do sexo.

— N-nada — Rachel respondeu, puxando o lençol mais para si.

Santana pegou o controle da televisão e mudou de canal. Um show sobre personagens de contos de fada estava passando. Quinn esqueceu da dor e abriu um sorriso ao ver o que parecia ser a Rainha Má na tela. Rachel revirou os olhos. Não contaria com a ajuda de Quinn para se livrar daquela roubada agora, sabia.

— E vocês estão nuas por que...? — insistiu Santana, abrindo um enorme sorriso ao ver a expressão de pânico de Rachel.

— Santana, corta essa, você sabe que nós transamos — disse Quinn, sem sequer virar-se para fitar a namorada, prestando atenção mais no programa do que na pequena discussão no apartamento.

Rachel chutou Quinn nas costelas, aborrecida. De todas as conversas pós-sexo que já tivera, aquela era definitivamente a mais estranha, embora isso não parecesse incomodar Santana ou Quinn.

— Olha a cara da Berry, pelo amor de Deus, é hilária!

— Não tem graça! — Rachel falou quando Santana parou de rir. — E além disso, manipular alguém para que ela namore com você só por que está de olho em outro alguém é errado, sabiam disso?

— Sim — responderam Quinn e Santana ao mesmo tempo.

— Sabe que eu não posso ficar com você agora, não é, Quinn? — indagou Rachel, delicadamente.

Quinn tirou os olhos da televisão e fitou-a como se ela fosse maluca. Mas a verdade era aquela: mesmo gostando de Quinn desde sempre, mesmo com tal sentimento sendo mútuo, mesmo tendo o melhor sexo que tivera na vida... Tudo isso não valia muita coisa quando ela percebera que ainda estava traindo Brody. Rachel poderia não ser “a outra” do ponto de vista de Quinn e Santana, mas ela era para Brody, e para si.

— Mas, Rachel... — Quinn pulou no sofá, os olhos enormes e pedintes. — E-eu não posso... Digo, você não pode...

Rachel olhou para Santana, pedindo silenciosamente para que ela saísse do cômodo. A garota deu de ombros e se levantou do sofá dizendo que comeria algo na cozinha.

— Quinn — disse Rachel com um tom de voz estranho. Quantas vezes ela falara aquele nome, seja com uma raiva explosiva ou apaixonadamente... Rachel nunca se cansaria daquele nome, jamais. — Você sabe que eu gosto de você, mas Brody... — Ela suspirou, cansada, tomando as mãos de Quinn nas suas. — Uma semana. Esse é o meu prazo para ele dar o fora daqui.

— Uma semana? — Quinn perguntou dengosa.

Rachel acenou afirmativamente.

— Uma semana e eu vou usar aquelas passagens para vir te visitar. Agora eu tenho uma razão a mais para vir para New York — Quinn disse, inclinando-se para dar um selinho em Rachel, que sorriu após o beijo.

— Espero que tenha mesmo — Santana se intrometeu voltando à sala e se sentando entre Quinn e Rachel. — Por que eu arranjei uma pessoa e nós temos um encontro daqui à uma hora, então espero vocês prontas até lá.

— Brittany? — arriscou Rachel em dúvida.

— Camila — respondeu a outra, mudando novamente o programa da TV. — Pela primeira vez, eu sinto que pode dar certo e não vou estragar isso.

Quinn bateu nas costas de Santana, parecendo orgulhosa da amiga.

— Não posso sair, ainda estou namorando Brody — disse Rachel de forma repentina, causando um rolar de olhos de Santana.

— Ninguém se importa, Berry. Vá se aprontar porque temos um encontro duplo hoje à noite.

Quando Quinn se levantou, pareceu perceber que estava nua. Olhou para o próprio corpo e riu quando Santana bateu em seu traseiro, saindo da sala para ir tomar banho. Assim que o som do chuveiro se fez ouvir, Santana virou-se para Rachel, apertando sua camisa ao avesso contra seu pescoço ferozmente.

— Machuque minha melhor amiga, e eu te jogo pela janela, hobbit.

Mas ao ouvir o grito de Quinn dentro do banheiro pedindo para que fosse banhar com ela, Rachel instantaneamente soube que não precisaria ser jogada daquela altura para entender o quanto Quinn significava para ela.

Notas finais
O que vocês acharam? Pessoalmente, essa foi uma das fics que eu mais gostei de escrever, por não ter tanto sofrimento e ser apenas uma diversão KKKKK
E eu não sei se vocês sentem falta de mim, mas eu espero estar de volta daqui uns tempos com um novo AU que eu estava querendo escrever desde o fim de Running Away. Apenas mais alguns ajustes e correções e eu espero postar :D
Enfim, espero que tenham gostado! Deixem seus comentários com suas opiniões, favoritem e etc! Beijos e até a próxima :)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!