Notas iniciais
Neee! Kuro-chan, desculpe pelo atraso ^-^

Terceiro Mundo. 7/30/20XX

[Cidade de Sakurami. Condomínio Sakura. Apt.301]

Meus filhos começaram a voar. Devo dizer que, isso é ridiculamente bizarro para algumas pessoas, mas para mim, Minene, foi até comum, tendo em vista que eu era metade vista. Porém não deixou de ser um pouco estranho. Sorte que Nishijima havia saído.

- Hum... Então quer dizer que finalmente se encontraram? – perguntei, pensando alto.

Percebi pouco tempo depois que a janela estava aberta e que a vizinha estava observando as crianças voarem. Sorri amarelo enquanto catei as crianças no ar e depois fechei a cortina.

Bufei. Como se ela não visse bebês voando todo dia.

Mundo Vazio. X/XX/XXXX

- Quais seus planos para o futuro, Yuki? – perguntou-me Yuno.

Dei de ombros.

- Não sei, mas tenho em mente algo em mente. – falei.

- E o que é? – perguntou ela, curiosa.

- Vamos ver as estrelas! – falei, dando as mãos para ela e correndo para a imensidão estrelar.

Terceiro Mundo 7/30 20XX

[Cidade de Sakurami. Casa dos Amano.]

- Yuki-kun! O jantar está na mesa! – gritou minha mãe. Dei de ombros, com uma pontada de irritação. Estava ocupado. Digitava furiosamente no meu celular.

Onde estaria Gasai-san? Não a via fazia quase dois dias. Estava preocupado. Espere, por que estava preocupado? Por que diabo estava me importando com uma simples colega de classe, a qual estudou comigo por tempos? Qual o sentido?

Aliás, o que eu estava pensando? Eu tinha uma namorada ideal, nem bonita demais, mas não chegava a ser feia, inteligente, prestativa. E acima de tudo, era a representante da classe. Mas por que me interessava tanto pela garota de cabelo rosa?

Ela não era popular, era muito bonita sim, só que isso poderia vir a ser um defeito, concorrência sabe? E ela era inteligente.

Estava eu traindo Wakaba?

Não... Só porque comecei a escrever um diário e a perseguir Gasai-san sem que ela percebesse, não significava que estava ficando louco, ou ainda, que estava obcecado pela garota. Longe disso. Extremamente.

Só que, quando seu rosto me vinha a mente ela despertava em mim tanta curiosidade que chegava a doer.

Qual era meu problema?

Escutei batidas na porta assim que joguei um dardo em algo. Não estava me importando.

- Yuki-kun, eu já avisei que o jantar está na mesa. E a Wakaba-chan está aqui. Seu pai só chegará mais tarde. – avisou minha mãe.

- Eu sei mãe. – murmurei angustiado.

- Então venha Yuki-kun. – ordenou.

Levantei da cama e deixei minha coberta na cama. Desci os degraus da escada ainda digitando.

- Yuki-kun, largue o celular! – berrou minha mãe. Suspirei e o guardei em meu bolso.

No final da escada encontrei Wakaba a postos. Ela estava com os braços cruzados, como se sentisse frio.

- Oi... – falei.

- Oi! – exclamou ela.

- Está com frio?

Ela fez um leve movimento negativo.

Percebi que ela não estava normal.

- Venham crianças. – chamou mamãe.

Fomos até a mesa. Dei lugar para Wakaba sentar e me sentei a seu lado. Ela começou a balançar o corpo e batia os dedos na mesa, angustiada.

- Está tudo bem? – perguntei.

Ela assentiu. Era estranho vê-la tão quieta. Geralmente ela não ficava quieta por nada.

- Precisa de ajuda senhora Amano? – perguntou Wakaba. Minha mãe estava colocando os pratos na mesa. Sorriu.

- Não Wakaba. Obrigada. – sentou.

- Itadakmasu! – falamos. E nos colocamos a comer.

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Mundo Vazio XX/XX/XXXX

Não queria soltar sua mão. Estava com tanta saudade!

- Deus – começou ela. – digo, o deus do terceiro mundo disse que precisava de nossa ajuda para governar. – falou.

Sorri bobamente.

- Yuki? Está me ouvindo? – perguntou Yuno.

Concordei com a cabeça.

- Não acha estranho? – perguntou.

- O quê?

- Deus pedir nossa ajuda. Só a sua ajuda bastaria.

Pensei em Nona. A ajuda dela também bastaria.

- E quanto a você? – perguntei.

Yuno ficou vermelha.

- Yuki, posso ser a sua Yuno de outro mundo, e posso sentir o que ela sente, mas não me tornei Deus no terceiro mundo. – disse.

Meu queixo caiu.

- Eu achei que, achei que você tivesse ganhado o jogo. – falei. Yuno olhou para o chão.

- Não houve jogo. – disse após alguns minutos.

Não houve jogo? O que ela queria dizer com isso?

- Como assim não houve jogo? – perguntei.

- Não houve jogo, Yuki. – disse. – Depois que você alterou meu futuro e o da Primeira – percebi que era assim que a Yuno do terceiro mundo chamava a Yuno do primeiro. – todos os futuros mudaram em uma velocidade absurda.

Esperei que continuasse. Não continuou.

- E..? – perguntei.

Soube que Yuno não queria falar.

- E que o futuro dos participantes mudou também. – falou ela. – Meu diário – prosseguiu. – era o diário da família.

Era mais do que queria absorver.

- E quanto aos outros? – perguntei. – E quanto a mim?

- O futuro dos outros também se alterou. – respondeu a primeira Murumuru. Ela cruzou os braços e assumiu uma expressão emburrada. Fuzilou-me com o olhar. – O Terceiro foi capturado pelo Décimo Segundo, que por sua vez anda combatendo crimes. O Quarto continua detetive, porém, com a intervenção da Nona do Segundo Mundo, seu filho sobreviveu. O Quinto teve uma infância saudável, e seus pais o amavam muito, diferente do que aconteceu no Primeiro e Segundo Mundo. Os pais da Sexta estão vivos, e ela comanda a seita. O Sétimo se casou com a Sétima, e tiveram filhos. – Murumuru falava tudo isso contando nos dedos. – A Oitava está namorando o Décimo Primeiro, que continua prefeito. A Nona é terrorista, porém a Nona do Segundo Mundo está casada com Nishijima. E o Décimo ainda está casado e cuidando de sua filha, Hinata.

Todos tiveram um bom futuro. Fiquei feliz por eles, mas não deixei de sentir uma pitada de inveja.

- E quanto a mim, Yuno? – perguntei, ignorando Murumuru completamente.

- Seus pais estão vivos e casados. – respondeu.

- E o que mais? – perguntei.

- Yuki, eu não acho que – começou Yuno.

Soltei sua mão e dei um passo à frente. Levei meus braços e abracei Yuno com força. Era muito bom sentir seu corpo junto ao meu novamente.

- Está tudo bem Yuno. – respondi baixinho no seu ouvido. – Se não quiser falar, tudo bem, não insisto.

- Ah, Yuki. – murmurou ela e enterrou o rosto em meu ombro.

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Terceiro Mundo 7/30/20XX

[Cidade de Sakurami. Casa dos Amano.]

Jantamos silenciosamente. Ora ou outra minha mãe puxava algum assunto, em vão. Wakaba não sentia vontade de conversar, e eu muito menos. Só queria que ela fosse embora para voltar a meu quarto, me enrolar nas cobertas e escrever sobre Gasai-san.

Era meu único desejo.

Quando achei que não conseguia suportar mais, Wakaba se levantou, fez menção de agradecimento e se direcionou a porta.

Segui-a.

- Obrigada, Yukiteru-kun. – disse ela, na porta.

- O prazer foi meu, Wakaba-san. – falei. Na verdade não foi presente algum, e nós dois sabíamos disso. Não sabíamos como terminaríamos isso. Só.

- Então, vou indo. – falou ela.

- Certo.

- Yuki-kun! Seja cavalheiro e leve Wakaba-chan até a casa dela. – gritou minha mãe de algum lugar de casa. Mordi os lábios. Mãe, por que tem que estragar tudo?

- Tudo bem. – gritei de volta, fechando a porta atrás de mim.

Wakaba sorriu. Começamos a andar por entre ruelas. A casa dela ficava a algumas quadras apenas. Minha casa era mais perto da dela do que da casa de Gasai-san. Infelizmente.

- Yukiteru-kun – começou ela, quando estávamos a alguns metros de sua casa. – eu tenho algo para falar.

- Eu também. – respondi. Ela pareceu surpresa. – Mas pode falar primeiro.

- Bem, você sabe que realmente gosto muito de você – eu já sabia onde isso ia dar. – mas, meu pai foi transferido.

Ê!

- Sinto muito. – disse.

- Enfim – prosseguiu. – acho que é melhor pararmos por aqui.

Concordei.

- Não dirá nada? – perguntou ela.

- Não há nada a dizer. – respondi.

Ela assentiu, e com lágrimas nos olhos me abraçou.

- Vou sentir sua falta! – falou ela.

- Eu – comecei, mas fui interrompido.

Um cara apontava uma faca enorme para nós dois. Era robusto, e mascarado. Estava usando vestes grossas, que não combinavam nada com o clima.

- Yukiteru-kun? – perguntou Wakaba, ainda com os braços em torno de mim. Fiquei em silêncio. Finalmente ela me soltou e olhou para onde eu encarava. Vi que ela ia gritar mas tapei sua boca.

- Quer morrer? – sussurrei em seu ouvido. Ela negou em pânico. Por incrível que parecesse, não tinha medo algum do homem.

- Hoje é meu dia da sorte. – falou o homem. Sua voz era grossa, igual suas vestes. – Garoto, solte a mocinha. Tenho assuntos a tratar com ela.

Segurei Wakaba ainda mais firme.

- Que tipo de assunto? – perguntei.

O homem não esperava por essa.

- Seu intrometido, isso não é da sua conta. Wakaba, — começou, olhando fixamente para Wakaba. – seu pai nunca aprendeu a pagar o que deve?

Então era isso. O pai de Wakaba estava endividado, e por esse motivo sairia da cidade. Soltei Wakaba, que caiu no chão, tossindo.

- Isso não é assunto dela. – falei. – Se quer resolver alguma coisa, resolva com o pai dela.

O homem ponderou um pouco e deu de ombros, virando em direção a casa.

Wakaba se pôs de pé, e correu.

- Não! – gritei. O homem cravou lhe a faca, decepando sua cabeça. Fiquei sem ação.

- Hum, intrometida. – falou o assassino. – Garoto – disse virado pra mim. – é bom que ninguém saiba o que aconteceu aqui, certo? – perguntou.

Assenti. Não sabia o que fazer.

- Ótimo. – disse e saiu, deixando a faca.

Recuperei meus sentidos e olhei Wakaba morta. Ela não era nenhuma Yuno, mas cuidou de mim. Não admitia aquilo.

Senti um ódio imenso que nunca havia sentido antes. Peguei a faca e corri em direção ao homem que estava quase em outra quadra.

Gritei antes de cravar a faca em suas costas, atingindo o coração.

Fora a primeira vez, das muitas seguintes, que eu mataria alguém.

Notas finais
O que achou?